“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

A busca da felicidade é uma busca do auto-esquecimento

Existem apenas dois tipos de pessoas: uma que está em busca da felicidade; é o tipo mundano. Pode ir para o mosteiro, mas o tipo não muda; lá, ele também pede pela felicidade, pelo prazer e gratificação. Agora, de maneira diferente — através da meditação, da prece, de Deus — está tentando ser feliz, cada vez mais feliz. Há, depois, o outro tipo de pessoa — e só existem dois tipos — a que está em busca da verdade. E isso é um paradoxo: aquele que busca a felicidade, nunca a encontra, pois ela não é possível a menos que você encontre a verdade. A felicidade é apenas uma sombra da verdade; em si mesma não é nada — é apenas uma harmonia. 

Quando você se sente uno com a verdade, tudo se agrega, tudo se harmoniza. Você sente um ritmo — e esse ritmo é felicidade. Não se pode buscá-la diretamente. 

A verdade tem de ser procurada. A felicidade é encontrada quando se encontra a verdade, mas a felicidade não é o objetivo. E se você buscar a felicidade diretamente, será cada vez mais infeliz. E sua felicidade será, no máximo, apenas um intoxicante para que você esqueça a infelicidade; é só o que vai acontecer. A felicidade é como uma droga — LSD, maconha, mescalina. 

Por que o Ocidente chegou às drogas? É um processo muito racional. Teve de chegar a elas porque, na sua busca de felicidade, mais cedo ou mais tarde chega-se ao LSD. O mesmo aconteceu antes na Índia. Nos Vedas, eles chegaram ao soma, ao LSD, porque estavam buscando a felicidade; não eram realmente buscadores da verdade. Buscavam a mais e mais gratificação — chegaram ao soma. Soma é a suprema droga. E Aldous Huxley, falando sobre a suprema droga, a ser encontrada em algum lugar no século vinte, chamou-a outra vez de 'soma'. 

Sempre que uma sociedade, um homem, uma civilização, buscam a felicidade, têm de chegar de alguma forma às drogas — porque a felicidade é a busca pelas drogas. A busca da felicidade é uma busca do auto-esquecimento; é isso o que a droga ajuda a fazer. Você esquece de si e assim não há mais miséria. Como pode haver miséria se você não está? Você está dormindo profundamente. 

A busca da verdade está exatamente na dimensão oposta: não é gratificação, não é prazer, não é felicidade, mas — Qual é a natureza da existência? O que é a verdade? Um homem que busca a felicidade nunca a encontrará — encontrará, no máximo, o esquecimento. Um homem que busca a verdade a encontrará, porque para buscá-la ele próprio terá de se tornar verdadeiro. Para buscar a verdade na existência, primeiro terá de buscar a verdade em seu próprio ser. Terá de se tornar cada vez mais atento em relação a si mesmo

Estes são os dois caminhos: o auto-esquecimento — o caminho do mundo; e a lembrança de si mesmo — o caminho de Deus. E o paradoxo é que aquele que busca a felicidade nunca a encontra; e aquele que busca a verdade e não se importa com a felicidade, encontra-a sempre. 

(...) O autoconhecimento tem que ser a única busca, tem que ser o único objetivo; porque se você conhecer todo o resto sem conhecer a si mesmo, isto não significará nada. Você pode chegar a conhecer tudo, exceto você mesmo, mas o que isso significa? Não pode ter nenhum significado — porque se o próprio conhecedor é ignorante, o que pode significar esse conhecimento, o que seu conhecimento pode lhe dar? Quando você mesmo permanece na escuridão, pode reunir milhões de luzes à sua volta mas elas não o preencherão de luz. Apesar delas você continuará na escuridão. Viverá e se moverá na escuridão. A ciência é esse tipo de conhecimento. Você conhece um milhão de coisas mas não conhece a si mesmo

Ciência é conhecimento de tudo menos de si mesmo, exceto do autoconhecimento; o próprio buscador permanece no escuro. Isso não adianta muito. A religião é basicamente auto-conhecimento. Você tem de estar iluminado por dentro, a escuridão deve desaparecer do seu interior, e então por onde quer que você ande, a sua luz interior incindirá sobre o caminho. Onde quer que você vá, faça o que fizer, tudo será iluminado pela sua luz interior. E esse movimento com luz lhe dá um ritmo, uma harmonia, que é a felicidade. Então você não tropeça, não esbarra, não tem mais conflitos. Você se move mais facilmente, seus passos são uma dança, e tudo é satisfação. Você não quer mais que alguma coisa extraordinária aconteça. Você é feliz. É simplesmente feliz no seu ser comum. 

E a menos que você se sinta feliz sendo comum, jamais será feliz. 

Você é feliz apenas por respirar, você é feliz por ser; é feliz apenas por comer, por dormir mais uma noite. Você é feliz. Agora a felicidade não deriva de nada — ela é você. Um homem que se conhece é feliz, não por qualquer razão, sua felicidade não tem causa. Não é uma coisa que lhe acontece, é toda sua maneira de ser. É simplesmente feliz. Para onde quer que se mova, leva consigo sua felicidade. Se você o atira no inferno, ele cria à sua volta um paraíso; com ele, um paraíso penetra no inferno. 

Como você é, ignorante de si mesmo, se pudesse ser jogado no paraíso, conseguiria criar um inferno, porque você carrega consigo o seu inferno. Vá onde for, isso não fará muita diferença, você terá à sua volta o seu próprio mundo. Esse mundo está dentro de você, é a sua escuridão. 

Essa escuridão interior precisa desaparecer — é isso o que significa autoconhecimento.

O S H O 

Autoconhecimento não é tranquilizante: é demolição


O medo existe. Tem de ser abandonado. Lembre-se: antes de alcançar a suprema graça você terá de passar por um longo sofrimento. Antes de alcançar o infinito, o eterno, você terá de passar pelo temporal, por toda a história do homem. É inerente, está em todas as células do seu corpo, em todas as células da sua mente e cérebro — e você não pode evita isso. Todo o passado está aí com você, está em você, tem de ser atravessado. É um pesadelo, e um pesadelo muito, muito longo, milhões de anos, mas é necessário passar por ele — essa é a dificuldade. 

O sofrimento tem de ser vivido; esse é o significado de Jesus na cruz. Através do sofrimento ele alcança a ressurreição; através do sofrimento você alcançará o autoconhecimento. Portanto, não tente evitá-lo — não é possível evitá-lo. Quanto mais o fizer, mais oportunidades estará perdendo. Enfrente! Não há nada a ser feito, a não ser enfrentá-lo. E quanto mais intensamente você o enfrentar, mais depressa ele desaparecerá. 

Chega um momento em que você está absolutamente pronto para enfrentá-lo, seja ele o que for — você abandona todas as imagens. Até mesmo num único momento de intenso estado de alerta, você pode chegar ao centro. Mas nesse único momento você terá de sofrer todo o passado da humanidade, toda a história; você terá de sofrer tudo o que aconteceu. 

Conta-se, você já deve ter ouvido, que se uma pessoa afunda nas águas do mar ou de um rio, numa única fração de segundos relembra todo o passado desde o nascimento, as dores do parto — num instante, num 'flash', a vida inteira passa. Isso é verdade. E o mesmo acontece quando você alcança o momento do samadhi, a morte suprema, quando o ego morre completamente. Isso acontece! Mas num único instante você sofre todo o passado da humanidade, não o seu próprio. Esta é a cruz. Você sofre todo o passado da humanidade, porque agora está transcendendo a humanidade. Tem de passar por tudo o que a humanidade já viveu. Tem de sofrer tudo isso. É imenso! A angústia é absoluta! E só então você chega ao centro e a graça torna-se possível. 

O autoconhecimento é difícil porque você não está pronto para passar por nenhum sofrimento. Você pensa no autoconhecimento em termos de tranquilizantes; pensa que o autoconhecimento é tranquilizante. As pessoas vêm a mim e pedem: "Dê-nos a paz, o silêncio." E se alguém promete o silêncio e a paz sem sofrimento, está enganando-o — e facilmente você cairá na armadilha, porque isso é o que você gostaria de ter. Esse é o apelo usado no ocidente por pessoas como Maharashi Mahesh Yogi. Eles não estão lhe dando meditação real, estão lhe dando tranquilizantes. Porque uma meditação tem de passar pelo sofrimento; não é uma brincadeira. 

Você tem de atravessar o fogo e só nesse fogo o seu ego desaparecerá. Olhando para toda a sua feiura, ela desaparece automaticamente. 

Mas Maharishi Mahesh Yogi e outros dizem que o sofrimento é desnecessário: "Eu lhe darei uma técnica — faça tal coisa durante dez minutos de manhã e à tarde e seu ser se tranquilizará. Você sentirá uma paz infinita e tudo ficará bom; em poucos dias você estará iluminado."

Não é tão fácil — é árduo. Truques não funcionarão. Não perca seu tempo com truques.Apenas repetindo um mantra durante dez minutos, como é possível tornar-se Iluminado? 

Você passou pela história e chegou a um ponto, aqui, você chegou a este momento; atravessou milhões de anos — quem vai querer voltar atrás? Porque meditar significa retornar à fonte. Você chegou a este ponto no tempo; precisa voltar, precisa regredir, precisa alcançar o ponto original onde a jornada foi iniciada. E apenas cantando um mantra durante dez minutos toda manhã você pensa que conseguirá isso?

Quem você pensa que está enganando? Você está enganando a si mesmo. Não foi cantando mantras que você chegou onde está. A humanidade viveu, e viveu de milhões de maneiras erradas — vagando, se perdendo, cometendo pecados e assassinatos; guerra, exploração, opressão, dominação. Você tem colaborado com isso, é responsável por isso. Só cantando um mantra durante dez minutos acredita que a responsabilidade desapareceu, que você transcendeu? Chama a essa cantilena de meditação transcendental? Quem você pensa que está enganando? 

A transcendência é possível, mas não através de truques tão fáceis. A transcendência só é possível através da cruz. Só é possível através do sofrimento. E se você estiver pronto, poderá sofrer todo o passado num só instante — mas será um intenso pesadelo. É por isso que um Mestre é necessário — porque você pode enlouquecer completamente. É mover-se em terreno perigoso. O autoconhecimento é a maior entre todas as coisas, mas é também a mais perigosa. Um passo em falso e você enlouquecerá. É por isso que os Budas não são ouvidos. Você também sabe que isso é perigoso. Mover-se em si mesmo é perigoso! Um Mestre é necessário para observar cada passo, senão você cairá num abismo; ficará tonto, a mente simplesmente se fragmentará e será difícil repará-la. 

São esses os problemas, e é por isso que o homem ouve Heráclito, Lao Tsé, Buda, Jesus, mas nunca tenta. Somente alguns poucos tentam. Se você está pronto para tentar, precisa ter consciência do que isto significa. Apenas o desejo de ser feliz não basta. O desejo de conhecer a verdade, sim, não o desejo de ser narcóticos. A meditação também será um narcótico para ele. Quer dormir bem, quer se desligar do que está acontecendo. Ele gostaria de ter um mundo privado de sonhos — é claro, belos sonhos e não pesadelos. Isto é só o que ele quer. Mas um homem que está em busca da verdade não pensa em termos de felicidade. Felicidade ou infelicidade não é esse o ponto. "Preciso conhecer a verdade. Mesmo que doa, mesmo que me conduza ao inferno, estou pronto para passar por ela. Onde quer que me conduza, estou pronto para ir."

O S H O

Sem passar pela periferia do ego, não chega-se ao centro do Ser

Se você quer conhecer a si mesmo tem de abandonar suas falsas imagens, tem que se ver como você é — e isso não é muito bonito, esse é o problema. Não é muito bonito, e é por isso que você criou belas imagens — para se esconder. Se você se vir na sua nudez total, não verá uma cena muito bonita: verá raiva, verá ciúme, verá ódio, verá milhões de coisas erradas ao seu redor. E você se considera um grande amante — e tem ciúme, possessividade, ódio, raiva, e todos os tipos de negatividade. Você se considera uma pessoa muito bonita — mas quando entra dentro de si mesmo, encontra a feiura... e imediatamente dá as costas.

É por isso que há milhares de anos os Budas têm ensinado: "Conhece-te a ti mesmo." Mas ninguém os ouve. Conhecer-se parece ser uma coisa tão difícil — por que? Porque você tem de enfrentar fenômenos feios. Eles existe e é preciso passar por eles. Você tem um belo ser interior, mas esse belo ser não está na periferia, está no centro. Para alcançar o centro, você tem de passar pela periferia. E você não pode fugir, não há como escapar, é preciso passar por ela. Você tem de atravessar toda a feiura, toda a negatividade, ódio, ciúme, violência, agressão, e se estiver pronto e maduro o suficiente para passar pela periferia, só então alcançará o centro. Aí a cena muda. 

No centro você é Deus; na periferia, é o mundo — e o mundo é feio. Na periferia você nada mais é que uma sociedade em miniatura, e a sociedade é feia. Na periferia você é um Napoleão, um Hitler, um Gengis Khan, um Timur Leng, todos os políticos e todos os loucos do mundo. Na periferia você é uma miniatura de tudo isso; é toda a história da agressividade, da violência, da opressão, da escravidão. Na periferia, lembre-se, você é a história que pertence a este mundo. Tudo está envolvido; tem de ser assim porque a mente não lhe pertence, é um produto social. A mente carrega todos os germes do passado, todos os males do passado, toda a feiura do passado, porque a mente pertence ao coletivo. Existem determinados momentos em que você pode ver ou observar o seu próprio Gengis Khan, o seu próprio Hitler. Existem momentos em que você pode ver que gostaria de assassinar, de matar e destruir o mundo inteiro.

Você precisa ser corajoso para passar pela periferia, para ser uma testemunha. E se você conseguir penetrar nessa periferia, nessa sociedade, na história, então você será, no centro, o próprio Deus. Há então uma beleza infinita — mas essa beleza infinita é intocável pela sociedade, não é a periferia. Então você é inocente como um recém-nascido, fresco como uma gota de orvalho pela manhã, incontaminado. Mas para chegar a isso, você tem de passar por toda a feiura. Toda a história do homem tem de ser atravessada. Você não pode simplesmente evitá-la. 

É isso que você tem feito. E é por isso que o autoconhecimento tornou-se difícil — você quer evitá-lo. A única maneira de evitá-lo é fechar os olhos, não ver. Criar como contrapartida um sonho privado. Olhar para você como você gostaria de ser — todos os ideais, utopias, belas imagens. Fazer um pequeno nicho perto da periferia — bonito, enfeitado — e não olhar para a periferia, ficar de costas para ela... Você tem medo de sair do seu lugar enfeitado, porque bem perto dele está o vulcão — entrará em erupção a qualquer momento. Assim, as pessoas falam sobre o autoconhecimento, discutem a respeito, escrevem sobre ele, criam sistemas, mas nunca o experimentam. Mesmo os que estão sempre falando em conhecer o ser, falam apenas nisso, argumentam a respeito, discutem, mas nunca o experimentam na realidade efetiva. E o autoconhecimento é uma experiência existencial, não uma teoria. Teorias não funcionarão. Teorias também serão apenas parte de sua decoração. Elas não quebrarão o gelo. Elas não romperão a periferia. Não o levarão para o centro. 

Você ouve as pessoas: se elas dizem que você é Deus, você se sente muito feliz; se dizem que você é uma alma eterna, você se sente muito feliz. Mas você pinta e enfeita essas teorias também. Elas também são um truque são fugas — não o ajudarão. Ande pela Índia. Todos sabem que o mundo todo é parte de Deus, todos são 'brahmans'. E veja como suas vidas são feias. Olhe para a vida dessas pessoas que falam sobre Deus; você não encontrará nem uma única partícula, nem mesmo uma partícula atômica daquilo que elas estão dizendo. Elas não falam para convencê-lo, mas sim para convencerem a si mesmas. Entretanto, continuam na periferia e também sentem medo de se mover.

O S H O  

É fácil evitar a sociedade, mas como evitar o próprio ego?

Conhecer a si mesmo é a coisa mais difícil. Não deveria ser assim. Deveria ser exatamente o oposto — a coisa mais simples. Mas não é — por muitas razões. Tornou-se tão complicado, pois você investiu tanto na auto-ignorância que parece quase impossível retornar, voltar à fonte, encontrar a si mesmo.

Toda a sua vida, tal como ela é, como é aprovada pela sociedade, pelo Estado, pela Igreja, está baseada na auto-ignorância. Você vive sem se conhecer, porque a sociedade não quer que você se conheça. É perigoso para a sociedade. Um homem que conhece a si mesmo está destinado a ser rebelde. O conhecimento é a maior das rebeldias — quer dizer, o autoconhecimento, não o conhecimento acumulado através das escrituras, não o conhecimento encontrado nas universidades, mas o conhecimento que acontece quando você encontra o seu próprio ser, quando chega a si mesmo na sua nudez total; quando você se vê como Deus o vê, não como a sociedade gostaria de vê-lo; quando você vê o seu ser natural, no seu florescimento total e virgem — não o fenômeno civilizado, condicionado, educado, polido. 

A sociedade está interessada em fazer de você um robô, não um revolucionário, porque o robô é mais útil. É fácil dominar um robô; é quase impossível dominar um homem de autoconhecimento. Como se pode dominar um Jesus? Como se pode dominar um Buda ou um Heráclito? Ele não cederá, não obedecerá ordens. Ele se moverá através de seu próprio ser. Será como o vento, como as nuvens; ele se moverá como os rios. Será selvagem — naturalmente belo, natural, mas perigoso para a falsa sociedade. Ele não se ajustará. A menos que criemos no mundo uma sociedade natural, um Buda continuará sendo sempre um desajustado, um Jesus certamente será crucificado. 

A sociedade quer dominar; as classes privilegiadas querem dominar, oprimir, explorar. A sociedade gostaria que você permanecesse completamente inconsciente de si mesmo. Esta é a primeira dificuldade. E a pessoa tem de nascer numa sociedade. A sociedade está em toda parte, à sua volta. Parece realmente impossível — como escapar? Como encontrar a porta que leva de volta à natureza? Você está cercado de todos os lados. 

A segunda dificuldade vem do seu próprio ser — porque você também gostaria de oprimir, de dominar; você também gostaria de possuir, de ser poderoso. Um homem de autoconhecimento não pode  ser escravizado, e também não pode escravizar ninguém. Não se pode oprimir um homem de conhecimento e um homem de conhecimento não pode oprimir ninguém. Ele não pode ser dominado e não domina. A dominação simplesmente desaparece nessa dimensão. Você não pode possuí-lo e ele não possui ninguém. Ele é livre e ajuda os outros a serem livres. 

Esta é uma dificuldade ainda maior do que a primeira. Você pode evitar a sociedade, mas como evitar o próprio ego? Você sente medo — porque um homem de conhecimento simplesmente não pensa em termos de posse, de domínio, de poder. É inocente como uma criança. Ele gostaria de viver totalmente livre, e gostaria que os outros também estivessem livres.

Esse homem será uma liberdade aqui neste mundo de escravidão. Você gostaria de não ser explorado? Sim, você responderá, você gostaria de não ser explorado. Gostaria de não ser um prisioneiro? Sim, você gostaria de não ser um prisioneiro. Mas gostaria também da outra coisa? — de não prender ninguém? Não dominar, não oprimir, não explorar? Não matar o espírito, não transformar o outro num objeto? Isso é difícil. E lembre-se: se você quiser dominar, você será dominado. Se você quiser explorar, você será explorado. Se você quiser que alguém seja seu escravo, você será escravizado. Os dois lados pertencem a mesma moeda. Esta é a dificuldade do autoconhecimento.

O S H O 

Todo desejo de pertencer é ilusório

Amado Bhagawan, às vezes vem um sentimento de não pertencer a lugar nenhum, que mesmo as roupas laranja e o mala não servem de consolos. Nós somos realmente tão sós, eu estou sendo negativa e fechada quando sinto isso?
Primeiro: você não pertence a lugar algum; isso é verdade. Todo desejo de pertencer é ilusório. A própria ideia de pertencer cria organizações, cria igrejas, pois você não pode ficar sozinho; então quer mergulhar em algum lugar, numa multidão.

Um sannyasin é aquele que aceitou a própria solidão. Isso é fundamental. Tornando-se um sannyasin, você não está se tornando parte de uma organização; isto aqui não é absolutamente uma organização. Tornando-se um sannyasin, você está se tornando suficientemente corajoso para aceitar um fato: que o homem existe na solidão. E isso é tão fundamental que não há jeito de escapar; é fundamental como a morte. Na verdade, a morte não faz mais do que avisá-lo de que você sempre esteve sozinho e que continua sozinho.

O que é a morte? Durante toda a sua vida você esteve se enganando dizendo para si mesmo que estava com alguém, que pertencia a uma família, a um clã, a uma sociedade, a uma cultura, ao Oriente, ao Ocidente, a uma organização, a um partido... a multidões e multidões. Você se sentia muito bem: "Não estou sozinho".

Então vem a morte e deixa você chocado.Você quer se apegar, começa a chorar, sente-se desamparado. Um sannyasin não se sentirá desamparado quando a morte vier, e, sim, perfeitamente feliz, pois a morte não o deixará chocado. O sannyasin sabe que está sozinho. A morte não pode lhe tirar nada; ela só tira as ilusões que você colocou em sua vida.

Tornar-se um sannyasin significa que você anulou a morte, e pode lhe dizer: "Agora pode vir, que não encontrará nada para destruir, pois eu mesmo destruí tudo." O sannyas é uma morte voluntária, é um suicídio espiritual. É uma declaração: "Estou só, e minha solidão é tão fundamental que não há jeito de perdê-la."

Por momentos você pode esquecer, pode apaixonar-se por uma mulher ou por um homem, e criar a ideia, a ilusão de que está junto. Mas ambos estão sós. Quando duas pessoas se apaixonam, casam-se e começam a viver juntas, são duas solidões vivendo juntas: só isso. Elas não estão juntas; ninguém pode estar junto. Isso não pode acontecer, e é bom que não possa acontecer, senão você perderia a sua alma e não teria mais centro.

Duas pessoas que se amam tocam o ser uma da outra, mas seus seres continuam límpidos e separados. Seus limites podem se sobrepor mas seus centros permanecem distantes. Elas não perdem suas almas; do contrário, o amor não seria belo. Dois amantes não estão juntos no sentido de estarem perdidos um no outro, mas no sentido de que duas solidões estão juntas; de mãos dadas, eles sabem perfeitamente que estão sozinhos, compartilhando a sua solidão, a sua beleza, o seu silêncio, o seu amor, mas sabendo que estão sozinhos. Esse fato é tão fundamental que não pode ser mudado.

As pessoas tentam evitar isso. Da mesma forma que tentam evitar a morte, tentam evitar a solidão.

O S H O em, A Divina Melodia

Deixe de proteger seu próprio estado de miséria

No Japão, existe uma árvore de quatrocentos anos com apenas seis polegadas de altura. A árvore foi plantada num pires quatrocentos  anos atrás, e o homem que a plantou estava sempre cortando-lhe as raízes. Nunca deixaram as raízes crescerem e o pires tinha só um pouquinho de terra. se tivesse deixado a árvore crescer naturalmente, teria alcançado as nuvens. 

A mesma cosia aconteceu com o homem; suas raízes têm sido cortadas. Não lhe é permitido tocar as nuvens, nem dançar ou cantar. Só um pouquinho é permitido, mas isso é tão controlado que é quase insignificante. 

Tantas leis e regras são impostas, que quando algo  é permitido é quase insignificante, é apenas uma gota, e não uma cascata exuberante. E você só pode ser feliz quando sua energia está transbordando, quando ela é tanta que não há mais limites. William Blake disse: "A energia é um deleite." E a energia foi reprimida; a sociedade criou o amortecedor. 

O amortecedor tem que ser quebrado, e é isso o que estou fazendo aqui. Por isso as pessoas estão bastante contra mim. Estou tentando ajudá-las a serem felizes, mas elas protegem a própria miséria; elas não querem ser felizes. Querem continuar a ser hindus, cristãs, muçulmanas; não querem ser felizes.  Querem pertencer a alguma organização, e não a Deus. E continuam fazendo algo que é basicamente contra elas próprias. Não só os outros, mas você também continua cortando suas próprias raízes. Você foi ensinado a fazer isso; suas mãos agem quase inconscientemente. 

O homem está em profundo sono; está hipnotizado. Por isso você continua a viver desse jeito: na miséria, na infelicidade, na agonia. A mesma energia pode tornar-se êxtase; libere-a! Seja você mesmo e esqueça o que os outros têm tentado fazer de você. Declare-se livre! Deixe que a liberdade seja sua primeira e última lei; que a liberdade seja a sua religião. E seja rebelde. Mas não estou dizendo para lutar contra a sociedade, pois isso é tolice; você só estaria desperdiçando a sua energia. 

Essa é a diferença que faço entre uma pessoa rebelde e uma revolucionária. O revolucionário é um reacionário; ele reage contra a sociedade, luta contra ela. Primeiro ele era infeliz porque a sociedade pesava sobre ele; agora é infeliz porque tem que lutar contra a sociedade. Primeiro ele seguia a sociedade; agora ele luta contra ela, mas continua obcecado pela sociedade. Um revolucionário não é realmente um rebelde. 

Que é rebelde? Rebelde é aquele que compreendeu todo o absurdo da sociedade e simplesmente pulou fora disso. Aparentemente, ele pode continuar fingindo que também pertence à sociedade. Ele é uma pessoa "esperta", que Gurdjieff costumava chamar de "pessoa que age em segredo". Ele é inteligente; nem ortodoxo nem revolucionário, apenas rebelde. Sua rebelião é inteligente: se a sociedade diz para andar pela direita, ele anda pela direita, pois sabe que não adianta lutar contra isso; é insignificante. 

Na superfície ele continua seguindo a sociedade, mas no fundo está fora, está vivendo sua própria vida. Ele não vai ao mercado exibir felicidade pois, se fizer isso, os outros o matarão, o crucificarão. Eles fizeram isso com Jesus, com Sócrates, com Mansur, e não deixarão você em paz também. 

(...) Não comece a lutar contra a sociedade, senão você ficará em dificuldades, e a felicidade irá novamente para longe, tão longe quanto antes. primeiro você estava seguindo a sociedade e não podia ser feliz. Agora você luta contra a sociedade, e ela o coloca na cadeia, ou tenta esmagá-lo, e você continua infeliz. 

A pessoa rebelde é muito esperta. Ela escapa de uma forma tão silenciosa que não faz nenhuma ondulação na superfície... e começa a viver sua vida provada à sua maneira. É isso que ensino a vocês; não ensino a serem revolucionários e, sim, rebeldes. Uma pessoa religiosa é uma pessoa rebelde. 

O S H O em, A Divina Melodia

Quando foi a última vez que você foi feliz?

Se você tem carregado um certo peso de infelicidade, uma certa cruz de angústia e de infelicidade, acaba se acostumando; esse peso é quase parte de seu ser. E, então, qualquer coisa nova será mais incômoda, pois com o novo você terá que aprender novas maneiras de ser. E a felicidade? Você esqueceu a sua linguagem. Você nem se lembra mais o que significa a felicidade; não se lembra de tê-la experimentado alguma vez. Parece que é apenas um sonho, algo muito frágil e pouco sólido para ser apanhado; você não pode segurá-lo em suas mãos e vê-lo. 

O que você quer dizer por felicidade? Quando foi a última vez que você foi feliz? Você pode lembrar-se de algum momento em sua vida em que foi realmente feliz? Você ficará surpreso, mas toda a sua vida parece um deserto. Você tem esperado... mas não experimentou a felicidade. Essa vida desértica é o que você quer dizer quando afirma: "Eu sou." Esse é o seu ego: todo esse pus, esse estado cancerígeno, toda essa doença e neurose — é a isso que você chama de "eu sou". Esse é o seu ego. 

E se eu digo: "Abandone o ego", você diz: "Como posso deixar o ego? Por que devo me entregar? Por que deveria me entregar a alguém?" Esse "eu" não é nada mais do que o seu passado. Olhe profundamente para isso, analise um pouco, e você não encontrará nada além de misérias e mais misérias... feridas, insultos, irritações, pesadelos... Mas você luta por isso. Você não está pronto para abandoná-lo; está realmente apegado. 

Entrega significa simplesmente uma compreensão: chega desse "eu", vou abandoná-lo! No momento em que você abandona o "eu", abandona também toda a hipnose em que a sociedade o forçou a entrar. No momento em que deixa o ego, está abandonando o Estado, a religião, a Igreja, a sociedade, os pais, a escola, a universidade, a civilização, a cultura; joga fora todos os condicionamentos. E, de repente, você vê surgir uma onda de felicidade e bem-aventurança em você. Ela estava lá, esperando; é só remover o peso que a fonte voltará a fluir. 

Você nasceu feliz; toda criança nasce feliz e para ser feliz, e toda essa vida é uma grande festa. Mas existem pessoas que não permitem que você seja feliz. Você já observou que, sempre que está se sentindo um pouco feliz, ao mesmo tempo você sente uma pequena culpa, como se estivesse fazendo alguma coisa errada? Se você está infeliz, não há culpas; se está feliz, há culpa, pois você deve estar fazendo algo errado.(...) As pessoas se sentem ofendidas se você está feliz; então, você se sente culpado. Ninguém perdoa um homem feliz: "Como você ousa ser feliz?"

As pessoas só permitem que os loucos sejam felizes. Se alguém ri alto e dança nas ruas, as pessoas dizem que ele é louco. Se você está feliz, só é perdoado se permitir que o chamem de louco. Se podem rotulá-lo de louco, então não se preocupam; todos riem de você, pois sabem que você é louco. Do contrário, como pode ser feliz? 

As pessoas esqueceram a própria linguagem... mas você pode recuperá-la, pois é algo seu, natural. Não se trata de nada que possa ser aprendido; você só tem que desaprender o que a sociedade colocou em você. Você tem que recuperar sua infância; tem que renascer. Foi o que Jesus disse a Nicodemos: Você terá que renascer. Tem que morrer como você é, tem que renascer. Tem que se limpar da sociedade. 

Quando você joga fora a sociedade, Deus começa a cantar uma canção para você. Ele ainda canta nos passarinhos, pois eles não têm sociedade, não têm que ir às escolas, não têm que ser cultos nem condicionados. Ele ainda canta nas árvores, pois elas ainda não criaram padres e políticos. Ele ainda canta nas ondas do mar... Exceto no homem, Deus está feliz em toda parte. Algo deu errado no homem.

O S H O em, A Divina Melodia

Ideologias são ficções, não têm nada a ver com a verdade

O homem vive sobre uma grande hipnose, sob profundos condicionamentos: a sociedade condiciona você; o Estado, o padre, o político, a cultura, a religião, a Igreja, todos eles investem em seu sono profundo. Eles não querem que você acorde, pois, uma vez que a humanidade esteja acordada, não será mais possível haver políticos, padres, templos, Igrejas, religiões; tudo isso desaparecerá da face da terra. Toda essa exploração só é possível porque o homem vive no sono, porque ele é infeliz, e só uma humanidade infeliz pode ser explorada. 

É um círculo vicioso; só um homem infeliz pode ser explorado e, quando você o explora, ele se torna mais infeliz. Sendo mais infeliz, pode-se explorá-lo ainda mais, e assim por diante. 

Um homem feliz é um rebelde. A felicidade é uma tremenda rebelião. Nenhuma sociedade até hoje permitiu que alguém fosse feliz; é muito perigoso. Como mandar pessoas para a guerra, se elas forem felizes? Como se poderá ensinar-lhes coisas estúpidas, como nazismo, comunismo, fascismo, nacionalismo? Se as pessoas forem felizes elas rirão dessas tolices, de todas essas ideologias; não levarão nada disso a sério. Rirão só com a ideia de que alguém possa ser cristão, hindu ou muçulmano, e que possam lutar durante séculos e matarem-se uns aos outros.

(...) Você tem sido hipnotizado para permanecer na infelicidade, tem sido ensinado e condicionado para permanecer na infelicidade. E o truque é muito sutil. Por exemplo: primeiro, todos aprendem que a felicidade existe no futuro. Isso é um absurdo. A felicidade existe aqui-agora. Você não precisa alcançá-la; você já a traz com você, ela é parte do seu ser. Mas toda criança aprende, através de sugestões e mais sugestões, que, a menos que tenha uma casa grande, dois carros, muito dinheiro, fama, sucesso, e outras coisas mais, não será feliz. Como se a felicidade dependesse de alguns objetos ou de qualquer coisa! A felicidade não depende de nada e toda criança nasce feliz. 

As ambições criam a miséria e nunca o deixam feliz. Uma vez que você se torna ambicioso, as sementes da miséria são plantadas bem no fundo de você. Agora você nunca será feliz, pois o futuro, o amanhã nunca chega, e as suas esperanças estão todas no amanhã. 

Você pode ter uma casa grande, mas não será feliz, pois existirão sempre casa maiores que a sua, e isso criará infelicidade. Você pode ter uma bela mulher, mas existem milhares de mulheres mais bonitas no mundo, e isso não o deixará feliz. Você pode ter dinheiro, mas nem isso o fará feliz, pois sempre poderá ter mais. Esse é o truque: o "mais" foi implantado em você como um eletrodo. "Tenha mais, então será feliz." Como você pode ter mais? Qualquer coisa que você tenha sempre poderá imaginar mais. Se você tem dez mil reais, pode imaginar vinte; se tem vinte, pode imaginar quarenta. Como pode parar esse "mais"? Qualquer coisa que você tenha, sempre será menos que o "mais", e isso criará infelicidade. 

Você também foi sempre ensinado a comparar, e a comparação traz a infelicidade. Cada indivíduo é incomparável; ninguém mais é como você; como comparar? A comparação só é relvante quando há duas coisas semelhantes, como por exemplo, comparar um carro Ford com outro carro Ford; eles são iguais. Mas como comparar dois homens? Impossível. Cada um é tão individual que qualquer comparação trará infelicidade. 

No momento em que você compara, está criando um inferno à sua volta. Desde sua infância você foi ensinado: "Seja como fulano. Veja o filho do vizinho como é inteligente e você como é estúpido. Veja como a fulana é madura e você é tão imatura", e assim por diante. Essas comparações fazem você sentir-se infeliz. Você é você mesmo: não há ninguém como você, nunca houve e nunca haverá. Deus nunca se repete. 

Você é único. E quando digo "único", não é num sentido comparativo; você não é mais único que os outros e, sim, cada um é único. A unicidade é muito comum; todo mundo é único. Quando você começa a comparar, acaba ficando neurótico e, mais cedo ou mais tarde, irá parar num divã de psiquiatra. 

(...) A comparação cria tensão, ansiedade. Você foi ensinado a ser cristão, hindu, muçulmano; como pode a consciência ficar confinada a ideologias? As ideologias são produtos da mente; a consciência está muito além. Ideologias são ficções, não têm nada a ver com a verdade. A verdade é a sua consciência, mas você dá mais atenção á ideologias e se esquece da verdade. Você luta, discute, prova e desaprova. Ensinaram-lhe que alguém é indiano, que o outro é chinês, o outro japonês. Ou que você é comunista, ou fascista, isso ou aquilo; milhares de doenças foram implantadas em você... você quer ser feliz. Para isso, terá que abandonar todas essas ideias... Abandone tudo num só golpe de espada: esse golpe eu chamo de compreensão.

O S H O em, A Divina Melodia

Não há uma só parte da mente que não esteja condicionada


O autoconhecimento é o começo da sabedoria. O autoconhecimento não se consegue de acordo com algum psicólogo, livro ou filósofo; ele consiste em conhecermos a nós mesmos tais como somos, de momento a momento. Compreendem isso? Conhecer a si mesmo é cada um observar o que pensa, o que sente, não apenas superficialmente, pois devemos estar profundamente cônscios do que é, sem condenação, sem julgamento, sem avaliação ou comparação. Experimentai-o, e verão como é difícil a uma mente que foi exercitada durante séculos para condenar, julgar e avaliar deter esse processo e ficar simplesmente a observar o que é. Entretanto, se não se fizer esta observação, não apenas no nível superficial, mas em todo o conteúdo da consciência, nunca será possível penetrarmos as profundezas da mente. 

vejam, por favor, se aqui estão realmente com o fim de compreender o que se está dizendo, que é isto que deve ser de nosso interesse, e nada mais. O problema de vocês não é o de saber a que sociedade pertencer, a que gênero de atividade se entregar, que livros ler, e outras superficialidades dessa ordem, mas, sim, de saber como libertar a mente do condicionamento. A mente não é apenas a consciência desperta, ocupada com as atividades diárias, mas é também as camadas profundas do inconsciente, onde se encontra todo o resíduo do passado, da tradição, dos instintos raciais. Tudo isso é a mente, e a menos que essa consciência total seja livre, de ponta a ponta, a nossa busca, nossa investigação, nosso descobrimento, será limitado, estreito, insignificante. 

A mente está toda condicionada. Não há uma só parte da mente que não esteja condicionada. Nosso problema, portanto, é este: Pode a mente, assim condicionada, libertar-se? E quem é a entidade que poderá libertá-la? Compreendem o problema? A mente é a consciência total, com todas as suas camadas de conhecimentos, aquisições, tradições, instintos raciais, memórias. Esta mente pode se libertar? Ou só pode se libertar ao perceber que está condicionada e que todo movimento que faça para sair de seu condicionamento é outra forma de condicionamento? Espero que estejam compreendendo. Se não, continuaremos a examinar este ponto nos próximos dias. 

A mente está toda condicionada, o que é um fato evidente, se refletirmos a tal respeito. Isso não é invenção minha, é um fato. Pertencemos a uma dada sociedade, fomos educados de acordo com determinada ideologia, certos dogmas, tradições, e a vasta influência da civilização, da sociedade, nos condiciona incessantemente o espírito. Como pode esse espírito ser livre, se todo o movimento para se libertar resulta de seu condicionamento e, por conseguinte, produzirá, forçosamente, mais condicionamento? Só há uma resposta: A mente só pode ser livre quando está completamente tranquila. Embora tenha problemas e inúmeros impulsos, conflitos, ambições, se — a mercê do autoconhecimento, da auto-vigilância sem aceitação ou condenação — ela estiver cônscia, imparcialmente, do seu próprio processo, então, desse percebimento há de resultar um silêncio extraordinário, uma tranquilidade de espírito em que não se observa movimento de espécie alguma. É só então que a mente é livre, porquanto nada mais deseja, nada mais busca, não visa a nenhum objetivo ou ideal — que são as projeções de toda mente condicionada. E se lograrem alcançar essa compreensão em que não há auto-mistificação, encontrarão a possibilidade de ver surgir aquela coisa extraordinária que se chama criação. Só então está a mente apta a compreender aquela imensidade que se pode chamar Deus, a Verdade, ou como quiserem — a palavra tem pouquíssima importância. Vocês podem ser prósperos, socialmente, possuir muitos bens — automóveis, casas, geladeiras — ter paz superficial, mas, sem o surgimento daquilo que é imensurável,  encontrarão sempre aflições. A libertação da mente de seu condicionamento é o fim do sofrimento.

Krishnamurti em, Realização Sem Esforço

A importância de ultrapassarmos o processo do pensar

A meu ver, os nossos incontáveis problemas só podem ser resolvidos quando ocorrer uma revolução fundamental da mente, porque só uma revolução dessa ordem pode proporcionar a compreensão do Verdadeiro. Nessas condições, importa compreendermos o funcionamento de nossa própria mente, não por um processo de auto-análise ou introspecção e, sim, pelo percebimento claro do seu processo total; e é este processo total que desejo investigar nestas palestras. Se não nos vemos como somos, se não compreendemos o "pensador" — a entidade que busca, que está criando o problema, isto é, o "eu", o "ego" — então o nosso pensar, a nossa busca, não terá significação alguma. Enquanto o nosso "instrumento de pensar" não for lúcido, enquanto estiver pervertido, condicionado, tudo o que pensarmos há de ser, inevitavelmente, limitado, estreito. 

Nosso problema, pois, é de como libertarmos a mente de todos os condicionamentos, e não "de que maneira condicioná-la melhor". Compreendem senhores? Quase todos nós estamos em busca de um condicionamento melhor. Os comunistas, os católicos, os protestantes e as demais seitas, por todo o mundo, inclusive hinduístas e budistas — todos visam a condicionar a mente de acordo com um padrão mais nobre, mais virtuoso, mais abnegado, ou um padrão religioso. Cada indivíduo, no mundo inteiro, está interessado em condicionar sua mente de uma maneira melhor, e nunca se levanta a questão do libertar a mente de todo e qualquer condicionamento. Mas quer-me parecer que, enquanto a mente não estiver livre de todo o seu condicionamento, isto é, enquanto estivermos condicionados como cristão, budistas, hinduístas, comunistas, etc., não pode deixar de haver problemas. 

Sem dúvida, só é possível descobrir o que é real ou se existe Deus, quando a mente está livre de todo condicionamento. A mera ocupação da mente a respeito de Deus, da Verdade, do Amor, não tem realmente nenhuma significação, porquanto essa mente só pode funcionar dentro da esfera de seu condicionamento. O comunista que não crê em Deus, pensa de um modo, e o homem que crê em Deus, que está ocupado com um dogma, pensa de outro modo; mas a mente de todos os dois está condicionada e, portanto, nem um nem outro é capaz de pensar livremente, e todos os seus protestos, suas teorias e crenças muito pouco significam. Religião, pois, não é frequentar a igreja, ter certos dogmas e crenças. A religião deve ser uma coisa de todo diversa, pode significar a total libertação da mente de toda esta vasta e secular tradição; porque só a mente livre é que pode achar a verdade, a realidade, aquilo que transcende todas as projeções mentais. 

Pode-se ver que isto não é uma teoria pessoal, minha, se observarmos o que está acontecendo no mundo. Os comunistas pretendem solucionar os problemas da vida de uma maneira, os hinduístas de outra maneira, os cristãos ainda de outra maneira; a mente de todos eles, por consequência, está condicionada. A mente de vocês está condicionada como cristã, quer admitam, quer não. Vocês podem se libertar superficialmente da tradição cristã, mas as camadas mais profundas do inconsciente de vocês estão cheias dessa tradição, condicionadas por séculos de educação segundo um determinado padrão; e, por certo, a mente que deseja achar algo mais além — se tal coisa existe  — essa mente tem de libertar-se, em primeiro lugar, de todo condicionamento. 

Fica entendido, pois, que nestas palestras não vamos de modo nenhum tratar da questão do aperfeiçoamento pessoal, nem tampouco nos interessa o aperfeiçoamento de nenhum padrão; não pretendemos condicionar a mente segundo um padrão mais nobre, ou um padrão de maior alcance social. Pelo contrário, o que pretendemos é descobrir como libertar a mente, a consciência total, de todo condicionamento, porque, a menos que isso aconteça, nunca haverá o experimentar da realidade. Vocês podem falar sobre a realidade, ler inúmeros volumes a seu respeito, ter todos os livros Sagrados do Oriente e do Ocidente, mas se a mente de vocês não estiver cônscia de seus próprios processos, não perceber que ela própria está funcionando dentro de um determinado padrão, e não for capaz de libertar-se desse condicionamento, é bem de ver que sua busca será sempre vã. 

Nessas condições, parece-me da maior importância que comecemos por nós mesmos, comecemos por estar cônscios de nosso próprio condicionamento. E como é difícil uma pessoa saber que está condicionada. Superficialmente, nas camadas conscientes da mente, podemos perceber que estamos condicionados; podemos nos libertar de um padrão e adotar outro, abandonar o Cristianismo e nos tornarmos comunistas, deixar o Catolicismo  e aderir a outro grupo igualmente tirânico, e, assim fazendo, pensar que estamos nos movendo para a Realidade. Mas isso, pelo contrário, é mera troca de prisões. 

Todavia, isto é o que quase todos queremos: encontrar um lugar seguro, no nosso pensar. Queremos seguir um padrão fixo e não ser perturbados em nossos pensamentos, em nossas ações. Mas só a mente capaz de observar com paciência o seu condicionamento e dele libertar-se, só essa mente é capaz de uma revolução, uma transformação radical, e descobrir, assim, o que se acha infinitamente além da mente, além de todos os nossos desejos, nossas vaidades e paixões. Sem o autoconhecimento, sem nos conhecermos exatamente como somos — e não como gostaríamos de ser, o que é simples ilusão, fuga idealística — sem conhecermos os movimentos do nosso pensar, todos os nossos "motivos", nossos pensamentos, nossas inumeráveis reações, não haverá possibilidade de compreendermos e ultrapassarmos o processo do pensar.

Krishnamurti em, Realização Sem Esforço

A Beleza Interior ou Verdadeira



Sobre a questão energética vibracional


Medo é lapso de presença


Escuta atenta é ir além dos limites das palavras

O que estou dizendo não é exatamente uma doutrina. Ao contrário, não estou transmitindo nada a seu intelecto, mas estou tentando fazer alguma coisa vibrar em sua intuição. Não é uma comunicação verbal. Ao lado da comunicação verbal, algo maior e mais profundo acontece entre eu e você: O NÃO-VERBAL. O dito não é a coisa real, e sim o NÃO-DITO, as pausas, os intervalos. Se você ouvir apenas minhas palavras, também estará perdendo o significado do que digo, que está mais nas pausas, nos silêncios. Por isso, você não tem que ouvir apenas as minhas palavras, mas também o silêncio que envolve as palavras. Isso só é possível numa profunda confiança e amor. 

Apenas o silêncio também não serve. O silêncio é o primeiro requisito: ouvir meditativa e conscientemente; mas apenas isso não resolve. Você tem que ouvir com enorme confiança, amor e simpatia. Tem que participar comigo, pois o que estou dizendo não são silogismos ou afirmações lógicas. É uma canção, não um silogismo. Não é lógica, mas amor, o que estou derramando sobre vocês. Uma palavra bem ouvida, ou mesmo um momento de silêncio, pode levá-lo a um voo infinito. 

Se você ouvir bem, o que estou dizendo não é uma filosofia, nem um dogma ou doutrina. Não estou tentando convencê-lo de nada; não sou absolutamente um professor. Meu trabalho é totalmente diferente, qualitativamente diferente. Todo esforço aqui é para que eu possa entrar em contato com a essência do seu ser. As palavras são usadas como um truque, uma ponte. Mas você não deve dar muita importância às palavras. Vá mais fundo, olhe os gestos. O que eu digo tem que ser ouvido, mas o que é deixado sem dizer tem que provocar uma VIBRAÇÃO em seu ser. Falo para criar ONDAS em sua consciência. As palavras estão sendo usadas como pedrinhas jogadas num lago, provocando ondas. Sua consciência está profundamente adormecida, por isso quero criar ondas, para que a vida volte à você, para que você comece a fluir, e uma dança interior se inicie... E tudo o que digo nunca é completo; não pode ser, por sua própria natureza. 

(...) Tudo o que digo nunca está completo. É apenas uma indicação, uma empurradela, um dedo apontado para a lua. Esqueça o dedo e olhe para a lua; lá está a mensagem. Ela não está no dedo. Minhas palavra são indicadores do SILÊNCIO SEM PALAVRAS... e eu apenas começo, vocês completam. 

Por isso muitas pessoas que se acostumaram demais com a lógica se sentem um pouco atordoadas comigo, perdidas... Elas sentem que eu nunca completo nada, que as conduzo a um caminho, mas nunca chego a conclusões, que começo alguma coisa e sempre paro no meio. E isso é verdade, pois não quero destruir sua criatividade. Eu gostaria de participar com vocês, ajudá-los a serem criativos. Não posso fazer o trabalho por vocês; isso não seria amigável nem compassivo. Posso começar, cantar uma canção, e vocês continuam cantando e completam a canção. 

O S H O 

Sobre as saídas do estado de presença



1. Mudança no padrão de sono: Perturbações durante o sono, pés quentes, acordar duas ou três vezes durante a noite. Sentir-se cansado e com sono depois de acordar. Adormecer e acordar durante o dia. O Padrão de 3 Sonos, que acontece freqüentemente a muitas pessoas caracteriza-se por: dormir cerca de 2-3 horas, acordar, voltar a adormecer mais 2-3 horas, acordar de novo, voltar a adormecer mais 2-3 horas. Outras pessoas viram alterar-se as suas necessidades de sono, passando a dormir menos. Ultimamente, algumas pessoas sentem enormes ondas energéticas percorrendo o seu corpo a partir do coronário (centro energético no alto da cabeça). Estas ondas podem afetar o sono.

Visite: pensarcompulsivo.blogspot.com.br

O louco está dentro de você

Você apenas ouve a sua própria mente, o seu tagarelar. É tudo bobagem. Você é quase um insano e continua escutando sua própria insanidade, continua ruminando-a sem parar. Aquilo que você chama de pensar não passa de um remoer as mesmas coisas incessantemente. Algum dia, experimente escrever num papel tudo o que lhe vem à mente. Não tente melhorar nada, nem preencher os espaços. Você ficará surpreso como a mente pula de uma coisa para outra, sem nenhum sentido; é apenas um monte de lixo. E você não terá coragem de mostrar esse papel a ninguém, pois quem o ler dirá que algum louco fez aquilo. Esse louco está dentro de você... você é um louco e, por causa dessa loucura e do constante ruído dentro de sua mente, você não pode ouvir a flauta e Deus está sempre tocando a sua flauta.

O S H O

Demolindo as velhas estruturas da mente adquirida


Deus não pode ser um objeto de curiosidade

Você tem que estar tremendamente faminto. Não pode ser apenas uma curiosidade. Deus não pode ser um objeto de curiosidade; Deus não pode ser um objeto de seu pequeno desejo. Deus não é a satisfação de uma vontade, não é um sonho seu. Deus tem que ser como uma chama em suas entranhas. Quando você começar a sentir que nada mais importa, quando Deus é a prioridade máxima e você está pronto a sacrificar tudo, quando Deus se torna um desejo tão urgente, absorvente, que até mesmo a vida não tem mais sentido sem Deus — só então você chegará a Ele. E aí, não há necessidade de ninguém que o ajude; seu desejo fará o trabalho.

Nessa sede premente, nessa intensidade, tudo o que é escuro em você desaparece. Nessa chama, tudo o que é inútil é consumido. Você se torna ouro puro.

Deus é sua realidade, assim como a minha realidade. Deus é a sua realidade assim como era a de Jesus Cristo ou de Gautama Buda. A diferença é que você AINDA não é capaz de separar o trigo do joio; o trigo está em você, mas há muito joio misturado. Num tremendo desejo de conhecer, de ser, o joio é exterminado — e não há outra maneira.

Quando você vai a um Mestre, ele, na verdade, não o ajuda a chegar a Deus: ele o ajuda a se tornar cada vez mais sedento. Ele o ajuda a se tornar cada vez mais intensamente faminto. Ele lhe dá sede e fome; ele lhe dá uma paixão louca pelo impossível.

Um homem veio até Buda e perguntou: "Se eu o seguir, serei capaz de conhecer a verdade?" Buda disse: "Isso não é certo; não posso garanti-lo. Posso garantir apenas uma coisa: eu o tornarei cada vez mais sedento. Então, tudo o mais dependerá de você. Posso transferir minha sede você, se você ESTIVER PRONTO para se permitir tamanha sede.... POIS É DOLOROSO. A jornada é dolorosa; todo crescimento é doloroso. Se você permitir que eu criei essa dor em você, a própria dor o purificará. A dor é um PROCESSO de purificação."

(...) Posso ajudá-lo a se tornar uma chama — sedenta, faminta, ardente; posso dar-lhe a dor. Então todo o resto depende de você — o quanto você entra nessa dor, nesse fogo. Você pode dar um salto, e Deus pode acontecer num momento repentino. Não há necessidade de esperar, nem de adiar. Nesse exato momento pode acontecer... Se você estiver PRONTO para entrar totalmente nessa dor.

OSHO em, A DIVINA MELODIA

Quem busca por segurança nunca torna-se religioso

A religião não é tradicional, não pode ser, por sua própria natureza. A tradição é o que está morto. A tradição já passou, já morreu, é apenas a poeira do passado, apenas a memória. A religião está sempre viva, respirando. A religião nunca pode ser tradicional. Sempre que uma religião se torna tradicional, serve mais ao Diabo do que a Deus; serve mais à morte do que à vida. Assim, ela serve aos políticos, aos padres, às organizações, às igrejas, mas não serve ao espírito do homem, e deixa de ser uma abertura para o futuro. A tradição está voltada para trás e nós temos que ir para a frente. Olhar para trás não serve para nada, e não só não serve para nada, como é prejudicial e perigoso. Não podemos ir para trás, temos que ir para a frente, e se ficarmos olhando para trás, certamente haverá problemas. 

Outra coisa: a religião não está nas escrituras, não pode estar. As escrituras são palavras mortas. Sim, houve religião um dia, vibrando naquelas palavras, ao serem pronunciadas por um Mestre vivo. Quando Krishna falou o Srimat Bhagavad Gita para arjuna, isso era vivo. Era vivo por causa de Krishna, era radiante por causa de Krishna. Quando ele desapareceu, o Bhagavad Gita tornou-se um cadáver. Palavras mortas: você pode continuar analisando aquelas palavras, interpretando de uma maneira ou de outra... Existem milhares de comentários sobre o Gita, alguns até bem famosos. Na verdade, quando alguém lê o Gita, dá sua própria interpretação. O significado dado por Krishna foi perdido; desapareceu junto com ele. A cobra já passou... Só restou o seu rastro na areia. É esse rastro que você continua cultuando como uma escritura. 

Quando Jesus andou sobre a terra e falou a seus discípulos, suas palavras eram uma verdade vibrante, palpitante de vida. A palavra não estava morta; a palavra era Deus, a palavra era a própria verdade. A palavra tinha em si um coração; era plena de amor, experiência, existência, ser. Quando Jesus se foi, a vida se foi. Depois, você pode colecionar palavras e fazer quantos evangelhos quiser, mas eles não serão de nenhuma ajuda. 

A religião real nunca está nas escrituras, e a pessoa religiosa que busca, sinceramente, não vai atrás de escrituras, e sim de um Mestre — um Mestre vivo... Se você puder entrar em contato com um Mestre vivo, então as escrituras mortas tornar-se-ão vivas novamente; elas tornam-se vivas somente através de um Mestre vivo — não há outra maneira, porque o Mestre vivo é a única escritura. Quando um Mestre vivo toca o Bhagavad Gita, este torna-se vivo; quando ele toca os Evangelhos, eles tornam-se vivos. Quando um Mestre recita o Alcorão, ele torna-se vivo novamente. O Mestre dará sua própria vida a essas palavras e elas começarão a pulsar. Mas, diretamente, você não pode encontrar religião nas escrituras. 

Assim, a religião não está na tradição, não está nas escrituras e não está nos rituais. O rituais são formalidades. A menos que você esteja em comunhão com um Mestre vivo, os rituais são apenas um peso morto. Eles oprimirão, esgotarão, matarão você, e você ficará perdido em infinitas formalidades. Com um Mestre vivo, nasce um novo ritual; que vem com o contato; existe um contexto, uma referência viva para esse ritual, que não é aprendido através de tradições mortas, transferidas de geração a geração. Você o vive — e, vivendo-o, aprende-o. 

(...) A religião não está nos rituais. Sempre que existe uma religião, existe ritual, mas isso é bem diferente. Como você pode evitar de tocar os pés de Buda, quando ele está perto de você? Impossível. Você só pode fazer duas coisas, e ambas são rituais: ou você toca seus pés, ou você lhe atira pedras. Mas ambas são rituais — uma é o do amigo e outra é o do inimigo. O ponto principal é que não se pode omitir Buda, não se pode ser indiferente. O fenômeno é tal, que não se pode ignorá-lo. Ou você se torna um amigo ou se torna um inimigo; você tem de escolher. Você tem que tomar uma atitude, e essa atitude é ritual. Mas, nesse caso, nasceu em seu coração, não foi aprendido com outra pessoa. Ela simplesmente surge em seu ser. 

(...) A religião não está na tradição, nem nos rituais e nem nas chamadas religiões: hindu, cristã, muçulmana. A religião não tem adjetivos. Religião é simplesmente religião, como amor é amor.(...) A religião não está nas religiões;está isenta de qualquer adjetivo, de qualquer definição, e cada um tem que buscá-la. Ninguém pode nascer numa religião; a religião tem que nascer em você. Você tem que abrir sua alma e receber a religião. Ela está se derramando em toda a parte... mas você está carregando brinquedos substitutos, moedas falsas, em suas mãos, pensando que tem religião. Ela não está na igreja, não está na mesquita, não está no templo. Vá onde está um mestre vivo: ela está lá. Isso também existe apenas por alguns momentos — o Mestre se vai, e a religião desaparece...

Religião é algo individual, cada um tem que buscar por si mesmo. Não é um fenômeno social, não tem nada a ver com a multidão, com o coletivo. É algo privado, tão íntimo quanto o amor. Você vem a ela sozinho, em profunda intimidade e privança... você abre seu coração. A religião é espontânea no sentido de que você não pode aprendê-la. Você pode estar nela, mas não pode aprendê-la. É tão espontânea quanto o amor. Você alguma vez aprendeu o que é o amor? No dia em que o homem tiver que aprender a amar, será o dia do Juízo Final. Esse dia parece estar cada vez mais próximo, principalmente no Ocidente, e particularmente na América. Livros estão sendo escritos: Como amar, Como fazer amigos — livros tolos, porque se o homem esqueceu como amar, nenhum livro pode ensiná-lo. Ensinar a humanidade a amar é o mesmo que querer ensinar um peixe a nadar — tolice completa. O mesmo acontece com a religião. Ela não pode ser aprendida, pode somente ser apreendida; é algo contagioso. Se você vai a algum lugar onde existe uma pessoa santa, você pode apreender, absorver a religião. 

Religião é rebelião. É rebelião contra a morte, contra tudo o que está morto; é rebelião contra o exterior: contra a política, a ganância, a sociedade, a cultura, a civilização. Religião é uma rebelião: ela diz que temos de escutar a parte mais profunda de nosso ser, e segui-la aonde quer que ela nos leve. Aonde for... sem medo das consequências, escutaremos aquela pequena voz dentro de nós e a seguiremos. Religião é um risco. As pessoas que sempre procuram a segurança nunca poderão torna-se religiosas; é muito perigoso. Se você passar através do perigo, passará através da crucificação... e somente depois da crucificação vem a ressurreição. 

OSHO em, A DIVINA MELODIA

Imagem do Dia


Você consegue permitir que a sua mente fique em silêncio?

Você consegue permitir que a sua mente fique em silêncio?

Para alguns isso pode ser extremamente difícil, porque a mente parece ser como um macaco louco, pulando de um lado pro outro e gritando o tempo inteiro... Mas isso é porque você aprendeu a achar que não pode para-la.

Uma enorme quantidade de pessoas dedicam suas vidas à manter suas mentes ocupadas, e se sentem extremamente desconfortáveis com o silêncio, quando se estão sozinhas, ninguém dizendo nada, não tendo nada pra fazer... Isso é resultado da falta de presença no momento, resultado de uma preocupação produzida pela mente: "Eu fui deixado sozinho comigo mesmo, e eu quero fugir de mim mesmo", é por isso que algumas pessoas passam horas na frente da TV, ou adoram ir ao cinema ver filmes, ou ler livros de estórias, é por isso que vamos em festas atrás de companhias, vamos beber, ou qualquer coisa que fazemos em busca de distrações, é porque não queremos estar conosco, por algum motivo nos sentimos estranhos.

Mas porque você quer fugir de si mesmo? O que tem de tão ruim sobre si mesmo?

Isso é porque nossa cultura nos condiciona a sermos viciados em pensamentos, é como uma droga, mesmo que você não veja dessa maneira. Pensamentos compulsivos, um atrás do outro, se tornam um habito inconsciente, e com isso há a dificuldade em para-los, ou sequer percebê-los.

E como mudamos isso? Bom, não existe manual, mas o que eu posso sugerir com ênfase é: NÃO TENTE! Porque se você tentar irá ser como uma pessoa que tenta acalmar um lago agitado batendo na água com uma barra de ferro, e tudo que isso fará é agita-lo mais. Então, da mesma maneira como um lago agitado se acalma quando deixado sozinho, sem influencia do vento ou de pessoas na água, você precisa aprender a deixar sua mente sozinha, ela irá se acalmará por si só, pois este é seu estado natural, vazio. Ela só está em movimento porque você usa sua energia psíquica pra movimenta-la, consciente ou inconscientemente.

Não tente impor sua vontade, apenas observe, absorva e tenha paciência.

"A verdadeira meditação é abandonar a tentativa de manipular a experiência."

Adyashanti

Há um meio para superar a mente?

Ramana Maharshi: Não existe uma entidade chamada mente. Por causa do aparecimento dos pensamentos conjecturamos que deve haver alguma coisa da qual eles tenham começado. Essa coisa denominamos a "Mente". Quando sondamos para ver o que é aquilo, não encontramos nada igual a isso. Após ela ter desvanecido, encontraremos a paz eterna. As faculdades de raciocínio ou  de discernimento são meros nomes. Sejam o ego, a mente ou o intelecto, é tudo igual. De quem é a mente? De quem é o intelecto? Do ego. O ego é real? Não. Confundimos o ego e o chamamos de intelecto ou mente. (...)

Paul Brunton: Como fazer parar a mente?

Ramana: Quer um ladrão pegar um ladrão? Quer a mente encontrar a si própria? A mente não pode buscar a mente. Você andava ignorando o que é Real e guardou na mente aquilo que é irreal, inclusive procurando saber o que ela é. Existia a mente enquanto você dormia? Não. Não existia. Agora ela está aqui. Por isso é impermanente. Pode a mente ser encontrada por você? A mente não é você. Por ter pensado ser a mente, por isso me pergunta de que modo examiná-la. Se ela estivesse aí agora, poderia ser examinada. Mas ela não está. Compreenda esta verdade através da busca. A busca da irrealidade é inútil. Portanto, vá procurar a Realidade, ou seja, o SER. Esse é o meio para superar a mente. Existe só uma cosia Real. As outras são meras aparências.  Diversidade não é a Natureza d'Aquela. Estamos lendo as letras impressas no papel, contudo, ignoramos qual é a substância (background) dele. O mesmo se dá com você, que absorve as manifestações da mente e não toma conhecimento do fundo (background) delas. De quem é a culpa? 

A essência da mente é apenas conhecimento, ou a conscientização. Quando o ego, seja por que meio for, dominar a mente, ela funcionará como razoamento, pensamento abstrato ou faculdade sensorial. A Mente Cósmica, não sendo limitada ao ego e não tendo nada separado dela, permanece pura Consciência. É isso que a Bíblia entende por "EU SOU O QUE SOU". 

A Imortalidade Consciente


Sucesso é ficar livre do desânimo criado por pensamentos

Paul Brunton: O estado de inconsciência está perto daquele Infinito ser?

Ramana Maharshi: Somente a Consciência existe. Quem conhece o SER, nada mais tem a fazer daí em diante, pois o Infinito Poder fará todas as demais ações que possam ser-lhe necessárias através Dele. O homem não tem mais pensamentos. 

Durante a meditação, que está sendo dirigida para o SER, os pensamentos agora morrem automaticamente. A meditação pode ser dirigida aos diferentes objetos, mas quando estiver dirigida para o verdadeiro SER, significa estar fixada no mais alto objeto, ou melhor, o Sujeito. 

Os pensamentos são os nossos inimigos. estando livres de pensamentos, ficamos no estado de bem-aventurança naturalmente. O vácuo entre os dois pensamentos é o nosso verdadeiro estado, este é o real SER. Afaste os pensamentos! esteja vazio deles, fique no estado perpétuo de não pensar. Então, passará a ser conscientemente Auto-Existente. Pensamentos, desejos e todas as qualidades são alienígenas à nossa verdadeira natureza. O Ocidente pode homenagear o home por ser grande pensador. Mas o que ele é? A verdadeira grandeza, pois, está em ficar livre de pensamentos! A verdadeira resposta à pergunta "Que sou eu?", não vem em pensamentos. Pois então, todos os pensamentos cessam — mesmo o próprio pensador desaparece. 

Sejamos em nossa natureza! Assim, precisaremos buscar algo mais? Quando conhecermos a nós mesmos, os pensamentos e desejos não mais irão nos incomodar. Esse não é o nosso verdadeiro estado. Não temos de ir em busca de nossos próprios seres, e sim, simplesmente SER nós mesmos. Isto para sermos como verdadeiramente somos — livres de pensamentos e do egoísmo.

Para alcançar a Auto-Realização, os meios são:

(a) a mente deve estar afastadas de seus objetos, a percepção objetiva do mundo deve cessar;
(b) as operações internas da mente também devem terminar;
(c) assim, a mente deve se submeter e continuar a despersonalizar-se a fim de perder sua índole finalmente;
(d) deve continuar a ficar no puro auto-conhecimento.

Silêncio é a fala interminável. Palavras impedem a fala silente.

Pensamentos são as predisposições acumuladas de inúmeros nascimentos anteriores. O aniquilamento deles deve tornar-se o nosso objetivo. Estar livre deles significa Pureza. O homem fica desanimado por misturar o ser consciente com o corpo inanimado; este desânimo deve cessar. O sempre-presente SER não precisa de esforços para se revelar. Mas antes o desânimo deve ser desarraigado.

Paul Brunton: Então, os pensamentos não são reais? 

Ramana: Isso mesmo. Quando a cânfora queima, não deixa resíduos. A mente é como a cânfora. Quando se tiver absorvido no SER, não deixará o menor vestígio do ego. É a Realização. 

A mente está abarrotada de pensamentos, embora tenha sua origem na Consciência ou SER. Os pensamentos não são reais; a única realidade é o SER. 

O eternamente paciente fundo (background) livre de pensamentos e cuja expansão também é destituída de pensamentos é o SER. A Mente, em sua pureza, é SER. 

O que você chama de mente é uma ilusão. Surge depois do "eu-pensamento" surgir. A mente é apenas um mero feixe de pensamentos. Os pensamentos têm sua raiz no "pensamento-eu".(...) Isso que está além do ego é a CONSCIÊNCIA, o SER.(...) Reconheça isso!

A Imortalidade Consciente

Largue os pensamentos e simplesmente seja!

Ramana: Largue os pensamentos e simplesmente seja! Apenas seja! São os pensamentos, os únicos que geral obstáculos. São eles que dificultam. Encontre a quem os pensamentos ocorrem; tanto quanto você pensar que o falso existe, fará com que ele se mostre assim, mas, encontrando de onde ele surge, logo desaparecerá. Os que descobriram a Grande Verdade fizeram isso no profundo silêncio do SER. 

Paul Brunton: A dificuldade está em manter o estado sem pensamento e, forçosamente, ainda pensando em obrigações. 

Ramana: O pensador é você mesmo. Deixe a ação se ajeitar de acordo. Por que ligar-se às dificuldades? Quando você sai à rua, levanta os pés automaticamente e anda, sem pensar sobre isso. Assim, aos poucos, o estado se torna automático; pense, quando a necessidade surgir e deixe-a desaparecer por sua própria conta. A intuição trabalha quando o pensador não tem pensamentos, guiado pela intuição. Aqueles que fizeram grandes descobertas, fizeram-nas não quando ansiosos nelas pensaram, mas em silêncio, pela intuição. 

A atividade mental cessa com a resposta à pergunta dirigida a si próprio. Mesmo quando você está pensando em Deus, ainda é uma atividade e tem que abandoná-la. A pergunta do autoconhecimento (que sou eu?) mergulha em Deus e então cessa todo pensar sobre Ele. 

A auto-realização consiste em fazer cessar os pensamentos, inclusive toda a atividade mental. Os pensamentos são como borbulhas na superfície do Mar (SER). 

O falso ego se relaciona com os objetos; só o Sujeito é Realidade. O mundo é o único que é percebido pelo reflexo da luz da mente.  A lua brilha refletindo a luz do Sol. Ao pôr do sol, a lua é útil para que os objetos possam ser vistos. De madrugada ninguém precisa de lua, embora seja visível no céu. Assim é com a mente e Coração. A mente serve para perceber os objetos. 

O intelecto é um instrumento do SER, que o usa para medir a variedade. O SER o acompanha. Como poderiam surgir as manifestações do intelecto sem as suas sementes — existindo? 

(...) A mais valiosa coisa no oceano jaz no fundo dele. A pérola é tão pequena, uma coisa de tanto valor e de tão difícil acesso! Semelhante ao SER é como uma pérola preciosa, mas, para achá-lo, deve-se mergulhar bem fundo no silêncio, toda vez mais e mais fundo até que seja encontrado. 

A Imortalidade Consciente

Sobre o processo e a natureza do pensamento

A crise está na própria natureza do pensamento. O mundo exterior e o mundo interior são frutos do pensamento. O pensamento é um processo material. O pensamento construiu a bomba atômica, o vaivém espacial, o computador, o robô, e todos os armamentos bélicos. O pensamento construiu também as belíssimas catedrais e igrejas, com tudo o que elas contêm. Mas não há absolutamente nada de  sagrado no movimento do pensamento. O que o pensamento criou como símbolo, e que você adora, não é sagrado; foi colocado ali pelo pensamento. Os rituais, todas as religiões e as divisões nacionais são resultado do pensamento. 

(...) A crise, portanto, está na própria natureza do pensamento. E, como dissemos, o pensamento é o resultado da origem dos sentidos, das respostas sensoriais, da experiência, que encontram algo que ficou registrado como conhecimento, como memória, e, dessa memória, nasce o pensamento. Este tem sido o processo e a natureza do pensamento ao longo de incontável número de anos. Toda a cultura, desde o antigo Egito e mesmo antes, baseia-se no pensamento. E o pensamento criou toda a confusão interior e exterior... Ou seja, as reações sensoriais quando você se depara com algo — isto é uma experiência, a experiência é registrada como conhecimento, o conhecimento se torna memória e a memória age como pensamento. Dessa forma, a partir daquela ação, você aprende mais, acumula mais conhecimento. E assim o homem tem vivido há mais de um milhão de anos neste processo —, nessa cadeia. Espero que isso tenha ficado bem claro. 

Nossa crise , portanto, está na própria natureza do pensamento(...) Nossos cérebros, por viverem neste círculo vicioso de experiência, conhecimento, ação, memória, mais conhecimento, têm problemas, pois o conhecimento é sempre limitado. Nossos cérebros foram então treinados para resolver problemas. Trata-se de um cérebro solucionador de problemas, jamais um cérebro livre de problemas(...) Nossos cérebros foram treinados para resolver problemas tanto no mundo científico quanto no mundo psicológico, no mundo do relacionamento. Surgem os problemas, nós tentamos solucioná-los. A solução é sempre procurada no domínio do conhecido. 

Como dissemos, o conhecimento é sempre incompleto. Isto é um fato. Eis um ponto bastante importante a ser observado, com percepção sensitiva: que o conhecimento jamais é completo, sejam quais forem as circunstâncias(...) E como o conhecimento é sempre limitado, e continuamos a agir nestes domínios, há um eterno conflito. Isto precisa ser compreendido. Tentamos solucionar os problemas — políticos, religiosos, os relacionamentos pessoais, etc. — e os problemas jamais são resolvidos. Você tenta resolver o problema e a própria solução provoca outro problema, como acontece no mundo da política. E então você se volta para a fé, para a crença. Como talvez já tenham observado, a crença atrofia o cérebro.(...) Quando a pessoa fica apegada a uma crença, a uma outra pessoa ou a uma ideia, há conflito nesse apego, há medo, ciúme, ansiedade, e isso é parte da atrofia do cérebro, essa repetição constante.(...) Se você reparar bem, vai reparar como a repetição disso enfraquece o cérebro e ele vai ficando cada vez mais embotado...

Se você examinar com cuidado, perceberá que o apego a uma crença é parte do desejo de segurança, e esse desejo e exigência de qualquer forma de segurança psicológica produz a atrofia do cérebro. Disso resultam todos os tipos de comportamento neurótico. A maioria de nós preferiria rejeitar essa noção, porque se trata de algo assustador. Essa é a verdadeira natureza da mediocridade. Quando você procura um guru, um sacerdote, uma igreja, e se põe a repetir, a repetir, e a meditação é uma forma de repetição — há nisto uma segurança, o sentimento de que se está salvo, e assim, pouco a pouco, seu cérebro vai ficando atrofiado; ele murcha e se apequena(...) Você pode observar isso na sua vida. Mas esta observação da crise, bem como a crise que existe no seu coração, na sua mente e na sua consciência, produzem sempre conflito, porque somos incapazes de solucionar qualquer problema completamente sem criar outros problemas. Basta ver o que se passa conosco — problema após problema, crise após crise, incerteza após incerteza. 

Poderá então o cérebro, a mente, libertar-se um dia destes problemas?(...) Mas o cérebro foi de tal forma treinado para resolver problemas que não pode compreender o que vem a ser estar livre de problemas. Estando livre, ele pode resolver problemas, mas o inverso não é verdadeiro...

Se isto estiver bem claro, perguntamos se existe outro instrumento capaz de libertar a mente de todos os problemas, de maneira a fazer com que ela se torne capaz de enfrentá-los. Percebem a diferença? Apenas a mente livre, o cérebro livre, sem problemas, pode enfrentar os problemas e resolvê-los de imediato. Mas o cérebro treinado para a solução de problemas, esse cérebro viverá sempre em conflito. E então surge a pergunta: Como é possível ficar livre de conflito se, conforme dissemos, o pensamento é o instrumento que cria os nossos problemas?

Krishnamurti, Ojai, 3 de maio de 1981

Sobre a mente não feita pelo homem

"O que é um ser humano? E qual a relação entre essa mente, QUE NÃO É FEITA PELO HOMEM, e a mente feita pelo homem? Não sei se fui claro."

"Vamos deixar bem claro este ponto. Vivemos em um mundo feito pelo homem; a mente foi feita pelo homem; nós somos o resultado de mentes feitas pelo homem, bem como nossos cérebros, com todas as suas respostas e tudo o mais... Condicionado pelo homem... Agora, pode esta mente descondicionar-se de forma tão completa que chega ao ponto de não ser mais feita pelo homem? Eis a questão — vamos mantê-la neste nível simples. Pode a mente, feita pelo homem — tal como é agora — pode ela ir até este ponto, libertar-se de si mesma, e de forma tão completa?"

"A consciência, geral e particular, É FEITA PELO HOMEM. E, através da lógica e da razão, podemos ver as limitações. A mente, então, terá avançado muito. E, então, ela chega a um ponto em que diz: 'Tudo isto pode ser varrido DE UMA SÓ VEZ, DE UM SÓ GOLPE, com um movimento?' E esse movimento é a descoberta, o movimento da descoberta. Está ainda na mente. Mas NÃO É MAIS FRUTO DAQUELA CONSCIÊNCIA."

"Estará essa mente livre da mente feita pelo homem?... Não se trata de uma ilusão, porque ela enxerga a mensuração como ilusão; ela conhece a natureza das ilusões e sabe que onde há desejo deve haver ilusões. E que as ilusões devem criar limitação, e assim por diante. Ela não só já compreendeu; ELA JÁ ULTRAPASSOU ISSO... Está livre do desejo. Essa é a natureza. Eu não quero afirmar isso de forma tão brutal. Livre do desejo... está repleta de energia, e então essa mente, que não é mais geral ou particular e, portanto, NÃO É MAIS LIMITADA — a limitação foi quebrada com a descoberta — não é mais a mente condicionada. Então, o que é essa mente? Estando consciente de que ela não continua mais presa de uma ilusão."

"Existirá uma mente que não seja feita pelo homem? E, se existir, qual a sua relação com a mente feita pelo homem? Isto é muito difícil. O senhor vê, todo tipo de afirmação, todo tipo de declaração verbal não pode ser a mente NÃO FEITA pelo homem. Certo? Daí perguntamos se existe uma mente que não seja feita pelo homem. E acredito que só há sentido em se fazer esta pergunta quando a outra mente, quando as limitações estiverem varridas; caso contrário, SERIA APENAS UMA PERGUNTA TOLA... Seria uma perda de tempo. Quero dizer: isso se tornaria teórico, sem sentido. (seria parte da estrutura feita pelo homem)"

"Existirá uma mente não feita pelo homem e, se existir, qual a sua relação com a mente feita pelo homem? Bem, mas, em primeiro lugar, existe uma mente assim? É CLARO QUE EXISTE. É CLARO, senhor. Sem ser dogmático ou pessoal, AFIRMO QUE EXISTE. Mas não é Deus. (porque Deus é parte da estrutura feita pelo homem)... Que produziu o caos no mundo. Então, ELA EXISTE." 

"A mente feita pelo homem não tem relação com a mente não feita pelo homem; mas aquela [a mente não feita pelo homem] tem uma relação com esta [a mente feita pelo homem]. 
— Krishnamurti
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)