“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Lançando as bases de um paradigma racional

Caros confrades, juntos estamos lançando as bases de um paradigma racional e seguro para um funcional processo de ego-esclarecimento no qual, se for devidamente levado a sério e com a paixão necessária, poderá resultar no devido e necessário "estado de  prontificação" pelo qual possa se dar o advento do realístico autoconhecimento: o desvelar do Que Somos. 

Estamos trabalhando juntos um modo de desmistificar o que ainda é visto como místico e sem praticidade para o atual e estressado modo de existir sem vida.

Por meio de um convite objetivo — a ideia da possibilidade de deter o desgastante fluxo do pensamento compulsivo obsessivo — a cada passo dado neste Caminho sem caminho, nos aproximamos da subjetividade curativa deste paradigma: o tornar-nos nossa natureza real, expressa como Perene Consciência Amorosa Integrativa.

Para tanto, a meditação, a observação sem escolhas, tem se mostrado a ferramenta usual para a busca de um contato consciente com a Realidade que somos. Por meio dela, absorvemos o que é real e nos absolvemos do falso.

Nunca é demais ressaltar que o objetivo primordial deste paradigma é muito mais do que o deter do mecânico e fragmentário fluxo do pensamento condicionado, com suas resultantes emocionais desequilibradas, bem como da deturpação dos sentidos; seu objetivo real é a manifestação da experiência do Real, da esquecida Verdade que somos, a volta ao lar, o encontro de nossa terra prometida.

É o transmutar que vai da des-identificação do espírito humano como sendo a neurótica personalidade umbigóide desenvolvida num determinado espaço-tempo, para a Deus-identificação com a realidade que somos, sem a qual, torna-se impossível a manifestação de nosso estado natural manifesto em unidade interna e bem estar-comum (não mais oscilante pela ação de nossas manias, tendências e hábitos egocentrados).

De fato, levar a cabo este paradigma, não é nada fácil. Ele nos pede, inicialmente, por um processo de fé, entrega, coragem e, sobretudo, paciência.

Antes que você saia correndo, pedimos para que não se assuste diante do termo "fé". Não o usamos aqui com aquele antigo e irrefletido ranço proveniente das nossas experiências colhidas nos sistemas de crença organizados, que erroneamente acreditávamos ser religião. Em última análise, aquilo que aqui chamamos de "fé", já é algo presente em nosso cotidiano. Em termos de exemplificação: quando desconhecemos um caminho que precisamos tomar para o alcance de um determinado local, depositamos fé num mapa físico, num guia, nas placas e, mesmo assim, quando ainda inseguros, depositamos fé quando nos detemos diante de algum caminhante e nos certificamos com ele se estamos trilhando o "caminho de modo acertado". Esse caminhante é o que agora chamamos de "Confrade Consciencial"; alguém com quem podemos "pensar alto" sobre nossos medos, ansiedades, angústias, confusões emocionais e nossos desconexos sentimentos que sempre, inicialmente, se apresentam como forças contrárias ao que julgamos ser "a grande aventura do espírito humano".

Que a cada "agora" deste novo ano, possa a Consciência que somos retomar seu devido espaço de ação, até que tenhamos a bem-aventurança de Nela nos dissolvermos juntamente com nossa ilusória crença de tempo, espaço e separatividade.

Bem haja excelência no agora que somos!

Outsider

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill