“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Filme Argo

Pontos de vista, são apenas pontos; não traduzem, portanto, a expressão máxima da realidade. Não me atenho e não combato a possibilidade deste filme ter sido encomendado como uma das "engenharias" utilizadas pelos "dominadores do sistema" para a perpetuação de seus condicionamentos de superioridade patriótica. Prefiro compartilhar com o autor e leitores da critica exposta no blog cinegnose, a percepção que tive diante desta obra, que, para mim, traduz com maestria aquilo que traduz o espírito contido no nome deste blog: a gnose no cinema; ou seja, a capacidade de perceber o significado do não-manifesto apesar da limitação dos símbolos utilizados e a capacidade de leitura por parte daquele que se depara com tais símbolos.

O filme “Argo”, para mim, apresenta uma grande metáfora referente ao processo separatista, dualista, fragmentador, cuja natureza exata, encontra-se no domínio do poder hipnótico e profundamente letárgico criado pela “rede do pensamento psicológico condicionado por sistemas de crenças e relativos valores temporais transgeracionais” (cuja grande parte da população, mesmo com tantos mecanismos de informação, destes se encontram em domínio e totalmente inconsciente).

O filme mostra, com maestria, como o pensamento psicológico — não estamos falando do pensamento técnico — é a natureza exata de todo conflito humano, seja ele, pessoal ou coletivo, multi-racial; o choque de linhas de pensamentos psicológicos. Argo retrata uma máxima, já corrente nos porões da sabedoria coletiva: um problema nunca pode ser resolvido através das ferramentas que o criaram. O conflito instalado pelo choque de linhas de pensamentos psicológicos, como bem mostra o filme, de modo algum pode ser resolvido mediante o uso das limitadas faculdades da lógica, da razão e do acúmulo de conhecimento que nos mantém num modo de pensamento cartesiano. Por maior que seja o acúmulo de conhecimento livresco, acadêmico, só através do contato com frescor de uma mente inocente (cujo arquétipo no filme Argo é expresso através da conversa entre o personagem de Bem Affleck e seu filho, através de uma linguagem impessoal, por meio de canais de comunicação de outra esfera), é que dá-se a manifestação do “absurdo e a graça”, cuja mensagem, cujo paradigma, para as mentes lógicas e cartesianas, sempre se mostra como algo “absurdo” e, fatalmente digno de se opor resistência e chacotaria. Como nas palavras de Arthur Schopenhauer, Toda verdade passa por três estágios. No primeiro, ela é ridicularizada. No segundo, é rejeitada com violência. No terceiro, é aceita como evidente por si própria. Em outras palavras, o conflito é sempre causado pela limitação de compreensão da verdade e a sustentação daquilo que é ilusório. E, aqui, creio que Argo nos apresenta, com maestria, a grande função gnóstica que a ARTE, em suas várias formas de expressão, — mesmo que através do cinema com seus pastiches —, para aqueles que tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, se mostra como um inominável portal de possibilidades de retomada de consciência. O que se mostra como um absurdo para a mente lógica, racional, cartesiana, sempre presa aos seus conceitos, achismos, conhecimentos, tradições, mente esta é que sempre vitimada por medos, ansiedades, ceticismo e dúvidas, para a mente que sofre a ação direta de um poderoso insight de uma Inteligência amorosa e criativa, tudo é possível, tudo é graça, tudo é arte. Desde os primórdios da humanidade, tem sido pela arte que o homem tem tentado transmitir ao coletivo, suas percepções da realidade; no entanto, quando o pensamento psicológico condicionado entra em cena, com seu poder de corrupção, de fragmentação divisória, a mesma arte que tinha com princípio básico a elevação humana, torna-se fonte de maiores condicionamentos enclausurantes , portanto, conflitantes.

Finalizando, para mim, Argo demonstra também que, a origem da verdadeira Inteligência, se mantém sempre em anonimato, não tendo como ser organizada pela rede do pensamento condicionado.

Fraterabraços!

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill