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Passaremos a reproduzir uma série de perguntas que seus discípulos lhe fizeram e cujas respostas esclarecem admiravelmente esse ponto central.
Pergunta: Como conseguir a minha auto-realização?
Pergunta: Como conseguir a minha auto-realização?
Maharishi: Já estás auto-realizado, se te libertares do pensamento "Não alcancei libertação". Esse erro de identificares o Eu com o não-Eu, o ego, tem de ser superado. A felicidade do Eu é sempre tua — e tu despertarás para o teu verdadeiro Eu no momento em que ultrapassares esse impedimento: o ego, egoidade, a ego-ilusão. Abre mão desse equívoco — e estarás livre para seres o Eu, que na verdade és.
P: Não conviria que fôssemos buscar a solidão para realizarmos o nosso verdadeiro eu?
RM: Solidão é por toda a parte. Não a procures fora de ti, mas dentro de ti. Pode um homem estar imerso na lufa-lufa do mundo, e, no entanto, viver em profunda solidão, se estiver perfeitamente calmo dentro de si mesmo. Alguém vive em plena floresta, e não tem solidão, se não tiver domínio sobre suas energias internas; esse não é o homem solitário. A solidão é um estado de alma. Quem está apegado a qualquer objeto externo não vive em solidão, esteja onde estiver. O homem interiormente calmo está em solidão, sempre e por toda a parte.
P: Não conviria que o homem em busca da verdade abandonasse, antes de tudo, as suas posses?
RM: O que ele deve, antes de tudo, abandonar é o POSSUIDOR, e não as posses. Quem se abandona a si mesmo, isto é, o seu pseudo-eu e encontra o seu verdadeiro Eu, esse tem tudo e não necessita de nada mais.
P: Não deveria eu abandonar os afazeres mundanos a fim de adquirir a consciência cósmica?
RM: O teu único impedimento é o pensamento "eu trabalho". Pondera calmamente: "quem é esse que trabalha?" — e o trabalho deixará de ser empecilho para ti; e os teus trabalhos terão o mesmo resultado de antes.
P: Não convinha, pelo menos, que eu abandonasse casa e família?
RM: Que mal te fazem casa e família? Descobre primeiro quem és tu. Também no meio da agitação do mundo pode o homem atingir auto-realização. Não é necessário ser monge para ter iluminação interna. Quem assim pensa, troca o erro "eu sou um homem mundano" pelo erro "eu sou um monge" — quando é necessário libertar-se tanto desta como daquela ilusão, a fim de chegar ao puro "EU SOU". O que em mim há de essencial não é afetado por lugares e circunstâncias. Por isto, podemos realizar o nosso EU em qualquer lugar, suposto que esse desejo seja maior que outro desejo qualquer.