“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Que fácil é destruir aquilo que amamos!

Que fácil é destruir aquilo que amamos! Quão rapidamente se interpõe entre nós uma barreira, uma palavra, um gesto, um sorriso! A saúde, o humor e o desejo projetam uma sombra, e o que era brilhante, se torna opaco e opressivo. Desgastamo-nos pelo trato e pelo costume, e aquilo que resultava nítido e claro, se torna tedioso e confuso. A causa da fricção constante, a esperança e a frustração, o que era belo e sensível se converte em temível e expectante. A relação é complexa e difícil, e poucos saem dela ilesos. Embora gostaríamos que fosse estática, duradoura, contínua, a relação é um movimento, um processo que deve ser profunda e plenamente compreendido e não ajustado a um padrão interno ou externo. O ajuste, que é a estrutura social, perde seu peso e sua autoridade só quando há amor. O amor na relação é um processo purificador, posto que revela as modalidades do eu. Sem esta revelação, a relação muito pouco significa.

Mas, como lutamos contra esta revelação?  A luta adota muitas formas: dominação ou submissão, temor ou esperança, inveja ou aceitação, e assim sucessivamente. A dificuldade está em que não amamos; e se amamos a alguém, queremos que esse amor funcione de um modo particular, não lhe damos liberdade. Amamos com nossas mentes e não com nossos corações. A mente pode modificar-se, mas o amor não. A mente pode fazer-se invulnerável, porém, o amor não; a mente pode sempre isolar-se, ser exclusiva, tornar-se pessoal ou impessoal. O amor não pode ser comparado nem se lhe podem impor limitações. Nossa dificuldade radica nisso que chamamos amor e que na realidade pertence a mente. Preenchemos nossos corações com as coisas da mente e assim os mantemos sempre vazios e expectantes. É a mente que se apega, que inveja, retém e destrói. Nossa vida está dominada pelos centros físicos e pela mente. Nós não amamos e o ficamos ai, senão que ansiamos ser amados; damos com o fim de receber, o qual é a generosidade da mente e não do coração. A mente está buscando sempre certeza, segurança, e pode a mente assegurar o amor? Pode a mente, cuja essência mesma é do tempo, capturar o amor, o qual é a sua própria eternidade?

Mas, mesmo o amor do coração tem seus próprios truques; temos corrompido tanto o nosso coração que este se tornou vacilante e confuso. Isto é o que faz com que a vida seja tão penosa e aborrecida. Por um momento acreditamos que temos amor, e no momento seguinte o perdemos. Chega-nos uma força imponderável que não é da mente e cuja origem não podemos desentranhar. Esta força é outra vez destruída pela mente; porque nesta batalha a mente parece invariavelmente vencedora. Este conflito interno não pode ser resolvido nem pela mente astuta nem pelo vacilante coração. Não há meios, não há método algum para colocar fim a este conflito. Mesmo a busca de um meio é outro impulso da mente para ser a senhoria, para apartar o conflito a fim de estar em paz, de ter amor, de “chegar a ser” alguma coisa.

Nossa maior dificuldade está em perceber, de maneira ampla e profunda, que não há nenhum meio para amar se esse amor é um objetivo desejado pela mente. Quando compreendemos isto a fundo, de verdade, então, existe uma possibilidade de receber algo que não é deste mundo. Sem o contato desse algo, seja lá o que for que façamos, não pode haver uma felicidade duradoura na relação. Se você recebeu esta benção e eu não, é natural que ambos estejamos em conflito. Você pode não estar em conflito, porém, eu estarei; minha pena e minha dor farão com que me isole. A dor é tão exclusiva como o prazer, e até que não exista esse amor que nada pode fabricar, a relação seguirá sendo penosa. Se existe a benção desse amor, você não pode senão amar-me, seja lá o que for, porque então você não modela o amor conforme a minha conduta. Quaisquer que sejam os truques que a mente possa jogar, ambos estamos separados; ainda que possamos estar em contato um com o outro em alguns aspectos, a integração não pode sê-lo com você, se não que há de estar dentro de mim. Esta integração não é produzida em nenhum momento pela mente; surge só quando a mente está por completo silenciosa, quando tenha chego ao limite de suas próprias possibilidades. Só então não há dor na relação.

Krishnamurti – Comentários sobre o Viver — Primeira Série
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill