“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

O entrave

Quando tivermos passado além dos conhecimentos, então teremos o Conhecimento; a Razão foi o auxílio, a Razão é o entrave.

Quando tivermos passado além do querer, então teremos o Poder; o Esforço foi o auxílio, o Esforço é o entrave. 

Quando tivermos passado além dos prazeres, então teremos a felicidade; o Desejo foi o auxílio, o Desejo é o entrave. 

Quando tivermos passado além da individualização, então seremos as Pessoas reais; o Ego foi o auxílio, o Ego é o entrave. 

Quando tivermos passado além da humanidade, então seremos o Homem; o Animal foi o auxílio, o Animal é o entrave. 

Transforma tua razão em uma intuição ordenada; que tudo em ti seja luz. Este é teu alvo. 

Transforma teu esforço em um conhecimento igual e soberano da força da alma; que tudo em ti seja força consciente. Este é teu alvo. 

Transforma teu prazer em um êxtase igual e sem objetivo; que tudo em ti seja felicidade. Este é teu alvo. 

Transforma o indivíduo dividido na personalidade universal; que tudo em ti seja divino. Este é teu alvo. 

Transforma o animal no Pastor dos rebanhos; que tudo em ti seja Krishna. Este é teu alvo. 

- Sri Aurobindo -

(Texto extraído do livro "Sabedoria de Sri Aurobindo", Editora Shakti) 

Não subestime o poder do pensamento condicionado

Lançando as bases de um paradigma racional

Caros confrades, juntos estamos lançando as bases de um paradigma racional e seguro para um funcional processo de ego-esclarecimento no qual, se for devidamente levado a sério e com a paixão necessária, poderá resultar no devido e necessário "estado de  prontificação" pelo qual possa se dar o advento do realístico autoconhecimento: o desvelar do Que Somos. 

Estamos trabalhando juntos um modo de desmistificar o que ainda é visto como místico e sem praticidade para o atual e estressado modo de existir sem vida.

Por meio de um convite objetivo — a ideia da possibilidade de deter o desgastante fluxo do pensamento compulsivo obsessivo — a cada passo dado neste Caminho sem caminho, nos aproximamos da subjetividade curativa deste paradigma: o tornar-nos nossa natureza real, expressa como Perene Consciência Amorosa Integrativa.

Para tanto, a meditação, a observação sem escolhas, tem se mostrado a ferramenta usual para a busca de um contato consciente com a Realidade que somos. Por meio dela, absorvemos o que é real e nos absolvemos do falso.

Nunca é demais ressaltar que o objetivo primordial deste paradigma é muito mais do que o deter do mecânico e fragmentário fluxo do pensamento condicionado, com suas resultantes emocionais desequilibradas, bem como da deturpação dos sentidos; seu objetivo real é a manifestação da experiência do Real, da esquecida Verdade que somos, a volta ao lar, o encontro de nossa terra prometida.

É o transmutar que vai da des-identificação do espírito humano como sendo a neurótica personalidade umbigóide desenvolvida num determinado espaço-tempo, para a Deus-identificação com a realidade que somos, sem a qual, torna-se impossível a manifestação de nosso estado natural manifesto em unidade interna e bem estar-comum (não mais oscilante pela ação de nossas manias, tendências e hábitos egocentrados).

De fato, levar a cabo este paradigma, não é nada fácil. Ele nos pede, inicialmente, por um processo de fé, entrega, coragem e, sobretudo, paciência.

Antes que você saia correndo, pedimos para que não se assuste diante do termo "fé". Não o usamos aqui com aquele antigo e irrefletido ranço proveniente das nossas experiências colhidas nos sistemas de crença organizados, que erroneamente acreditávamos ser religião. Em última análise, aquilo que aqui chamamos de "fé", já é algo presente em nosso cotidiano. Em termos de exemplificação: quando desconhecemos um caminho que precisamos tomar para o alcance de um determinado local, depositamos fé num mapa físico, num guia, nas placas e, mesmo assim, quando ainda inseguros, depositamos fé quando nos detemos diante de algum caminhante e nos certificamos com ele se estamos trilhando o "caminho de modo acertado". Esse caminhante é o que agora chamamos de "Confrade Consciencial"; alguém com quem podemos "pensar alto" sobre nossos medos, ansiedades, angústias, confusões emocionais e nossos desconexos sentimentos que sempre, inicialmente, se apresentam como forças contrárias ao que julgamos ser "a grande aventura do espírito humano".

Que a cada "agora" deste novo ano, possa a Consciência que somos retomar seu devido espaço de ação, até que tenhamos a bem-aventurança de Nela nos dissolvermos juntamente com nossa ilusória crença de tempo, espaço e separatividade.

Bem haja excelência no agora que somos!

Outsider

O início do desdobrar da consciência

Por favor, ouçam. Façam isso, enquanto eu falo. Não pensem apenas em fazê-lo. Ou seja, tomem ciência das árvores, da palmeira, do céu; ouçam os corvos crocitar; vejam a luz nas folhas, a cor do sari, o rosto das pessoas, e em seguida concentrem-se em seu interior. As coisas exteriores vocês podem observar, podem dar-se conta delas sem fazer escolhas. É muito fácil. Mas concentrar-se em seu interior e tomar ciência sem condenação, sem justificativas, sem condenações, é mais difícil. Limitem-se a inteirar-se do que se passa dentro de vocês — de suas crenças, de seus medos, de seus dogmas, de suas esperanças, de suas frustrações, de suas ambições e de todo o resto. Tem início então o desdobrar da consciência e do inconsciente. Você não precisa fazer absolutamente nada. 

Perceba apenas; isto é tudo o que precisa fazer: sem condenar, sem forçar, sem tentar mudar aquilo que percebe. Você verá então que isso é como uma maré subindo. Você é incapaz de impedir: pode construir um muro ou fazer o que quiser, e a maré, ainda assim, subirá com tremenda energia. Da mesma forma, se você percebe sem fazer escolhas, todo o campo da consciência começa a se desenrolar. E, à medida que ele se desenrola, você precisa acompanhar, e este acompanhar torna-se extremamente difícil — acompanhar no sentido de acompanhar o movimento de cada pensamento, de cada sentimento, de cada desejo secreto. Torna-se difícil a partir do momento em que você diz: "Isto é feio", "Isto é bom", "Isto eu manterei", "Isto eu não guardarei". 

Assim, você começa com o exterior e move-se para o interior. E a seguir descobrirá, quando se mover para o interior, que o interior e o exterior não são diferentes, que a percepção do exterior não é diferente da percepção interior, e que ambas são uma só. Então verá que está vivendo no passado; não há nunca um momento de viver real, no qual o passado nem o futuro existem — este seria o momento real. Descobrirá que está sempre vivendo no passado — o que você sentiu; o que você foi; se foi esperto, bom ou mau — e que está vivendo nas recordações. Isso é memória. Portanto, você precisa compreender a memória, não negá-la, suprimi-la, não fugir dela. Se um homem fez o voto de celibato e se apega a essa recordação, quando não obedece a essa recordação ele se sente culpado; e isso asfixia sua vida. 

Então você passa a estar atento a tudo e, assim, torna-se muito sensível. Portanto, ao escutar — ao reparar não apenas no mundo exterior, no gesto exterior, mas ao escutar também a mente interior que olha e, portanto, sente — quando você toma ciência assim, sem escolhas, não existe esforço. É muito importante compreender isso.

Jiddu Krishnamurti - Bombaim, 28 de fevereiro de 1965 

Reação diante de um novo paradigma



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Sobre a dificuldade humana de escutar

A dificuldade diante de um novo paradigma

Se tiver dificuldades com o espanhol, habilite as legendas e a tradução das mesmas para o nosso idioma.

Enfrentando a Síndrome de Abstinência da mente não observada

Encontrando sua própria voz

Se você escolher de acordo com sua própria inclinação, de acordo com sua própria intuição... (a voz interior) é muito forte nas crianças, mas aos poucos, lentamente enfraquece. As vozes dos pais e dos professores, da sociedade e dos padres, vão se fortalecendo. Agora se você quiser descobrir qual é sua voz, você terá que passar através da multidão de ruídos.

Basta olhar dentro: de quem é essa voz? Às vezes é o seu pai, às vezes é sua mãe, às vezes é seu avô, às vezes é o seu professor; e essas vozes são todas diferentes. Apenas uma coisa você não será capaz de encontrar facilmente – sua própria voz. Ela tem sido sempre reprimida. Foi dito a você para escutar os mais velhos, para escutar os padres, para escutar os professores. Nunca lhe foi dito para escutar seu próprio coração.

Você está carregando sua própria pequena voz, suave, não ouvida, e no meio da multidão de vozes que foram impostas sobre você, é quase impossível encontrá-la. Primeiro você terá que se livrar de todos esses ruídos, alcançar uma certa qualidade de silêncio, paz, serenidade. Só então isso virá, como uma surpresa, que você também possui sua própria voz. Ela sempre esteve aí como uma corrente subterrânea.

A menos que você tenha encontrado sua própria tendência, sua vida vai ser uma longa, longa tragédia, do berço ao túmulo. As únicas pessoas que foram felizes no mundo são aquelas que viveram de acordo com sua própria intuição e se rebelaram contra qualquer esforço feito pelos outros para impor as idéias deles. Quão valiosas essas idéias possam ser, elas são inúteis porque não são suas. A única idéia significante é aquela que surge de você, cresce em você, floresce em você.

Primeiro Passo: Quem está falando, por favor?

O que quer que você esteja fazendo, pensando, decidindo, pergunte a si mesmo: isso está vindo de mim ou é outra pessoa falando?

Você ficará surpreso quando você encontrar a verdadeira voz. Talvez seja sua mãe; você irá ouví-la falar novamente. Talvez seja seu pai; não é absolutamente difícil de detectar. Isso permanece lá gravado em você exatamente como lhe foi dado pela primeira vez – o conselho, a ordem, a disciplina, ou o mandamento. Você pode encontrar muitas pessoas: os sacerdotes, os professores, os vizinhos e os parentes.

Não há nenhuma necessidade de lutar. Basta saber que essa não é sua voz, mas a de outra pessoa – quem quer que esse outro alguém seja – você sabe que você não irá segui-lo. Sejam quais forem as conseqüências – boas ou ruins – agora você está decidindo mover-se por si mesmo, você está decidindo ser maduro. Você tem permanecido por demais uma criança. Você permaneceu por demais dependente. Você deu ouvidos a todas essas vozes e as seguiu bastante. E para onde elas lhe trouxeram? Para uma confusão.

Segundo Passo: Obrigado... e Adeus!

Uma vez que você identifica de quem é essa voz, agradeça a pessoa, peça para ser deixado só e diga adeus a ela.

A pessoa que lhe deu a voz não era seu inimigo. A intenção dela não era ruim, mas isso não é uma questão de intenção. A questão é que ela impôs algo sobre você que não está vindo de sua fonte interior; e qualquer coisa que proceda do exterior lhe torna um escravo psicológico.

Uma vez que você disse claramente a uma certa voz, ‘Deixe-me em paz’. Sua conexão com ela, sua identidade com ela, é quebrada. Isso foi capaz de lhe controlar porque você estava pensando que era sua voz. Toda a estratégia era a identidade. Agora você sabe que isso não é seus pensamentos, nem sua voz; isso é algo estranho a sua natureza. Reconhecer isso é suficiente. Livre-se das vozes que estão dentro de você e logo você ficará surpreso de ouvir uma pequena voz suave, a qual você nunca tinha ouvido antes... então um súbito reconhecimento de que essa é sua voz.

Ela sempre esteve aí, mas ela é muito suave, uma pequena voz porque ela estava reprimida desde quando você era uma criança muito pequena, e a voz era muito débil, apenas um botão, e estava coberta com todo tipo de asneiras e você esqueceu da planta que sua vida é, a qual ainda está viva, esperando que você a descubra. Descubra sua voz e então siga-a sem nenhum medo.

Quando isso acontece, aí está a meta da sua vida, aí está seu destino. É só aí que você irá encontrar realização, contentamento. É só aí que você irá florescer – e nesse florescimento, o saber acontece.
Osho, em "From Ignorance to Innocence"

Pode haver consciência sem observador?

Pergunta: Pode haver consciência sem observador?

Chögyam Trungpa: Sim, porque o observador é apenas paranoia. Podemos ter abertura completa, uma situação panorâmica, sem precisar discriminar entre dois lados, "eu" e "outro". 

P: Esta consciência implicaria em sentimento de felicidade completa?

Chögyam Trungpa: Creio que não, porque essa felicidade é uma experiência muito individual. Você é independente e vive a sua felicidade. Quando o observador se vai, não há avaliação da experiência em termos de prazer ou dor. Quando você tem consciência panorâmica sem a avaliação do observador, a bem-aventurança se torna irrelevante pelo simples fato de não haver ninguém que a esteja experimentando.

O amigo espiritual

Ao chegarmos ao estudo da espiritualidade nos deparamos com o problema do relacionamento com um mestre, lama, guru, ou como quer que nós chamamos a pessoa que, supomos, nos dará compreensão espiritual. Essas palavras, sobretudo o termo "guru", adquiriram no Ocidente significados e associações enganosos e que, geralmente, aumentam a confusão em torno da questão de saber o que significa estudar com um mestre espiritual. Isso não quer dizer que as pessoas no Oriente saibam como devem relacionar-se com guru, enquanto os ocidentais não o saibam; o problema é universal. As pessoas chegam sempre ao estudo da espiritualidade com algumas ideias já fixas a respeito do que vão conseguir e como lidar com a pessoa da qual presumem que vão conseguir. Até a noção de conseguir alguma coisa de um guru  — felicidade, paz de espírito, sabedoria, seja o que for que procuremos — é um dos preceitos mais difíceis de todos. Desse modo, penso que seria proveitoso examinar o modo com que alguns discípulos famosos lidaram com os problemas de como relacionar-se com a espiritualidade e com um mestre espiritual. É bem possível que esses exemplos tenham alguma relevância para a nossa própria busca.

(...) O processo de receber ensino depende do aluno dar alguma coisa em troca; é necessário uma espécie de entrega psicológica, algum presente dessa natureza. Por isso precisamos distinguir a entrega, a abertura, a renúncia das expectativas, antes de podermos falar sobre o relacionamento mestre e aluno. É fundamental que você se entregue, que se abra, que se apresente tal como é ao guru, em vez de tentar apresentar-se como um aluno meritório. Pouco importa o quanto esteja disposto a pagar, o decoro do seu comportamento, a inteligência que demonstra ao dizer a coisa certa ao seu mestre. Não é como realizar uma entrevista para conseguir emprego nem como comprar um carro novo. A questão de obter ou não o emprego depende de suas credenciais, do bom aspecto do seu traje, do bonito lustro que deu aos sapatos, do seu modo correto de falar, das suas boas maneiras. Se você estiver comprando um carro, tudo dependerá da quantia de dinheiro que tenha e do seu crédito na praça.

Em se tratando, porém, de espiritualidade, requer-se algo mais. Já não é uma questão de solicitar um emprego, de vestir-se bem a fim de impressionar o possível empregador. Esse tipo de engano não se aplica a uma entrevista com um guru, que enxerga as nossas imperfeições. Ele achará engraçado que você se vista especialmente para falar com ele. Não se fazem gestos cativantes nessa situação; na verdade, isso é fútil. Precisamos assumir um compromisso verdadeiro de abrir-nos perante o mestre; precisamos estar dispostos a desistir de todas as nossas ideias preconcebidas.

(...) Receio que a palavra "guru" seja usada em demasia no Ocidente. Teria sido melhor se falássemos em "amigo espiritual", uma vez que os ensinamentos enfatizam um encontro recíproco entre duas mentes. É mais uma questão de comunicação mútua do que uma relação de amo e criado entre um ser altamente desenvolvido e um ser miserável e confuso. No relacionamento de amor e criado, o ser altamente desenvolvido pode dar a impressão de não estar sequer sentado na sua poltrona, mas parecerá flutuar, levitar, olhando de cima para todos nós. Sua voz, penetrante, difunde-se pelo espaço. Cada palavra, cada tosse, cada movimento que faz é um gesto de sabedoria. Mas isto é um sonho. O guru há de ser um amigo que nos comunica e oferece suas qualidades.

(...) Tampouco vale a pena escolher alguém como guru simplesmente por ser famoso, ser renomado por ter publicado montes de livros e convertido milhares ou milhões de pessoas. O critério, nesse caso, seria se você pode, de fato, comunicar-se com a pessoa, direta e completamente. Até que ponto você se ilude a si mesmo? Se você abrir-se realmente com o seu AMIGO ESPIRITUAL, vocês com certeza trabalharão JUNTOS. Você é capaz de falar com ele plena e devidamente? Ele sabe alguma coisa a seu respeito? E, a propósito, ele sabe alguma coisa a respeito de si próprio? O guru é, de fato, capaz de enxergar através das suas máscaras, de comunicar-se com você adequada e diretamente? Na procura do mestre, estas parecem ser as indicações, muito mais do que a fama e a sabedoria.

(...) Se você for fazer amizade com um mestre espiritual, terá de agir com simplicidade, abertamente, de modo que a comunicação se estabeleça entre iguais, em lugar de tentar conquistar-lhe a simpatia.

Para poder ser aceito pelo guru como amigo, você terá de abrir-se completamente com ele. E para poder abrir-se, terá provavelmente de sujeitar-se a provas que lhe serão dadas pelo seu amigo espiritual e pelas situações da vida em geral, e todas elas assumirão a forma de desapontamento. Em alguma fase do processo você DUVIDARÁ de que o amigo espiritual tenha qualquer sentimento, qualquer emoção em relação a você. Isso é lidar com a própria hipocrisia. A hipocrisia, o fingimento e a deformação básica do ego é extremamente dura; tem uma pele muito grossa. Tendemos a usar armaduras, uma em cima da outra. Essa hipocrisia é tão densa e multinivelada que, assim que retiramos uma camada da armadura, encontramos outra debaixo dela. Esperamos que não sejamos obrigados a despir-nos completamente. Esperamos que o simples despojar de algumas camadas nos faça apresentáveis. Em seguida, aparecemos envergando a nova couraça com um rosto insinuante, mas o nosso amigo espiritual não usa nenhum tipo de armadura; é uma pessoa nua. Em comparação com a sua nudez, estamos vestidos de cimento. A nossa armadura é tão grossa que o nosso amigo NÃO CONSEGUE SENTIR A TEXTURA DE NOSSA PELE, DE NOSSOS CORPOS. Não pode sequer ver direito o nosso rosto.

(...) Já houve quem dissesse que a primeira fase do encontro com um AMIGO ESPIRITUAL é como a ida a um supermercado. Você está emocionado e sonha com todas as coisas diferentes que irá comprar: a riqueza do amigo espiritual e as coloridas qualidades da sua personalidade. A segunda fase do relacionamento é como o comparecimento a um tribunal, como se você fosse um criminoso. Incapaz de satisfazer às exigências do seu amigo, você começa a sentir-se constrangido, porque não ignora que ele sabe tanto quanto você a respeito de você mesmo, o que é sumamente embaraçoso. A terceira faze, quando você vai ver o amigo espiritual, é como estar vendo uma vaca que pasta feliz, num campo. Você apenas lhe admira o sossego e a paisagem, e continua andando. Finalmente, a quarta fase é como passar por uma pedra na estrada. Você nem sequer percebe, passa por ela e segue em frente.

No princípio, ocorre uma espécie de namoro com o guru, um caso de amor. Até que ponto você é capaz de obter as boas graças dessa pessoa? Há uma tendência para querer estar mais perto do AMIGO ESPIRITUAL, porque deseja REALMENTE aprender. Sente grande admiração por ele. Ao mesmo tempo, porém, ELE O ASSUSTA, o perturba. Ou a situação não corresponde às suas expectativas, ou há um sentimento embaraçoso que o leva a pensar: "Talvez eu não seja capaz de abrir-me total e completamente". Surge, então, um relacionamento de amor e ódio, como um processo de entrega e fuga. Em outras palavras, começamos a jogar um jogo: o jogo de queremos nos abrir, de queremos nos envolver num caso de amor com o guru e, logo fugir. Se chegarmos demasiado peto do amigo espiritual, começaremos a nos sentir subjugados por ele. Como diz o provérbio tibetano: "O guru é como o fogo. Se você se aproximar demais, se queimará; mas, se permanecer demasiado longe, não receberá calor suficiente." Esse gênero de namoro acontece da parte do aluno, que tende a chegar perto demais do mestre, mas, ao fazê-lo, queima-se. Então deseja fugir de uma vez por todas.

Por fim, o relacionamento começa a tornar-se muito efetivo e sólido. Você começa a compreender que o desejo de estar perto e o desejo de estar longe do guru é simplesmente um jogo seu. Não relação alguma com a situação real, pois é apenas uma alucinação sua. O guru ou amigo espiritual está sempre lá, ardendo, sempre como um fogo de vida. Você pode entreter-se com ele, ou não, como bem entender.

A seguir, o relacionamento com o seu AMIGO ESPIRITUAL começa a ficar muito criativo. Você aceita as situações de ser engolfado ou ser excluído por ele. Se ele decidir representar o pale da água gelada, você o aceita. Se ele decidir representar o papel do fogo, você o aceita. Nada o consegue abalar e você se reconcilia com ele.

A fase seguinte é aquela em que, tendo aceito tudo o que o amigo espiritual pode fazer, você começa a perder a própria inspiração porque se entregou completamente, desistiu completamente. Sente-se reduzido a um grãozinho de pó. É insignificante. Começa a achar que o único mundo que existe é o do seu amigo espiritual, o guru. Como se estivesse assistindo um filme fascinante, tão emocionante que você passa a fazer parte dele. Já não há você, nem sala de cinema, nem poltronas, nem expectadores, nem amigos sentados ao seu lado. O filme é tudo o que existe. Este é o período chamado "período de lua-de-mel", em que se veem todas as coisas como parte do ser central, o guru. Você não passa de uma pessoa inútil, insignificante, continuamente alimentada pelo grande e fascinante ser central. Toda vez que se sente fraco, cansado ou entendiado, senta-se na sala do cinema e é entretido, enaltecido, rejuvenescido. Nesse ponto, destaca-se o fenômeno do culto a personalidade. O guru é a única pessoa do mundo que existe, viva e vibrante. O próprio significado da sua vida depende dele. Se você morrer,morrerá por ele. Se viver, sobreviverá por ele e é insignificante.

Esse caso de amor com o amigo espiritual, todavia, não dura para sempre. Mais cedo ou mais tarde diminuirá a intensidade e você terá de enfrentar sua própria situação de vida e sua própria psicologia. É como se houvesse casado e se acabasse a lua-de-mel. Você não só toma consciência da pessoa amada como foco central de sua atenção, mas também começa a perceber-lhe o estilo de vida. Começa reparando no que faz dessa pessoa um mestre, para além dos limites da individualidade e da personalidade. Dessa forma, o princípio da "universalidade do guru" entra igualmente em cena. cada problema com que você se depara na vida é parte do seu casamento. Sempre que você vivencia dificuldades, ouve as palavras do guru. Este é o ponto em que começa a conquistar a independência do guru como amante, porque cada situação passa a ser uma expressão dos ensinamentos. primeiro você se entregou ao amigo espiritual. Depois se comunicou e entreteve-se com ele. E agora chegou ao estado de abertura completa, em consequência do qual começa a ver a qualidade de guru em cada situação da vida, e a perceber que todas as situações da vida lhe oferecem a oportunidade de ser tão aberto quando você é com o guru, de modo que todas as coisas podem transformar-se no guru.

(...) O amigo espiritual passa a fazer parte de nós, ao mesmo tempo que continua a ser um indivíduo, uma pessoa externa. Como tal, o guru, tanto interno como externo, desempenha um papel muito importante na penetração e exposição das nossas hipocrisias. O guri pode ser uma pessoa que age como um espelho, refletindo-nos, ou a nossa própria inteligência básica assume a forma do amigo espiritual. Quando o guru interno começa a funcionar, não se pode mais fugir da exigência de abrir-se. A inteligência básica nos segue a toda a parte; não se pode escapar da própria sombra. "O Grande Irmão está nos vigiando". Embora não sejam entidades externas que nos observam e assediam, nós nos assediamos. Nossa própria sombra nos assedia.

Podemos olhar isso de duas maneiras diferentes. Podemos ver o guru como um fantasma, que nos assombra e zomba da nossa hipocrisia. Pode haver uma qualidade demoníaca na compreensão do que somos. De outro lado, há sempre a qualidade criativa do amigo espiritual que também se torna parte de nós. A inteligência básica, continuamente presente nas situações da vida, é tão aguda e penetrante que, em determinada fase, não conseguimos livrar-nos dela, ainda que o desejemos. às vezes, ela assume uma expressão severa, outros um sorriso inspirador. Segundo a tradição tântrica, não vemos o rosto do guru, apenas a sua expressão durante o tempo todo, sorrindo, sardônico, ou fechando a cara, colérico. Sua expressão faz parte de cada situação de vida. A inteligência básica, natureza de Buda, está sempre presente em toda experiência que a vida nos traz. Não há como escapar-lhe. Diz-se também nos ensinamentos: "è melhor não começar. Mas se você começar, é melhor terminar." Por isso é melhor que você só ponha os pés no caminho espiritual, se precisar fazê-lo. Mas, depois que tiver posto os pés no caminho, depois que o tiver realmente feito. não pode voltar atrás. Não há jeito de escapar.

Chögyam Trungpa - Além do materialismo espiritual

A rendição é a solução!

O entendimento da meditação requer ordem

A importância da aceitação da impotência diante do fluxo mental

Andando na contra mão social

De que vale o intelecto diante do ataque cerrado da dor?

Quanto mais você está presente mais o passado se dissolve

O silêncio é a linguagem da Inteligência do Ser Universal

Cada um mude apenas a si mesmo

Pergunta a Osho:

É possível tentar mudar o mundo para salvá-lo, sem ser agressivo?

Isso já é agressivo. Até mesmo o esforço de mudar um único indivíduo é agressivo. Quem é você para decidir o que está certo para determinada pessoa? Quem é você para decidir que o mundo, se for mudado segundo as suas ideias, será um lugar melhor? Você está assumindo o papel de um salvador, e essa é uma maneira inconsciente de dominar as pessoas. É para o bem delas próprias, é claro, para que não se rebelem contra você.

Todos os pais fazem isso com os filhos. "Pelo próprio bem deles" eles os disciplinam, obrigando-os a fazer coisas que eles não querem fazer, impondo-lhes alguma religião sem o consentimento deles. De todas as maneiras possíveis, a liberdade deles está sendo cerceada. Quanto menos liberdade, menos individualidade... E, no momento em que o filho se tornou cem por cento obediente, ele morreu! A vida do filho estava em sua desobediência; em sua rebeldia estava o seu ser.

E não se pode dizer que as intenções dos pais são erradas. Eu nunca desconfio das intenções de ninguém, mas essa não é a questão. A questão é: qual é o resultado daquilo? A intenção é algo que está dentro de você - você pode ter todas as boas ou as más intenções - mas as mantenha para si mesmo. No momento em que começa a agir em função delas, as boas intenções tornam-se bem mais perigosas do que as más intenções. Uma má intenção pode ser imediatamente retaliada, condenada, não somente pela pessoa sobre a qual você a está impondo, mas até por aquelas que a estão testemunhando. Mas uma boa intenção é perigosa.

Ambas estão fazendo o mesmo trabalho: destruindo a liberdade do indivíduo de ser ele mesmo, de forma que a natureza dele de modo algum seja diferente daquilo que você quer. A rebelião é possível contra a má intenção e será apoiada por todos; mas contra as boas intenções a rebelião torna-se impossível. Todos apoiarão a pessoa com boas intenções que está destruindo o indivíduo. Ninguém virá para apoiar o indivíduo.

Não é função nossa salvar o mundo. Em primeiro lugar, nós nunca o criamos. Não é responsabilidade nossa para onde ele vai e o que vai acontecer com ele. Nossa única responsabilidade é que, enquanto estivermos aqui, vivamos uma vida de alegria, de amor, de felicidade. Enquanto estivermos aqui, a nossa responsabilidade é saber quem somos e em que consiste esta vida.

E o milagre é que, ao fazer isso, você já está mudando o mundo sem ser agressivo. Não há em você nenhuma ideia de mudar o mundo e, assim, a questão da agressão não surge. Você não tem sequer uma vaga concepção de mudar o mundo e torná-lo como você acha que ele deveria ser. Você está simplesmente vivendo a sua vida, da qual você é dono. Você está tentando vivê-la da maneira mais intensa e total possível, porque a vida é muito curta e o momento seguinte é tão incerto que temos de encarar cada momento como se fosse o último.

Apenas a própria ideia - como se este fosse o último momento - vai transformá-lo. Então, não há necessidade de ter inveja, não há necessidade de sentir raiva. No último momento da vida, quem quer estar com raiva e com inveja, sentir-se triste e infeliz? No último momento da vida, naturalmente todos os ressentimentos e todas as queixas sobre a vida desaparecem. Se cada momento for encarado como o último - como ele deve ser encarado, porque o próximo é incerto - você estará mudando a si mesmo; e a sua mudança será contagiante. Ela pode mudar o mundo todo, embora nunca tenha pretendido isso.

Essa é a minha maneira de mudar o mundo sem ser agressivo. Até agora todos os reformadores, revolucionários, messias, foram violentos, agressivos. Eles estavam visando a salvá-lo. Nunca lhe perguntaram se você quer ou não ser salvo; você era apenas alguma coisa sobre a qual eles tinham de decidir. Quem lhes deu autoridade para isso? Eles nem sequer pediram sua permissão. E, se você não mudar segundo a maneira de eles verem as coisas, estão dispostos a atirá-lo para sempre em um inferno escuro, sombrio.

E, é claro, se você estiver disposto - disposto a cometer um suicídio espiritual e simplesmente se tornar uma sombra dessas pessoas -, elas estão lhe oferecendo todas as recompensas que você pode imaginar no Paraíso. Os hindus tentaram mudar o mundo, os cristãos tentaram mudar o mundo - todas as religiões têm tentado fazer isso. O comunismo, o socialismo, o fascismo, todos fizeram isso.

As pessoas que estão comigo têm de ser totalmente diferentes, têm de ser um novo fenômeno no mundo. Não vão interferir na vida de ninguém e, no entanto, vão transformar o mundo todo. Isso é mágica de verdade. Você não tem a intenção, não impõe, não interfere, não invade ninguém. Você não faz nenhum julgamento: "Você está errado e eu vou endireitá-lo". Você não está preocupado com isso; isso é problema dele, é a vida dele. Se alguém quiser destruí-la, tem o direito de destruí-la. Se alguém quer viver estupidamente, tem o total direito de fazer isso. É a vida dele. Como ele a vivencia, como ele a vive ou se ele permanece quase morto, adormecido do berço até o túmulo, essa continua sendo a vida dele e ele é dono dela. Por isso, aqueles que estão comigo não têm de interferir na vida de ninguém.

Eu tenho uma abordagem totalmente diferente para mudar o mundo: cada um mude apenas a si mesmo. E quando estiver rejubilando e dançando, vai ver que alguém ao seu lado começou a dançar com você, porque todos nós somos a mesma consciência humana com o mesmo potencial. Ninguém é estrangeiro.

Podemos falar idiomas diferentes, mas entendemos uma linguagem. Então, quando você está feliz, sorrindo, o outro que pode não estar sorrindo de repente sente um sorriso surgir no rosto. Você pode ser um estranho, mas você sorriu para a pessoa, acenou para ela. Você mudou a pessoa sem que ela soubesse e sem que você tivesse essa intenção.

Grandes mestres - como Lao Tsé, Chuang Tsé, Lieh Tsé - chamaram isso de "ação sem ação". Você não está realizando nenhuma ação, mas algo está acontecendo. E quando as coisas acontecem por si mesmas, elas têm uma beleza, porque no fundo delas está a liberdade. Se a pessoa acenou, se a pessoa sorriu, você não está lhe pedindo que faça isso; ela é totalmente livre para não olhar para você. Mas há uma sincronicidade entre os corações.

Conhecendo esse segredo da sincronicidade, estou propondo um tipo de revolução totalmente novo. Mude a si mesmo, e nessa própria mudança você mudou uma parte do mundo. Você é uma parte do mundo. Se a sua mudança é algo que o torna rico, o torna alegre, o torna feliz, o torna uma canção, então é difícil aos outros resistir a cantar com você, dançar com você, florescer com você. Um único indivíduo pode transformar o mundo todo sem nem sequer mencionar a palavra "transformação".

Iniciei a jornada sozinho. Não bati na porta de ninguém chamando para virem comigo, mas, curiosamente, as pessoas começaram a vir e a caravana começou a se tornar cada vez maior. Elas vieram por si mesmas. Se vieram estar comigo, isso foi decisão delas; se quiserem ir embora, não há problema. Elas são tão livres como sempre.

Já iniciamos o processo da entrada do mundo em uma nova fase da história humana. Não somos agressivos; não estamos tentando mudar o mundo. Não estamos sequer interessados no mundo; estamos simplesmente vivendo a vida, desfrutando a vida - somos totalmente egoístas! Ainda assim, o que não aconteceu em milhares de anos é possível por meio de nós. Mas será uma ação sem ação, uma.transformação que não foi intencional, que não foi imposta.

Uma transformação que se disseminou sozinha, e as pessoas entenderão que isso aconteceu desse modo porque, no fundo, todos os corações falam a mesma linguagem.
Osho, em "Poder, Política e Mudança - Como Ajudar o Mundo A Se Tornar Um Lugar Melhor?"

O sexo no processo da retomada da Perene Consciência

As maiores mudanças no corpo são as que dizem respeito à SEXUALIDADE. Uma reorganização do impulso sexual parece ser necessária para qualquer transição nos planos da consciência. Ritos de iniciação na puberdade, ritos matrimoniais, bem como os votos de castidade para aqueles que entram nas ordens religiosas apontam para a importância das alterações sexuais em conexão com as mudanças dos estados de espírito. Supõe-se que a força da serpente kundalínica esteja enrolada e dormindo na base da espinha, na região coccígena, onde encontramos o ânus e a próstata; opiniões divergem com relação à sua localização. Estaria intimamente conectada com a sexualidade, tanto que a transformação da sexualidade através do trabalho de interiorização torna-se uma atividade necessária, e até mesmo é uma tarefa máxima numa disciplina espiritual. A transformação da sexualidade através de rituais é uma ideia que pode ser encontrada no próprio gnosticismo, nas práticas alquímicas e xamanistas, (ou mágicas), bem como na ioga. Também é fundamental para as teorias sexuais taoístas. A análise freudinana também pode ser especialmente encarada como uma espécie de ritualização da vida sexual, por causa de sua transformação, uma vez que sua forma ortodoxa de conduzir-se é dissuadida durante uma análise.

(...) Não é incomum na prática analítica que fases de sexualidade obsessiva (sonhos eróticos, fixação nos genitais, sadomasoquismo, masturbação, poluções noturnas) ocupam o centro do drama ou da análise durante certo tempo. Reduzir esses eventos à condição de conflitos edipinianos não é, por isso, suficiente. Se um processo de transformação está realmente se desenrolando, então afetará a vida sexual de uma pessoa, atraindo a atenção para sua sexualidade, e uma sexualidade como tal (a qual, então, assume o numinoso poder de um Deus, formulado muito tempo atrás em outras culturas como o Linga, ou como Priapo). O terreno ou a base da possibilidade para qualquer transformação da sexualidade é reconhecê-la como uma força impessoal. Não se trata de MEU sexo e de MEU prazer ou de MEU orgasmo; é uma força que brota através de mim, uma força de divertimento, de alegria e criação. Separando o aspecto pessoal do sexo, nós podemos senti-lo ou escutá-lo, podemos negá-lo ou obedecer-lhe, notar suas flutuações e intenções, e isso tudo significa tão-somente relacionar-se a ele objetivamente. Uma vez que esta etapa tenha sido assumida, a transformação a que Gopi Krishna alude, torna-se menos um assunto de supressão pessoal, uma luta do adolescente entre o bem e o mal, do que um jogo evidente, o qual seja ao mesmo tempo religiosamente sacrificial e eroticamente educativo.

Comentário de Hermógenes no livro, Kundalini - Gopi Krishna

Relação com os pensamentos - Adyashanti

Em busca do elo perdido

É possível um paradigma holístico?

"Os conflitos e controvérsias que de um lado se desdobram entre um tipo de fé e outro, e do outro, entre a fé e a filosofia deixam-me curioso em saber se será possível que um dia, finalmente, venha a existir uma religião que encerre um apelo adequado para toda a humanidade, religião que fosse aceitável tanto para o filósofo como para o homem comum, que fosse bem-vinda tanto para o racionalista como para o sacerdote. Mas poderá está pergunta ser respondida de outra forma que não a negativa, isto enquanto as verdade fundamentais de tal religião mundial não forem empiricamente demonstradas, tais como foram universalmente aceitas outras leis e fenômenos da natureza? Obviamente não. Para poder persuadir a razão a que se erga acima de si mesmo, é essencial que se consiga a sua transcendência de forma que essa transcendência não repugne à própria razão, violando qualquer dos seus princípios tão ciosamente guardados. Mas nenhuma das religiões existentes está preparada para permitir-se esta espécie de aproximação, mesmo no domínio estritamente temporal, e ainda menos no domínio espiritual, pois no primeiro não se apresenta nenhuma possibilidade de compromisso com o segundo, aceitando-o como tal e, em consequência, não há qualquer possibilidade de que venha a florescer uma fé universal.

A meta que tenho em mente revelou-se-me muito mais elevada e nobre do que o dado mais atrativo que eu pudesse aguardar com a aquisição da mais ambicionada regalia supranormal. Muito desejei alcançar aquela condição de consciência, considerado como objetivo último da ioga, a qual arrasta o espírito incorpóreo para os intraduzíveis planos de glória e bem-aventurança, bastante além da esfera dos pares de opostos, regiões livres do desejo de sobrevivência e do medo da morte. Este extraordinário estado de consciência intimamente consciente de sua própria e inigualável natureza era o prêmio supremo que os verdadeiros aspirantes da ioga aguardavam, em relação ao qual têm que se empenhar com abnegação. A posse de poderes supranormais de aplicação comum e imediata, sejam poderes do corpo ou da mente, mas que ainda mantêm o homem debatendo-se no tormentoso mar da existência, não permitindo que ele se aproxime sequer da solução do grande mistério, pareceu-me ser tão inconsequente quanto a posse de outros tesouros terrestres, todos destinados a desaparecer com a vida. As façanhas da ciência trouxeram assombrosas possibilidades dentro do domínio humano, possibilidades não menos surpreendentes do que as que estão, inclusive, relacionadas com as mais extraordinárias proezas do tipo sobrenatural, com somente uma exceção suprema — o milagre da vivência transcendental e a revelação, periodicamente concedidas a indivíduos especialmente constituídos — as quais, acelerando o progresso moral necessário para uma ordem social pacífica e produtiva, contribuíram não apenas com maior quota no erguimento da humanidade até o seu atual pedestal material, como também tornaram os milagres da ciência possíveis e aprováveis. E foi em direção a este fabuloso estado de pura cognição, livre das limitações do espaço e do tempo, estado em relação ao qual os antigos sábios da Índia haviam se aprofundado, falando dele em termos arrebatadores, alertando que se tratava do mais elevado objetivo da vida humana e do meio ambiente, que com todo o meu coração ansiei elevar-me.

Gopi Krishna

A conexão com a emissora do Ser que somos

Pode a mente esvaziar-se do passado?

Pode a mente esvaziar-se do passado e atingir aquela área de si mesma ainda não tocada pelo pensamento? Vejam, até agora só operamos dentro das áreas do pensamento, como o conhecimento. Existirá alguma outra parte, alguma outra área da mente, que inclui o cérebro, que não se encontre tocada pela luta, pela dor, pela ansiedade, pelo medo humanos, e por toda a violência, por tudo quanto o homem produzir através do pensamento? Meditar significa encontrar essa área. Isso implica não só descobrir se o pensamento pode cessar, mas também se o pensamento pode agir, quando necessário, no campo do conhecimento. O conhecimento nos é indispensável; sem ele não poderíamos  funcionar, não poderíamos falar, não poderíamos escrever, etc. O conhecimento  é necessário para podermos funcionar, mas esse funcionamento se torna neurótico quando o status adquire muita importância: é o surgimento do pensamento como "eu", como status. O conhecimento, portanto, é necessário e, no entanto, meditar significa encontrar, ou atingir, ou observar uma área na qual não exista movimento do pensamento. Podem esses dois movimentos viver juntos, em harmonia, no dia a dia? Este é o problema; não o respirar, não o sentar-se corretamente, não a repetição de mantras, ou pagar cem dólares para aprender algumas palavras feias e insignificantes, e repetir isso até você acreditar que está no céu — isto é uma tolice transcendental!

Krishnamurti – Sobre a mente e o pensamento - Saanen, 28 de julho de 1974

A jornada do auto percebimento

Sobre nossos desencontrados encontros sexuais

Retomando a Consciência em todas as nossas atividades


Do Homem Demens ao Homo Sapiens

Diálogo sobre os necessários estados de saturação e prontificação

Filme: Satyagraha

Filme IMPERDÍVEL: Inspirado nas manifestações que tomaram o Brasil e o mundo nos últimos tempos, Satyagraha reflete a revolta da classe média contra um sistema corrupto e injusto que os deixa sem recurso além de formar um movimento espontâneo que desafia o status quo. É a história de um jovem brilhante e ambicioso que está pronto para subir na vida quando uma tragédia pessoal o expõe a chocantes consequências da corrupção.

Título Original: Satyagraha
Diretor: Prakash Jha
Duração: 2h:32min
Gênero: | Drama |

O verdadeiro rebelde salta do barco e se aventura no Aberto

Na rebeldia está o caminho para o amor

O espírito rebelde é a qualidade essencial de um homem religioso

A mentalidade antiga, as ideologias antigas, as religiões antigas - elas todas combinadas estão criando a situação presente de suicídio global. Só um novo ser humano pode salvar a humanidade e este planeta, e a linda vida deste planeta.

Eu ensino a rebelião, não a revolução. Para mim, o espírito rebelde é a qualidade essencial de um homem religioso. É a espiritualidade em sua pureza absoluta.

O futuro não precisa mais de revoluções. O futuro precisa de um novo experimento que ainda não foi tentado.

Embora tenham existido rebeldes há milhares de anos, eles continuam sozinhos, individuais. Talvez ainda não fosse a hora deles.

Mas agora não só é hora, como, se não nos apressarmos, já não haverá mais tempo. Ou o ser humano desaparecerá ou um novo homem com uma nova visão aparecerá sobre a Terra. Ele será um rebelde.

Osho, em "Transformando Crises em Oportunidades: O Grande Desafio Para Criar Um Futuro Dourado Para a Humanidade"


3ª fase do processo de retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa

Osho, quem é você?



"Sou um convite para todos aqueles que estão procurando, buscando e têm um grande anseio em seus corações para encontrar os seus lares.

Sou uma resposta para a pergunta que todos têm, mas que não podem formular, uma pergunta que é mais uma busca do que uma questão, mais uma sede do que uma indagação verbal e mental. Uma sede que a pessoa sente em cada célula e fibra de seu ser, mas que não tem como trazê-la às palavras e perguntá-la.

Sou uma resposta para essa pergunta que você não pode formular e que não pode esperar que ela possa ser respondida.

Quando digo que sou a resposta, não quero dizer que possa-lhe dar a resposta. Sim, se você estiver pronto, você pode pegá-la. Sou como um poço, pronto para que você atire o seu balde e tire água por você mesmo.

Tenho, mas não posso alcançar você sem os seus esforços.

Somente você pode me alcançar. Este é um convite estranho; ele o levará a uma longa peregrinação, e terminará somente onde você já está.

Você precisará dar muitos passos, em muitos caminhos, simplesmente para chegar a você mesmo, pois você se distanciou de você mesmo e se esqueceu completamente do caminho de volta. Sou um lembrete, uma lembrança do lar perdido.

Não existo como uma pessoa; como uma pessoa eu simplesmente aparento. Eu existo como uma presença. Desde o dia em que vim a conhecer a mim mesmo, a pessoa desapareceu; existe somente uma presença, uma presença muito viva que pode saciar a sua sede, que pode preencher o seu anseio.

Portanto, em uma palavra posso dizer que sou um convite, e é claro, apenas para aqueles que têm um profundo anseio em seus corações, que estão sentindo falta deles mesmos, uma profunda urgência, que a menos que encontrem a si mesmos, tudo o mais não tem sentido.

A menos que isso seja o seu interesse prioritário e supremo, a ponto de, se necessário, você estar mesmo disposto a perder tudo por isso, mas não pode abandoná-lo...

Existem milhares de desejos, mas no que se refere a anseio, há apenas um, o de voltar para casa, de encontrar sua realidade. E nesse próprio encontrar, você encontra tudo o que tem algum valor: bem-aventurança, verdade, êxtase.

Jesus costumava dizer: “Se você tem olhos para ver, veja; se tem ouvidos para ouvir, ouça.” É claro que ele não estava falando para os cegos e os surdos; ele estava falando para pessoas como você, talvez ele estivesse falando exatamente para você, pois você não é novo.

Você é tão antigo quanto toda a existência; você sempre esteve aqui.

Você pode ter encontrado muitos mestres, pode ter chegado perto de muitos budas, mas você estava muito envolvido em trivialidades e não estava ciente de seu anseio.

Sou um esforço para provocar o dormente em você, para despertar o que dorme. O fogo está presente, mas está queimando muito baixo, pois você nunca cuidou dele.

Meu convite é para tornar você chamejante, e a menos que você conheça uma vida que seja luminosa e chamejante, todo o seu conhecimento é apenas uma trapaça. Você está juntando-o para ajudá-lo a se esquecer de que o conhecimento real está faltando.

Mas não importa quão grande seja o seu acúmulo do outro, do objetivo, do mundo, isso não vai se tornar um substituto do seu autoconhecimento. Com o autoconhecimento, de repente desaparecem toda a escuridão e a separação em relação à existência.

Sou um convite para você dar um corajoso salto no oceano da vida. Perca-se, pois esta é a única maneira de encontrar a si mesmo."

Osho, em "The Invitation"

Breve relato de uma experiência de despertar da Consciência

A mente cheia do cultural não tem espaço para o Real

Sobre o medo e a incompreensão diante do ócio contemplativo

Livro: Dias de Grande Paz

Sobre a experiência sublime e inesquecível

Os primeiros Grandes Sábios, observando o movimento dos pensamentos da sua própria mente, descobriram que "ALGO" estava em ação quando o pensamento cessava. Esse "ALGO" era a primeira insinuação da alma de cuja descoberta nasceu a ciência que os antigos começaram a ensinar aos homens, como um meio de conhecerem a VERDADE SOBRE SI MESMOS.

Tal ciência foi transmitida por métodos diversos em quase todas as civilizações pré-cristãs, na Suméria, Egito, Babilônia, Caldéia, China, Pérsia, Índia, México; entre os índios da América do Norte, maias da América Central e os desventurados astecas, assim como entre os judeus da Fraternidade Essênia e os gnósticos das cidades mediterrâneas.

Contemplando as majestosas ruínas da Grécia antiga, vêem-se de pés as imponentes fachadas esburacadas e colunas esfaceladas pelo tempo, os restos do famoso Templo em que outrora foram celebrados com grande cerimônia sob a égide de Atenas os célebres Mistérios de Elêusis. Poucos, são, todavia, aqueles que hoje entendem o que se passava exatamente atrás das paredes do santuário. A INICIAÇÃO nesses Mistérios era considerada pelos antigos ASSUNTO DE GRANDE IMPORTÂNCIA, enquanto que o homem moderno mal lhe conhece o mero significado da palavra. Grandes homens não vacilaram em submeter-se a essa experiência SUBLIME E INESQUECÍVEL, saindo dela fortalecidos, prestes a desempenhar com ABSOLUTA CONSCIÊNCIA o papel que lhes fora designado pelo destino a cumprir, tal era a grandeza da revelação recebida a portas fechadas e vigiadas.

Ao terminar as solenidades dos Grandes Mistérios, as últimas palavras ouvidas era. VAI EM PAZ! Descrevendo suas experiências, os próprios iniciados diziam que a partir daquele momento seguiriam seu caminho da vida COM A ALMA SERENA E TRANQUILA. A INICIAÇÃO nada mais era realmente do que entrar na PERCEPÇÃO DAQUILO QUE O CANDIDATO DE FATO ERA. Completava sua formação de homem e quem quer que não a tenha experimentado era em verdade meio-homem.

(...) A chave do segredo dessa antiga instituição dos Mistérios nos foi dada por Plutarco quando escreveu: "OS INICIADOS, NO MOMENTO DA INICIAÇÃO NOS GRANDES MISTÉRIOS, SENTEM AS MESMAS IMPRESSÕES DA ALMA NA HORA DA MORTE".

(...) Será esse "EU" oculto uma imaginação louca, vaga quimera de alguns visionários, cuja fama milenar nos foi transmitida através da história? Os elos que ligam essa longa cadeia de tradição espiritual não terão vínculos mais fortes do que uma simples superstição?

(...) Valerá talvez o trabalho de investigar essa questão. Pode ser que o resultado de tal exame ou fortaleça a nossa posição atual e enfraqueça suas doutrinas seculares, ou talvez desmorone nossas crenças tão cuidadosamente sustentadas, confirmando a exatidão dos axiomas dos antigos. E a investigação é a única que realmente interessa.

Eu mesmo me empenhei em averiguar, não sem dificuldade, o que havia de verdadeiro nessas doutrinas. Finalmente, vi-me forçado a testemunhar que a sabedoria dos antigos NÃO É UMA COISA IMAGINÁRIA. Descobri, em vez de quimeras invenções de alguns cérebros doentios, doutrinas tão estupendas que nós que vivemos e trabalhamos no ensurdecedor e impiedoso mundo de hoje lhes devemos dar fé.

A mente contemporânea NÃO ATENDE aos sábios conselhos dos antigos para resolver seus problemas e assim perde verdadeiros tesouros acumulados; e é possível que a meditação desses sábios possa dar ainda muitos frutos aos estudiosos da cultura moderna. Podemos cortar os liames que nos prendem às grandes filosofias de outrora, mas sendo elas baseadas nos princípios eternos em que se apóia todo verdadeiro pensamento, mais cedo ou mais tarde seremos forçados a elas recorrer. A filosofia perde o seu poder quando os DEMASIADAMENTE INTELECTUALIZADOS a reduzem a meras discussões; retomará seus legítimos direitos quando nas almas sofisticadas da nossa época DESPERTAR A NECESSIDADE de alguns pontos de apoio mais seguro do que este que oferecem os ensinamentos confusos de hoje.

Há no homem algo mais do que o revelam as impressões comuns. As descobertas da Psicologia experimental têm levado a interessantes conclusões a este respeito, e confirmado inumeráveis relatos de experiência mística. Que é esse "ALGO MAIS" no homem, que o faz defender esplêndidos ideais e conceber nobres pensamentos? Que PRESENÇA espiritual DENTRO DE SEU CORAÇÃO o instiga a afastar-se da existência banal, puramente terrena, e travar uma luta constante entre o anjo e a besta que habitam no seu corpo?

Quando nos dizem a nós, homens do século XX, que Deus não é apenas uma simples palavra sobre a qual se argumente e discuta, mas UM ESTADO DE CONSCIÊNCIA QUE PODEMOS REALIZAR AGORA, em carne, levantamos os olhos, surpresos. Quando se nos afigura a existência de alguns seres que vivem entre nós e viram Deus — tocamos a cabeça num gesto significativo... e, ademais, se nos asseguram que temos o Divino DENTRO DE NÓS e que a Divindade É O NOSSO VERDADEIRO SER, sorrimos, indulgentes mas desdenhosos, tomando ares de superioridade.

No entanto, isso não é nem teoria, nem sentimentos: é uma certeza inegável, evidente e absoluta pura para aqueles que se adiantaram um pouco no caminho da PERCEPÇÃO espiritual.

(...) Podemos trocar nosso parentesco com o símio, e com requinte detalhes e de provas demonstrarmos essa triste linhagem, porém somos incapazes de nos lembrar de nosso parentesco com o anjo.

PB - O Caminho Secreto


Das fronteiras da objetividade à liberdade da subjetividade

“Não crer na glória de sua própria alma é o que a Vedanta chama de ateísmo.”
Swami Vivekananda

Ao utilizar o termo "realização" refiro-me, é claro, não apenas a uma concepção moral, ou teórica, a qual pode vir e ir, mas exatamente ao CONHECIMENTO COMO PARTE DE NÓS MESMOS, em outras palavras, que está em nós e além de nós. É difícil prolongar esta explanação, a qual pertence à consciência que transcende os termos de uma linguagem que é aceita, conhecida e vivenciada por todos. (...) A "Realização", no sentido usado, não é uma experiência de muitos homens e tampouco pode ser enquadrada numa combinação de elementos lógicos e expressos pela linguagem da mente, nem se desdobrar de componentes similares e, desse modo, finalmente torna-se acessível à mente externa. Portanto, GOSTEMOS OU NÃO, este é um fato e nada pode mudá-lo. Não obstante, um tipo de consolo existe. Aqueles que vivenciaram a Realização sempre a reconheceram, embora fossem incapazes de expressá-la em palavras.

Na língua francesa, tão admiravelmente adaptada à mais sutil espécie de pensamento filosófico, há uma bela expressão: "L'ODEUR DE SAINTETÉ", isto é, "o odor da Santidade". Usando o mesmo idioma, podemos dizer "o odor da Realização", numa tentativa de definir o indefinível.

(...) Por meio da meditação profunda, um homem pode chegar a essa Realização, mas APENAS SOB CERTAS CONDIÇÕES. Nada melhor do que citar Ramana Maharshi, esse Mestre Espiritual de nossos dias, que partiu não há muito tempo, quando respondeu às numerosas perguntas a respeito dos obstáculos que impediam seus discípulos de chegar à Realização deste modo: "O PROBLEMA É SUA MENTE ERRANTE E OS MEIOS PERVERTIDOS", com o significado evidente de "meios de vida". Não posso encontrar nada mais próximo do que esse dito exato e breve. Ambos os obstáculos precisam CERTAMENTE ser removidos antes que possamos meditar como pretendemos. (...) Para a pessoa iniciada não existem dúvidas ou indagações a respeito disso, pois ela conhece a si mesma, sabe qual linha que deve seguir em seu caminho. Contudo, em todo homem há um critério para o qual ele sempre pode apelar quando necessita: SUA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA. Conhecemos definitivamente o que está certo e o que está errado, basta estarmos dispostos a abordar nosso critério mais íntimo com SERIEDADE plena e incondicional.

Infelizmente, a experiência e a observação nos mostram que essa virtude cordial de sinceridade interior não é "popular" entre os homens e mulheres deste século. Pelo contrário, acontece justamente o oposto: engamos e mentiras parecem dominar os horizontes moral e intelectual da humanidade nesta época infeliz e conturbada.

(...) Dentre os obstáculos, a maior parte de natureza física, que são óbvios para todo mundo estão: a imoralidade, a desonestidade, a raiva, a mentira, os maus hábitos, a falta de força de vontade e a falta de estabilidade e resistência.

(...)
a) De onde vêm nossos sentimentos e pensamentos?
b) Quais são suas origem, atuação e destino final?
c) Quais as relações existentes entre os acontecimentos deste mundo visível e aqueles do mundo invisível?
d) Existe um fator independente do nosso tempo tridimensional, com suas três subdivisões (passado, presente e futuro), no qual eles encontram sua fonte e razão última de sua existência?
e) A habilidade de ver o passado e o futuro pode ser logicamente explicada, dando-nos uma visão clara das técnicas que operam durante as manifestações de clarividência, clauriaudiência e faculdades transcendentais similares que existem em nós?
f) O drama do universo manifestado já foi explicado? Se não nos recessos mais profundos de sua "ORIGEM", o qual transcende até mesmo os mais avançados poderes humanos, então pelo menos nos métodos e fatores ativos, os quais são como executores da VONTADE PRIMEIRA, tão inconcebível para a mente?

Alguns espíritos humanos sublimes que vieram para este planeta ocuparam-se de problemas similares e encontraram soluções úteis para eles; por meio da infinita CORRENTE DE INICIADOS, essas soluções têm se tornado acessíveis aos homens de BOA VONTADE, que vivem até mesmo nesta época deplorável de profundo mergulho geral num materialismo negligente que tende a NEGAR TUDO O QUE NÃO PODE SER VISTO E TOCADO.

Mouni Sadhu - Meditação


Olhando para o processo de retomada da Consciência



Não crer na glória de sua própria alma é o que a Vedanta chama de ateísmo.
Swami VIvekananda


Ao utilizar o termo "realização" refiro-me, é claro, não apenas a uma concepção moral, ou teórica, a qual pode vir e ir, mas exatamente ao CONHECIMENTO COMO PARTE DE NÓS MESMOS, em outras palavras, que está em nós e além de nós. É difícil prolongar esta explanação, a qual pertence à consciência que transcende os termos de uma linguagem que é aceita, conhecida e vivenciada por todos. (...) A "Realização", no sentido usado, não é uma experiência de muitos homens e tampouco pode ser enquadrada numa combinação de elementos lógicos e expressos pela linguagem da mente, nem se desdobrar de componentes similares e, desse modo, finalmente torna-se acessível à mente externa.

Portanto, GOSTEMOS OU NÃO, este é um fato e nada pode mudá-lo. Não obstante, um tipo de consolo existe. Aqueles que vivenciaram a Realização sempre a reconheceram, embora fossem incapazes de expressá-la em palavras.

Na língua francesa, tão admiravelmente adaptada à mais sutil espécie de pensamento filosófico, há uma bela expressão: "L'ODEUR DE SAINTETÉ", isto é, "o odor da Santidade". Usando o mesmo idioma, podemos dizer "o odor da Realização", numa tentativa de definir o indefinível.

Mouni Sadhu, em, "Meditação"

Breve relato do despertar do processo de retomada da Consciência

D.D.: Estou sem microfone aqui e meu computador está péssimo, travando toda hora mas, eu queria escrever um pouco... Posso?
out: sim
D.D.: Então, com licença a todos. Boa noite.
out: bn
D.D.: Eu quero dizer antes de mais nada que este grupo vem sendo muito importante pra mim. Na verdade eu escuto mais o canal no Youtube do que este canal.
D.D.: Conheci vocês através do Youtube, pesquisando sobre o K
D.D.: O Krishnamurti eu descobri através de um professor de arquitetura, onde a gente fazia com ele uma entrevista sobre escolas, meios de ensinos...
D.D.: Perguntei à ele qual seria, na opinião dele a escola ideal... e ele respondeu que era a escola de Krishnamurti
D.D.: O tempo passou, e um dia eu estava a assistir um documentário onde aparecia o K falando aquele frase " famosa" dele: Não é nenhum pouco saudável ser normal numa sociedade doente
D.D.: Isso me tocou logo, e me vi buscando coisas sobre esse cara em todos os lugares, tanto em livros como em vídeos
D.D.: E foi ai que conheci a confraria!
D.D.: Eu falo uma coisa pra vocês.
D.D.: Eu entro na internet muito pouco, uso para coisas do trabalho como e-mail e Facebook (egobook)
D.D.: ...além disso vejo, ouço e acompanho a página de vocês no Youtube e aqui.
D.D.: Minha vida mudou depois que conheci o K
D.D.: e a coisa mais importante pra mim, a maior descoberta da minha vida ( hoje estou com 37 anos), foi saber que eu não sou a minha mente.
D.D.: Que tenho muitos condicionamentos e que, por conta deles penso do jeito que penso.
D.D.: Tive um insite (visão de dentro).
D.D.: Eu estava encostado no pilar daqui de casa, próximo à uma árvore e, fui deletando os meus pensamentos... Toda palavra que vinha na minha mente eu retirava o significado dela na mesma hora.
D.D.: Quando de repente, tudo me apareceu tão claro, tão nítido
D.D.: Senti que eu era tudo
D.D.: eu era a árvore que estava perto de mim
D.D.: eu era o meu cachorro
D.D.: eu era o céu azul com todas as estrelas que eu não via
D.D.: eu era tudo que estava em meu entorno, até mesmo as coisas que eu não enxergava naquele momento
D.D.: A sensação que eu tive foi de que, a vida, ou melhor escrevendo, na vida não há absolutamente nenhum problema. Nenhum!
D.D.: Se eu saísse na rua e um carro me atropelasse, isso não seria um problema.
D.D.: Se eu perdesse o meu pai, ou minha mãe em morte, isso também não seria um problema
D.D.: Se eu perdesse tudo o que tenho, trabalho, família, bens qualquer, não seriam problemas
D.D.: Esse raciocínio me veio depois.
D.D.: Na hora tive somente uma leveza, uma luz tamanha e, que durou no máximo 1 segundo
D.D.: 1 segundo!
D.D.: Ou seja, em 37 anos de vida eu ti segundo de realidade!
D.D.: Conversando com um amigo ( hoje só tenho um amigo, pois, os outros, que eram muitos, eu não consigo mais me identificar, e, portanto, não frequento mais os mesmos ambientes que eles), contei o que tinha acontecido comigo.
D.D.: E disse à ele como era triste saber que, talvez aquilo jamais iria se repetir na minha vida
D.D.: Ele me disse que pelo menos eu havia visto, enxergado. Que aquilo era como se fosse uma pessoa que vivera toda uma vida trancafiada num quarto sem janelas e portas, um quarto escuro... e que de repente descobrisse um buraquinho, um vão do tamanho de um alfinete, e que avistasse o mundo exterior
D.D.: Bom, já está travando aqui, o meu computador está muito ruim e, eu gostaria de falar muito mais coisas à vocês, coisas que estão acontecendo comigo depois que conheci o K e toda essa verdade que vocês dizem e procuram saber.
D.D.: E são tantas coisas..., mas enfim. Agradeço de coração à todos vocês, está sala é muito importante pra mim, é a única coisa que tenho real satisfação em estar... boa noite. Vou providenciar um mic. Abraço à todos. Voadora krishnamurtiana, como diz o Out!

Confrade Du Duarte - Reunião Paltak

Vigilância Até ao Último Suspiro

Você é senhor de sua mente?

O poder do pensamento concentrado, aplicado à vida cotidiana, é amplamente reconhecido. Não há, pois, necessidade de provas ou explicações especiais. mas o homem comum não usa convenientemente nem mesmo uma fração desse poder. Se o leitor discordasse disso, gostaria que me explicasse, ou, melhor, explicasse a si próprio, se sabe por que está pensando de certo modo particular e não de outro, por que os pensamentos lhe surgem na mente, "convidados" ou não, e se é capaz de prever em que estará pensando ao cabo de alguns instantes. Pode de fato fechar a mente, segundo sua vontade, a um pensamento que o importune? De onde vêm os pensamentos? 

Se estas perguntas ficarem sem resposta, teremos de reconhecer que não somos senhores de nossa mente. Um dos principais objetivos deste estudo é pôr fim a essa condição indesejável. 

Controlar uma máquina significa ser capaz de pô-la em ação, modificar sua velocidade e, finalmente, fazê-la parar quando necessário. E isso é exatamente o que se exige da mente disciplinada. 

O verdadeiro poder de concentração não é apenas a habilidade de dirigir e manter, por alguns minutos, toda a atenção focalizada exclusivamente sobre, por exemplo, a cabeça de um alfinete, e sim a capacidade de fazer parar a máquina pensante e observá-la enquanto parada. O artista sente-se seguro de que suas mãos lhe obedecem e executam exatamente o movimento exigido. Por isso nem sequer pensa no assunto e trabalha sem preocupar-se, sabendo que as mãos, em dado momento, farão precisamente o que ele deseja. Sob tais condições, as mãos e os órgãos, trabalhando convenientemente, constituem uma unidade harmoniosa, capaz de funcionar em sua própria esfera de ação. 

Suponhamos que uma parte de seu corpo se recuse a obedecer os impulsos emitidos do cérebro, o centro de controle. Poer exemplo: em vez de apanhar um copo de água, quando você está com sede, sua mão acende um cigarro ou então recusa-se a mover-se. Você certamente concluirá que ela é de pouca utilidade. 

Observemos mais de perto as funções de nossa mente-cérebro. Você é capaz de afirmar, com plena certeza, que pensa sempre quando quer e só no que realmente quer e que, portanto, sabe onde os pensamentos surgem à luz de sua consciência? Poderá impedir a entrada dos pensamentos ou limitar sua duração na mente pelo tempo que desejar? Se for capaz de analisar o processo do pensamento, a resposta será negativa. 

Assim, pode parecer que o homem comum não é bom artífice porque não consegue controlar seu instrumento principal: a mente e os pensamentos. Passa a vida usando e aceitando algo que se origina além do alcance da compreensão.

Mouni Sadhu        

Fênix


Fênix
Jorge Vercillo

Eu!
Prisioneiro meu
Descobri no brêu
Uma constelação...

Céus!
Conheci os céus
Pelos olhos seus
Véu de contemplação...

Deus!
Condenado eu fui
A forjar o amor
No aço do rancor
E a transpor as leis
Mesquinhas dos mortais...

Vou!
Entre a redenção
E o esplendor
De por você viver...

Sim!
Quis sair de mim
Esquecer quem sou
E respirar por ti
E assim transpor as leis
Mesquinhas dos mortais...

Agoniza virgem Fênix
O amor!
Entre cinzas arco-íris
Esplendor!
Por viver às juras
De satisfazer o ego mortal...

Coisa pequenina
Centelha divina
Renasceu das cinzas
Onde foi ruína
Pássaro ferido
Hoje é paraíso...

Luz da minha vida
Pedra de alquimia
Tudo o que eu queria
Renascer das cinzas...

E eu!
Quando o frio vem
Nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
A luz da escuridão
E a dor revela a mais
Esplêndida emoção...

O amor!
Quando o frio vem
Nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
A luz da escuridão
E a dor revela a mais
Esplêndida emoção...

Quando o frio vem
Nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
A luz da escuridão
E a dor revela a mais
Esplêndida emoção
O amor!...(2x)

Minha nova concepção da Vida

Mouni Sadhu
Uma das tarefas mais difíceis com que me deparei durante minha estada no ashram de Ramana Maharishi, foi a necessidade de encontrar a definição clara da nova concepção de vida como tal. Parece-me que há em mim um ponto central ao redor do qual tudo gravita em minha consciência, o meu "EU". Esta concepção deve ser definitiva e absoluta, pois nenhuma outra será aceitável pelo meu "Eu".

Entre as centenas de definições que encontrei, nenhuma delas pareceu-me dar uma síntese perfeita. As definições condicionadas devem ser abandonadas como falsas. As que são demasiadamente abstratas, uma terminologia impossível de ser posta em prática, parecem-me simples acrobacias mentais, boas para os professores aposentados de filosofia teórica, mas não para um homem que se esforça pela realização espiritual. Mas sei que deve existir uma definição que harmonize com as profundezas de meu ser e que não provoque nem dúvida nem ceticismo, pois estará de acordo com minha própria experiência interna. 

Todos os que realizaram a verdade na vida falam dela com maior entusiasmo, COMO SENDO A ÚNICA META, para cujo alcance tudo o mais deveria ser sacrificado, UMA VEZ QUE É PURA ILUSÃO. No entanto, todas as suas palavras não aprecem ser outra coisa senão belas e encantadoras melodias produzidas por um instrumento desconhecido. Em minha busca tive de abandonar tudo o que é limitado, condicionado por nome e forma. Aquilo que sobra, sem forma nem véu, isso deve ser necessariamente a própria vida. 

O processo da investigação — principalmente através da meditação — demonstrou-me que quanto mais eu abandono a ideia de ser realista o que é visível, mais próximo me sinto da minha meta. Quais são, na prática, os estágios desse processo? Naturalmente é impossível descrevê-los em detalhes, mas as linhas gerais são muito simples. Começando a meditar em completa paz e serenidade sobre a relação que os objetos externos têm com o Eu, muitas vezes me parece que atinjo a verdade: eles não significam nada para o "Eu". Nesse momento desponta uma espécie de visão da possibilidade de uma EXISTÊNCIA independente de quaisquer condições. Essa "visão" — a palavra não é exata nem muito própria — dura mais ou menos tempo, dependendo do grau de concentração alcançada, mas seu resultado permanece como a memória de uma coisa duradoura e certa, sem qualquer sombra de dúvida. Ela encontra expressão no pensamento: "Unicamente a CONSCIÊNCIA é VIDA". A Consciência desapegada, independente de tudo, a simples afirmação "EU SOU". 

Mas esse "EU" não é o pequeno eu contido na transitória forma corpórea com seus sentidos, que é, na verdade, a antítese do EU REAL. Esse "EU"-Consciência está mais próximo do termo usado, muitas vezes, na literatura filosófica moderna, a "Consciência Cósmica" ou "Eu Cósmico". Essa Consciência é também FELICIDADE ABSOLUTA. 

Mouni Sadhu - Dias de Grande Paz


Como entrar no estado de meditação Supra-mental?

Mouni Sadhu
"A mente tem sua função na evolução do homem, mas essa função é limitada e pode guiar somente até certo nível. Além desse ponto começa outro novo".
— Ramana Maharshi


* * *
Analisando o processo em mim mesmo, acho que primeiro devem ser sustados todos os pensamentos. A Auto-inquirição  amadurece a mente para que o interesse no processo do pensamento desapareça, a fim de que a tranquilidade da mente, tão difícil até então, se torne fácil. 

Segundo, quando a mente está tranquila, surge forte insistência para a unidade com o TODO. Mas o que é esse TODO ainda não pode ser concebido e sinto que nunca pude obtê-lo sozinho. A melhor comparação é "fundir-se e dissolver-se NAQUILO que unicamente É". Diferente é deixar o corpo ou o ego, pois não há movimento. Permanecemos onde estamos, mas não somos o que éramos antes. 

Tudo o que poderia ser visto ou sentido antes, está separado de mim agora. Nada mais pode ser dito. 

Terceiro, o estado de unidade com o TODO traz inabalável certeza de que somente esse estado é o real e permanente; e que é esse o último refúgio que sempre buscamos, e o qual jamais perderemos. Nada há mais além disso, pois — ISSO É TUDO. 

A concepção de como a "morte" é destruída não significa que estamos nesse estado de pensamento de uma "vida depois da morte". O único fato que sabemos é que essa vida continuará para sempre. 

Nesse estado de Ser não há a falta distinção do tempo como passado, presente e futuro. 

É possível força a linguagem para transmitir à mente algo daquilo que trazemos de tal meditação, mas é provável que isto SEJA INÚTIL OU MAL COMPREENDIDO. E não há certeza de que outros cheguem a essa meditação silenciosa do mesmo modo que nós. Assim, qualquer descrição pode ser apenas uma sugestão e pode até não ser o caminho apropriado para outrem. 

Há uma experiência misteriosa que prova o poder de Auto-inquirição. Ramana Maharshi insistia que não devemos usar a Auto-inquirição como se fosse um mantra, isto é, como palavras apenas, mas que cada pergunta esteja PENETRADA do desejo de conhecer "Quem sou eu?". Pelo uso da Auto-inquirição dessa forma, após tranquilizar a mente, a resposta vem por si mesma, sem palavras, nem pensamentos — TU SABES QUEM ÉS. E o que se segue é INEXPRIMÍVEL. 

Esse é o grande serviço que Ramana Maharshi prestou à Humanidade — ter forjado este infalível instrumento de alcance — a inspiradora Auto-inquirição

Mouni Sadhu - Dias de Grande Paz


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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)