“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Sobre o funcionamento da mente

PERGUNTA: Porque vossos ensinamentos são puramente psicológicos? Não contêm cosmologia, nem teologia, nem ética, nem estética, nem sociologia, nem ciência política, nem mesmo higiene. Porque vos concentrais exclusivamente na mente e seu funcionamento?

            KRISHNAMURTI: Por uma razão muito simples, meu Senhor. Se o pensante pode compreender a si mesmo, o problema inteiro está resolvido. Ele é então criação, ele é então realidade; e, então, o que faz não será anti-social. A virtude não é um fim em si mesma; a virtude traz a liberdade, e só pode haver liberdade, quando o pensante, que é a mente, deixa de existir. É por essa razão que uma pessoa precisa compreender o processo da mente, o “eu” o feixe de desejos que cria o “eu”: minha propriedade, minha esposa, minhas idéias, meu Deus. Por certo, é porque o pensante está tão confuso que as suas ações são confusas; é porque o pensante está confuso que busca a realidade, a ordem, a paz. Porque o pensante está confuso, porque é ignorante, deseja conhecimento; e porque o pensante está em contradição, em conflito, cultiva a ética, para controlá-lo, guiá-lo, ampará-lo. Assim, se posso compreender a mim mesmo, que sou o pensante, está perfeitamente resolvido o problema, não é verdade? Não serei então anti-social, não serei rico e não explorarei os pobres, não desejarei coisas e mais coisas, produzindo conflito entre os que têm e os que não têm. Não terei então casta, nem nacionalidade, não haverá separação entre um homem e outro homem. Amaremo-nos então uns aos outros, seremos bondosos. Assim, o que importa não é a cosmologia, nem a teologia, nem a higiene — embora a higiene seja necessária, e a cosmologia e a teologia inúteis; o que importa é que eu me compreenda a mim mesmo, o pensante.
            Ora, é o pensante diferente do seu pensamento? Se cessa o pensamento, onde fica o pensante? Pode a qualidade ser retirada do pensante? Se fossem retiradas as qualidades do pensante, do “eu”, continuaria ele a existir? Assim os pensamentos são o pensante, não estão separados. O pensante separou-se de seus pensamentos para proteger-se; porque pode então modificar os pensamentos, de acordo com as circunstâncias, e ao mesmo tempo permanecer destacado como “o pensante”. No momento em que o pensante começa a modificar-se, deixa de existir. Por isso, um dos estratagemas da mente é o de separar o pensante dos pensamentos, e ocupar-se então com os pensamentos, com a maneira de modificá-los, mudá-los, transformá-los — sendo tudo isso um logro, uma ilusão. Porque não há pensante, se não há pensamento, e a simples modificação dos pensamentos não elimina o pensante. Essa é urna das maneiras hábeis que o pensante tem de se proteger a si próprio, de dar permanência a si próprio; ao passo que os pensamentos são impermanentes. É assim que o “eu” se perpetua; mas o “eu” não é permanente, seja o “eu” superior, seja o “eu” inferior: tanto um como o outro estão nos domínios da memória, nos domínios do tempo.
            A razão, por que dou tanta importância e tanta urgência à psicologia da mente, é que a mente é a causa de toda ação; e se, sem a compreendermos, ficarmos apenas a reformar, a remendar, a cercear as ações superficiais, fazemos com isso obra de multo pouca valia. É o que vimos fazendo há gerações, produzindo confusão, loucura e miséria pelo mundo. Precisamos, por isso, descer à própria raiz do problema da existência, da consciência, que é o “eu”, o pensante. E sem se compreender o pensante e suas atividades, meras reformas superficiais da sociedade nenhuma significação têm — pelo menos não a têm para o homem verdadeiramente sincero e interessado. Eis porque cumpre que cada um de nós procure saber aquilo a que dá mais importância: se ao superficial, exterior, se ao fundamental. Porque, senhores, com o mundo empolgado como está da sanha de massacrar, de destruir, de jogar os homens uns contra os outros, sem dúvida chegou a hora de aqueles que são de fato sinceros, determinados, atacarem o problema radical e profundamente, em vez de cuidarem de reformas e aparos superficiais. Tal a razão por que precisais descobrir por vós mesmos aquilo a que deveis dar mais importância, sem depender, para isso, de outra pessoa. Se derdes importância, unicamente, à psicologia do pensante, porque eu o faço, sereis nesse caso imitadores e podeis ser persuadidos a imitar outro qualquer, quando o imitar-me não mais vos convier. Precisais, pois, pensar neste problema, com todo o empenho, muito profundamente, e não ficar esperando que outro venha dizer-vos a que deveis dar mais importância. Tudo isso, sem duvida, é muito evidente e muito claro. A religião organizada, o partido e a política das potências, o socialismo, o capitalismo, o comunismo, todos falharam, porque não cuidam da natureza fundamental do homem. Só lhes interessa cercear as influências ambientes; e que valor tem isso quando o homem, interiormente, está enfermo, doente e confuso? Um bom médico, por certo, não se interessa apenas pelos sintomas. Os sintomas são cinicamente sinais. Ele vai à causa, erradicando-a. Assim, o homem que tem empenho tem de ir à causa, e não jogar com palavras, superficialmente; e a causa fundamental desta miséria que reina no mundo é a falta de compreensão do processo de nós mesmos. Não queremos implantar a ordem dentro em nós, cuidando apenas da ordem externa.
            Haverá ordem externa quando houver ordem interna, porque o interior sempre prevalece sobre o exterior. As sim sendo, é evidente que se deve realçar a importância do processo psicológico, com tudo o que ele implica.
            Quando uma pessoa se compreende a si mesma, encontra a felicidade e a paz, e um homem feliz não vive em conflito com o seu próximo. Só o homem infeliz, o homem ignorante, vive em conflito; suas ações são anti-sociais, e em toda parte aonde vai causa sofrimento e mais conflito. Mas um homem que se compreende a si mesmo, vive em paz, e por conseguinte as suas ações são pacificas.
            Krishnamurti – 22 de fevereiro de 1948 – Da Insatisfação à Felicidade
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill