“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Como podemos saber o que é justo e o que é injusto, sem mandamentos ou livros?

Porque desejais saber o que é justo e o que é injusto? Pode alguém vo-lo dizer? Pode  algum livro, algum instrutor, transmitir-vos o conhecimento do que é justo e do que é injusto? Se seguirdes a autoridade de um livro ou de um instrutor, estareis apenas copiando um padrão de pensamento, não é verdade? E pode-se descobrir alguma coisa pelo copiar e pelo ajustar-se? Seguimos um padrão quando queremos um certo resultado; e esse processo não está baseado no temor? Podemos descobrir o que é justo, sob a influência do temor, ou só podemos descobri-lo pela experiência direta?

Enquanto a mente estiver encerrada no processo dual do justo e do injusto, há de haver, obviamente, conflito incessante. Não é possível, porém, descobrir-se o que é verdadeiro, a todas as horas, sem estarmos envolvidos no conflito do justo e do injusto? Tal é o nosso problema, não é verdade? O que é justo e o que é injusto hão de variar sempre em conformidade com o condicionamento e a experiência de cada pessoa, e tem por conseguinte, importância muito reduzida; mas saber-se a todas as horas o que é verdadeiro — isso, sem dúvida, é de grande relevância.

Tende a bondade de prestar atenção. Enquanto estivermos envolvidos no conflito da dualidade — que significa escolha entre o que é justo e o que é injusto — nunca haveremos de conhecer o que é sempre verdadeiro. O que é justo e o que é injusto podem constituir simples opinião, um princípio em que se baseou a nossa educação desde a infância, o cunho de certa civilização, de determinada sociedade; e enquanto estivermos empenhados no imitar, no ajustar-nos a algum padrão, por mais nobre que seja, há de haver essa escolha contínua entre o justo e o injusto, haverá sempre o desejo de fazer o que é correto e, consequentemente, o receio de errar — daí resultando, apenas, respeitabilidade.

Saber, porém, a todas as horas o que é verdadeiro, conhecê-lo inteiramente, profundamente, isso não é nenhuma opinião, nem raciocínio, nem dogma.  O que é verdadeiro não depende de crença alguma. Descobrir o que é verdadeiro é compreender o que é, momento por momento — e isso exige muita vigilância, isenta de julgamento ou comparação; exige uma mente aberta para observar e para sentir.

O que é verdadeiro jamais cria conflito; mas, quando a mente está escolhendo entre o verdadeiro e o falso, essa própria escolha produz conflito. Em geral fomos educados para pensar corretamente e nos abstermos de certas coisas tidas por falsas e, por isso, a nossa mente está sempre a buscar uma coisa e a  evitar outra;  e esse processo de pensar é, em si, um conflito, não achais?

O "correto" pode ser o que diz o sacerdote, o que dizem os vossos vizinhos, os nossos líderes políticos, e, assim, cria-se o padrão a que temos de subordinar-nos; e a mente que se subordina a um padrão nunca pode achar-se em estado de revolta, jamais descobrindo, por conseguinte, aquilo que é eternamente criador. Nessas condições, pode-se descobrir a todas as horas o que é verdadeiro? Ora, não há possibilidade de descobrimento, enquanto houver o conflito da escolha. Para descobrir, a mente tem de estar basicamente tranquila, sem medo de errar.

Entretanto, nós queremos bom êxito, não é verdade? Educam-nos, desde crianças, para ambicionar o bom êxito, e todo livro, toda revista nos dá exemplos disto: o menino pobre que chega a Presidente, etc. Buscando a própria segurança no bom êxito, é a mente obrigada a observar o que é correto, e começa assim a batalha entre o que é correto e o que é errado, começa o eterno conflito da dualidade. Nesse conflito nunca se pode descobrir o que é verdadeiro.

O verdadeiro é o que é e a libertação que resulta da compreensão do que é. Tende a bondade de prestar atenção e de refletir a respeito disso; e se compreenderdes o que está realmente acontecendo, momento por momento, vereis como vos libertareis do conflito do justo e do injusto. Não pode manifestar-se essa compreensão, se estais a julgar ou a ordenar o que é, ou a compará-lo com a passada experiência; e quando não há compreensão do que é, não há libertação.

Para compreender o que é, deve a mente estar livre de toda condenação e julgamento; mas isso requer paciência infinita e pode produzir-vos uma extraordinária revolução na vida, coisa de que a mente tem medo. Por essa razão, nunca examinais o que é e vos limitais a dar opiniões a seu respeito. Enquanto a mente estiver toda ocupada com a escolha entre o que é correto e o que é errado, permanecerá imatura; e este é um dos nossos obstáculos, não achais? Nossas mentes são imaturas; ensinaram-nos o que é correto e o que é errado e, consequentemente, a isso queremos ajustar-nos. O ajustamento é a própria natureza da mente imatura, ao passo que a compreensão do que é constitui o fator revolucionário, na criação.

Krishnamurti - Percepção Criadora




Autoconhecimento: esta é a minha bandeira

Filme: O homem de termo branco

Um filme sobre a descoberta e recusa de novos paradigmas. Este filme mostra um homem em busca do inominado, do não manifesto, do não condicionado. Mostra as limitações do conhecimento, da lógica e da razão para a descoberta do não condicionado. Mostra que o não manifesto é que precisa se apresentar e, que o mesmo se manifesta, quando se depara com a seriedade de propósito. Mostra também a incapacidade de percepção de tal experiência por parte daqueles que ainda são vítimas do medo e das influências condicionantes externas. Vale conferir antes que o Youtube bloqueie. 

O Silêncio de Ser - Mooji

Zen

Título Original: Zen
Gênero: Drama
Lançamento: 2009
País de Origem: Japão
Duração: 127 min
Direção: Banmei Takahashi
Idioma Original: Japonês
Audio: Legendado
Sinopse: Baseado na vida Dogen Zenji (19 de Janeiro de 1200 – 22 de Setembro de 1253), um professor japonês de Zen Budista, fundador da escola Zen de Soto e filósofo importante. Abrir mão de tudo, rendendo-se ao fluxo da natureza e somente sentando-se em meditação. Isto é a essência do Budismo Zen de Dogen. No 13º século, Dogen, um jovem monge japonês viajou à China, determinado a encontrar seu verdadeiro mestre. Lá ele encontrou um monge que lhe ensinou que a meditação Zen é o verdadeiro e único caminho à iluminação. Voltando, esclarecido, ao Japão, Dogen arriscou a sua vida para divulgar o Budismo Zen, inspirando milhões de budistas que praticam ao redor do mundo hoje.

Não sabemos o que significa pensar claramente

A sociedade está progredindo, evolvendo. Há os que entravam esse progresso, que retrocedem, voltando a toda espécie de ideias tradicionais, antiquadas. Sua mente não é contemporânea, não marcha na direita da sociedade. Porque vivem na esfera das ideias, dos conceitos, das abstrações, forçam a sociedade num padrão — como fazem os comunistas, os socialistas, e certas pessoas neste país. Tem padrões, conceitos, que procuram impor aos demais; por conseguinte, não são espíritos contemporâneos. Por “espírito contemporâneo” entendo a mente que está perfeitamente a par da presente situação mundial, não só do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista político, científico, moral, psicológico; da situação deste mundo, que vemos dividido entre Oriente e Ocidente, e dos potentíssimos meios de destruição ora existentes. Tudo isso são fatos; e desses fatos devemos nos abeirar com uma mente fresca, capaz de compreender e de aprender, e não com uma mente tradicional, impelida por padrões.

Assim, pois, antes de começarmos a examinar esta questão do medo, vocês precisam descobrir certas coisas, por si mesmos, como entes humanos — não como indivíduo, porque a individualidade vem muito mais tarde. Só virá a individualidade quando forem completamente humano, sem o atual fundo animal de ambição, de avidez, de inveja, de ódio, etc. Quando a mente está liberta de tudo isso, ela é, então, apenas a mente individual. E, alcançando esse estado mental individual, ocorre algo extraordinário, e terão a capacidade de ultrapassá-lo, Vocês podem presumir que são dotados de uma alma, que são independentes, que são “Eu Superior”, etc.; tudo isso são meras palavras, sem significação, porque vocês são simples resultado do ambiente. Estão lhes ensinando certos padrões de pensamento, vocês vivem numa determinada tribo social, ou raça, ou grupo, ou família; tais padrões lhes condicionam a mente, e vocês ficam a repeti-los. Mas a mente que está desperta, que exige, que questiona, que está consciente de todas as coisas da moderna existência — essa mente deve ter intensa capacidade de humildade. Esta, a humildade, não representa um estado de menosprezo próprio, um estado de aceitação, de aquiescência, de ajustamento — pois, num tal estado, a mente não é mente. Vocês devem pensar com muita clareza, para questionarem muito clara e penetrantemente, não só o orador, porém todo o mundo — seus líderes políticos, religiosos, econômicos — de modo que a mente de vocês se torne aguçada pelo aprender. Mas esse aprender lhes é negado ao seguirem a autoridade.

Não sei se ainda não notaram esta veneração da autoridade, existente em vocês e ao redor de vocês, principalmente nos países que tem antiquíssimas tradições, nos países superpovoados. A palavra “autoridade” deriva-se de uma palavra que significa¹: “aquele que dá origem a alguma coisa, aquele que origina”. Nós não somos originais, porque não sabemos, não compreendemos o que significa pensar claramente, independentemente do que foi dito por Sankara, por Buda, ou outro qualquer. Para o indivíduo pensar claramente, por si próprio, não deve haver nenhuma autoridade. Mas, por desgraça, principalmente neste país (talvez também noutros, mas estamos nos referindo a este país) a autoridade predomina. Não estamos comparando este país com nenhum outro país; esta é uma velha manha dos políticos: quando se diz que o país está corrupto, o político replica que ele é melhor, menos corrupto do que outro país; acham eles, os políticos, que estão fazendo maravilhas... Mas, estamos falando de uma coisa completamente diferente. Não estamos comparando. Estamos vendo os fatos. E, para se verem os fatos, não se deve comparar — como é possível comparar? E para se verem os fatos. Não intelectualmente, exige-se muita afeição, muita compaixão, amor intenso, empatia.Mas, é negada essa afeição, esse amor, quando se venera a autoridade.

Considerem bem o que o orador está dizendo; não concordem com ele. Observem o que está ocorrendo na própria vida de vocês, porque a obediência à autoridade é uma das origens do medo. Temos o Guita ou outro livro, e tal livro é nossa autoridade; essa autoridade é completamente sem significação, em relação à existência contemporânea(³). Porque a mente tem medo de afastar-se daquilo que pensa ser o real (“o real”, conforme afirmado por um certo grupo ou por certas pessoas), ela aceita. Vocês aceitam a autoridade, não só espiritualmente — se me permitem o emprego desta palavra, — mas também politicamente, religiosamente, em todos os sentidos. A autoridade não existe apenas sob um certo aspecto — a autoridade ou o domínio da mulher sobre oi marido ou do marido sobre a mulher. Todos queremos o poder; e o poder está associado à ambição, e esta é uma forma de expressão individual. Todos desejamos “nos expressar”; quer dizer, desejamos ser alguém neste mundo — como escritor, pintor, político, líder religioso, etc., etc. Assim, pois, a mente que está escravizada à autoridade — à autoridade da mulher, do marido, da sociedade, do povo — a mente que venera a autoridade é incapaz de afeição, de amor, ou de aprender. Vocês podem seguir outro homem, mas pelo fato de o seguirem, não resolverão o sofrimento de vocês. Ele poderá lhes dar a possibilidade de fugir do sofrimento de vocês, do desespero, lhes oferecendo uma esperança, mas essa esperança pode ser ilusória, irreal, fútil. Temos tanto medo da existência, que desejamos certa esperança, e, assim, corporificamos na autoridade essa esperança.

Por conseguinte, para compreender o medo, deve a mente compreender a autoridade, o desejo de preenchimento pessoal e a ânsia de poder. A função confere poder. Isto é, vocês têm a capacidade de fazer certa coisa — capacidade para governar, para montar máquinas, administrar uma casa com ordem, asseio, simplicidade — e isso lhes confere uma função. Mas, infelizmente, à função está associada a categoria, ou seja, posição, dinheiro. Assim, a mente que deseja aprender dever ter essa humildade... já ia dizendo “humildade bastante agressiva”. “Humildade agressiva” é naturalmente uma expressão contraditória; mas entendam bem o que quero dizer, isto é, que essa mente deve ter a intensidade da não-consentimento, uma vez que a humildade é a companheira da liberdade. E se não há liberdade, vocês não tem a possibilidade de aprender. Assim sendo, para compreenderem o medo, vocês devem compreender todo o processo da autoridade — o que não implica a desobediência... Vocês têm de pagar impostos. É importante compreender porque obedecemos, mas isso não significa que devemos desobedecer. Vocês obedecem porque, psicologicamente, interiormente, vocês têm medo: podem perder o emprego se não se mostrarem cordiais e subservientes para com certo “homem importante”, o gerente ou o ditador, o patrão ou o guru; ou perder seus valores espirituais, etc.

(...) Vocês necessitam, todos os dias, de uma mente fresca para compreenderem suas famílias, suas esposas ou maridos, os filhos; necessitam de uma mente fresca para aprenderem a executar eficientemente o trabalho de vocês. Estamos, pois, tentando compreender os problemas. Trata-se de seus problemas e por conseguinte, vocês não têm apenas de escutar palavras, de recitá-las, aceita-las, ou dizer que “é isso mesmo”, ou ter opiniões.

Cumpre, pois, distinguir — quando se compreende a autoridade — porque obedecemos à lei e porque obedecemos psicologicamente. Devemos também compreender o que é função e o que é posição. Porque, através da função queremos posição. O que mais nos interessa não é a função, porém a posição. Porque a posição — nos conferindo certos privilégios se torna muito mais importante do que a função. Mas, se se considera apenas a função — e nenhuma consideração se dá à posição — nesse caso, o cozinheiro é tão importante como o Primeiro-Ministro. Ambos estão apenas desempenhando funções e, assim, vocês formam sobre os dois uma mentalidade inteiramente diferente: vocês não dão pontapés no cozinheiro nem bajulam o Primeiro-Ministro. Tratam ambos como funcionários — e não como máquinas — como entes humanos sujeitos a errar. Mas no momento em que lhes vêm a ideia de posição, começa então o desrespeito; e, quando começa o desrespeito, estão perdidos; mostram respeito a um e desrespeito a outro. A mente que compreende, em seu todo, esse processo psicológico da autoridade, deve examiná-lo, porque aí se encontra uma das raízes do medo.

Krishnamurti — Uma nova maneira de agir - Cultrix 

Qualquer um que lhe dê um sistema de crenças é seu inimigo

Para o rebelde, o ontem, nunca será o amanhã

O rebelde é aquele que vive do seu próprio modo, que age conforme sua própria inteligência. Ele cria seu caminho andando por ele, não segue a multidão na estrada principal.

A vida dele é perigosa - mas uma vida sem perigo não é vida. Ele aceita o desafio do desconhecido. Ele não encontra o desconhecido que vem do futuro preparado pelo passado. Isso cria a angústia da humanidade; o passado lhe prepara, e o futuro nunca vai ser o passado. O seu ontem nunca será o seu amanhã.

Mas até agora é assim que o homem tem vivido: seus ontens o preparam para os seus amanhãs. A própria preparação se torna um obstáculo. Você não consegue respirar livremente, não consegue dançar livremente - o passado o podou de todas as maneiras. A carga do passado é tão pesada que todas as pessoas estão esmagadas sob ela.

O rebelde simplesmente diz adeus ao passado.

É um processo constante; assim, ser um rebelde significa estar continuamente em rebeldia - pois cada momento se tornará o passado; todos os dias se tornarão o passado.

Não é que o passado já esteja na cova - você está passando por ele a cada momento.

Assim, o rebelde tem de aprender uma nova arte: a arte de morrer para cada momento que passar, para que ele possa viver livremente no novo momento que chegou.


Osho, em "Rebeldia: Uma Qualidade Essencial"

A dolorosa cirurgia no Ser que somos



Postulados sobre rebeldia inteligente

O rebelde precisa ser não-violento, por simples necessidade: a menos que ele seja não-violento ele não pode ser o veículo de uma humanidade pacifica, sem guerras e sem classes.

O rebelde não pode estar dividido; ele não pode ser alguém que escolhe. Não pode escolher algumas coisas do passado e deixar de escolher algumas outras. O passado como um todo precisa ser completamente refutado, somente então, poderemos nos livrar da barbaridade na humanidade, da crueldade, da violência e de um desrespeito profundamente enraizado pela vida e pela existência.

Minha abordagem é a pela reverência pela vida: o rebelde estará pronto para morrer, mas não para matar. É a dignidade do ser humano, morrer por uma causa. É animalesco matar alguém, não importa quão grande a causa possa ser – ao matar, você a estragou completamente.

O rebelde precisa confiar no amor, no estado meditativo, estar consciente de sua imortalidade, que mesmo que seu corpo seja crucificado, ele permanece intocado.

No que se refere a minha rebelião, ao meu rebelde, a violência está simplesmente fora de questão: ele não pode destruir, nós destruímos o suficiente; ele não pode matar: nós matamos o suficiente. É hora de parar toda essa maneira de vida idiota.

Nem todos os rebeldes são iluminados, mas todos iluminados são rebeldes. A pessoa pode ser rebelde sem ser iluminada. Lênin, Marx, Tolstoi, são rebeldes, mas nenhum deles é iluminado e a rebelião deles permanecerá relacionada a situações sociais, econômicas e políticas muito comuns.

Quando digo que o iluminado sempre é um rebelde, não quero dizer social, política e economicamente, mas, existencialmente. Ele é uma pessoa transformada. Ele conhece o seu próprio ser e conhece o esplendor de seu ser. Ele não está mais em nenhuma viagem de poder, pois ele não pode ter poder maior do que aquele que está desabrochando de seu próprio ser.

Existem rebeldes que estão tentando mudar formas sociais, sociedades, comunismos, socialismo, anarquismo. Esses são rebeldes comuns e existem Budas que transmutaram seus próprios seres, que encontraram sua própria fonte de vida e ao encontrá-la, transcenderam tudo o que parece tão importante para as outras pessoas. Toda essa tolice de ser hindu, mulçumano ou cristão se torna muito infantil. Um Buda, simplesmente pode rir da estupidez humana; sua risada o torna muita mais rebelde do que seus supostos grandes rebeldes.

O novo rebelde não irá se conformar com o sistema e os seus interesses. Ele está completamete despreocupado em relação à sua respeitabilidade, reputação, honra, adoração; ele não necessita dessas coisas. As pessoas que estão vazias por dentro é que necessitam todos esses adornos.

O novo rebelde é um ser iluminado - ele está realizado e profundamente satisfeito. Ele se mantém à parte e só, com uma clareza sobre tudo. Ele falará, e se isso for contra a sociedade, contra a herança, contra a antiga tradição, contra as escrituras, não importa.

Para o novo rebelde, a verdade é a única religião. Ele está pronto para ser condenado em nome da verdade; ele está disposto a ser crucificado em nome da verdade.

O novo rebelde é um indivíduo absolutamente livre de todos os grilhões da multidão - mesmo que esses grilhões sejam de ouro. Ele é tão livre como um pássaro a voar. Ele não aceitará nenhuma gaiola, por mais preciosa que seja. A verdade é a sua religião, a liberdade é o seu caminho. E ser ele mesmo, totalmente ele mesmo, é o seu objetivo.

Não obedeça ninguém.
Simplesmente obedeça seu ser.
Para onde ele o levar, vá sem temor, em liberdade.
Uma vez percebida uma certa verdade, você nada mais poderá fazer além de obedecê-la.
Mas precisa ser a sua visão, sua percepção, a sua compreensão.
Comece com a desobediência.
A sociedade tudo lhe dará se você der a sua liberdade.
Ela lhe dará respeitabilidade, grandes postos na hierarquia, na burocracia - mas você precisa abandonar uma coisa: sua liberdade, sua individualidade. Você precisa se tornar um número na multidão.
A multidão odeia a pessoa que não é parte dela.
A multidão fica muito tensa percebendo um estranho entre ela, pois o estranho se torna um ponto de interrogação.
A vida necessita de transformação, e transformação é um grande trabalho sobre você mesmo. Não se trata de um jogo infantil:
"Simplesmente acredite em Jesus Cristo, continue a ler repetidamente a Bíblia e será salvo".
Salvo do quê?
Salvo da tranformação!

O homem, agora, precisa destruir todos os tipos de servidão e sair de todas as prisões - escravidão, não mais. O homem tem de se tornar um indivíduo. Tem de se tornar um rebelde. E quando um homem se torna um rebelde... De vez em quando, algumas pessoas escapam da tirania do passado, mas só de vez em quando - um Jesus aqui e ali, um Buda aqui e ali. Elas são excessões. E mesmo essas pessoas, Buda e Jesus, não conseguiram viver plenamente. Tentaram, mas a sociedade inteira foi contra.

Até hoje, nenhuma sociedade foi capaz de dar liberdade a suas crianças para que fossem elas mesmas. Isso parece arriscado. Elas podem se revelar rebeldes. Podem não seguir a religião dos seus antepassados; podem não achar que os grandes políticos sejam realmente grandes; podem não confiar em seus valores morais. Elas encontrarão sua própria moralidade e estilo de vida... Não serão réplicas, não repetirão o passado; elas serão seres do futuro.

É uma alegria ver um homem que, em si mesmo, é uma revolução, porque ele cumpriu o seu destino. Ele transcendeu a massa medíocre, a multidão adormecida.

Por milhares de anos você tem permanecido identificado com a mente, tem despejado muita energia nela. Ela segue girando e girando, por meses e anos. Mas se você conseguir permanecer um observador silencioso, um observador na colina, então pouco a pouco a energia, o momentum, é perdido e a mente chega a parar.

No dia em que a mente parar, você chegou. A primeira visão do que é Deus e de quem é você acontece imediatamente, porque uma vez que a mente para, toda a sua energia que tinha permanecido envolvida com ela é liberada. E essa energia é tremenda, é infinita: ela começa a descer em você. É uma grande bênção, é graça.

Os chamados revolucionários seguem fracassando porque eles continuam tentando dar um jeito nas mesmas coisas da mente. Alguém acredita em Deus e daí aparece um revolucionário que diz, "Não há Deus algum e eu não acredito em Deus". Mas ele é tão fanático com suas idéias como as pessoas que acreditam em Deus.

Crentes e descrentes, ambos são fanáticos. Uns se apegam ao sim e outros se apegam ao não, mas sim e não, ambos são partes da mente. Você escolhe uma parte e um outro alguém escolhe a outra parte. Um é cristão e o outro é hindu, mas ambos são mentes. Um escolheu a Bíblia e o outro escolheu os Vedas, mas ambos são partes da mente.

Então, quem é realmente religioso? Aquele que não fez escolhas a partir da mente. Você não pode chamá-lo cristão, nem hindu, nem comunista; você não pode chamá-lo teísta nem ateu. Ele simplesmente é. Ele é indefinível. Você não consegue rotulá-lo. Ser é tão vasto que não pode ser rotulado. Nenhuma palavra é adequada o suficiente para descrever o ser. Em tal vastidão, a liberdade; em tal vastidão, a felicidade.

No momento em que você entende que é um lunático, você vai além; o primeiro passo em direção à sanidade foi dado.

As pessoas nunca são dão conta de que são loucas e, por não se darem conta, permanecem loucas. E não somente elas não se dão conta, mas, se você lhes disser isso, elas se defenderão, argumentarão e tentarão dizer que louco é você, e não elas.
Todo o mundo é lunático. Uma vez percebido que você é um lunático, a sanidade começou, ela já está em atividade. Ao perceber que você é insano, você já abandonou a sua loucura.

A "Vitamina E" do entusiasmo

A mente política é um entrave à mente global

Nós fragmentamos a terra em sua e minha – sua nação, minha nação, sua bandeira e a bandeira dele, esta religião particular e a religião do homem lá longe. O mundo, a terra está dividida, fragmentada. E por isso nós lutamos e disputamos, e os políticos exultam o seu poder de manter esta divisão, nunca olhando o mundo como um todo. Eles não conseguiram a mente global. Eles nunca sentiram nem perceberam a imensa possibilidade de não haver nacionalidade, nem divisão, eles não podem perceber a feiura do poder deles, sua posição e seu sentido de importância. São como você ou o outro, apenas ocupam o assento do poder com seus pequeninos desejos e ambições, e assim, aparentemente, mantém, enquanto o homem está sobre esta terra, a atitude tribal em relação à vida. Eles não têm uma mente que não está comprometida com algum ponto, algum ideal, ideologias – uma mente que passa além da divisão de raça, cultura, das religiões que o homem inventou. Os governos devem existir enquanto o homem não for uma luz para si mesmo, enquanto ele não viver sua vida diária com ordem, cuidado, trabalhando diligentemente, olhando, aprendendo. Ele precisa que lhe digam o que fazer. Foi lhe dito o que fazer pelos anciãos, pelos gurus, e ele aceitou as ordens deles, suas destrutivas disciplinas peculiares como se eles fossem deuses nesta terra, como se conhecessem as implicações dessa vida extraordinariamente complexa.

- Krishnamurti to Himself |

A educação está em suas mãos e não nas de algum governo ou sistema

Pergunta: Qual é o lugar da disciplina na educação? 

Krishnamurti: Eu diria nenhum. Um momento, explicarei depois. Qual é o propósito da disciplina? O que você quer dizer com disciplina? Você, sendo o professor, quando você disciplina, o que acontece? Você está forçando, obrigando; há compulsão, mesmo delicada, mesmo gentil, o que significa conformidade, imitação, medo. Mas você dirá, “Como pode uma grande escola ser dirigida sem disciplina?” Não pode. Portanto, grandes escolas deixam de ser instituições educacionais. São instituições rentáveis, para o patrão ou para o governo, para o diretor ou o dono. Senhor, se você ama seu filho, você o disciplina? Você o obriga? Força-o em um padrão de pensamento? Você o olha, não é? Tenta entendê-lo, tenta descobrir quais são os motivos, os anseios, os impulsos, que estão por trás daquilo que ele faz; e compreendendo-o, você produz o ambiente correto, a quantidade correta de sono, a comida correta, a quantidade correta de brincadeira. Tudo isso está implicado, quando você ama uma criança; mas nós não amamos as crianças porque não temos nenhum amor em nossos corações. Apenas criamos crianças. E naturalmente, quando você tem muitas, deve discipliná-las, e a disciplina se torna um caminho fácil nessa dificuldade. Afinal, disciplina significa resistência. Você cria resistência contra aquilo que você está disciplinando. Você pensa que a resistência produzirá compreensão, pensamento, afeição? A disciplina só pode construir muros em sua volta. A disciplina é sempre exclusiva, ao passo que a compreensão é inclusiva. A compreensão chega quando você investiga, quando examina, quando explora, o que requer consideração, cuidado, pensamento, afeição. Numa escola grande, tais coisas não são possíveis, mas apenas numa escola pequena. Mas escolas pequenas não são lucrativas para o dono particular ou para o governo e desde que você, que é responsável pelo governo, não está realmente interessado em seus filhos, que importa? Se você amasse seus filhos, não simplesmente como brinquedos, como coisas para diverti-lo um pouco e um aborrecimento depois, se você realmente os amasse, permitiria que todas estas coisas continuassem? Não gostaria de saber o que eles comem, onde dormem, o que fazem o dia inteiro; se batem neles, se são oprimidos, se são destruídos? Mas isto significaria uma investigação, consideração pelos outros, seja por seus próprios filhos ou os de seu vizinho; e você não tem consideração, seja por seus filhos, ou por sua esposa ou marido. Assim, o problema está em suas mãos, senhores, não nas mãos de algum governo ou sistema.

- J.Krishnamurti - The Collected Works, Vol IV Bombay 9th Public Talk 13th March, 1948

Intelecto: a venda da visão holística

Nunca vemos algo por inteiro, porque estamos sempre olhando com o intelecto. Isto não significa que não se deva fazer uso do intelecto; pelo contrário, temos de fazer uso do intelecto em sua máxima capacidade. Mas a função do intelecto é fracionar as coisas; ele foi educado para observar por partes, não totalmente. Estar inteiramente consciente do mundo, da Terra, isso implica nenhum senso de nacionalidade, nem tradição, nem deuses, nem igrejas, nem repartições de terras, nem divisão da Terra em coloridos mapas. E ver a humanidade como constituída de entes humanos não significa segregá-los em europeus, americanos, russos, chineses ou indianos. Mas o intelecto recusa-se a ver totalmente a Terra e o homem que a habita, porque o intelecto foi condicionado através de séculos de educação, tradição e propaganda. Assim, o intelecto com todos os seus mecânicos hábitos, seus instintos animais, seu impulso para permanecer em segurança, protegido, jamais pode ver coisa alguma em sua totalidade. Entretanto, é o intelecto que nos domina; é o intelecto que está sempre funcionando.

Por favor, não salte logo para a ideia de que deve haver algo além do intelecto, de que em nós deve habitar um espírito, com o qual devemos entrar em contato, e outros absurdos de igual espécie. Estou caminhando passo a passo; assim, tenha a bondade de seguir-me, se o desejar.

O intelecto, pois, foi condicionado — pelo hábito, pela propaganda, pela educação, por todas influências diárias, pela insignificância da vida e por seu próprio e incessante tagarelar. E é com esse intelecto que olhamos. Esse intelecto, ao escutar o que se diz, ao contemplar uma árvore, um quadro, ao ler um poema ou ouvir um concerto, é sempre fracionário; sempre reage em termos de "gosto" e "não gosto", em termos de vantagem ou desvantagem. A função do intelecto é reagir e, se assim não fosse, seríamos destruídos da noite para o dia. É, portanto, o intelecto, com todas as suas reações, lembranças, impulsos e compulsões — tanto conscientes como inconscientes — que olha, vê, escuta e sente. Mas o intelecto, sendo, em si, parcial, produto do tempo e do espaço, da educação — conforme já descrevemos — não pode ver totalmente. Está sempre comparando, julgando, avaliando. Mas a função do intelecto é reagir, avaliar; por conseguinte, para poder ver a coisa totalmente, o intelecto tem de suspender sua atividade. Espero que esteja me explicando claramente.

Deste modo, o percebimento total de uma coisa só pode ser verificado quando intelecto é altamente receptivo à razão, à dúvida, à indagação, mas ao mesmo tempo reconhece as limitações de raciocinar, de duvidar, do indagar e, portanto, não permite a si mesmo interferir no que está vendo. Se você deseja realmente descobrir algo que seja mais do que produto do intelecto, este deve em primeiro lugar alcançar os seus limites, interrogando, argumentando, examinando, desejando descobrir e conhecer sua existência limitada, parcial; e essa própria experiência, esse conhecer da limitação, aquieta a mente, o intelecto. Há então a visão total.

(...) O importante é compreender o que se entende por "ver totalmente", e não apenas ver uma coisa, tal como o medo, o amor, o ódio, isto ou aquilo. Quando você deseja ver o medo totalmente, seu desejo é de se livrar do medo, não é verdade? E o próprio desejo de "se livrar" ou de "ganhar" impede a visão total. Como você sabe, tudo isso implica uma grande soma de autoconhecimento — conhecimento de tudo o que lhe diz respeito, de todos os escaninhos de si mesmo. Quando você vê no espelho o seu rosto, o conhece muito bem, cada curva, cada linha, cada ângulo; e da mesma maneira uma pessoa deve se conhecer profundamente, não apenas seu "eu" consciente, mas também todas as camadas ocultas do inconsciente.

O que desejo lhe transmitir, se possível, é só uma coisa — não ideias, nem sentimentos, nem uma certa coisa extraordinária, "espiritual", porém o quanto é importante VER TOTALMENTE. E ver totalmente significa ver sem julgamento, sem condenação, sem avaliação. Significa também que o intelecto não está reagindo àquilo que vê, porém, tão-só, observando, naquele estado em que não existe pensador separado da coisa observada. Isso é sumamente difícil e, portanto, não pense em alcançar esse estado por meio de palavras. Significa compreender por inteiro a questão da contradição, porque todos nós nos achamos num estado contraditório.

Krishnamurti — O Passo Decisivo


A ordem não vem por meio do ajustamento ou da imitação

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Existe grande confusão no mundo. Exteriormente, existe pobreza, fome e corrupção; interiormente, também, existe confusão, sofrimento e pobreza do ser. Existe contradição no mundo. Os políticos se declaram em favor da paz e preparam a guerra; fala-se de união da humanidade, e ao mesmo tempo estamos assistindo à sua desintegração. E do meio desse caos, dessa desordem, todos desejamos que saia a ordem. Temos paixão pela ordem. Assim como tempos paixão por manter nossos quartos limpos e bem arrumados, assim também temos paixão por colocar o mundo em ordem. Não sei se temos refletido profundamente nessa palavra, no que ela implica. Queremos ordem interiormente, queremos viver sem contradição, sem luta, sem confusão, de maneira que exclua todo sentimento de desarmonia e luta; e, assim, recorremos aos líderes, para que nos deem a ordem, ou aderimos a grupos, ou seguimos certos idealismos, a sistemas de disciplinas. Eis como elegemos autoridades espirituais; queremos que nos mostrem o que devemos fazer. Tentamos produzir a ordem pelo ajustamento, pela imitação.

Do mesmo modo desejamos a ordem externa, na política, no mundo dos negócios. Por essa razão existem os ditadores, tiranos, governos totalitários que prometem a ordem total, na qual a ninguém é permitido pensar. Ensinam-lhe aquilo que você deve pensar, da mesma maneira como lhe ensinam o que pensar quando você pertence a uma igreja ou a um grupo que acredita num certo idealismo. A tirania da igreja é tão brutal como a tirania dos governos. Mas gostamos dela, porque desejamos a ordem a qualquer preço. E a temos. A guerra produz uma ordem extraordinária num Estado. Todos cooperam para a mútua destruição.
Assim, é importante compreender essa obsessão pela ordem. A sujeição de nossa própria confusão à autoridade, interna ou externa, produz a ordem? Você compreende a pergunta?

Vejo-me confuso e não sei o que fazer. Minha vida é estreita, limitada, confusa, infeliz — encontro-me num estado de contradição e não sei o que fazer. Assim sendo, dirijo-me a alguém, a um instrutor, a um guru, santo, salvador; e provavelmente alguns de vocês vieram aqui com igual propósito. Assim, por causa da sua confusão você escolhe o seu líder, e quando você atua motivado pela confusão, sua escolha só pode criar mais confusão. Você se abandona à autoridade — e isso significa que não deseja pensar, não deseja descobrir por você mesmo o que é verdadeiro e o que é falso. Descobrir o que é verdadeiro e o que é falso é dificílimo; temos de estar muito ativos, muito vigilantes. Mas, como em geral somos preguiçosos, insensíveis, não profundamente sérios, preferimos que nos digam o que devemos fazer; e para isso temos os santos, os salvadores, os instrutores, para dirigirem nossa conduta interior; e exteriormente temos os governos, os tiranos, os generais, os políticos, os especialistas. E esperamos que, seguindo-os, nossas tribulações gradualmente terminarão e, por conseguinte, teremos ordem.

Certamente, a palavra "ordem" implica tudo isso, não? Ora, a exigência de ordem produz ordem? Considere isso, por favor, pois desejo examinar esse ponto. A meu ver, a autoridade e o poder, de qualquer espécie que sejam, são destrutivos. O poder, em qualquer forma, é maléfico, porque estamos confusos; porque não sabemos, queremos ser ensinados.

(...) Para mim o que importa é perceber a existência da desordem exterior e interior, e que a exigência de ordem é simplesmente exigência de segurança, garantia, certeza. E infelizmente não existe segurança, nem interna, nem externa. Os bancos poderão falir, poderá haver guerra, há a morte, os valores da bolsa poderão sofrer uma queda desastrosa — tudo pode acontecer, e coisas terríveis já estão acontecendo. Como vemos, a exigência de ordem é exigência de segurança; e é isso o que todos, velhos e moços, queremos. Não temos muita preocupação quanto à segurança interior, porque não sabemos como proceder para obtê-la, mas esperamos alcançar pelo menos a segurança exterior, com bons bancos, bons governos, uma tradição duradoura. A mente assim, torna-se gradualmente satisfeita, embotada, segura, confinada na tradição, e essa mente, como é bem óbvio, nunca descobrirá o que é verdadeiro ou o que é falso; é incapaz de enfrentar o tremendo desafio da existência.

(...) Viver num mundo exterior onde não existe segurança, e viver num mundo interior onde nenhuma tradição existe, onde não existe amanhã nem hoje — isso significa que a pessoa se torna desequilibrada, completamente insana, ou extraordinariamente viva e saudável.
Isso não é questão de escolha. Não se pode escolher entre a segurança e a insegurança; mas é fácil perceber que não existe segurança interior, psicológica. Nenhum estado de relação oferece segurança; e por mais fortemente que estejamos apegados a uma certa doutrina, crença, a isso sempre está associada a dúvida, a desconfiança, o medo. Uma investigação desta natureza é necessária, quando existe paixão pela ordem.

Tampouco, não é verdadeiro o contrário disso: que devamos viver na desordem, no caos. Isso é apenas uma reação. Você sabe que vivemos e atuamos por efeito de reação. Todas as nossas ações são reações. Não sei se já notou isto. E se vemos que a ordem não é possível, pensamos então, invariavelmente, que deve haver o oposto, a desordem, a reação à ordem. Mas se é percebida a verdade de que a exigência de ordem implica tudo o que acabamos de apontar, então, do descobrimento do que é verdadeiro resulta a ordem verdadeira. Estou sendo claro? Vou expressá-lo de maneira diferente.

Certamente, a paz não é a ausência de guerra. A paz é coisa diversa. Não é o intervalo entre duas guerras. Para descobrirmos o que é a paz, precisamos estar completamente libertados da violência. Para nos libertarmos da violência, requer-se tremenda investigação da violência. Isso significa perceber realmente que na violência estão implicados compulsão, ambição, desejo de sucesso, perfeita eficiência, autodisciplinamento, e o seguimento de certas ideias e ideais. Certamente, forçar a mente a ajustar-se — não importa se a um padrão nobre ou desprezível — implica violência.

Dizemos que, se não nos ajustarmos, haverá caos. Mas tal afirmativa é uma reação, você não  acha? A violência não é uma coisa superficial; o sondá-la requer muita investigação. A cólera, o ciúme, o ódio, a inveja, tudo isso são expressões da violência. Estar livre da violência é estar em paz, não achar-se num estado de desordem. Eis porque o conhecimento de si mesmo não é simplesmente uma questão de se considerarem as coisas ocasionalmente, pelo espaço de uma manhã, e não cuidar mais disso pelo resto da semana. O conhecimento de si mesmo é uma questão muito séria.

Assim, compreender a ordem é muito mais importante do que a reação pela qual dizemos: "Se não houver ordem, haverá caos" — como se o mundo em que vivemos fosse uma maravilha, belo e deslumbrante, sem caos nem sofrimento! Basta olhar a nós mesmos, para vermos como somos interiormente pobres. Somos vazios de afeição, de simpatia, de amor, somos feios, e muito facilmente influenciáveis; e há sempre essa busca de companhia, a impossibilidade de estarmos sós.


É importante, pois, considerarmos a ordem em sua totalidade, e não apenas pedacinhos dela, aqueles que preferimos. E é dificílimo vermos uma coisa totalmente — como se vê a árvore inteira. Falei um pouco extensamente a respeito da ordem, da autoridade, do ajustamento; e, se você puder ver isso de maneira total, verá então como o cérebro, a mente, se livra dessa exigência de ordem e, portanto, do desejo de seguir — seja um herói nacional, o mito ou a outros absurdos, seja o seu instrutor preferido, guru, santo, etc. 

Krishnamurti — O Passo Decisivo 

Transforme a si mesmo... Transforme o mundo

Nós podemos mudar o mundo todo, MAS NÃO PELA LUTA. Não desta vez. Já BASTA! Temos que mudar este mundo pela celebração, pela dança, pelo canto, pela música, pela meditação, pelo amor, pela consciência - não pela luta.

O velho tem que cessar, para que o novo surja, mas, por favor, não me interprete mal. Certamente o velho tem que cessar, mas o velho está dentro de você, não fora. Eu não estou falando das velhas estruturas da sociedade, eu estou falando da velha estrutura da sua mente, a qual tem que cessar para que o novo surja.

E é incrível, inimaginável, inacreditável como um simples homem abandonando a velha estrutura da mente cria um espaço tão grande para muitos transformarem as suas vidas. Um simples homem transformando a si mesmo, torna-se um desencadeador. E então, muitos outros começam a mudar. A sua presença se torna um agente catalisador.

Esta é a rebelião que eu ensino: você abandona a velha estrutura, você abandona a velha cobiça, você abandona o velho idealismo. Você se torna uma pessoa silenciosa, meditativa, amorosa. Você será mais uma dança e então verá o que acontece. Alguém, mais cedo ou mais tarde, irá juntar-se à dança com você, e depois, outras pessoas mais.

A alegria é contagiosa! Ria e você verá outras pessoas começando a rir. Assim é com a tristeza; fique triste e alguém olhando para a sua face séria, de repente se tornará triste. Nós não somos separados, nós estamos juntos, ligados.

Assim, quando o coração de alguém começa a rir, muitos outros corações começam a ser tocados, algumas vezes até corações distantes.

OSHO, The Guest, # 12

Quem irá se interessar por isso?

Extrato do diálogo entre Krishnamurti e David Bohm realizado em 20/06/1983.
legendado em português.

O pensamento é o velho, mesmo de roupa nova

Olhando com olhos abertos para dentro

A ditadura da inconsciência de si mesmo

O medo da liberdade


Olhe uma rosa: ela é bela, mas não existe liberdade alguma de florescer ou não florescer. Não existe problema, não existe escolha. A flor não pode dizer, "Eu não quero florescer", ou "Eu me recuso". Ela nada tem a dizer, nenhuma liberdade. É por isso que a natureza é tão silenciosa (...).

Com o surgimento do homem, pela primeira vez aparece a liberdade. O homem tem a liberdade de ser ou não ser. Por outro lado, surge a angústia, o medo de que ele possa ou não ser capaz, medo do que vai acontecer. Existe um tremor profundo. Todo momento é um momento em suspense. Nada é seguro ou certo, nada é previsível com o homem: tudo é imprevisível. 

Nós conversamos a respeito da liberdade, mas ninguém gosta de liberdade. Nós falamos sobre liberdade, mas criamos escravidão. Toda liberdade nossa é apenas uma troca de escravidão. Nós seguimos mudando de uma escravidão para outra, de um cativeiro para outro.

Ninguém gosta de liberdade porque liberdade cria medo. Com a liberdade você tem que decidir e escolher. Nós preferimos pedir a alguém ou a alguma coisa para nos dizer o que fazer – à sociedade, ao guru, às escrituras, à tradição, aos pais. Alguém deve nos dizer o que fazer: alguém deve mostrar o caminho, para que possamos seguir – mas nós não conseguimos nos mover por nós mesmos. A liberdade existe, mas existe o medo.

É por isso que existem tantas religiões. Não é por causa de Jesus, de Buda ou de Krishna. É por causa de um enraizado medo da liberdade. Você não consegue ser simplesmente um homem. Você tem que ser um hindu, um muçulmano ou um cristão. Apenas por ser um cristão, você perde a sua liberdade; sendo um hindu, você não é mais um homem – porque agora você diz, "eu seguirei uma tradição. Eu não vou caminhar no inexplorado, no desconhecido. Eu seguirei num caminho bem marcado com pegadas. Eu caminharei atrás de alguém; eu não seguirei sozinho. Eu sou um hindu, assim eu seguirei com uma multidão; eu não caminharei como um indivíduo. Se eu me mover como um indivíduo, sozinho, haverá liberdade. Então, a todo momento eu terei que decidir, eu terei que gerar a mim mesmo, a todo momento estarei criando a minha alma. E ninguém mais será responsável: somente eu serei o responsável final."

Nietzche disse ‘Deus está morto e o homem está totalmente livre.’ Se Deus está realmente morto, então o homem está totalmente livre. E o homem não tem tanto medo da morte de Deus: ele tem muito mais medo da sua liberdade. Se existe um Deus, então tudo está bem. Se não existe Deus, então você foi deixado totalmente livre – condenado a ser livre. Agora faça o que você gosta e sofra as consequências, e ninguém mais será responsável, só você. 

Erich Fromm escreveu um livro chamado "O Medo da Liberdade". Você se apaixona e começa a pensar em casamento. O amor é uma liberdade; o casamento é uma escravidão. Mas é difícil encontrar uma pessoa que se apaixona e não pense imediatamente em casamento. Existe o medo porque o amor é uma liberdade. O casamento é uma coisa segura; nele não existe medo. O casamento é uma instituição – morta; o amor é um evento – vivo. Ele se move; ele pode mudar. O casamento nunca se move, nunca muda. Por causa disso o casamento tem uma certeza, uma segurança.

O amor não tem certeza nem segurança. O amor é inseguro. A qualquer momento ele pode sumir de vista da mesma forma como apareceu do nada. A qualquer momento ele pode desaparecer! Ele é muito sobrenatural; ele não tem raízes na terra. Ele é imprevisível. Por isso, "é melhor casar. Assim, fincamos raízes. Agora esse casamento não vai evaporar no nada. Ele é uma instituição!" 

Em toda situação – exatamente como no amor –, quando encontramos liberdade, nós a transformamos em escravidão. E quanto mais cedo melhor! Assim nós podemos relaxar. Por isso, toda história de amor termina em casamento. "Eles se casaram e viveram felizes para sempre."

Ninguém está feliz, mas é bom terminar a história ali porque em seguida vai começar o inferno. Por isso toda história termina no momento mais bonito. E qual é esse momento? É quando a liberdade se torna escravidão! E isso não é apenas com o amor: isso é com tudo. Assim o casamento é uma coisa feia; é provável que venha a ser. Toda instituição tende a ser uma coisa feia porque ela é apenas um corpo morto de algo que um dia foi vivo. Mas com uma coisa viva, a incerteza provavelmente estará presente.

"Vivo" quer dizer que pode mover, pode mudar, pode ser diferente. Eu amo você; no próximo momento eu posso não amar. Mas se eu sou o seu marido, ou sua esposa, você pode ter a certeza de que no próximo momento eu também serei seu marido, ou sua esposa. Isso é uma instituição. Coisas mortas são muito permanentes; coisas vivas são momentâneas, mutáveis, estão num fluxo.

O homem tem medo de liberdade, mas a liberdade é a única coisa que faz de você um homem. Assim, nós somos suicidas – ao destruir nossa liberdade. E com essa destruição nós estamos destruindo toda nossa possibilidade de ser. Então você acha que ter é bom porque ter significa acumular coisas mortas. Você pode continuar acumulando; não existe um fim para isso. E quanto mais acumula, mais seguro você fica. 

Eu digo que agora o homem tem que caminhar conscientemente. Com isso eu quero dizer que você tem que estar consciente de sua liberdade e também consciente de seu medo da liberdade

Como usar essa liberdade? A religião nada mais é do que um esforço no sentido da evolução consciente, em saber como usar essa liberdade. O esforço de sua vontade agora é significativo. Qualquer coisa que você esteja fazendo não voluntariamente é apenas parte do passado na escala da evolução. O seu futuro depende de seus atos com vontade. Um ato muito simples feito com consciência, com vontade, dá a você um certo crescimento – ainda que seja um ato comum.

Por exemplo, você resolve jejuar, mas não porque você não tem comida. Você tem comida; você pode comê-la. Você tem fome; você pode comer. Você resolve jejuar: isso é um ato voluntário – um ato consciente. Nenhum animal pode fazer isso. Um animal jejua algumas vezes, quando não existe fome. Um animal terá que jejuar quando não existir alimento. Mas somente o homem pode jejuar quando existe ambos: a fome e o alimento. Isso é um ato voluntário. Você usa a sua liberdade. A fome não consegue incitar você. A fome não consegue empurrar você e o alimento não consegue puxar você.

Esse jejum é um ato de sua vontade, um ato consciente. Isso dará a você mais consciência. Você sentirá uma liberdade sutil: livre do alimento, livre da fome – na verdade, no fundo, livre do seu corpo, e ainda mais fundo, livre da natureza. A sua liberdade cresce e a sua consciência cresce

Na medida que sua consciência cresce, a sua liberdade cresce. Elas são correlacionadas. Seja mais livre e você será mais consciente; seja mais consciente e você será mais livre.


Osho, em "The Ultimate Alchemy"

Revolução é a coragem de olhar a própria sombra

A verdadeira revolução é interna

A arte de um olhar simples e sem escolha

A solitária percepção da irrealidade do eu

Observando a agressividade do pensamento somatizado

Quando houver inteligência o nacionalismo desaparecerá

Nas várias crises anteriores, tratou-se sempre da exploração das coisas ou da exploração do homem; hoje, cuidamos da exploração das ideias, muito mais perniciosa, muito mais perigosa, uma vez que a exploração de ideias é de efeitos tão devastadores e destrutivos. Conhecemos agora o poder da propaganda, e esta é uma das maiores calamidades que podem acontecer: empregar ideias como meio de transformar o homem. É o que está ocorrendo no mundo de hoje. O homem perdeu toda a importância; os sistemas, as ideias tornaram-se importantes. O homem já não tem nenhuma significação. Pode-se destruir milhões de homens, desde que se produza certo resultado, esse resultado se justifica por meio de ideias. Temos uma soberba estrutura de ideias para justificar o mal, e isso, sem dúvida alguma, é fato inédito. O mal é o mal; nunca pode produzir coisa boa. (...) Quando o intelecto tem primazia, na vida humana, produz-se uma crise sem precedentes. 

Outras causas há, também, indicativas de uma crise sem precedentes. Uma delas é a extraordinária importância que se está atribuindo aos valores dos sentidos, à propriedade, ao nome, à etnia, à nação, à etiqueta que usamos.(...) O nome e a propriedade, a etnia e a nação, tornaram-se predominantemente importantes, vale dizer, o homem está preso ao valor sensorial, ao valor das coisas feitas pela mente e pela mão. Tão importantes se tornaram as coisas fabricadas pela mão ou pela mente, que, por causa delas, estamos matando, destruindo, massacrando, liquidando. Estamos nos abeirando de um precipício; cada uma de nossas ações está nos levando para lá; toda ação política, toda ação econômica, está fatalmente nos conduzindo ao precipício, arrastando-nos para aquele abismo caótico. A crise, por conseguinte, é sem precedentes e requer ação sem precedentes. Para afastar-nos dessa crise, para sairmos dela, é necessária uma ação atemporal, ação não baseada em nenhuma ideia, em nenhum sistema, porque a ação que se baseia em sistema ou ideia levará inevitavelmente à frustração. Uma ação dessa ordem só nos levará de volta ao abismo, por outro caminho. 

(...) O ponto a considerar é que, tratando-se de uma crise de caráter excepcional, faz-se necessária, para enfrentá-la, uma revolução no pensar; e esta revolução não pode realizar-se por meio de outra pessoa, de um livro, de uma organização. Ela tem de vir através de nós, cada um de nós. Só então podemos criar uma nova sociedade, uma nova estrutura, longe de todo esse horror, longe destas forças extraordinariamente destrutivas, que se estão acumulando, empilhando. E essa transformação se realizará quando você, como indivíduo, começar a conhecer-se em cada pensamento, cada ação, cada sentimento.  

Pergunta: O que virá, quando desaparecer o nacionalismo? 

Krishnamurti: A inteligência, sem dúvida. Mas me parece que não é isso que a pergunta está sugerindo. Ela implica: o que é que pode substituir o nacionalismo? — Toda substituição representa uma ato destituído de inteligência. Se abandono uma religião para abraçar outra, se deixo um partido político e mais tarde vou ligar-me a outra coisa qualquer, esta substituição constante denúncia um estado destituído de inteligência. 

Como abolir o nacionalismo? Isso só acontecerá depois de compreendermos todas as suas consequências, de o examinarmos, de nos compenetramos do seu significado nas ações exteriores e interiores. Exteriormente, ele é fator de discórdias, classificações, guerras e destruição, o que é evidente a qualquer observador. Interiormente, psicologicamente, esta identificação com uma coisa maior, com a nação, com uma ideia, constitui, sem dúvida, uma forma de auto-expansão. Se vivo numa aldeia insignificante, numa grande cidade, ou onde quer que seja, não sou ninguém; mas, se me identifico com o que é maior, com a nação, se me intitulo "brasileiro*" isso me envaidece, isso me envaidece, dá-me satisfação, prestígio, um sentimento de bem-estar; e a identificação com uma coisa maior, que é uma necessidade psicológica para aqueles que consideram essencial esta auto-expansão, gera também conflito e luta entre os homens. O nacionalismo, portanto, não só causa conflito exterior, mas também frustrações interiores. Quando compreendemos o nacionalismo, seu processo total, ele se extinguirá por si. A compreensão do nacionalismo resulta da inteligência, da observação atenta, do exame profundo do processo total do nacionalismo, do patriotismo. Desse exame nasce a inteligência, e não há então a substituição do nacionalismo por outra coisa. Se recorremos à religião, como substituo do nacionalismo, a religião torna-se outro meio de auto-expansão, outra fonte de ansiedade psicológica, e um meio de nos nutrirmos numa crença. Assim, toda espécie de substituição, ainda que nobre, é uma forma de ignorância. É o mesmo que mascar goma, ou pastilhas de bétel, ou coisa parecida, para substituir o uso do fumo; mas, se se compreender, na sua inteireza, o problema do fumar, dos hábitos das sensações, das exigências psicológicas, etc., desaparecerá por si o hábito de fumar. Só é possível a compreensão quando há desenvolvimento da inteligência, quando ela está funcionando; e a inteligência não está funcionando quando há substituição. A substituição é apenas uma espécie de auto-suborno, com o qual nos tentamos a deixar de fazer uma coisa, para fazer outra. O nacionalismo, com seu veneno, suas misérias e a luta que provoca no mundo, só desaparecerá quando houver inteligência, que não nasce do simples fato de passarmos em exames e estudarmos livros. A inteligência nasce quando compreendemos os problemas, à medida que surgem. Quando há compreensão do problema, nos seus diferentes níveis, não só no aspecto exterior, mas também nos aspectos interiores, psicológicos, então, nesse processo, surge a inteligência. Assim, quando houver inteligência, não haverá mais substituições; e quando houver inteligência desaparecerá o nacionalismo, o patriotismo, que é uma forma de estupidez.

Krishnamurti — A primeira e última liberdade 

O nacionalismo leva a exploração e ao confronto

Superficialmente você pode concordar quando ouve dizer que o nacionalismo, com todo sua emoção e interesse pessoal, leva a exploração e ao confronto do homem contra o homem, mas livrar realmente a mente da insignificância do nacionalismo é outra questão. Ser livre, não somente do nacionalismo, mas também de todas as conclusões das religiões organizadas e sistemas políticos é essencial se a mente é jovem, fresca, inocente num estado da revolução, e apenas tal mente que pode criar um novo mundo, não os políticos, ou os mortos, nem os sacerdotes, que estão aprisionados nos seus próprios sistemas religiosos. Portanto, felizmente ou infelizmente, para você, se você ouve algo que é verdadeiro, se você apenas ouve e não se sente ativamente alterado de modo que sua mente comece a se livrar de todas as coisas limitadas e deturpadoras, então a verdade que você ouviu tornar-se um veneno. Certamente, a verdade transforma-se num veneno se a mente ouve e não age, como uma infecção em uma ferida. Mas, para descobrir por si mesmo o que é a verdade e o que é o falso, e ver a verdade no falso, é deixar que a verdade opere levando adiante a própria ação.(1)

Não há boa ou má influência - só há influência; mas quando sou influenciado por uma coisa que não me convém, chamo-lhe má influência. No momento que você protege a sua família, sua pátria, um tecido colorido chamado bandeira, uma crença, uma ideia, um dogma, um objeto de desejo ou aquilo a que já tens apego, essa própria proteção anuncia a raiva. Assim, você pode olhar a raiva sem nenhuma explicação ou justificação, sem dizer: "Tenho de proteger o que é meu" ou "Tive razão para me encolerizar" ou "Que estupidez a minha, ter-me encolerizado"? Pode você olhar a raiva como se isto fosse algo por si mesmo? Pode olhar total e objetivamente, quer dizer, sem justificar ou condenar?(2)

Os entes humanos estão condicionados; seus padrões de conduta, seus pontos de vista, suas atividades, sua agressividade, seus contraditórios estados mentais — ódio e amor, prazer e dor, desespero e esperança — a batalha constante (…) no campo da consciência, a invenção de deuses, crenças, seitas — tudo isso é produto da mente condicionada. Nossas nacionalidades, as divisões entre pessoas, raças, etc., tudo isso é resultado da educação que recebemos e da influência da sociedade.(3)

Embora sejamos todos seres humanos, construímos barreiras entre nós e nossos vizinhos por causa do nacionalismo, da raça, da casta, e classe – o que novamente cria isolamento, separação. Uma mente que está presa neste estado de isolamento, provavelmente nunca poderá compreender o que é religião. Pode acreditar, pode ter certas teorias, conceitos, fórmulas, pode tentar se identificar com o que chama Deus, mas religião, me parece, não tem nada a ver com qualquer crença, com qualquer sacerdote, com qualquer igreja ou livro chamado sagrado. O estado da mente religiosa só pode ser compreendido quando nós começarmos a entender o que a beleza é, e para a compreensão da beleza devemos chegar a ela em total solidão. Só quando a mente está completamente só pode conhecer o que é beleza, não em outro estado. Solidão obviamente não é isolamento, e não é raridade. Para ser uma raridade é simplesmente ser excepcional de algum modo, enquanto que estar completamente só requer extraordinária sensibilidade, inteligência, compreensão. Estar completamente só implica que a mente está livre de todo tipo de influência e portanto não contaminada pela sociedade, e deve estar só para entender o que é religião – que é descobrir por si mesmo se existe algo imortal, além do tempo.(4) 

Não pode haver paz se estamos em guerra uns com os outros, não só exterior, mas também interiormente — se sou agressivo, se sou violento, e estou empenhado em alcançar, a qualquer preço, meu próprio preenchimento. Posso falar de ordem e de paz, mas sou um ente humano violento. Ao descobrir essa violência — não apenas a violência física, mas a violência da palavra, do gesto, a violência que se expressa em crueldade para com os homens, na matança de animais, etc. — ao ver essa violência, eu a nego. Dessa negação de "o que é" nasce a paz. (...) Toda a estrutura social baseia-se na desordem, com divisões de classe e de outra espécie. Quando cada homem está trabalhando só para si próprio, competindo, endeusando o êxito e a fama — isso faz parte da desordem, tanto exterior, como interior. Desordem significa conflito interior, profundo, na estrutura psicológica; e conflito exterior, com o próximo, com a esposa ou o marido. Existirá sempre conflito enquanto houver atividade egocêntrica. E o conflito gera, necessariamente, a desordem. Há desordem decorrente das nacionalidades e línguas separadas. (...) O culto das nacionalidades, o culto das bandeiras — tudo isso é desordem. E, para descobrirmos o que é a ordem... temos de descobrir o que é a desordem, compreender a desordem existente no mundo e os fatores que a produzem — a competição entre nacionalidades, as classes, as religiões, a incessante busca de prazer e a inveja. Não podemos dissolver essas coisas sem as termos compreendido, sem termos compreendido a enorme e complexa estrutura do prazer. 

(...) Quando se vê a verdade, evitam-se todos os perigos. Mas tão habituados estamos com o perigo, que já o aceitamos. Aceitamos a guerra como norma de vida, e a guerra é a mais mortífera das coisas; o assassínio do semelhante, a organização do morticínio, patriotismo, nacionalismo, líderes, propaganda — tudo isso são inutilidades extremamente perigosas. É relevante perceber a verdade de que, sendo nossa civilização, nossa cultura, sobremaneira perigosa, é dever de todo homem equilibrado revoltar-se contra ela, rejeitá-la de todo, interiormente, psicologicamente. Mas você não pode rejeitá-la se não enxerga o perigo; e enxergar o perigo é enxergar a verdade — não intelectual, nem verbal, nem emocionalmente, porém como fato. Então, se você tiver boa sorte, sua mente poderá alcançar aquela verdade. Dar-se-á então a "explosão" de algo que não pode ser expresso em palavras. Se esse "algo" não for compreendido, se nele você não tiver sua vida,  uma vida em que seu coração e sua mente estarão vivendo numa dimensão diferente, nesse caso sua vida atual de cada dia, por mais nobre e boa, e por mais solicita que seja, não tem significação alguma. Naturalmente, há necessidade de uma reforma social, etc., mas o "bem-estar social", a luta pelo aperfeiçoamento de nós mesmos e da sociedade é totalmente insignificativa; significativo é encontrar a Realidade e, com base nela, viver na sociedade, viver neste mundo. Então, há beleza e amor; de outro modo — não há nada.(...) 

A liberdade é uma "explosão" que só pode verificar-se quando o tempo, como meio de mudança gradual, cessa. (...) Quando vemos o que é falso, esse próprio ato de ver é a ação da verdade. Por exemplo, quando observamos o que o nacionalismo tem causado por todo o mundo, quando vemos o perigo que ele representa, sua total irracionalidade, sua brutalidade — quando vemos realmente tudo isso, então, não só estamos livres dele, mas essa liberdade resulta do percebimento do verdadeiro. Mas, se você diz: "Vou me livrar gradualmente do nacionalismo, me tornando internacional, europeu, gradualmente evolverei para um mais largo entendimento com as pessoas" — nessa "gradualidade" estão sendo lançadas as sementes da guerra, da separação. Isso é o mesmo que proceder como aqueles que estão sempre pregando a não violência, enquanto, na realidade, em seus corações, em sua maneira de vida, são indivíduos violentos, com sua disciplina e "resistência". 

O idealista é o homem mais perigoso do mundo, porque não quer ver o fato, e ultrapassar imediatamente esse fato.(...)

Tal é o resultado da sociedade em que estamos vivendo; cada um buscando a sua própria segurança e criando uma sociedade que lhe garanta segurança. Mas, essa mesma "garantia" de segurança externa cria divisões: os que estão em segurança e os que não estão em segurança, os que "tem" e os que "não tem". Começa a batalha, a guerra, e justamente a coisa que você deseja — estar em segurança — lhe é negada. Quando temos bandeiras separadas e toda a confusão das diferentes nacionalidades, e governos, e exércitos, e morticínios como os que atualmente estamos observando — esse é o resultado desse medo profundamente enraizado nos entes humanos. (5) 

(1) Krishnamurti – O Livro da Vida
(2) Krishnamurti - Liberte-se do Passado
(3) Krishnamurti - A Libertação dos Condicionamentos
(4) Krishnamurti - O Livro da Vida
(5) Krisnamurti — Onde está a bem-aventurança 

Uma revolução fora dos padrões sociais - Parte II

As revoluções fundamentais são produzidas pela massa, ou são elas iniciadas por uns poucos indivíduos de visão que, pelo seu verbo e sua energia, influenciam grande número de pessoas? É assim que nascem as revoluções. Não é um erro julgar que nós, como indivíduos, nada podemos fazer? Não é um engano supor que todas as revoluções fundamentais são produzidas pela massa? Porque supomos que os indivíduos não têm importância como indivíduos? Com esse modo de ver, nunca pensaremos por nós mesmos, e reagiremos sempre automaticamente. A ação é sempre da massa? Ela não brota essencialmente do indivíduo, comunicando-se, depois, de indivíduo a indivíduo? Não existe realmente essa coisa chamada massa. Afinal de contas, a massa é uma entidade constituída de pessoas que estão enredadas, hipnotizadas por palavras, por certas idéias. Quando não estamos hipnotizados por palavras, estamos à margem da corrente — coisa de que nenhum político haveria de gostar. Não deveríamos manter-nos à margem da corrente e tirar dela outros indivíduos, em número crescente, para, dessa maneira, influir na corrente? Não importaria muito que, em primeiro lugar, se realizasse uma transformação fundamental no indivíduo, que antes de tudo vós e eu nos transformássemos radicalmente, em vez de esperarmos que todo o mundo se transforme? Não é uma concepção "escapista", uma forma de indolência, uma maneira de fugir ao problema, supor que vós e eu somos incapazes de influir, por pouco que seja, na sociedade como um todo? (1)

Parece-me de grande importância compreender o "processo" total da individualidade. Porque, só quando o indivíduo se transforma radicalmente, pode haver uma revolução fundamental na sociedade. É sempre o indivíduo e nunca a coletividade, que pode produzir uma mudança radical no mundo — e isto é um fato histórico.(2)

Ao que parece, achamos que podemos fazer muito pouco neste mundo, e que só os grandes políticos, os escritores famosos, os grandes líderes religiosos são capazes de ação extraordinária. Na verdade, você e eu somos infinitamente mais capazes de produzir uma transformação radical do que os políticos e economistas profissionais. Se estivermos preocupados com a nossa vida, se compreendermos o nosso relacionamento com os outros, teremos criado uma nova sociedade; de outra forma, estaremos apenas perpetuando a atual confusão e emaranhado caótico.(3)

Uma mudança na sociedade é de importância secundária; ela virá, natural e inevitavelmente, quando, como ente humano, tiverdes operado a mudança em vós mesmo.(4)

Existe uma única revolução fundamental. E essa revolução só se materializa quando cessa a necessidade de usar o outro. Essa transformação não é uma abstração mas uma realidade que pode ser vivenciada à medida que começamos a compreender o mecanismo do nosso relacionamento. A essa revolução fundamental pode se dar o nome de amor; esse é o único fator criativo capaz de produzir mudanças em nós mesmos e na sociedade.(5)

A neurose oferece uma extraordinária impressão de segurança. O homem que crê é neurótico, e neurótico é também o que adora uma imagem. Nestas neuroses encontra-se muita segurança. E a segurança não faz operar-se uma radical revolução em nós mesmos. Para realizá-la, cumpre observar sem escolha, sem nenhuma deformação causada pelo desejo, pelo prazer ou pelo medo. Temos de observar o que realmente somos, sem nenhuma espécie de fuga. E não dê nome ao que vê: Observe-o, apenas! Você terá então a paixão, a energia necessária ao observar, e nesse observar verifica-se uma extraordinária transformação.(6)

O homem ambicioso é um homem político, e o mundo político jamais resolverá o problema da existência humana. Nenhum parlamento, nenhum líder político é capaz de compreensão e de produzir uma revolução interior, no mundo.(7)

Estamos todos à beira de um precipício. Toda esta civilização em que o homem tinha tanta fé, está ameaçada de destruição; as coisas que temos criado e cultivado com tanto carinho, todas estão em jogo atualmente. Para que o homem se salve do precipício, torna-se necessária uma verdadeira revolução – não uma revolução sangrenta, mas uma revolução de regeneração interior. Não é possível regeneração sem autoconhecimento. Sem você conhecer a si mesmo, nada pode fazer. Temos que pensar em cada problema profundamente e de maneira nova; e para o fazer, precisamos libertar-nos do passado, o que significa que o “processo” de pensamento deve findar. Nosso problema consiste em compreender o presente, na sua enormidade, com suas inevitáveis catástrofes e desgraças – precisamos encarar tudo isso de maneira nova. Não pode haver nada novo se transportamos sempre conosco o passado, se analisamos o presente por meio do “processo” do pensamento. Eis porque, para se compreender um problema, necessita-se o findar do pensamento. Quando a mente está tranqüila, quieta, serena, só então está resolvido o problema. Por conseguinte, é importante a compreensão de si mesmo. Você e eu temos que ser o sal da terra, professando um novo pensamento, uma nova felicidade.(8)

É absoluta e urgentemente necessário alterar todo o curso do pensamento humano, da existência humana que está ficando, cada vez mais, mecanizada. E não vejo como pode ocorrer essa revolução total a não ser no indivíduo. O coletivo não pode ser revolucionário; o coletivo só pode seguir, ajustar-se, imitar, submeter-se. Só o indivíduo, essa entidade, só ele pode ir adiante, destruir todos esses condicionamentos e ser criativo. É essa crise na consciência que exige essa mente, essa mente nova. E, aparentemente, do ponto de vista do qual observamos, nunca se pensa nessa direção; pensamos sempre que é o aperfeiçoamento técnico e mecânico que, de algum modo milagroso, dará origem à mente criativa, à mente livre do medo.(9) 

A crise atual é a maior de nossa vida, apesar das enormes mudanças que se estão verificando no mundo da ciência, da matemática, etc. Tecnicamente observa-se uma extraordinária mudança, ao passo que na psique do ente humano tem havido muito pouca alteração. A crise não é conseqüência do progresso técnico, porém, antes, de nossa maneira de pensar, de viver, de sentir. Aí que é se faz necessária a revolução. Essa revolução não pode realizar-se de acordo com um dado padrão, porque, psicologicamente, nenhuma revolução é possível pela mera imitação de uma dada ideologia. Para mim, todas as ideologias são absurdas sem nenhuma significação. O que tem significação é o que é, e não o que deveria ser.(10)

O homem está sendo moldado, condicionado para pensar segundo um certo padrão, dentro de uma certa esfera e, consequentemente, evitando a revolução religiosa. E pode-se ver que é necessária uma revolução dessa natureza, revolução não baseada em convulsão econômica ou social, porém revolução total, revolução verdadeiramente religiosa. Não me refiro à religião do hinduísta, do budista ou do cristão. Isto não é religião, em absoluto, porém mero dogma, sistema de crenças oriundas do medo, do desejo de segurança, de sentar-se "à direita de Deus-Pai", o que quer que seja. Religião é uma coisa bem diversa, e para se achar a vida religiosa necessita-se de revolução total de nosso pensar. Para criar um mundo diferente, uma civilização inteiramente nova, deve cada um de nós começar da base correta, e essa base correta se lança com o autoconhecimento. Você deve começar a conhecer a si mesmo, e não simplesmente a parte superficial de sua consciência.(11)

Necessitamos de uma revolução completa, uma completa mutação - não mediante idéias, ou uma fórmula, ainda que muito inteligente, muito engenhosa, muito erudita. Necessitamos de uma revolução completa, completa transformação, mutação da mente. Só assim pode a mente deter a desintegração, dar novo sentido ao viver e possibilitar a criação.(12) 

Os reformadores políticos, sociais, e religiosos, só causarão mais sofrimentos para homem a menos que ele compreenda os mecanismos da sua própria mente. Na compreensão do processo total da mente, acontece uma revolução radical interior, e surge a ação da verdadeira cooperação, que não é a cooperação de acordo com um padrão, com uma autoridade, com alguém que "sabe". Você sabe como cooperar quando existe esta revolução interior, então você também saberá quando não-cooperar, que é realmente muito importante, talvez mais importante ainda. Nós agora cooperamos com qualquer pessoa que oferece uma reforma, uma mudança, o que só perpetua o conflito e o miséria, mas se podemos conhecer o que é ter o espírito de cooperação que vem com a compreensão do processo total da mente onde existe liberdade do “eu”, então há uma possibilidade de se criar uma nova civilização, um mundo totalmente diferente no qual não existe nenhuma possessividade, nenhuma inveja, nenhuma comparação. Isto não é uma utopia teórica, mas o estado real da mente que constantemente perguntando e procurando que é verdadeiro e bendito.(13)

Por estarmos, na maioria, condicionados por influências sociais, econômicas, religiosas, etc., somos copistas, imitadores, e por isso não ligamos importância ao que é novo, chamamo-lo revolucionário (…) Mas se pudermos examiná-lo, se o observarmos com inteira isenção de preconceitos, de limitações, então talvez seja possível compreender-nos mutuamente e comungar uns com os outros. Só há comunhão quando não existe barreira alguma; (14) 

Qual é então, o meio de vida correto? Essa pergunta só poderá ser respondida quando houver completa revolução na atual estrutura social, não uma revolução segundo a fórmula da direita ou da esquerda, mas completa revolução de valores não baseados nos sentidos. (15)

Temos crescente desemprego, exércitos cada vez maiores, os grandes negócios (…) formando vastas empresas. (…) Dada essa situação (…) como você irá encontrar um meio de vida correto? (…) Ou você tem de retirar-se para formar com uns poucos uma comunidade autárquica, cooperativa, ou você sucumbe (…) Mas, como sabe, a maioria de nós não tem verdadeiro empenho em encontrar o meio de vida correto, cada um está interessado em obter um emprego e nele se manter (…)Assim, o meio de vida justo, em vasta escala, deve começar com aqueles que compreendem o que é falso. Quando você batalha contra o falso, está criando o meio de vida justo. Quando batalha contra toda a estrutura da dissenção, da exploração por parte da esquerda ou da direita, ou contra a autoridade da religião (…) — essa é a profissão correta, no momento atual. Porque os que assim procedem criarão uma nova sociedade, uma nova civilização. (16)

A ocupação justa não se inspira na tradição, nem na ganância, nem na ambição. Quando cada um estiver verdadeiramente interessado em estabelecer a verdadeira vida de relação, não só com um, mas com todos, achar-se-á, então, a ocupação justa. Esta resulta da regeneração, da transformação do coração, e não apenas da determinação intelectual de encontrá-la.(17)

É muito importante que cada um de nós descubra qual é a sua relação com a sociedade, se ela está baseada na ganância — que significa auto-expansão, preenchimento do “eu”, que supõe poder, posição, autoridade — ou se simplesmente aceitamos da sociedade as coisas essenciais, tais como alimento, roupa e moradia.(18)

Você me pergunta qual a profissão que lhe aconselho (…) O que está acontecendo neste mundo? Há possibilidade de se escolher profissão? Cada um segura aquilo que pode. Já nos consideramos felizes se achamos trabalho. Assim é em todas as partes do mundo. Porque temos um único alvo: ganhar dinheiro, seja como for, para viver. O pensar correto gera a profissão correta e a ação correta. Você não pode pensar corretamente, sem autoconhecimento. (…) É extremamente difícil escolher uma profissão num mundo civilizado desta espécie, em que toda ação conduz à destruição e à exploração.(19)

A maioria das pessoas são forçadas a entregar-se a trabalhos, atividades, profissões, para as quais de forma alguma estão talhadas. Passam o resto da existência batalhando contra essas circunstâncias, disparando assim todas as energias em lutas, dores, sofrimentos (…) Outros homens rompem as limitações do ambiente, depois de compreenderem o seu verdadeiro significado, passando a viver inteligentemente, em atividades criadoras, seja no mundo da arte, da ciência, seja nas profissões.(20)

Eis porque é importantíssimo achar a vocação justa. Sabeis o que significa “vocação”? É a ocupação que desempenhamos com agrado, com naturalidade. Afinal, tal é a função da educação (…) de uma escola como esta, a saber, ajudar-vos a crescer com independência, para que não sejais ambiciosos e possais achar a vossa verdadeira vocação. (21)

(…) Pois bem, a maioria de nós se embota nisso que se chama trabalho, emprego, rotina, (…) Tão identificado (…) que não pode vê-lo objetivamente; (…) Vive numa gaiola (…) isolado (…) O seu trabalho, por conseguinte, é uma forma de fuga da vida: da sua esposa, de seus deveres sociais.(22) 

(1) Krishnamurti - O que estamos buscando?
(2) Krishnamurti - Da solidão à Plenitude Humana
(3) Krishnamurti - Sobre Relacionamentos 
(4) Krishnamurti - Fora da Violência
(5) Krishnamurti - Sobre Relacionamentos
(6) Krishnamurti - Fora da Violência
(7) Krishnamurti - Fora da Violência
(8) Krishnamurti - A arte da libertação
(9) Krishnamurti - Sobre A Liberdade
(10) Krishnamurti - A importância da Transformação
(11) Krishnamurti - O Homem Livre 
(12) Krishnamurti - Uma Nova Maneira de Agir
(13) Krishnamurti - Uma Nova Maneira de Agir 
(14) Krishnamurti - Que Estamos Buscando?
(15) Krishnamurti - Novo Acesso à Vida
(16) Krishnamurti - Novo Acesso à Vida
(17) Krishnamurti - O Egoísmo e o Problema da Paz
(18) Krishnamurti - A Arte da Libertação
(19) Krishnamurti - Uma nova maneira de viver
(20) Krishnamurti - A Luta do Homem
(21) Krishnamurti - Novos Roteiros em Educação(22) Krishnamurti - Novo Acesso à Vida
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)