“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Pode a mente ser não-mecânica?

Como pode a mente, que é o único instrumento que possuímos, ser não-mecânica? Em primeiro lugar, quantos de nós já fizemos esta pergunta? Ou, quantos de nós estamos cônscios deste problema? Muito poucos. Agora, eu o apresento para vocês, e que estão cônscios dele, qual é a reação de vocês? Observo todo este processo e sei de alguma coisa mais? Não sei, evidentemente. Isto é, se eu dissesse que há alguma coisa mais, essa coisa seria ainda um processo de pensamento, que é uma mera projeção do passado no presente. Este problema é muito complexo, porque nele está compreendido todo o processo de dar nome, a aplicação de símbolos, a importância das palavras, não só neurologicamente, mas também psicologicamente, não só no nível consciente, mas também no nível mais profundo. Eis o fator de degeneração. 

Pode deter-se a mente que está tão habituada a funcionar mecanicamente? Esse mecanismo tem de parar, antes que vocês possam achar uma resposta. Se "projetam" a resposta, de acordo com Marx, de acordo com o Bhagavad Gita, são então repetitivo e destrutivo. Pode parar a mente que funciona há séculos? O "eu" é o resultado de todo o ser humano, ou, melhor, de toda a espécie humana, e a mente é o envoltório do "eu". Pode parar esse processo da mente, esse mecanismo tão astucioso, tão voraz, tão intensamente exigente, tão poderoso? Isto é, pode ele findar? Se não pode, não acharão a resposta. 

Se utilizam a mente, estão apenas dando continuidade ao pensamento como meio de alcançar alguma coisa. Tenham a bondade de observar. Se estão cansados, não continuem a escutar. Se não estão cansados, observem, apenas. Pode esse mecanismo que tem funcionado através de gerações, através de séculos, deter-se voluntariamente, isto é, sem ser forçado, sem ser constrangido, compelido? Quando um homem é constrangido, sua reação será de persistência no mesmo estado, e, portanto, uma reação de pensamento. 

Como poderá a mente findar-se? Eis uma questão importante, mas vocês não sabem como resolvê-la. A mente precisa ser detida, a fim de que possa saltar para o outro lado. Vocês não podem deixá-la funcionar mecanicamente, e dar o salto. No conjecturar é o passado que está reagindo, e não há nada de novo. A mente mecânica nunca achará algo novo. A mente tem de terminar. Mas, como é possível isso? Está certa esta pergunta? O "como" é importante. Conseguem me acompanhar? 

Sabemos que a mente é mecânica; logo em seguida vem a reação "como detê-la?" No momento em que fazem esta pergunta, a mente se torna mecânica. Estão percebendo? Isto é, desejo um resultado, tenho os meios para alcançá-lo e ponho em prática esses meios. Que aconteceu? O "como" é a reação da mente mecânica, reação do velho; e o seguir e praticar o "como", é a continuação da máquina. Vejam como se tornou falso o nosso pensar. estamos sempre preocupados com o passado, o "como", a maneira, a prática, etc. Estão vendo o processo. O "como" é vazio, e a mente indagadora se transforma, com efeito, na velha mente repetitiva, pela prática desse "como".

Há dois estados mentais diferentes: o que segue o "como" e o que investiga sem procurar um resultado. A mente que investiga e prossegue em sua indagação, só nos poderá ser útil. Investigar e visar a um resultado são dois estados inteiramente diversos. Pois bem. Qual é o estado da mente de vocês: o de buscar um resultado ou o de investigar? Se estão em busca de resultado, estão apenas agindo mecanicamente. Nesse caso, nunca haverá um fim. Isso leva à deterioração e à destruição, é óbvio. 

A mente de vocês está de fato investigando, com o fim de encontrar a resposta sobre se a mente pode terminar, e não com o fim de descobrir "como" fazê-la terminar? O "como" é inteiramente diferente do "pode". Pode a mente terminar? Já fizeram esta pergunta para si mesmos? Se já a fizeram, com que motivo, com que intenção, com que fim a fizeram? Isso é muito importante. Se fizeram a pergunta "pode a mente terminar?", tendo por motivo o desejo de um resultado,  do qual estão bem cônscios, então, nesse caso, estão de novo no processo mecânico. Precisam, pois, ser extraordinariamente vigilantes e sutis, para poderem responder a esta pergunta — não para mim, para si mesmos.  Se realmente fizerem a pergunta sem a intenção de ver o que acontece, se investigarem, verão que a mente de vocês não estará à procura de um resultado, mas, sim, esperando uma resposta; não estará especulando sobre a resposta; não estará desejando a resposta; não estará ansiando pela resposta; estará simplesmente à espera. 

Vejam, lhes faço uma pergunta: qual é a reação de vocês? A reação imediata é a de pensar, de raciocinar, de olhar, de descobrir um argumento inteligente, para responder. pergunta e resposta são uma ação psicológica diariamente observável, verbal e psicologicamente. Isto é, não estão respondendo, estão reagindo, estão apresentando razões; em outras palavras, estão procurando uma resposta. Quando desejam achar uma resposta para uma pergunta, a reação é mecânica, diferente do estado de espera. isto é, a mente que fica à espera de uma resposta, não é mecânica, pois a resposta tem de ser algo que se desconhece; a resposta que se conhece é mecânica. Mas se vocês se fazem a pergunta e ficam "esperando" a resposta, verão que a mente de vocês se acha, então, num estado inteiramente diferente. Esperar é mais importante do que responder. Estão compreendendo? Aí a mente já não é mecânica, mas um processo inteiramente diferente; é uma coisa inteiramente nova, que surge na existência, sem ter sido solicitada. 

Krishnamurti em, Quando o Pensamento Cessa
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill