“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Breve definição de iluminação

Iluminação é uma simples realização de que tudo é como deve ser. Essa é a definição de iluminação: tudo é como deve ser, tudo está inteiramente perfeito assim como é. Esse sentimento… e você está subitamente em casa. Nada está faltando. Você é parte, uma parte orgânica desse tremendo e belo todo. Você está relaxado nele, rendido nele. Você não existe separadamente – toda separação desapareceu. Um grande regozijo acontece, pois com o desaparecimento do ego não resta nenhuma preocupação, com o desaparecimento do ego não sobra nenhuma angústia, com o desaparecimento do ego não há mais qualquer possibilidade de morte. Isso é o que iluminação é.

É o entendimento de que tudo é bom, que tudo é belo – e isso é lindo assim como é. Tudo está em tremenda harmonia, de acordo.

(Osho)

Não se para a mente criando outra mente

Seus pensamentos não possuem quaisquer raízes, eles não têm nenhum lar; eles perambulam exatamente como nuvens. Assim você não precisa combatê-los, você não precisa ser contra eles, você não precisa nem mesmo tentar parar os pensamentos.

Isso deve tornar-se um profundo entendimento em você, pois sempre quando uma pessoa se interessa por meditação ela começa tentando parar de pensar. E se você tentar parar os pensamentos estes nunca serão parados, porque o próprio esforço de parar é um pensamento, o próprio esforço de meditar é um pensamento, o próprio esforço de alcançar o estado búdico é um pensamento. E como você pode parar um pensamento com outro pensamento? Como você pode parar a mente criando outra mente? Depois você ficará apegado a esta outra mente. E isso vai continuando…até enjoar; depois não há nenhum fim para isso.

Não lute – pois quem irá lutar? Quem é você? Apenas um pensamento, assim não faça de si mesmo um campo de batalha de um pensamento combatendo outro. Ao invés disso, seja uma testemunha, você apenas observa os pensamentos flutuando. Eles param, mas não pelo seu parar. Eles param pelo seu ficar mais cônscio, não por qualquer esforço de sua parte para pará-los.

( Osho )

A insegurança inicial de sustentar o próprio ritmo

Como sentir unidade no meio de tanta diversidade?

O nosso mundo, teu e meu, é a imagem da nossa consciência. Se esta nossa consciência estiver repleta de verdade, então se manifestam em nosso mundo ordem, harmonia, prosperidade, paz, alegria, poder e domínio. Mas, se em nossa consciência não estiver presente a verdade, e sim conceitos de valores materiais e ideologias mundanas, então o nosso mundo assumirá o colorido do acaso, da instabilidade e do caos, que caracterizam os conceitos dos mundanos. Todas as circunstâncias refletem a atividade da consciência do respectivo homem. 

O teu mundo está contido em tua consciência; é o reflexo da tua conscientização, porque a tua consciência é que governa o teu mundo. O conhecimento que tens da verdade se torna lei para o teu mundo; mas, por outro, também o teu desconhecimento da verdade se torna lei para o teu mundo. Assim, por exemplo, não existe nenhuma lei das trevas, porquanto, como sabemos, a luz dissipa as trevas; a presença da luz é a ausência das trevas. Mas, na ausência da luz, as trevas firmariam a sua (suposta) presença. Da mesma forma, na ausência da verdade em tua consciência, estariam presentes em ti a ignorância, mentiras, ilusões, confusão e desarmonia. Por isto, em face da deficiente atividade da verdade em tua consciência, o teu mundo será o reflexo de casualidades, de sorte fortuita, de opiniões humanas, conceitos sobre medicina, convicções astrológicas. Mas a verdade, quando atua em tua consciência, se torna em lei de harmonia para a totalidade do teu mundo, e tudo que te concerne espelha essa harmonia da tua consciência. 

Suponhamos que te encontres numa sala cheia de pessoas com as quais tenhas de tratar por esta ou aquela razão, falando-lhes, instruindo-as ou trabalhando para elas. Aos teus olhos, representam essas pessoas uma miscelânea de formas e fenômenos — bons e maus, sadios e doentes, ricos e pobres. Como poderás sentir unidade no meio de tanta diversidade? Para que te sintas unido a alguma dessas pessoas, terás de entrar em contato, antes de tudo, com o espírito dentro de ti mesmo e ter consciência da tua própria inteireza; terás de sentir a presença do Pai¹ dentro de ti; e depois, com espontânea naturalidade, entrarás em contato com todos aqueles que tua consciência abrange.

Joel Goldsmith                

(¹) Pai = Princípio Amoroso Integrativo 

A inteligência do "Choque Psíquico"

Gurdjieff disse: "Você não é nada, apenas o corpo, e quando o corpo morre, você vai morrer também. Só de vez em quando é que uma pessoa sobrevive – só aquele que criou a alma em sua vida sobrevive à morte – não todos. Um Buda sobrevive; um Jesus sobrevive, mas você não! Você simplesmente vai morrer, nem mesmo um traço seu será restará".

O que Gurdjieff está tentando dizer? Ele estava provocando um choque em suas próprias raízes, ele estava tentando tirar todo o seu consolo e suas teorias tolas que lhe fazem adiar o trabalho sobre si mesmo. Agora, dizer às pessoas: "Você não tem alma, você é como um legume, apenas um repolho ou talvez uma couve-flor – uma couve-flor é um legume com uma educação universitária – Mas nada mais do que isso. Ele era realmente um mestre por excelência. Ele estava tirando o próprio chão de debaixo dos seus pés. Ele estava lhe dando um choque tão grande que você era obrigado a pensar sobre toda a situação: você quer continuar a ser um repolho? Ele estava criando uma situação para você na qual a única saída seria você procurar sua alma, afinal, quem quer morrer?

E a idéia de que a alma é imortal tem ajudado as pessoas a se consolar com o fato de que eles não vão morrer, que a morte é apenas ilusória, apenas um longo sono, um sono reparador, e você vai nascer de novo. Gurdjieff diz: "Tudo bobagem. Isso tudo é um absurdo! Morto, você está morto para sempre, a menos que você tenha criado uma alma..."

Agora veja a diferença: foi lhe dito que você já tem uma alma e Gurdjieff muda totalmente este conceito. Ele diz: "Você não tem uma alma, mas apenas uma chance de te-la. Você pode usá-la, ou você pode perdê-la".

E eu gostaria de dizer-lhe que Gurdjieff estava apenas usando um dispositivo. Não é verdade. Todo mundo nasce com uma alma. Mas o que fazer com as pessoas que têm utilizado consolações como verdades? Um grande mestre às vezes tem que mentir – e só um grande mestre tem o direito de mentir – apenas para retirá-lo do seu sono diário."

(Osho)

Krishnamurti não nega a existência de Deus

Pergunta: Como encontrastes Deus?

Krishnamurti: Como sabeis, senhor, que eu encontrei Deus? Não riais, senhores. Esta pergunta é muito séria. Senhor, Deus pode ser conhecido? Deus pode ser achado? Prestai atenção, por favor. Deus é uma coisa que anda perdida e que temos de achar? Pode-se reconhecer aquela Realidade, aquele Deus? Se podeis reconhecê-la, então já tendes conhecimento dela; e se já tendes conhecimento dela, não é coisa nova. Se sois capaz de conhecer (experience) Deus, a Verdade, essa experiência é gerada pelo passado, e por conseguinte já não é a verdade e, sim, meramente, uma “projeção” da memória. A mente é produto do passado, do conhecimento, da experiência, do tempo; a mente pode criar Deus; ela pode dizer: “sei que isto é Deus”, “sei que tive a experiência de Deus”, “sei que há Deus, a voz de Deus me fala”. Mas isso é só memória, - a antiga reação do vosso condicionamento. A mente pode inventar Deus e pode experimentar Deus. A mente que é resultado do conhecido pode “projetar-se” e criar toda a sorte de imagens e visões; tudo isso, porém, se acha na esfera do conhecido. Deus não pode ser conhecido. Ele é totalmente desconhecido. Não pode ser “experimentado”. Se quando não há “experimentador” e não há “experiência”, só então pode a Realidade aparecer. É só quando a mente se acha no “estado do desconhecido” que pode surgir o desconhecido. Só depois de se apagar toda experiência, todo conhecimento, está a mente verdadeiramente tranquila, silenciosa, e nessa tranqüilidade, que é imensurável, nessa tranqüilidade, nasce Aquilo que não tem nome.

J. Krishnamurti - AS ILUSÕES DA MENTE (páginas 55, 56) 14 de fevereiro de 1954

A saída da mente está na porta do coração

A porta abre para a realidade não por intermédio da mente, mas por intermédio do coração.

O maior problema que o homem moderno enfrenta é que a mente é extremamente treinada e o coração, completamente negligenciado — não apenas negligenciado, mas condenado também. Os sentimentos não são permitidos, são reprimidos. O homem de sentimento é considerado fraco; o homem de sentimento é considerado infantil, imaturo. O homem de sentimento é considerado antiquado — primitivo. São tantas as condenações do sentimento e do coração que, naturalmente, a pessoa fica com medo dos sentimentos. Ela começa a aprender como se desligar dos sentimentos e, aos poucos, o coração é simplesmente ignorado; a pessoa passa diretamente para a cabeça. Pouco a pouco o coração vai se tornando apenas um órgão que bombeia o sangue, purifica o sangue, e nada mais.

Na história da humanidade, pela primeira vez o coração está se reduzindo a algo absolutamente fisiológico — ele não é! Oculto por trás da fisiologia do coração está o verdadeiro coração —, mas esse coração verdadeiro não faz parte do corpo físico, por isso a ciência não pode descobri-lo. Será preciso aprender sobre ele com os poetas, os pintores, os músicos, os escultores. E, finalmente, a chave secreta está nas mãos dos místicos. Mas, depois que você descobre que existe uma câmara no interior do seu ser — sem nenhum contato com a educação, a sociedade, a cultura; totalmente livre do Cristianismo, do Hinduísmo, do Islamismo, completamente apartada de tudo o que tem acontecido aos seres humanos modernos, ainda virgem — depois que faz contato com essa fonte do seu ser, você passa a viver a sua vida num outro plano.

Esse plano é divino. Viver na mente é o plano humano, viver abaixo da mente é o plano animal. Viver além da mente, no coração, é o plano divino. E o coração nos conecta ao todo. Essa é a nossa conexão.

Todas as meditações que tenho aconselhado têm uma única finalidade: transferi-lo da cabeça para o coração, tirá-lo da mira da cabeça e apresentá-lo à liberdade do coração, fazê-lo tomar consciência de que você não é apenas a cabeça.

A cabeça é um belo mecanismo; use-a, mas não seja usado por ela. Ela tem de servir aos seus sentimentos. Quando o raciocínio começa a servir aos sentimentos, tudo fica equilibrado. Uma grande tranquilidade e uma grande alegria emanam do seu ser, e elas não vêm de fora, mas das suas próprias fontes interiores. É algo que jorra, que transforma você, e não só você — deixa-o tão luminoso que qualquer um que entre em contato com você terá uma amostra de algo desconhecido.

OSHO

Entrevista com Krishnamurti

O "Boletim Internacional da Estrela", editado no Brasil, número de agosto de 1928, publicou uma "Entrevista com Krishnamurti", que teve lugar em Londres, a 20 de junho do mesmo ano. Os trechos abaixo são aqui de particular importância:

"Pergunta: Numerosos jornais da América relataram recentemente que havíeis declarado não serdes o Instrutor, porém somente a voz o Instrutor. Devemos tomar isso como sendo a vossa atitude?

Krishnamurti: Não, senhor, receio que eles estejam inteiramente errados. Não se pode dar explicações a alguém que nos defronte sem ter idéia daquilo de que se trata, sem ser mal compreendido. (pág. 20)

Pergunta: Qual é, pois, a realidade, do vosso ponto de vista?

Krishnamurti: A realidade é que eu sou o Instrutor.

Pergunta: Como surgiu a confusão?

Krishnamurti: Eles entenderam mal o que se pretende indicar pela idéia do "veículo do Instrutor". Confundem-se com isso (...). (pág. 20)

Pergunta: Como aconteceu que vários jornais fizeram distinção entre a personalidade de Krishnamurti e o Instrutor?

Krishnamurti: Senhor, eu o tenho dito muitas e muitas vezes (...) Krishnamurti, como tal, não mais existe. Assim como o rio entra no oceano e nele se perde, assim Krishnamurti entrou naquela Vida que se acha representada por alguns como o Cristo, por outros como o Buddha, (...) o Senhor Maitreya. Assim, Krishnamurti (...) entrou nesse Oceano de Vida e é o Instrutor (...) (pág. 20)

Pergunta: Haveis dito que sois o Buddha, o Cristo, o Senhor Maitreya (...) Como pode ser isto?

Krishnamurti: Sustento que todos os Instrutores do mundo atingiram essa Vida que é finalidade da mesma. Daí, sempre quando qualquer ser entra nessa Vida, que é a culminação de toda a vida, então, ipso facto se torna o Buddha, o Cristo, o Senhor Maitreya, pois que ali não mais existe distinção. (...)" (pág. 21)

Referências ao Senhor Buddha são feitas também por Krishnamurti na obra "O Reino da Felicidade", nos seguintes termos:

"O Mestre é de todos, Ele é o Amante do Mundo, e nunca ficará satisfeito com dar o seu conhecimento e amor a alguns apenas. Ele vem para todos. Ele anseia por despertar a beleza e a felicidade da vida em todos, (...) os que tivermos acendido a candeia do gênio em nós mesmos, tanto melhor poderemos entender, seguir e servir."

Eu falei a respeito do Buddha e seus discípulos, e (...) aqueles discípulos não podiam ter sido homens ordinários; eles eram exceções, (...) dando amor aos que necessitavam de abrigo nas grandes alturas. Por isso, os que entendiam o grande Mestre, respiravam o mesmo ar perfumado e viviam no mundo dEle, puderam dar ao mundo uma parte daquela eterna beleza. (...)" (pág. 16-17)

Outro trecho da mesma obra (O Reino da Felicidade), adiante, não esclarece se a menção diz respeito ao Senhor Buddha ou ao Senhor Maitreya (Cristo):

"Ansiava por chegar ao meu Guru, meu amor, meu Gênio, minha fonte de Felicidade; e, como já de outra vez na Índia eu O vi, mas não quando estava lutando ou tentando aproximar-me dEle, mas sim quando estava em meu natural e no meu íntimo refervia uma fonte de felicidade."

Segue: "Eu o vi enchendo o céu, as folhas da relva, eu O vi em toda a extensão da árvore, eu O vi no seixo, eu O vi em toda parte, eu O vi em mim mesmo. E dessarte o meu templo estava repleto, o meu Santo dos Santos estava completo. Eu era Ele e ele era eu mesmo, e essa era a Verdade para mim". (pág. 27)

Krishnamurti revela que o plano Divino constitui a fonte da Vida Una. Lá não mais se verifica distinção entre os Seres que, a partir desse nível, transmitem Sabedoria, Amor, Energia. Ele expressa isso nos textos abaixo:

"Mas, (...) vós estais enamorados de rótulos, e não da Verdade. Como é possível dividir a Vida em Instrutor Universal e Bodhisattva? (...) Percebeis o que esta pergunta implica? O que vos agrada atribuís ao Bodhisattva; e que vos desagrada atribuís ao Instrutor Universal ou - quem sabe? - a Krishnamurti." ("Que o Entendimento seja Lei", pág. 13)

"(...) Se desejais compreender o cume da montanha, deveis deixar o vale, e não permanecer nele, adorando, de longe, o alto da montanha. Amigo, não vos preocupeis sobre quem eu seja; vós nunca o sabereis. Não desejo que aceiteis coisa alguma do que vos digo. (...)" (idem, pág. 15)

"Uni-vos com a Vida e vos unireis com todas as coisas. (...) Se estais enamorado da Vida, então vós vos unireis com a Vida, quer a chameis Buddha ou Cristo ("Que o Entendimento seja Lei", pág. 19)

"O Buddha, o Cristo, e outros grandes Instrutores do mundo, foram ter à fonte da Vida. (...) Uma vez conhecendo a natureza e a suprema grandeza da Fonte, Eles mesmos se tornaram essa Fonte, o Caminho e a Encarnação da Sabedoria e do Amor. Essa deveria ser a nossa finalidade. (...)" ("O Reino da Felicidade", pág. 54-55)

Na obra de Krishnamurti "A Canção da Vida" (4ª Ed, ICK 1982), lê-se também:

"Dessa Vida, imortal e livre,

Eu sou a eterna fonte; (VI, pág. 17)

Eis a Vida que eu canto.

Ali está a unidade de toda a Vida,

Ali está a silenciosa Fonte, (X, pág. 20)

Que nutre os vertiginosos mundos.

Ó vida, ó amado,

Só em ti está o perene amor,

Só em ti reside o eterno pensamento." (XXV, pág. 43)

Em resumo, os dados supra, juntamente com os que seguem, permitem compreender a expressão que ele tem usado para elucidar quem ele é, e a origem dos seus ensinamentos: "não vos preocupeis sobre quem eu seja; vós nunca o sabereis."

O Senhor Maitreya (Mestre universal), conforme a obra citada, de Mary Lutyens ("Krishnamurti - Os Anos do Despertar"), teria começado a manifestar-se através de Krishnamurti a partir de 1925 (a primeira vez em 28-12-1925) por ocasião do Congresso da Estrela, em Adyar, Madrasta, Índia (pág. 226-227, 242, 278, 287, 296-298).

A presença do Senhor Maitreya (Cristo) em Krishnamurti é também referida na obra "Krishnamurti - Los Anõs de Plenitud" (Ed. Edhasa, Barcelona, 1984, pág. 12, 13, 14 e 15.

Geoffrey Hodson, autor de numerosas obras teosóficas, de pesquisa clarividente, no seu livro "Thus have I heard" (Assim Tenho Ouvido), cap. XII - Fulgurações num camp-fire, relata o que fora observado por pessoas capacitadas a ver no plano Astral, presentes ao Acampamento de Ommen, Holanda, em agosto de 1927.

Depois de citar numerosas entidades excelsas, presentes, da Grande Hierarquia que governa a Terra, descreve o que segue em relação a Krishnamurti (também conhecido como Krishnaji):

"Quando ele fala, o espírito de Cristo desce, como uma grande inspiração coletiva, para as mentes e os corações de todos. Ela se aproxima mais e mais numa grande nuvem anular de luz dourada. Adeja sobre nossas cabeças, desce ainda mais, delicada e lentamente, como tépida chuva de verão, até que todos ficam envoltos numa paz, beleza e amor que a ninguém exclui.

Noite após noite, quando ele cessa de falar, ocorre um milagre. Duas mil e setecentas pessoas permanecem na mais absoluta quietude. Naquele silêncio, o esplendor dos esplendores revela-se aos nossos olhos. A figura do Senhor aparece acima da cabeça de Krishnaji. Mais profundo é o silêncio. Estamos todos envolvidos pelo seu amplexo, cheio de ternura e compaixão. Ainda mais próximo está o Senhor."

Eu te compreendo

E-mail para um confrade iniciante

Olá Eduardo, tudo bem? No momento estou sem muito tempo para escrever um e-mail mais extenso, compartilhar minha história e tentar lhe dar um sopro mais profundo nessa sua busca por uma paz de espírito do seu Ser, mas deixo aqui o meu contato na assinatura do e-mail para me adicionar no Skype ou no Facebook para poder conversar a qualquer hora.

Descobri o blog do Pensar Compulsivo na semana passada e foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida. Já rodei muita igreja por aí e muita busca por paz, em drogas, loucuras, crenças externas, na necessidade de aceitação e aprovação dos outros e por aí vai.

Mas no fim, nada disso faz sentido quando não estamos alinhados com o nosso próprio propósito de viver, com a energia Superior que se manifesta dentro do nosso Ser. Se não houver esse alinhamento partindo da nossa consciência, de encarar nossos medos, nossas angústias, nossos egos, não terá nada externo que irá nos trazer felicidade. Seja a mulher gostosa que você tá pegando, a melhor droga, o uísque mais caro, o emprego dos sonhos, o carro do ano, a viagem tão desejada, as mentiras que contamos, tudo isso é ilusão. A verdade é simples e está dentro de nós mesmos, basta ter coragem e admitir estar adormecido na ilusão, esse é um primeiro passo muito importante no início dessa busca.

Uma coisa que está muito latente no meu pensamento nesses últimos dias é "Só observar". Não tentar inventar desculpas ou tomar partido de ações precipitadas com base nessas ilusões que criamos para nós mesmos. Tendo este estado de atenção e de observação está me trazendo uma claridade de pensamento que não consegui atingir de nenhuma outra forma.

Participe das reuniões, compartilhe suas dores e absorva o sopro dos confrades Por mais que as experiências de vida sejam as mais variadas, você perceberá que são também muito próximas e que as nossas dores tem uma mesma origem: uma consciência adormecida em um mundo de ilusão criado por nós mesmos.

Fique em paz e acredite, você não está louco! Loucura é viver essa consciência adormecida sem querer encarar a verdade que está falando aí dentro do seu coração.

Acho que no fim, acabei escrevendo demais rsrs. Espero ter lhe ajudado no início dessa sua busca de consciência na qual também estou iniciando.

Abraço!

André F.

Sobre o medo da opinião de terceiros

Sobre a dificuldade do vazio absoluto

O espelho das relações e a autocobrança

Com os inconscientes a melhor resposta é o silêncio

Eu vivo no alto da montanha

[...]"Como chegou a esse estado de unidade com todas as coisas?"

"Muitas pessoas já me fizeram esta pergunta, e sinto sempre que esperam ouvir o relato dramático de algum milagre repentino que me tivesse tornado subitamente um só com o universo. Na verdade, nada disso aconteceu. Minha percepção interior sempre existiu, se bem que demorei a senti-la cada vez mais claramente, tendo também custado a encontrar palavras que a descrevessem. Não foi um repentino relâmpago, mas um esclarecimento constante, embora lento, de algo que sempre existiu. Não cresceu, como muita gente pensa. Nada que encerre alguma importância espiritual pode crescer dentro de nós. Já tem que se encontrar presente com toda a pujança e a única coisa que acontece é tornarmo-nos cada vez mais conscientes disso. É nossa reação intelectual e nada mais que necessita de tempo para tornar-se mais articulada, mais definida".

Na véspera de minha partida, quando chegamos ao nosso local favorito, sob os pinheiros do outeiro, senti que aquela era nossa última conversa. Comumente as despedidas trazem a meus lábios palavras que me sentiria acanhado de pronunciar em circunstâncias menos excepcionais. A presença de Krishnamurti, entretanto, excitou minhas faculdades emotivas sem fazer-me sentir como um tolo. "Krishnaji", disse pegando-lhe as mãos entre as minhas, "minha visita chega ao fim. Sou-lhe muito grato por estes maravilhosos dias. Entretanto, quero ainda falar-lhe sobre um assunto que já discutimos várias vezes."

"Que é? Não se sinta acanhado diga."

"Compreendo seu ponto de vista de que sua missão não é agir como um médico, não lhe sendo possível prescrever pílulas espirituais para as criaturas. Mas, ainda assim, diga-me: Como pretende você ajudá-las? Sei que deseja que todos vivam tão integralmente que se tornem verdadeiros e tão verdadeiramente que sejam capazes de se libertarem do espírito de posse, da inveja, da cobiça. Mas uma tal revolução interior exige força que só bem poucos possuem. Você o conseguiu, e encontra-se no topo de uma montanha na qual vive em estado de unidade com o mundo, o que significa em êxtase constante. Entretanto, você se esquece de que nós todos, milhões e milhões de seres, vivemos nas vastas planícies, ao pé da montanha. Poucos suportariam uma vida de êxtase contínuo. Ela os abrasaria; viver em permanente estado de percepção, coisa essencial, os destruiria. Compreendo que seja esse o alvo; compreendo que seja a única vida que valha ser vivida; mas não julgo que estejamos tão amadurecidos que possamos fazê-lo"

Krishnamurti chegou-se para bem perto de mim - como já fizera várias vezes antes - olhou profundamente em meus olhos e disse com sua voz melodiosa: "Você tem razão. Eles vivem nas planícies e eu vivo, como você disse, no alto da montanha; mas eu espero que aumente sempre o número de seres humanos capazes, de suportar o ar fresco do tope da montanha. Um homem infinitamente maior que qualquer um de nós teve que seguir seu caminho até chegar ao Gólgota, não importava se seus discípulos o podiam seguir ou não; não importava que sua mensagem fosse imediata ou tivesse de esperar por séculos. Como pode você esperar que eu tenha algo que ver com o que deve ser feito e como ser feito? Se alguém esteve no tope da montanha, já não pode voltar à planície. Pode apenas tentar fazer com que outros sintam a pureza do ar e gozem a vista infinita e se tornem uno com a beleza da vida ali".

Desta vez não havia tristeza na voz de Krishnamurti e, em seu olhos, percebia-se uma luz que era amor, compaixão, simpatia, que antes já me comovera várias vezes. Quando nos levantamos e subimos vagarosamente a colina que levava à sua casa, não havia nele o menor sinal de desânimo. O sol se deitava, e faixas de nuvens verdes e rosas se espalhavam por todo o céu. A noite desce rapidamente nessas regiões, e dentro de poucos minutos a luz desaparece. [...]

(Do livro de Rom Landau “God is my Adventure”.
Tradução de Marina Brandão Machado).

O espelho destruidor de imagens

É tudo ego e ninguém conhece a consciência

A repressão familiar diante a busca pessoal

A questão da rendição à algo maior que a mente

A mente adquirida vive da imitação

A graça e o amor de férias de verão

Das dificuldades iniciais com o Absurdo e a Graça

Só há vida quando no estado de Presença

Sobre o toque da graça

As pessoas não querem ser elas mesmas

A nostalgia original do Ser que somos

Do atual condicionamento militar

QUE PAÍS ÉS ESTE?........... e a elite branca aplaude e ainda pede bis...

O bem aventurado estado do toque místico da graça

O álcool e as drogas como amortecedores do sistema

Não adianta tomar remédio livresco

A graça desgraça o conformismo da normose

Como manter o estado de presença

Como observar a profunda natureza do pensamento?

Começando com um paradoxo fundamental do caminho místico, expresso pelo arqueiro zen que não olha para o alvo quando atira a flecha, um dos personagens de Heidegger faz uma observação a respeito da abordagem à contemplação: a natureza do pensamento só pode ser vista se não olharmos o pensamento.  Assim, precisamos nos afastar do nosso impulso de calcular, olhando para o céu ou para o outro lado das montanhas do nosso ser, para podermos nos tornar receptivos à profunda natureza do pensamento por baixo da função superficial do querer. E o segundo participante do diálogo responde: Em resposta à sua pergunta com relação ao que eu realmente desejava da nossa meditação a respeito da natureza do pensamento... eu quero não querer. Esse não-querer entra em ação quando deixamos de olhar para o alvo. Não podemos agarrar intencionalmente o não-querer, precisamos ser largados nele. O terceiro participante da conversa observa: você quer um não-querer no sentido de uma renúncia do querer, de modo que por meio disso possamos... nos libertar para a essência procurada de um pensamento que não é um querer. O pensador contemplativo não se apodera da essência do pensamento, sendo, ao contrário, liberado para a essência do pensamento. Essa distinção não é apenas um jogo de palavras. Se esperamos entender um significado particular, extraindo energicamente a essência do objeto, permanecemos então no nível do pensamento calculador.Até o uso da sintaxe comum, de um verbo e seu complemento, como Eu conheço a essência do pensamento, representa um envolvimento sutil com o modo de controle intencional. O pensamento contemplativo, ao contrário, é uma perfeita liberação, que é, fundamentalmente, a liberação com relação ao querer. O contemplativo não mais afirma, Eu conheço a essência, porém pondera, não quer conhecer, e sim aguardar a essência num perfeito não-saber. Importantes avanços culturais e científicos se desenvolveram a partir do querer ambicioso dos seres humanos para se apoderar de essências e, desse modo, controlar a energia, mas isso jamais nos liberará para a natureza da contemplação

A conversa triangular prossegue, cada pensador respondendo ao outro como instrumentos numa composição musical. 

Se ao menos eu já possuísse a liberação adequada, eu poderia logo me livrar da tarefa de afastar-me do querer. 
Até onde conseguimos nos afastar do querer, estamos contribuindo para o despertar da liberação. 
— Diga, em vez disso, para nos mantermos despertos para a liberação.

Encarar nossos esforços pessoais como estando contribuindo para o despertar da liberação significa envolvermo-nos no cálculo sutil. A frase mantermos-nos despertos para a liberação expressa com maior precisão esse despertar do modo contemplativo. É preciso perceber que já possuímos a liberação adequada, porque a tarefa de nos afastarmos da vontade é interpenetrada pelo próprio querer. O querer nunca pode transcender a vontade. A única maneira de nos livrarmos do querer é vivenciar a verdade de que a perfeita liberação já existe. Assim continua a conversa:

Não despertamos a libertação em nós mesmos por nós mesmos. 
— Por conseguinte, a libertação é influenciada por algum outro lugar. 
— Influenciada não, admitida. A libertação desperta quando nossa natureza é admitida para lidar com o que não é um querer.

Heidegger demonstra um cuidado constante de mudar a voz ativa para passiva, o sentido intencional de influenciar a libertação para o sentido contemplativo de ser admitido. Porém essa predileção do pensamento profundo pelo modo passivo no reino da linguagem não significa passividade no reino da ação. Isso se torna claro através da continuação da conversa dos três amigos enquanto vagueiam sem rumo pela trilha campestre: 

— Você fala em deixar como está e dá a impressão de querer se referir a uma espécie de passividade... Creio que compreendo que esta não é uma maneira de debilmente permitir que as coisas vaguem ao léu.
— Talvez uma ação mais elevada do que a encontrada em todas as ações do mundo esteja oculta na liberação. 
— E essa ação mais elevada ainda é não-atividade.

Apesar de emergir diretamente da tradição filosófica ocidental, o pensamento profundo de Heidegger evoca a ação destituída de ego dos contemplativos zen e taoístas, cujo perfeito relaxamento no meio da ação admite o fluxo do Tao, ou o não-querer, deixa-o estar de um modo que permite espaço para a imobilidade no centro de uma intensa atividade. É isso que Heidegger denomina liberação

Lex Hixon em, O Retorno à Origem - A Experiência da Iluminação Espiritual nas Tradições Sagradas

A contemplação é a nossa origem espiritual

Heidegger, o filósofo alemão, emerge das tradições filosófica grega e mística cristã.(...) Descreve a obsessão com a superfície do pensar que nos distrai do pensamento profundo como a mais perigosa condição do nosso tempo. Heidegger chama esse pensamento superficial de pensamento calculador, não por depreciar sua capacidade de organizar o nosso mundo, e sim prevenindo-nos do seu poder de absorver completamente a nossa energia e atenção. O pensamento calculador não é meramente um eufemismo para a abordagem da ciência empírica, caracterizando também qualquer processo de pensamento que vise dominar e manipular situações. Na superfície, os pensamentos religiosos e artísticos também são calculadores. Contudo, nem mesmo o empobrecimento do pensamento confinado à sua própria superfície não consegue privar a consciência humana da sua natureza essencialmente contemplativa. Nas palavras de Heidegger: Podemos ficar pobres de pensamento ou mesmo desprovidos de pensamentos somente porque o homem, no âmago do seu ser, tem a capacidade de pensar... está destinado a pensar... é um ser pensante, ou seja, um ser que medita

Segundo Heidegger, o pensamento profundo, em vez de organizar a energia, contempla o significado que reina em tudo que é. O modo contemplativo cura, acalma, fortalece. Ele abre a pessoa ao objeto primordial de toda contemplação, que Heidegger denomina Existência, cuja radiância, ou significado, reina em todos os lugares. O pensamento profundo não exclui o pensamento artificial, mas permite que o superficial se torne transparente até sua essência suprema ou Existência. O botânico que está desenvolvendo novas variedades de trigo não precisa renunciar seus cálculos científicos quando desperta para o pensamento profundo e contempla o fulgor penetrante da existência.

Embora o pensamento contemplativo não esteja além do alcance de qualquer pessoa, é preciso prática, como é também preciso prática para o domínio do pensamento calculador. Heidegger adverte: O pensamento meditativo, à semelhança do pensamento calculador, não ocorre sozinho. Às vezes ele requer um esforço mais intenso. Ele exige mais prática. Ele precisa de um cuidado mais delicado do que qualquer outra habilidade genuína. Devemos desenvolver a arte de esperar, deixar fluir e confiar num processo espiritual natural e espontâneo. Heidegger afirma que o pensamento profundo deve ser capaz de aguardar o momento propício e esperar, como o fazendeiro, para ver se a semente vai germinar e amadurecer. 

Enfatizando a simplicidade, a naturalidade e a acessibilidade imediata do pensamento profundo, Heidegger prossegue: O pensamento meditativo não precisa de modo algum ser extravagante. É suficiente demorarmo-nos no que está próximo e meditarmos no que está mais perto... aqui e agora, aqui neste pequeno pedaço de torrão natal. O trecho mais próximo do torrão natal é a consciência primordial, tal como ela permeia nossa atividade cotidiana. Na atual era tecnológica, não podemos nos tornar um planeta de aldeões rurais, mas a simplicidade natural e a harmonia da aldeia está disponível, onde quer que nos encontremos, através do pensamento contemplativo. A contemplação é a nossa origem espiritual.

Quando separado do pensamento contemplativo, o pensamento calculador, com seu aparente aspecto prático, torna-se uma abstração. Ele desenvolve tecnologias que possuem poderes de manipulação e oferece uma sensação ilusória de tangibilidade, mas não consegue nutrir a humanidade. O pensamento calculador não pode jamais aliviar genuinamente os problemas humanos, a não ser que se una ao pensamento profundo. O pensamento confinado à sua própria superfície começa a viver apenas para organizar, manipular, dominar. Esse pensamento obscurece a nossa harmonia intrínseca. Contudo, o fato de podermos amiúde observar uma força tranquila naqueles que conseguiram dominar algum aspecto do pensamento calculador — músicos, mecânicos, oleiros, matemáticos — indica que não existem duas dimensões separadas do pensamento, o contemplativo e o calculador, e sim o fluxo único da consciência. A separação é um sintoma de desarmonia espiritual, ao qual os seres humanos sempre estiveram sujeitos, mas talvez o estejam mais intensamente nesta era secular e tecnológica. A cura dessa desarmonia entre o cálculo e a contemplação é o processo de Iluminação, que revela que a essência de todo pensamento é a contemplação. este processo não é apenas para alguns santos ou iogues, mas para todo o mundo. 

O pensamento profundo emerge organicamente do nosso pedaço de terra, de nosso jardim, de simples semente. Ele nunca é abstrato, permanecendo intensamente prático por ser uma prática pessoal, uma forma de autoconfiança, como cultivar nossos próprios legumes e verduras. Entretanto, a natureza promissora dele é obscurecida pela própria simplicidade. Nas palavras de Heidegger: Talvez a resposta que estamos procurando esteja à mão; tão próxima que todos deixamos facilmente de vê-la. Pois o caminho para o que está próximo é sempre o mais longo e, portanto, o mais difícil para nós humanos. Este é o caminho do pensamento meditativo. Durante nossa peregrinação pela catedral, percebemos, enfim, que a Luz que ilumina os vitrais da contemplação é a nossa própria Luz. É isso que está próximo: a consciência primordial. Contudo, o processo de voltar para casa, para essa proximidade, é sutil e rigoroso.

Lex Hixon em, O Retorno à Origem - A Experiência da Iluminação Espiritual nas Tradições Sagradas

Os três graus de homem

"O homem de consciência cósmica é, necessariamente, a mais sublime expressão do homem: o elo que liga o visível aos mundos superiores. Ele age, vê e sente através de seu ser interior. O abstrativo pensa. O instintivo simplesmente age. Eis aqui três graus de homem. Enquanto instintivo ele fica abaixo do nível; como abstrativo ele o atinge e como Consciência Cósmica, o ultrapassa. A Consciência Cósmica abre ao homem sua verdadeira vocação: o Infinito chega ao seu alcance. Ele apreende um relance do seu destino". — Balzac
"A natureza não dá saltos". É necessário que haja uma passagem gradual da consciência simples para a autoconsciência e dessa para a Consciência Cósmica. É necessário que haja um caminho de passagem gradual. É absolutamente certo que a passagem da consciência simples para a autoconsciência e dessa para a Consciência Cósmica normalmente se dá por um súbito e, muitas vezes, terrível salto. Mas as condições não se devem atropelar e passar umas por sobre as outras.

(...) Possuindo apenas a consciência simples, o homem ainda não tingiu a sua condição de homem; ele é simplesmente um alalus-homo. A autoconsciência lhe confere a condição pela qual o conhecemos. Com a Consciência Cósmica, ele é o que realmente vemos dele (ou melhor, o que dele não vemos, pois qual de nós realmente vê a esses homens?) em Jesus, Maomé, Balzac, Whitman. Quando a raça tiver atingido a Consciência Cósmica, como no passado remoto atingiu a autoconsciência, terá início uma nova partida ou um novo nível. O homem entrará na posse de sua herança e de sua verdadeira obra.

(...) O homem que vive completamente, ou quase completamente, no plano da consciência simples flutua na corrente do tempo tal como o fazem os animais, levado pelas estações, pela comida, pela sobrevivência, etc., tal como uma folha é levada pela corrente, não com autodeterminação, mas conduzida por outras influências e ao sabor das forças naturais, como ocorre aos animais e plantas. O homem totalmente autoconsciente conduz o seu destino. Ele sente que é um ponto fixo. Julga todas as coisas em referência a esse ponto. Mas, fora dele não há nada que seja fixo. Ele confia em quem chama de Deus e não confia em si próprio; é um deísta, um ateu, um cristão, um budista. Crê na ciência, mas a ciência muda constantemente e dificilmente lhe dirá algo, em qualquer caso, que não seja conhecido. Então, ele está fixado a um ponto e nele se move livremente. O homem que possui a Consciência Cósmica, estando consciente de si mesmo e consciente do Cosmo, de seu sentido e de sua direção, está fixado simultaneamente dentro e fora em "suas essência e propriedades". A criatura com consciência simples é apenas um ramo que flutua, que se move livremente sob qualquer influência. O homem autoconsciente é um ninho, pivotado pelo seu centro, fixado a um ponto, mas movendo-se livremente nele. O homem com Consciência Cósmica é o mesmo ninho, mas magnetizado. Ele ainda está fixado ao seu centro, mas fora dele encontrou algo REAL e PERMANENTE.

Quando a raça por inteiro tiver atingido a Consciência Cósmica, nossa ideia de Deus se realizará no homem.

A "ressurreição" não é em relação à assim denominada morte, mas em relação à vida que está "morta", no sentido de jamais ter penetrado na vida verdadeira.

Richard Maurice Bucke em, Consciência Cósmica

Filme: Nostalgia


Jornada mística do poeta russo Andrei Gorchakov à Itália em busca de um novo modo de vida. Depois de 3 meses, viajando em companhia de Eugenia, uma atriz italiana, chegam a um pequeno vilarejo ao norte da Itália. Frustrado e deprimido por ainda não ter encontrado seu caminho, Gorchakov mergulha em seu passado, isolando-se em impenetrável silêncio. Mas ao encontrar Domenico (Erland Josephson - "O Rosto", "A Hora do Lobo", "Gritos e Sussurros"), um velho lunático, assim chamado por seu estranho e solitário modo de viver, ele consegue compreender sua angústia e o segredo de sua própria Nostalgia.

Primeiro filme feito fora da Rússia do cineasta e poeta Andrei Tarkovski.

Maomé e a necessidade de períodos de retiro e solidão

(...)Ele percebeu claramente que a religião de seus patrícios não apresentava condições satisfatórias e pareceu-lhe ter chegado o momento de lhe introduzir grandes reformas, ou melhor, uma renovação total.

Foi-nos contado que ele se afastou, gradualmente da companhia dos seus familiares e buscou a solidão de uma caverna no Monte Hara (mais ou menos três léguas de Meca), onde, à semelhança dos anacoretas cristãos no deserto, permaneceria por três dias e noites, mergulhado em orações e meditação... Tornou-se suscetível de ter visões, êxtases e transes... Por fim, segundo o relato, o que lhe havia aparecido em sonhos tornou-se visível sob a forma de um anjo, cuja aparição lhe trazia uma mensagem divina.

Essa forma de revelação lhe ocorreu aos 40 anos... Estava ele instalado, como de hábito, no mês do Ramadan, na caverna do Monte Hara, jejuando, orando e meditando, para elevar seus pensamentos à contemplação da VERDADE divina... Enquanto Maomé, no silêncio da noite, se aquecia envolto em seu manto, ouviu uma voz que o chamava. Descobrindo a cabeça, viu-se envolvido por uma ONDA DE LUZ de tal esplendor, que lhe era intolerável. Recobrando o domínio, percebeu um anjo, sob forma humana, que se aproximando, desdobrou diante dele um pano de seda, onde certos caracteres estavam escritos. "Leia", disse-lhe o anjo. "Não sei ler!", replicou-lhe Maomé. "Leia", repetiu o anjo, "em nome do Senhor, que criou todas as coisas, que criou o homem a partir de uma pinta de sangue. Leia em nome do MAIS ALTO, que ensinou o homem o uso da pena, que derramou em sua alma o desejo de conhecimento e lhe ensinou o que ele antes ignorava".

Logo após Maomé sentiu que SUA MENTE SE ABRIA, iluminada pela luz celestial, e leu o que estava escrito no pano, que continha o decreto de Deus, tal como depois foi promulgado no Corão. Quando ele terminou, o mensageiro celestial anunciou: "Maomé, em verdade és o profeta de Deus! E eu sou o seu Anjo Gabriel!"

O relato diz-nos que Maomé regressou trêmulo à Cadijah, pela manhã, sem saber se o que tinha visto e ouvido era realmente verdade, e se ele era o profeta escolhido para realizar a reforma que por tanto tempo havia sido objeto de suas meditações, ou se tudo não passava de uma visão, de uma deturpação dos sentidos, ou, pior ainda, da aparição de um espírito do mal.

Vida de Maomé, por Washington Irving

Tomou a pílula vermelha, não tem volta

Filme: As mil palavras


Olhe para a vida sem esperar por perfeição

A mente funciona como um computador, e seguimos alimentando suas atitudes. Estas vão se acumulando lá e pouco a pouco se tornam profundamente entranhadas. 

Personalidades podem ser divididas em duas categorias. A primeira, os psicólogos chamam de personalidade T, tóxica, e a outra chamam de personalidade N, nutridora. 

Uma personalidade tóxica está sempre olhando as coisas de uma maneira negativa. Toda a visão do mundo da personalidade tóxica é depressiva, triste. A personalidade tóxica se esconde atrás de belos rostos. Um perfeccionista é uma personalidade tóxica. Você não pode apontar algo errado num perfeccionista, porém a ideia toda de ser um perfeccionista é para encontrar erros, enganos, falhas. É um truque. Você não pode encontrar qualquer defeito no homem que procura por perfeição, mas na verdade essa não é sua meta, perfeição é uma estratégia. Ele quer procurar pelas falhas, enganos, erros, qualquer coisa que esteja faltando, e essa é a melhor maneira – manter uma aparência de perfeição para que ele possa comparar com o ideal e condenar sempre. 

Essa personalidade tóxica sempre olha naquilo que não é e nunca olha naquilo que é, desse modo o descontentamento se torna natural. Uma personalidade tóxica envenena seu próprio ser; não apenas isso – goteja veneno. Isso pode ser uma herança. Se você conviveu na sua infância com pessoas que tinham uma atitude negativa para com a vida... Isso pode estar oculto em termos brilhantes, belas linguagens, ideais, paraíso, Deus, religião, a alma; eles podem usar belas palavras, eles estão simplesmente tentando... e eles falam a respeito do outro mundo somente para condenar este mundo. Eles não estão preocupados com o outro mundo. Eles não possuem nenhum interesse em santos, mas somente para provar que os outros são pecadores, eles irão falar a respeito dos santos. É uma atitude muito mórbida. Eles dirão: Sejam como Jesus – eles não estão de jeito nenhum interessados em Jesus. Se Jesus estivesse lá eles seriam as últimas pessoas a irem ter com ele, porém, só para condenar vocês, essa é a estratégia deles. Vocês não podem se tornar Jesus, assim vocês se tornam vítimas. Eles sempre vos condenam. Eles criam valores, moralidades, atitudes puritanas. Eles são os moralistas, os moralizadores; eles são os grandes envenenadores do mundo. E eles estão por toda parte. Essas pessoas acabam se tornando professores, educadores, reitores, santos, bispos, papas; eles acabam se tornando essas coisas porque dessa forma eles podem condenar. Eles estão até mesmo prontos para sacrificar tudo se lhes for permitido a alegria de condenar os outros. Eles estão por toda parte, escondidos de muitas maneiras. E eles estarão sempre fazendo coisas para o seu bem, para seu próprio bem, então vocês ficam indefesos contra eles. A herança deles é real, grande. Eles dominaram toda a história. Essas pessoas imediatamente se tornam dominadores. A própria ideologia deles os ajuda a dominar porque eles podem se tornar condenadores. E eles falam em termos racionais. O racionalismo também é parte da personalidade T. Eles são muito sugestivos... É muito difícil derrotá-los na argumentação.

A segunda personalidade, a personalidade N, a personalidade nutridora, é totalmente diferente. Ele não possui ideais, realmente. Ele apenas olha para a vida e a realidade decide seu ideal. Ele é muito razoável. Nunca é perfeccionista; é total, mas nunca um perfeccionista. E sempre olha para o lado bom das coisas. A personalidade N está sempre esperançosa, radiante, aventureira, confiante, não condenatória. Essas são as pessoas que se tornam poetas, pintores, músicos. Se uma pessoa tipo N se torna santo, então existe um santo real. Se uma pessoa tipo T se torna santo, então é um falso santo, um pseudo-santo. Se uma pessoa tipo N se torna pai, então há um pai de verdade. Se uma pessoa tipo N se torna mãe, ela é uma mãe real. A pessoa tipo T é um pseudo-pai e pseudo-mãe. Serve apenas de truque para explorar a criança, para torturar, dominar, possuir e esmagar a criança, para se sentir poderoso esmagando a criança. O tipo T está na maioria, assim você pode estar certo que você está carregando uma herança como todo mundo. Mas uma vez que você se torna cônscio, não há mais problema. Você pode se mover de T para a N muito facilmente. 

Algumas coisas para lembrar. Se você se sentir preguiçoso, não chame isso de preguiça. Escute sua natureza; pode ser que isso seja bom para você. Isso é o que chamo de homem razoável. O que você pode fazer? Se a preguiça chega até você, então isso é o que você tem que fazer. Quem é você para decidir contra isso? E como você pode vencer contra isso? Mesmo na sua luta você estará preguiçoso. Quem irá vencer? Você será sempre derrotado, e assim você se sentirá desnecessariamente miserável.Seja realista. Escute seu próprio ser. Cada um possui seu próprio jeito. Algumas pessoas são muito ativas, correndo; não há nada errado nisso. Se eles se sentem bem assim, é bom para eles. E não criem ideais de que vocês têm que fazer isso. Não tenham quaisquer — deveres — os deveres criam uma espécie de neurose. Então a pessoa fica obcecada. O — dever — está sempre lá, de pé e lhe condenando, e você não pode desfrutar de nada. Desfrute! Mate o — dever — completamente e esteja aqui-agora. O que você puder fazer, faça; O que você não puder fazer, aceite. É assim que você é, e você está aqui para ser você mesmo, ninguém mais. Pouco a pouco você verá que o seu T está se transformando em N. Você será nutridor e você desfrutará mais, você amará mais, e você ficará mais meditativo. De fato, para um preguiçoso se tornar meditativo é mais fácil do que para uma pessoa ativa. Eis porque todo o Oriente se tornou preguiçoso — eles meditaram demais. Meditação é um tipo de passividade. Uma pessoa ativa se sente muito inquieta. Apenas sentar em silêncio é a coisa mais difícil. Não fazer nada é a coisa mais difícil para uma pessoa ativa realizar. Apenas desfrute e se mova de acordo com o seu ser — nada de deveres, nada de ideais, do contrário eles lhe envenenarão. 

Olhe para a vida com profunda esperança. Ela é realmente bela. Apenas olhe para ela, e não espere por perfeição. Não pense em termos de desfrutar as coisas somente quando elas forem perfeitas; senão você nunca desfrutará.Se uma pessoa tipo T encontrar Deus, irá imediatamente descobrir algum defeito nele. Eis porque Deus está escondido — devido às pessoas tipo T. Ele se revela para os tipos N, nunca para os tipos T. Ele se revela apenas para aqueles que podem ser nutridos por ele — não somente isso, mas para aqueles que podem nutri-lo. Portanto apenas relaxe, desfrute, aceite, e os problemas desaparecerão. 

(Osho )

Não falar do paradigma a quem não solicita

O medo é criação do pensamento

O pensamento é um estágio preliminar de aproximação do Divino

A seguinte passagem pode ser considerada um resumo justo da filosofia de Plotinus, tal como compreendida pelos neoplatonistas:

As almas humanas que desceram à corporalidade são as que se permitiram escravizar pela sensualidade e dominar pela luxúria. Agora, acham-se perdidas do seu verdadeiro ser e, afanando-se pela independência, assumem uma falsa existência. Precisam voltar atrás e como não perderam a sua liberdade, a conversão ainda é possível. 

Aqui, chegamos à filosofia prática. Percorrendo o mesmo caminho que lhe serviu para a descida, a alma deve refazer os degraus que a levam de volta ao Deus supremo. Em primeiro lugar, deve retornar a si mesma. Isso se alcança pela prática da virtude, cujo fim é a semelhança com Deus e que conduz a Deus. Na ética de Plotinus, todos os antigos esquemas de virtude acham-se alterados e reorganizados em séries graduadas. O estado mais baixo é o das virtudes civis, seguido pela purificação e por último por todas as virtudes divinas. As virtudes civis simplesmente enfeitam a vida, sem elevar a alma. Essa tarefa pertence às virtudes purificadoras, pelas quais a alma se liberta da sensualidade, volta a si mesma e então ao "nous"(¹). Por meio de práticas ascetas o homem uma vez mais se converte em um ser espiritual, livre de todos os pecados. Entretanto, ainda há um escalão mais alto: não basta ser sem pecado; é preciso converter-se em "Deus". Isto se alcança pela contemplação do Ser primevo, do Único ou, em outras palavras, por uma aproximação extasiada desse Único. O pensamento não pode chegar a isso, pois atinge apenas o "nous" e é, em si mesmo, uma espécie de movimento. O pensamento é um estágio preliminar de aproximação de Deus. É apenas em estado de perfeita passividade e repouso que a alma pode reconhecer e tocar o Ser primevo. Assim, para atingir este fim mais alto a alma necessita passar por um currículo espiritual. Iniciando na contemplação das coisas corpóreas, em sua multiplicidade e harmonia, retira-se para dentro de si mesma, nas profundezas de seu próprio ser, atingindo, então, o "nous", o mundo das ideias. Mas o Mais Alto, o Único, ainda não termina aí. Ainda há uma voz que diz: "Nós não nos fizemos a nós mesmos". O último estágio é alcançado quando, na mais alta tensão e concentração, no silêncio e no esquecimento de todas as coisas, a alma acha-se apta a perder-se em si mesma. Então, ela pode ver a Deus, a fonte da vida, do ser, a origem de todo bem, a raiz da alma. Nesse momento, ela desfruta a benção mais indescritível; é como se fosse banhada pela divindade, mergulhada na luz da eternidade.

Richard Maurice Bucke em, Consciência Cósmica - estudo da evolução da mente humana

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(¹) Nous, termo filosófico grego que não possui uma transcrição direta para a língua portuguesa, e que significa atividade do intelecto ou da razão em oposição aos sentidos materiais. Muitos autores atribuem como sinônimo a Nous os termos "Inteligência" ou "Pensamento".

Pela razão, não podemos conhecer o Infinito

(...) Você me pergunta como podemos conhecer o Infinito. Eu repondo que não é pela razão. A tarefa da razão é distinguir e definir. Assim, o Infinito não pode fazer parte de seus objetivos. O Infinito só pode ser apreendido por uma faculdade superior à razão, que nos faz entrar em um estado no qual você já não é o seu eu finito, estado no qual a essência divina lhe é comunicada. Esse é o êxtase (Consciência Cósmica). É a sua mente, liberta de sua consciência finita. O semelhante só pode apreender o semelhante. Assim, quando você deixa de ser finito, você se torna uno com o Infinito. Na redução de sua alma ao eu mais simples, sua essência divina, você realiza essa união — essa identidade. 

Mas essa condição sublime não tem duração permanente. Só podemos desfrutar dessa elevação de vez em quando (misericordiosamente posta ao nossa alcance), elevação que se acha acima dos limites de nosso corpo e do mundo. Eu próprio, até agora, só a desfrutei por três vezes e Porfírio não foi contemplado nem uma só vez. Tudo aquilo que contribui para purificar e elevar a mente, ajudá-lo-á a atingi-la e facilitará a aproximação e a reincidência desses felizes intervalos. Há, pois, diferentes caminhos pelos quais podemos alcançar esse fim (¹). O amor à beleza, que exalta o poeta; a devoção ao Único e o desejo de ciência, que constituem a ambição do filósofo; o amor e as orações de uma alma devotada e ardente que busca a perfeição moral de purificação. Esses são os grandes caminhos que conduzem ao que está acima do presente e do particular, quando nos vemos face a face com o Infinito, que brilha além das profundezas da alma.

Plotinus, 204 à 274 D.C.
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(¹) Plotinus (como ele mesmo nos diz) havia passado por três períodos de iluminação, quando escreveu esta carta a Flacus, ou seja, quando tinha 56 anos de idade. Porfírio nos conta que entre 59 e 64 anos (ou seja, durante os seis anos de duração da relação deles) ele havia passado por quatro períodos de iluminação, o que perfaz um total de sete. É importante observar que os conselhos de Plotinus quanto ao que se deve fazer para facilitar o surgimento da Consciência Cósmica coincidem com os ensinamentos de Gautama, Jesus, Paulo de Tarso e outros.

Richard Maurice Bucke em, Consciência Cósmica

Sobre os homens de consciência cósmica

Não devemos pensar que um homem se torne onisciente ou infalível apenas porque possuí a consciência cósmica. O mais importante desses homens encontra-se, sob certo aspecto, exatamente na mesma posição de uma criança, embora em plano muito mais elevado, que apenas acabe de tornar-se autoconsciente. Esses homens acabaram de alcançar uma nova fase de consciência, sem haver tido, ainda, a oportunidade de explorá-la ou de fazer-se senhores dela. É certo que alcançaram um nível mental mais elevado, mas nesse nível certamente existirá um certo grau de sabedoria e de tolice, tal como existe no nível da consciência simples ou da autoconsciência. Assim como um homem autoconsciente pode estar abaixo, em inteligência moral, de um animal mais elevado que possua apenas consciência simples, assim também podemos supor que um homem com consciência cósmica, em certas circunstâncias, pode ocupar uma posição apenas ligeiramente mais elevada do que outro que tenha passado a vida inteira no plano da autoconsciência. Por outro lado, é ainda mais evidente que, por mais especial que seja a faculdade, os primeiros que a adquirem, vivendo em países e épocas diferentes, passando os anos de autoconsciência em diferentes ambientes, sendo educados com pontos de vista totalmente diversos, necessariamente interpretam de forma diferente as coisas que veem no novo mundo em que penetram. O fantástico é que todos vejam o novo mundo com a mesma clareza. O ponto principal é que esses homens e essa nova consciência não devem ser condenados, pois nem os homens, nem a nova consciência são absolutos. Pois pudesse o homem (elevando-se sempre de um plano a outro) atingir uma posição moral e intelectual tão mais elevada do que a dos melhores homens de hoje em dia, que estão muito acima dos simples moluscos, permaneceria tão longe da infalibilidade e da bondade absoluta ou do conhecimento absoluto como se acha hoje. Aspiraria de igual modo a atingir uma posição mental mais elevada do que a que tem hoje, e haveria  iguais possibilidades para crescimento e melhoria.  

Richard Maurice Bucke em, Consciência Cósmica - estudo da evolução da mente humana

A passagem da autoconsciência à consciência cósmica

A passagem da autoconsciência para a consciência cósmica, quando considerada do ponto de vista do intelecto, parece ser um fenômeno exclusivamente paralelo à passagem da consciência simples para a autoconsciência. 

Em ambas as situações aparecem dois elementos principais:
  1. consciência adicional.
  2. faculdade adicional
Consciência adicional — Quando um organismo que possui apenas consciência simples atinge a autoconsciência, compreende, pela primeira vez, que constitui uma criatura separada, ou ego, existindo em um mundo que está separado dele. A chegada da nova faculdade o instrui sem nenhuma nova experiência ou processo de aprendizagem. 

Faculdade adicional — Simultaneamente, ele adquire um enorme poder crescente para acumular conhecimento e novas ações. 

Assim, uma pessoa que possuía apenas autoconsciência, quando atinge a consciência cósmica:

a) Conhece, sem aprendizagem (pelo simples fato da iluminação), certas coisas, como, por exemplo: (1) que o universo não é uma máquina morta e sim uma presença viva; (2) que em sua essência e tendências ele é infinitamente bom; (3) que a existência individual é contínua, além do que pode ser chamado de morte

Simultaneamente:

b) Aumenta consideravelmente tanto a sua capacidade de aprendizagem como a de iniciação. 

Richard Maurice Bucke em, Consciência Cósmica - estudo da evolução da mente humana

Do surgimento da Consciência Cósmica

Como ficou dito, ou implícito, para que um homem possa adquirir a Consciência Cósmica tem que pertencer ao nível mais alto do mundo da Autoconsciência. Não é que ele necessite possuir um intelecto extraordinário (essa faculdade em geral é sobrestimada e nessa questão não parece ser tão importante quanto as outras), embora tampouco possa ser um deficiente. Necessita ter boa compleição física, boa saúde, e acima de tudo deve possuir uma natureza moral exaltada, fortes simpatias, um coração cálido, coragem, força, extraordinário sentimento religioso. Quando tudo isso foi alcançado e o homem atingiu a idade necessária para chegar ao topo da autoconsciência mental, então, um dia, surge a Consciência Cósmica. Qual é a sua experiência? Devemos desconfiar um pouco dos detalhes, pois esse escritor só os conhece em poucos casos e o fenômeno é sem dúvida variado e diverso. O que aqui expomos é verdadeiro quanto a certos casos e provavelmente aproxima-se da verdade absoluta em outros, de modo que pode ser aceito como correto. 

a) De repente, sem aviso prévio, a pessoa tem a sensação de estar envolta por uma chama ou nuvem rosa, ou talvez a impressão de que a própria mente está cheia dessa nuvem de neblina.

b) No mesmo instante, ele sente-se invadido por uma emoção de alegria, segurança, triunfo, "salvação". Essa última palavra não deve ser tomada em seu sentido comum, pois o sentimento, quando totalmente desenvolvido, não expressa aquele ato particular de salvação, mas uma salvação não especialmente necessária, pois o esquema de construção do próprio mundo basta para isso. Esse êxtase, que ultrapassa qualquer outro pertencente à vida meramente autoconsciente, invade os "poetas" e ocupa suas vidas, tal como ocorre com Gautama, em seus discursos preservados nos "Suttas", com Jesus, nas "Parábolas", com Paulo, nas "Epístolas", com Dante, no fim do "Purgatório" e começo do "Paraíso", com Shakespeare, nos "Sonetos", com Balzac, em "Serafita", com Whitman, em "Folhas", com Edward Carpenter, em "Rumo à Democracia", deixando aos "cantores" os prazeres e penas, amores e ódios, alegrias e tristezas, a paz e a guerra, a vida e a morte do homem autoconsciente. Embora os "poetas" também possam tratar desses assuntos, fazem-no do novo ponto de vista, como está expresso em "Folhas": "Jamais voltarei a referir-me, dentro de uma casa, ao amor ou à morte" (193: 75) — isto é, do antigo ponto de vista, com as antigas conotações. 

c) Acompanhando simultânea ou instantaneamente a sensação acima referida e as experiências emocionais, surge na pessoa uma iluminação intelectual impossível de ser descrita. Como um clarão, apresenta-se à sua consciência uma clara concepção (uma visão) do sentido do universo. Não se trata simplesmente de crer; mas ele vê e sabe que o cosmo, o qual para a mente consciente parece ser formado por matéria morta, na verdade é uma presença viva. Vê que os homens, ao invés de serem remendos da vida, espalhados pelo infinito mar de substância não-vivente, são, na verdade, partículas de morte relativa no infinito oceano da vida. Vê que a vida que se acha no homem é eterna, como toda vida é eterna; que a alma do homem é tão imortal como Deus; que o universo está tão bem construído e ordenado que todas as coisas funcionam juntas, sem incertezas, para o bem de cada uma delas e do conjunto; que o princípio fundamental do mundo é aquilo que chamamos amor e que a felicidade de cada indivíduo é, a longo prazo, inevitavelmente certa. A pessoa que passa por essa experiência aprenderá, em poucos minutos, mais do que seria possível em meses ou mesmo anos de estudo, e muitas coisas que nenhum estudo poderia ensinar. Ela obtém, especialmente, a concepção do Todo, ou pelo menos de um imenso TODO que ultrapassa qualquer concepção, imaginação ou especulação oriunda da autoconsciência comum. Tal concepção torna pobres e mesmos ridículas as antigas tentativas para mentalizar o universo. 

Esse despertar do intelecto foi muito bem descrito por um escritor, falando sobre Jacob Behmen, com as seguintes palavras: "Os mistérios sobre os quais ele falava não se referiam a ele, ele os OBSERVAVA. Ele viu a raiz de todos os mistérios, O QUE ESTÁ POR BAIXO, de onde brotam todos os contrastes e princípios discordantes, a rigidez e a maleabilidade, a severidade e a complacência, a doçura e o amargor, o amor e a pena, o céu e o inferno. Ele viu tudo isso em sua origem e tentou descrever em sua essência e encontrar uma correspondência com os resultados eternos. Ele os viu no ser de Deus; daí o nascimento ou crescimento da manifestação divina. A natureza mostrou-se a ele sem véus — ele sentiu-se em casa, no âmago das coisas. O seu próprio livro, que era ele mesmo (tal como Whitman: "Isso não é um livro; quem o toca, toca um homem"), o microcosmo do homem, com sua tripla vida, evidenciou-se para ele" (79. 852)

d) Juntamente com a elevação moral e a iluminação intelectual vem o que deve ser chamado, por falta de melhor termo, de uma consciência da imortalidade. Não se trata de uma convicção intelectual, como ocorre quando da solução de um problema, ou de uma experiência como o aprendizado de algo que antes desconhecíamos. É bem mais simples e elementar e poderia melhor ser comparado à certeza de uma individualidade distinta, que cada um possui, que advém com e pertence à autoconsciência.

e) Com a iluminação, o medo da morte, que assalta a tantos homens e mulheres ao longo de suas vidas, desaparece; não como resultado de um raciocínio, e sim, apenas, porque se desvanece. 

f) Podemos dizer o mesmo sobre a consciência do pecado. Não é que a pessoa escape do pecado, mas ela não vê no mundo pecado do qual deva esquivar-se. 

g) Uma das características mais especiais da iluminação reside de fato de ser instantânea. Só podemos compará-la a um clarão de luz na escuridão da noite, revelando a paisagem que se achava escondida.

h) O caráter anterior do homem que atinge a nova vida é um elemento importante do caso.  

i) Assim também ocorre com a idade em que se dá a iluminação. Se, por exemplo, ouvimos referências a um caso de consciência cósmica ocorrido aos vinte anos, em princípio deveríamos duvidar da veracidade do relato e, caso nos víssemos obrigados a dar-lhe crédito, deveríamos pensar que esse indivíduo, caso vivesse, seria um verdadeiro gigante espiritual. 

j) O encanto acrescentado à personalidade da pessoa que alcança a consciência cósmica é sempre uma característica do caso. 

i) Ao escritor parece evidente que, com a consciência cósmica, como se apresenta no instante em que ocorre e um certo tempo depois, há uma mudança na aparência do sujeito que passa pela iluminação. Esta mudança é semelhante à provocada em uma pessoa que passa por grande alegria. Mas, em certos casos (os mais pronunciados), parece ser bem mais notável do que isso. Nesses grandes casos, nos quais a iluminação é intensa, a mudança citada também é intensa e pode chegar a ser uma autêntica "transfiguração". Dante diz que foi "trans-humanizado em Deus". Não se pode, absolutamente, pôr em dúvida que se ele tivesse sido visto naquele momento, teria demonstrado os sinais do que chamamos "transfiguração". 

Richard Maurice Bucke em, Consciência Cósmica - estudo da evolução da mente humana. 

Consciência Cósmica e Alucinação

Parece que a apreensão da consciência cósmica se verifica de forma mais ou menos agitada, pois no princípio o indivíduo teme que o novo sentido seja um sintoma de alguma forma de insanidade. Maomé sentiu-se muito temeroso. Penso que tanto Paulo como os outros que serão mencionados adiante se sentiram assim afetados. 

A primeira indagação que todos se fazem, depois de ter experimentado o novo sentido, é: o que vejo e o que sinto representam a realidade ou estou sofrendo de uma alucinação? Embora a nova experiência pareça ainda mais real do que os antigos ensinamentos da consciência simples e da autoconsciência, isso a princípio não infunde confiança, pois é sabido que a alucinação, quando se apresenta, toma conta da mente com segurança à da realidade. 

Seja ou não verdade, cada pessoa que passou pela experiência crê forçosamente em seus ensinamentos, aceitando-os como tão absolutos como outros ensinamentos que possa ter recebido. Entretanto, isso não bastaria para demonstrar a sua veracidade, pois poderíamos dizer o mesmo sobre as alucinações de um demente. 

Como, então, saberemos que se trata de um novo sentido, fato revelado, e não uma forma de insanidade, lançando o sujeito na alucinação? Em primeiro lugar, as tendências da mencionada condição são de todo diferentes e até mesmo opostas às da alienação mental. Essas últimas caracterizam-se por ser amorais ou até mesmo imorais, enquanto que as primeiras são altamente morais. Em seguida, enquanto que em todas as formas de insanidade se reduz a inibição, que algumas vezes chega mesmo a desaparecer, na consciência cósmica ela sofre um aumento. Essa última afirmação pode ser amplamente provada pela vida dos homens aqui citados como exemplo¹. Em terceiro lugar, não importa o que digam os escarnecedores da religião, é certo que a civilização moderna, em sua maioria, continua apegada aos ensinamentos do novo sentido. Os "mestres" são ensinados por ele e o resto do mundo por eles, através de seus livros, seguidores e discípulos, de tal forma que se considerássemos o que aqui denominamos consciência cósmica como uma forma de insanidade, enfrentaríamos o fato (absurdo) de que toda a nossa civilização, incluindo as mais importantes religiões, estaria mergulhada na alucinação. Mas, sem alimentar absurda alternativa, podemos sustentar que a evidência da realidade objetiva que corresponde a essa faculdade é a mesma que temos quanto à realidade de qualquer outro sentido ou faculdade. Exemplifiquemos com a visão: Sabemos que a árvore que está lá do outro lado do campo, a meia milha de distância, é real, não uma alucinação; sabemos disso porque todas as outras pessoas que possuem o sentido da visão podem vê-la também, e se fosse uma alucinação só seria visível para nós mesmos. Utilizando o mesmo raciocínio, estabelecemos a realidade do universo objetivo, registrando a consciência cósmica. Todas as pessoas que possuem a faculdade relatam as mesmas experiências ou fatos. Caso três homens olhassem a árvore e meia hora depois lhes fosse solicitado desenhá-la ou descrevê-la, os três desenhos ou descrições não seriam idênticos, discrepariam num ou noutro detalhe, mas corresponderiam em seus traços gerais. Assim ocorre com os relatos daqueles que passaram pela consciência cósmica: são semelhantes na essência, embora divirjam mais ou menos nos detalhes (e essas divergências bem que podem ser o resultado de nossa má interpretação). Não há registro de uma pessoa que tenha passado pela consciência cósmica, negando ou disputando com os ensinamentos de outra que tenha experienciado o mesmo. Embora Paulo, devido as suas experiências anteriores, estivesse pouco predisposto a aceitá-los, tão logo sofreu a consciência cósmica percebeu que os ensinamentos de Jesus eram verdadeiros. Maomé aceitou Jesus não só como o maior dos profetas, mas como alguém que se achava num plano superior ao de Adão, Noé, Moisés e os outros. Ele diz: "E enviamos Noé e Abraão e pusemos na semente deles a profecia e o livro; e alguns deles foram guiados, embora muitos deles fossem trabalhadores da abominação! Então, seguimos suas pegadas com nossos apóstolos; e os seguimos com Jesus, o filho de Maria; e lhe demos o evangelho; e pusemos no coração de seus seguidores a bondade e a compaixão" (153. 269). E Palmer dá seu testemunho: "Maomé vê o nosso Senhor com veneração especial e chega ao ponto de chamá-lo de 'Espírito' e 'Palavra' de Deus e de 'Messias' (152.51). Walt Whitman aceita os ensinamentos de Buda, Jesus, Paulo, Maomé, especialmente de Jesus, que conhecia melhor. Como ele declara: "Aceitando os evangelhos, aceitando-o a Ele que foi crucificado, sabendo com certeza de que Ele era divino" (193: 69). E se, como Whitman uma vez desejou: "Os grandes mestres pudessem voltar e estudar-me" (193: 20), é certo que todos o acolheriam como "um irmão do cúmulo radiante". Assim, todos os homens que esse escritor sabe terem sido iluminados estão de acordo quanto aos detalhes essenciais e com todos os mestres do passado também iluminados. Também parece que os homens livres de preconceito, que conheçam algo sobre mais de uma religião, reconhecem, como Sir Edwin Arnold, que as grandes crenças são "Irmãs", ou, como diz Arthur Lillie, que "Buda e Cristo ensinaram doutrinas semelhantes". (110 . 8)

Richard Maurice Bucke em Consciência Cósmica - estudo da evolução da mente humana


¹  (Gautama, Jesus, Paulo, Plotinus, Maomé, Dante, Las Casas, Juan Yepes, Francis Bacon, Jacob Behmen, William Blake, Balzac, Walt Whitman). 

Quando eu era taturana

Quando eu era taturana,
Desgraciosa lagarta comilona,
Vi, um dia, uma borboleta,
E a borboleta me disse coisas estranhas.
Disse-me que eu devia virar crisálida imóvel,
Para me tornar borboleta.
A borboleta era bela e feliz ;
Mas, isso de morrer?...
Para minha ignorância, a crisálida era morta,
Enclausurada num esquife escuro,
Sem portas nem janelas,
Sem movimentação nem respiração
Não rastejava como eu,
Nem voava como a borboleta;
Era inerte como um cadáver.
Mas o lepidóptero me disse que a transição da minha semi-vida para a pleni-vida dele passava pela pseudo-morte da crisálida.
Para que eu me pudesse expandir para a pleni-vida, devia eu concentrar-me silenciosamente.
Devia eu centralizar num foco único todas as minhas dispersividades periféricas.
Só desse centro atômico podia nascer o cosmos.
Ouvi essas palavras de suprema sabedoria, e não as compreendi.
Não as compreendi, mas aceitei-as.
Aceitei-as e incubei a verdade.
Eu não estava madura para passar da crença para a experiência.
Mas a crença na verdade me preparou para a experiência na verdade.
Após longo tempo, a minha crença eclodiu em experiência.
Deixei de ser taturana do ego.
Desegofiquei-me, transmentalizei-me.
Preludiei a borboleta do meu Eu.
Deixei de comer, deixei de rastejar pelas baixadas da terra.
Retirei-me a um canto silente e solitário.
Joguei fora a minha pele.
Enclausurei-me hermeticamente num invólucro de quitina.
Morri...
Morri, não para dentro da morte.
Morri, para dentro de uma vida maior.
Não sei quanto tempo dormi o meu sono de crisálida.
Lá onde eu estava não havia tempo.
E, durante esse samadhi, minha alma vígil elaborou outro corpo.
Quatro asas velatínias, dois hemisférios de olhos facetados, uma delgada seringa para sugar o néctar das flores.
Tudo isto foi elaborado, à minha revelia, no místico laboratório do meu esquife.
Pelo poder da minha alma vigíl.
Eu nada fiz, tudo foi feito por Alguém em mim.
Numa radiosa manhã, rompeu-se o meu invólucro.
Eu ainda sou eu.
Mas não rastejo mais, pelas imundas baixadas da terra.
Vôo pelas límpidas alturas do espaço solar.
Só de longe em longe desço para sugar uma gota de néctar, do perfumoso cálice das flores.
E quando me encontro com uma taturana, ninguém acredita em minhas palavras.
Ninguém acredita que eu fui o que elas são e que elas serão o que eu sou.
Tão diferentes são as nossas existências, e tão idêntica é a nossa essência.
Se eu não me identificasse com a invisível essência que sou, jamais a visível existência que tenho me faria borboleta.

Huberto Rohden
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)