“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

O viciado em boas sensações espirituais

Uma pessoa “espiritual” pode se tornar viciada nas boas sensações espirituais e não encontrar a Verdade. A adicção espiritual acontece quando algo sensacional ocorre e você sente como se tivesse recebido uma dose de droga. Logo após ocorrer a primeira vez, você quer mais. Não existe droga mais potente do que a experiência espiritual. O componente intelectual deste vício é a crença de que se você tiver uma grande quantidade destas experiências, você vai se sentir bem o tempo todo. É como morfina, você toma uma dose no hospital porque quebrou seu braço e pensa “se eu tivesse uma pequena dose durante todos os momentos, a vida seria relativamente boa em todas as situações”. Experiências espirituais frequentemente são colocadas pela mente neste padrão, pensando algo como “se eu tivesse esta experiência o tempo todo estaria livre”.

Logo você perceberá que esta condição não é muito melhor do que a de um alcoólatra, porque o alcoólatra pode perceber que tem um problema ao notar que não é culturalmente aceitável estar bêbado o tempo todo. A pessoa espiritual tem certeza de que não tem problema, porque sua droga é diferente das outras drogas, e tenta conseguir ficar nesta experiência para sempre. É o padrão mental de um adicto: “Agora eu tenho, agora não tenho mais. Eu preciso de mais e eu não tenho”.

O problema vai durar enquanto algo em você procura por estas grandes experiências. Em um certo momento você irá perceber que estas maravilhosas e agradáveis experiências são como noites divertidas de bebedeira. Você se sente bem por um certo tempo, e em seguida ocorre uma reação oposta. Você se sente alto espiritualmente para em seguida se sentir baixo. Vejo isto acontecendo com muitos estudantes.

Em algum momento você irá perceber que o pêndulo balança da mesma forma para os dois opostos. Você percebe que é impossível manter o pêndulo em um lado apenas, pois sua natureza é se mover de um lado para o outro.

Este impulso de procurar experiências boas ao invés das ruins é o impulso do “eu”, do ego. Isto só será abandonado quando percebemos que tudo é Consciência. Tudo é Deus, tudo é o UM. Ao vermos isto, paramos de tentar deixar o pêndulo em apenas um lado. Porque tudo é o UM, um lado do pêndulo não é melhor do que o outro.

Adyashanti
Emptiness Dancing
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)