“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

O pensamento como servidor de confiança

O homem comum passa irresponsavelmente de um pensamento para outro e permite que sua mente trabalhe à vontade. No entanto, os pensamentos são uma responsabilidade do homem e, por sua vez, irão reagir, como estão reagindo, sobre o conjunto da sua vida material. A conveniência de eliminar os pensamentos indesejáveis e incentivar os mais elevados é algo que o homem apenas entrevê. Poderia parecer fantástico e artificial asseverar a existência de uma ligação entre aquilo que um homem pensa e aquilo que lhe acontece no mundo material, entre a sua condição mental e o seu bem-estar material, mas aqueles que praticaram os métodos aqui propostos durante um certo número de anos e observaram os resultados nas suas vidas saberão que não se trata de uma fantasia, mas sim da verdade, e que a vida externa de um homem é em grande parte reflexo do seu mundo mental. Infelizmente, a nossa era se saturou a tal ponto de pontos de vista materialistas sobre avida que perdeu em grande parte a recordação e a crença nos mais sutis poderes mentais do homem. Tal perda, contudo, não pode e não altera o fato básico da nossa existência. Enquanto preferirmos continuar na ignorância espiritual, teremos de seguir tateando com a venda do materialismo a nos tapara visão. O resultado é muito sofrimento desnecessário e uma total incapacidade para perscrutar os desígnios mais profundos da Natureza e o destino da nossa raça.

Dominar os nossos pensamentos e sentimentos esparsos é restabelecer a soberania perdida. O homem tem de ser o senhor absoluto da região de sua mente, se pretender enquadrar-se perfeitamente na evolução que a Natureza colocou diante dele. Ele poderá considerar a tarefa como desprezível, mas o prejuízo será só seu, pois a incapacidade de controlar o pensamento leva às mais misteriosas ramificações e aos mais variados sofrimentos. Pois é um truísmo que muitos acontecimentos e decisões nas nossas vidas sofrem grande influência do nosso modo habitual de pensar. Portanto, mudar esse modo de pensar é mudar até certo ponto as circunstâncias e o ambiente da nossa vida, bem como adquirir autoconfiança e bem-estar íntimo. Ademais, precisamos realizar o milagre interior da conquista da mente, antes de podermos realizar qualquer milagre externo. Nenhuma prática pode, por isso, ser mais importante do que o controle do pensamento. E nesta era da praticidade, em que as pessoas estão sempre à procura de resultados tangíveis e não de teorias intangíveis, é sem dúvida um argumento muito forte dizer ao mundo: “Faça isto! Adote estes exercícios e dentro de algum tempo você verá a corrente da sua vida fluindo através de canais mais suaves, através de estradas mais ensolaradas e cenários mais agradáveis.”

Por estas, senão por outras razões, devemos dispensar a mais cuidadosa atenção à vida do pensamento. Existem outras e mais elevadas razões pelas quais precisamos renovar a mente, pois através da mente poderemos penetrar nos mistérios do reino do céu, descobriremos por nós mesmos se a alma existe e como se parece ela. É um princípio fundamental que a certeza da nossa existência espiritual jamais pode vir de provas objetivas, mas apenas de uma tentativa intelectual ou emocional. Através de uma mente convenientemente dirigida o eu íntimo se abre para nós e nós lhe atravessamos o velado santuário rumo a um estado mais divino. Essa orientação, que recebe o nome de “quietude mental”, “meditação”, “ioga” e “misticismo”, remodela a mente e obriga o pensamento a servir o homem, ao invés de tiranizá-lo.

Paul Brunton em, A Busca do Eu Superior
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)