“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

É preciso pular fora do sistema

Quando a sociedade está edificada sobre o egoísmo, sobre a rude competição, quando um luta contra o outro para a sua própria segurança, como se dá no edifício da presente civilização, então, essa ordem social deve a seu tempo ruir. O homem, movido pela sua ânsia de posse, construiu aquilo que ele denomina civilização. E apega-se a esse mundo; e, naturalmente, um edifício baseado no desejo contínuo, na consecução constante de alturas vazias, tem que a seu tempo desmoronar.

Qual é o remédio? Não há panaceias mundiais. Podeis, porém, individualmente e, portanto, coletivamente, pular fora do sistema que é seu inevitável produto. No mundo da ação, o homem, como indivíduo, tem-se tornado rudemente agressivo em seu desejo pelos haveres, em sua busca pela segurança. Tem-se servido de sua mente para lisonjear seus desejos egoístas. Ora, eu digo que necessitais pensar integralmente por vós próprios e libertar-vos de toda a imitação, que precisais manter a integridade de vossa individualidade em pensamento e sentimento. Só por esse meio pode haver a espontaneidade da verdadeira cooperação no mundo da ação, no trabalho coletivo em benefício de todos.

No buscar o que é eterno está o verdadeiro trabalho por todos, baseado nas necessidades humanas, não na cobiça e exploração humanas. Quando vós, pessoalmente, derrubardes esta estreiteza do patriotismo, da nacionalidade, de bandeiras tremulantes e de guerras; quando vós, individualmente, deixardes de ser exploradores em virtude de vossa força e habilidade egoísta, então vos virá a paz e o entendimento pelos quais agora vos esforçais em vão.

Haveis construído um sistema, um edifício que denominais civilização e essa civilização baseia-se na segurança individual; de modo que, no mundo da ação está o indivíduo constantemente buscando segurança para si próprio e para os seus. Esta civilização foi construída pelos homens através dos séculos, no decorrer dos quais o indivíduo se tornou semelhante a um animal selvagem, lutando pelo seu próprio bem estar, segurança e haveres; ao passo que, espiritualmente, isto é, no mundo do pensamento, o indivíduo completamente se deu a si próprio à autoridade, à obediência e à imitação e aí se tornou ele como um cordeiro, tendo perdido por completo a sua integridade individual. Aí ele é irresponsável e vive num mundo de ilusões; no entretanto é aí que ele tem de libertar sua mente e coração, por completo, de toda a autoridade, de todas as limitações nascidas do desejo, quer material quer espiritual.

Ora, como disse, necessitais inverter por completo o processo. No mundo da vida diária, isto é, da existência cotidiana, deveis formar planos para o conjunto e não para o indivíduo em particular. Não deveis sustentar nacionalidades e fronteiras, porém sim preocupar-vos com o conjunto dos homens, não como uma raça ou classe particular. Isto só pode ter lugar quando não mais se houver de seguir cegamente a autoridade. Só por esse meio será produzida a verdadeira cooperação reta, o planejamento reto no mundo da ação.

Quando vós como indivíduos, não mais fordes os dentes de engrenagem na máquina da sociedade; quando cessardes de explorar e ser explorados; quando não vos entregardes à autoridade; quando vos libertardes de todas as tradições que estropiam vossa mente e coração; quando cessardes a busca da felicidade, da verdade, por intermédio de outrem, então tornar-vos-eis plenamente responsáveis na ação e criareis assim um entendimento da vida baseado na verdade e na liberdade.


Krishnamurti em, Palestras pela rádio, Canadá, 1932    
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill