“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A aquietação da respiração aquieta os pensamentos


[...]Os ritmos da respiração trabalham em uníssono com os ritmos dos nossos estados mentais; a excitação provoca uma respiração irregular e entrecortada; a contemplação tranquila provoca uma respiração regular e suave. Uma vez que o pensamento e a respiração estão entrelaçados, basta-nos apenas manter a atenção constante — bem como dosar o ritmo — sobre a respiração para que produzamos um efeito correspondente sobre os pensamentos. Em consequência, a aquietação da respiração tende a aquietar os pensamentos. Quando, a exemplo do que ocorre no exercício seguinte, o pensamento e a respiração são amalgamados com tal propósito, começará a surgir um estado de calma inalterável dentro do qual a verdadeira meditação torna-se muito mais fácil para a hiperativa mente ocidental.

Devemos então adotar o seguinte exercício que deve ser praticado imediatamente após a análise intelectual do eu, e não antes.

Há, contudo, três breves preliminares a serem cumpridas. A primeira exige a direitura da espinha dorsal de uma forma fácil e natural enquanto estivermos sentados. Isto porque a postura física afeta a respiração.[...] Depois os olhos devem ser fechados e mantidos assim durante todo o exercício. Por fim, todo o ar viciado dos pulmões deverá ser expelido por meio de quatro exalações seguidas. Feito isto, deve-se cuidar do processo de alterar o ritmo normal de nossa respiração.

1.       Devemos diminuir gradualmente a velocidade da respiração de semana para semana, e durante cinco ou dez minutos por dia até que, aproximadamente, essa velocidade fique reduzida à metade.
2.       No final de cada inalação devemos interromper a atividade respiratória, reter o ar durante dois ou três segundos, e a seguir expirar o ar puro.
3.       Simultaneamente, a respiração deve ser tornada tranquila, suave, plácida e isenta de esforço;
4.       Devemos manter em cuidadosa observação a respiração e enfocar nela toda a nossa atenção.

[...] É importante que o exercício seja convenientemente praticado, apesar de sua simplicidade. Ele só será capaz se todas as condições forem satisfeitas.

[...] Devemos fazer o exercício durante cinco minutos cada vez — não mais. Se nos exercitamos pela manhã, poderemos repetir à dose à noite.

Não se deve progredir com rapidez exagerada; deve-se progredir lenta e naturalmente nesta esfera.
Em todos os caos a diminuição do ritmo respiratório deve acontecer de tal forma que não se verifique nenhum desconforto agudo e anormal. Naturalmente, no princípio será inevitável uma ligeira sensação de tontura, pois quando começamos a usar de forma diferente um órgão do corpo, este reage e resiste durante algum tempo à atividade inusitada que lhe está sendo imposta. Se patentear-se alguma dor real, ou uma sensação definida de sufocação ou qualquer outro sintoma obviamente anormal, o exercício deverá ser imediatamente suspenso e o estudante reverá com cuidado o método prescrito, a fim de verificar se o está seguindo à risca pois tais sintomas só podem surgir em decorrência de uma má interpretação do método, ou em virtude de algum mal orgânico do coração ou do pulmão. Pessoas afetadas por doenças deste tipo não devem jamais fazer exercícios respiratórios.

[...] Devemos evitar uma série de movimentos bruscos ao inspirar e objetivar de preferência uma ação firme, leve e contínua. A respiração deve ser propositadamente convertida num fluxo leve e suave. Deve-se evitar um ofegar audível. O nosso esforço deve ser no sentido de acalmar o processo respiratório. O ar deve correr com tal suavidade que, segundo com muita propriedade dizem os místicos chineses, uma pensa colocada diante das narinas não deverá se agitar. Assim como devemos relaxar inteiramente o corpo afim de conseguir a postura física para a meditação, assim também devemos relaxar por completo a respiração. A arte do relaxamento deve ser levada através do corpo até os pulmões. Por meio de treinamento adequado a respiração poderá tornar-se tão suave que apenas uma tênue corrente de ar se movimente como um fio entrando e saindo das narinas.

[...] Requer-se uma vigília contínua durante os poucos minutos da prática, uma observação mental atenta da entrada e saída do ar. A mente deve estar abstraída de qualquer outra atividade e presa tão apenas ao movimento respiratório; essa observação voluntária acabará por proporcionar o controle sobre esse movimento e reduzi-lo ao ritmo mínimo, que é o objetivo. Precisamos ater a mente a isso. Este exercício não deve ser feito com indiferença, mas com uma concentração consciente sobre o fluxo da respiração; isto é muito importante se desejamos um aproveitamento integral. Todos os demais pensamentos devem ser suprimidos e esquecidos, e o nosso eu deve ser totalmente imerso no ritmo respiratório. A potencialidade do método será proporcional à concentração nele empregada. Se a atenção for interrompida ou pausas desnecessárias acontecerem durante os exercícios, o poder de alterar o estado mental será reduzido.

Enquanto empenhados no exercício respiratório é possível que adquiramos uma consciência muito aguda do nosso batimento cardíaco, que se apresentará não como um latejar descompassado mas como um pulsar suave. Trata-se de uma consequência natural da maior atenção dispensada à respiração e não há razão para alarme.

O êxito poderá surgir de pronto, como também poderá vir apenas com o tempo, mas os exercícios não são difíceis de seguir. Algumas pessoas levarão mais tempo que outras porque a capacidade física, mental e pulmonar varia de indivíduo para indivíduo.

Qual será o resultado de tais exercícios?

A mente será posta numa condição de harmonia com a respiração. Os pensamentos espontaneamente se tornarão mais escassos à medida que a respiração for se tornando mais escassa. Todo o processo do pensamento será retardado. Uma impressão global de calma interior e equilíbrio começará a impor-se gradualmente. As paixões flutuantes e inquietas tornar-se-ão mais tranquilas. O intelecto será aprisionado como um pássaro cativo; ao nos apossarmos da vida respiratória, a vida reflexiva será também dominada. A total serenidade da inalação moderada será refletida na moderação da mente. Naqueles compridos momentos em que a respiração é realmente sustada o intelecto será apanhado por uma reação e o seu poder de encobrir a realidade tornar-se-á menor.

Este é precisamente o esforço necessário para nos levar ao estágio seguinte no caminho do desenvolvimento espiritual. O intelecto atingiu os seus limites e chegou o momento de prepara-lo para cessar os seus esforços. Uma análise ulterior a este ponto seria improdutiva e, na verdade, desvantajosa. Precisamos estar agora preparados para invocar e intensificar toda a nossa faculdade da atenção e mergulhar mais fundo no nosso ser, na busca do Eu Superior.

Um homem que mergulhe no mar não se entregará a uma sucessão de pensamentos acerca do mar, mas, esquecendo o resto, sustará a respiração e fará o mergulho. Da mesma forma, quando nos prepararmos para mergulhar na região fronteiriça do Eu Superior, não devemos nos entregar a novas meditações a respeito, mas, esquecendo o resto, trataremos de controlar a respiração a ponto de sustá-la intermitentemente e a seguir mergulhar diretamente no ser mais profundo.

[...] É concebível a existência de tipos altamente metafísicos ou altamente espiritualizados sobre os quais esses exercícios respiratórios não exerçam nenhuma atração e para os quais pareçam totalmente desnecessários. Tais pessoas poderão prescindir dos exercícios desde que encontrem força interior para passar sem dificuldades do estágio da análise intelectual para o estágio intuitivo que se segue. Mas a maioria esmagadora dos ocidentais não será capaz de fazer a passagem de um estágio para o outro, a não ser com a maior dificuldade, e este simples exercício foi concebido para auxiliá-las. Pois, extrovertidas como de hábito são, com mentes sempre a produzir imagens do mundo externo, elas não podem subtrair-se com facilidade aos assuntos mundanos, colocando-se numa região de profunda abstração espiritual.

Poderemos também nos beneficiar do exercício mesmo fora dos minutos de retiro diário. Se em qualquer período do dia formos perturbados por estados de indesejável melancolia ou ira desordenada, de extrema irritabilidade ou paixões descontroladas, nervosismo desenfreado ou medo opressivo, basta-nos apenas praticar essa respiração vagarosa, onde quer que estejamos, e de imediato surgirão os efeitos benéficos, acalmando os nervos e reajustando harmonicamente as nossas perspectivas.               


Paul Brunton em, A Busca do Eu Superior   
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill