“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

A passagem para uma Outra Consciência

A passagem para uma Outra Consciência

"Em verdade, em verdade vis digo:
quem não nascer de novo, 
não entrará no Reino de Deus." João, 3:3

Chega um momento, SÚBITO e INESPERADO, em que esse novo estado de consciência — que vivemos nas experiências esporádicas e intervaladas de contato entre os dois pólos do Espírito e da Matéria — manifesta-se em todo o seu esplendor, trazendo consigo uma mudança total e uma nova visão da vida, juntamente com um estado indescritível de alegria e beatitude. 

O caráter dessa mudança não é transitório e momentâneo, mas estável e profundo. Ele assinala o início de um novo ciclo da nossa existência, pois desse momento em diante não poderemos mais recair na inconsciência e na obscuridade; fomos, finalmente, "despertados para a nossa realidade". Tornamo-nos "nós mesmos". 

Na verdade, a primeira e fundamental sensação que experimentamos em tal momento é a de despertar de um longo sono de completa inconsciência. Por isso, em todas as tradições espirituais e religiosas essa experiência é chamada de "O Despertar", e aqueles que passam por ela são definidos como "despertos". 

Outra característica que acompanha essa passagem para outra consciência é o sono de "auto-reconhecimento", pois finalmente, com clareza e certeza, sentimos nossa essência profunda e nos admiramos de nunca a ter sentido antes. Nesse momento, tal fato nos parece natural e próximo, como se apenas tivéssemos esquecido essa realidade. É como se saíssemos de uma amnésia, recuperando a memória de nosso verdadeiro ser, o qual já nos parece bem conhecido e familiar. 

Esse reconhecimento traz consigo uma alegria tão profunda, que cancela completamente a recordação de toda a dor e angústia que experimentamos em outros momentos. Temos a revelação de que o reconhecimento de nós mesmos e da nossa Realidade Divina é exatamente a fonte da beatitude, e de que, por outro lado, a origem de todos os sofrimentos e males humanos reside na identificação com a personalidade, bem como na inconsciência e na obscuridade dali derivadas. 

Quando despertamos para a verdadeira consciência, todos as nossas dúvidas e todos os nossos problemas se resolvem. Deixamos de ter dúvidas e interrogações; temos apenas respostas claras. 

Allan Watts
Allan Watts, falando dessa experiência, escreve que ela produz um imenso alargamento da visão da realidade que nos permite ver as coisas "tais como realmente são", inseridas numa Realidade Universal onde reina total harmonia, justiça e amor. É um estado de consciência indescritível e inefável, diz Watts, permeado de beatitude, não estática mas dinâmica, que nos faz sentir finalmente vivos e criativos. É o início da verdadeira vida. 

Aqueles que "despertaram" são também chamados de "nascidos de novo". Diz Cristo no evangelho: "Em verdade, em verdade vos vos digo: quem não nascer de novo, não entrará no Reino de Deus" (João 3:3). 

É como se nós, antes do despertar da consciência do Eu, ainda não fossemos nascidos. É como se estivéssemos ainda imersos na obscuridade pré-natal, como o bebê no ventre materno.

Outro efeito importante que essa nova consciência traz consigo é a visão da nossa própria missão na vida e da direção justa que devemos tomar. A pessoa que despertou abre finalmente os olhos e vê tudo do ponto de vista do EU; na verdade, descobre ser o EU, descobre ter sido sempre o EU embora o tenha esquecido. 

Em seu livro DEI IN ESILIO [DEus no exílio], J.J. Van der Leeuw compara essa sensação de inesperada recordação àquela experimentada por quem foi exilado na infância, passando a morar em um país estrangeiro onde viveu durante muitos anos em meio a pessoas desconhecidas, esquecendo sua origem e seu verdadeiro nome. 

De repente, uma música, um perfume ou uma voz lhe traz tudo de volta à memória e ele recorda seu nome, sua origem, sua terra natal. É invadido pela profunda alegria de se reconhecer, reencontrando sua identidade.

Essa experiência tão poderosa e fulgurante de despertar produz uma mudança total, uma passagem para outra consciência. Essa meta pode parecer muito difícil e distante para quem ainda não a alcançou, uma experiência reservada a poucos. Na verdade, todos nós estamos caminhando na direção dessa meta, lenta e exaustivamente, sofrendo e lutando, enquanto dentro de nós, sem o sabermos, vai ocorrendo um processo gradual de transformação e desenvolvimento da consciência. Esse processo teve início no momento em que a Semente Divina, oculta em nosso íntimo, começou a se abrir e crescer, nutrida pelas experiências que encontramos, pelos sofrimentos e amadurecimentos que a vida colocou diante de nós. 

Nem sempre nos damos conta desse processo inexorável. Mas no momento do Despertar, tomamos consciência de que tudo aquilo que parecia inesperado e inexplicável tinha sido prenunciado, havia longo tempo, pelos fugazes átimos de abertura ao Divino que experimentamos, pelos momentos de elevação, pelos lampejos inesperados de intuição, pelo senso de vazio e ausência de algo que não conseguíamos alcançar. Compreendemos então que já tínhamos pressentido a aproximação do EU, talvez pela primeira vez, quando percebemos estar vivendo em um estado de semi-sono, imersos na ilusão e na irrealidade. Queríamos despertar, mas não conseguíamos, aprisionados que estávamos num senso angustiante de "impossibilidade". 

Não compreendemos de imediato que aquele senso de impossibilidade era, verdadeiramente, um sintoma positivo, a "origem de todas as possibilidades", como diz Sri Aurobindo. Esse senso é produzido, com efeito, pela pressão do EU em luta contra a resistência da personalidade que está inconsciente dele. 

É exatamente o estado de inconsciência em que estamos imersos que constitui o grande obstáculo ao despertar do EU. Esse estado nos acompanha durante a maior parte do nosso caminho evolutivo, criando a dilacerante dualidade da qual falamos várias vezes, que é ao mesmo tempo uma maldição e um privilégio do homem, destinado a construir a ponte entre o Espírito e a Matéria. 

Devemos ter sempre presente que o desenvolvimento da consciência é um processo de reunificação longo e difícil, nascido de uma contínua interação do EU e da personalidade. 

Por outro lado, o EU "desce" até a personalidade, para se expressar; por outro lado, a personalidade se sente atraída para o EU e ao mesmo tempo lhe opõe resistência, porque não deseja deixar suas ilusórias conquistas, seus apegos, e sobretudo não quer abandonar aquele eu falso e construído com mo qual se identificava. 

Somente poderemos superar essa resistência quando a consciência — que começou a despertar em nós, em resultado dos momentos de elevação e da gradativa transformação das energias — nos fizer compreender como são ilusórios e relativos todos os nossos condicionamentos, todas as nossas necessidades, todas as nossas arrogantes convicções, dando-nos assim a capacidade de termos uma visão justa da realidade. Quando isso acontece, abrimo-nos espontaneamente à nossa parte transcendente, nos entregamos e  oferecemos ao EU todos os conteúdos e todas as energias da personalidade. 

Esse oferecimento se baseia na lei de sacrifício, que não deve ser considerada uma renúncia dolorosa, mas um "ato sagrado" com o qual nos elevamos as energias dos nossos veículos na direção do EU a fim de purificá-las e as transformar, canalizando-as na direção justa. Trata-se, na verdade, de um processo de libertação que está ocorrendo dentro de nós, pois no momento mesmo do oferecimento sentimos que se reduz o peso do apego e da ilusão que nos causavam sofrimento. 

Quando oferecemos ao EU os conteúdos de nossa personalidade, superamos o dualismo porque nos identificamos com Ele. 

Um instante antes desse oferecimento, estamos ainda na dualidade; mas, quando completamos o ato do sacrifício e damos nossas energias ao EU e ELE as acolhe, tornamo-nos uno com ELE: somos o EU. Sentimos então que não estamos privados de nada, que não renunciamos a nada, porque fizemos aquilo que nós mesmos queríamos fazer. 

Não existem mais duas vontades, dois eus; existe uma só vontade, um só eu, porque nós somos o EU. 

O despertar é também chamado "metanóia" (do grego metanoia, que significa transformação fundamental, conversão). Isso porque, quando passamos para a outra consciência e nos identificamos com o EU, vemos todas as coisas na justa posição, "no lugar certo", e nos damos conta de que vivíamos "de cabeça para baixo".

Assim como o bebê que, para poder sair do ventre materno e nascer, precisa girar e virar de cabeça para baixo, também o nosso eu pessoal, para poder despertar e vir à luz, saindo da obscuridade da inconsciência, precisa virar de cabeça para baixo.

Esse acontecimento, embora ainda distante, é a meta para a qual tende todo o longo caminho do desenvolvimento da consciência. Tudo aquilo que nos acontece, todos os nossos problemas, os nossos erros, as provações que enfrentamos, o nosso sofrimento, procuram nos conduzir para essa menta e nada mais são do que instrumentos e meios para nos fazer conhecer a direção justa, rumo ao despertar da verdadeira consciência.

(...) Uma consciência despertada não mais se defende da vida e não mais se opõe à vida. Ela adere à vida, equilibra tudo, transformando cada experiência em oportunidade de crescimento.

É esse o estado de presença e de vigilância contínua e consciente que temos de alcançar e que nos faz perguntar incessantemente o significado das coisas e dos acontecimentos, para compreender se eles estão nos conduzindo para a meta real ou, ao contrário, para um desvio ou uma ilusão.

E então, sustentados pela constante percepção consciente da direção para a qual seguimos, descobrimos o caminho espiritual que se abre e se evidencia claramente diante de nós, conduzindo-nos ao despertar. Começa assim a verdadeira vida, porque adquirimos finalmente a visão límpida da realidade.

A verdadeira vida, portanto, coincide com o caminho espiritual percorrido conscientemente, um caminho que não é externo, mas interior.

Diz um antigo dito espiritual: "Tu não poderás percorrer o Caminho até teres te tornado, tu próprio, o Caminho". Isso significa que o caminho é a consciência do EU, manifestando-se gradualmente e iluminando os "passos" sucessivos a serem percorridos, os quais formam lentamente todo o caminho interior a ser seguido rumo à completa realização.

Essa realização não tem um caráter apenas individual, mas leva a uma abertura para todos os seres e para a Realidade Universal: ela leva à autotranscendência.

Reconhecer-se no EU significa desenvolver um sentimento de unidade e amor por tudo o que existe. Tornando-nos plenamente nós mesmos, alcançamos a capacidade do amor, da fraternidade, do compartilhamento, da universalidade e da união. Nasce o impulso para o Serviço, que é definido como o "Instinto da Alma", pois é sua expressão natural.

Quando chegamos a esse estado de consciência e vemos esse resultado, sentimos que valeu a pena termos passado pelo crisol do sofrimento. A dor nos parece então ser apenas uma primeira fase do caminho evolutivo da humanidade, um trabalho inevitável e necessário para a transformação das energias aprisionadas e imersas na inconsciência, e para alcançarmos a união entre Espírito e Matéria que nos levará à libertação e à Beatitude.

Angela Maria La Sala Batà


Resgatando o sentido do sentir

Tudo é energia

 
K: A experiência psicológica está no tempo.

DB: Penso que o que você está dizendo é que a noção de nos controlarmos psicologicamente não tem significado.

K: Portanto, o conhecimento do "eu " - o conhecimento psicológico — é o tempo.

DB: Sim, eu compreendo que a totalidade do conhecimento é o "eu", é o tempo.

K: Então, o que é a existência sem isso? Não existe o tempo, não existe o conhecimento no sentido psicológico, não há nenhum sentido do "eu"; então, o que existe? Para chegar a esse ponto a maioria das pessoas diria: "Isso é uma coisa horrível".

DB: Sim, porque parece que, então, não haveria nada.

K: Nada. Mas se alguém chegou a esse ponto, o que existe ali? Você diria que, como não há nada, há tudo?

DB: Sim, eu aceitaria isso. Eu sei que é assim. Isso é verdadeiro, tudo está contido aí.

K: Não há meditação, não há nada.

DB: Nada.

K: Nada, é isso.

DB: Uma coisa é limitada, e isso não é uma coisa porque não existem limites... Pelo menos, isso possui tudo potencialmente.

K: Um momento. Se isso não é nada, e portanto tudo, então tudo é energia.

DB: Sim, e não se trata disso, porque não podemos dizer: "À medida que me torno habilidoso no meu trabalho, torno-me habilidoso em minha mente, fundamentalmente habilidoso".

K: Sim. Para onde, então, isso está nos levando? Sei que o conhecimento é tempo; o cérebro percebe isso, e vê a importância do tempo numa certa direção, e constata que o tempo não tem qualquer valor em outra direção. Isso não é uma contradição.

DB: Eu diria que o valor do tempo está limitado a uma certa direção, ou área, e que, para além dela, ele não tem valor.

K: Sim. Então o que é a mente ou o cérebro sem o conhecimento? Você entende o que eu digo.

DB: Sem o conhecimento psicológico?

K: Sim, estou falando psicologicamente.

DB: Não é tanto pelo fato de ele estar preso no tempo, mas por ele estar desprovido do conhecimento psicológico para se organizar.

K: Sim.

DB: Estamos dizendo, então, que o campo cerebral deve se organizar conhecendo psicologicamente tudo sobre si mesmo.

K: Então a mente e o cérebro significam desordem? Certamente que não.

DB: Não. Mas eu penso que as pessoas que se defrontarem com isso poderão achar que se trata de desordem. Sim. A base de tudo é energia.

K: Naturalmente. Tudo é energia. E qual é a fonte dessa energia? Ou não há nenhuma fonte de energia? Existe apenas a energia?

DB: A energia apenas é. A energia é "o que é". Não há necessidade de uma fonte. Seria isso, talvez, uma maneira de encarar a coisa?

K: Não. Se não existe nada, e conseqüentemente tudo, e tudo é energia... Temos que tomar bastante cuidado aqui; os hindus também têm essa idéia, a de que Brahman é tudo. Você entende? Mas isso se torna uma idéia, um princípio, e então o funcionamento está mais uma vez no cérebro. O fato, porém, é que não há nada, e conseqüentemente existe tudo, e tudo isso é energia cósmica. Mas o que originou essa energia?

DB: Não estamos falando do tempo.

K: Eu sei que não estamos falando do tempo, mas, veja, os cristãos diriam: "Deus é energia e Ele é a fonte de toda a energia". Não é verdade?

DB: Mas os cristãos têm uma idéia do que eles chamam de Ente Supremo, que é também a própria fonte de Deus.

K: E os mundos dos hindus, dos árabes, dos judeus também têm isso. Estamos indo contra tudo isso?

DB: Soa parecidos de algumas maneiras.

K: E, ao mesmo tempo, não parecido. Temos que ter cuidado.

DB: Muitas coisas como essa foram ditas através dos tempos.

K: Estamos então apenas caminhando no vazio? Estamos vivendo no vazio?

DB: Bem, isso não está claro.

K: Não existe nada, e tudo é energia. O que é isso?

DB: Bem, existe alguma coisa dentro da energia?

K: Isso não é diferente da energia. Isso. Mas a coisa que está dentro diz: "Sou totalmente diferente daquilo".

DB: O "eu" se fecha e diz: "Eu sou diferente, eu sou eterno".

K: Por que ele fez isso? Por que surgiu a separação? Será porque externamente eu me identifico com uma casa e assim por diante, e essa identificação avançou interiormente?

DB: Sim. E o segundo ponto era que uma vez que estabelecemos a noção de alguma coisa interna, tornou-se necessário protegê-la; e isso, portanto, criou a separação.

K: Naturalmente.

DB: O interior era obviamente a coisa mais preciosa, e teria que ser protegido com toda nossa energia.

K: Isso quer dizer então que existe apenas o organismo — que é parte da energia? Não há em absoluto nenhum "mim", a não ser o nome no passaporte e a forma; além disso não há nada; e conseqüentemente existe tudo, e portanto tudo é energia?

DB: Sim, a forma não possui existência independente.

K: Não. Existe apenas a forma. Isso é tudo.

DB: Você diz que existe também a energia.

K: Isso é parte da energia. Portanto, existe apenas isso, forma exterior.

DB: Existe a forma exterior na energia.

K: Você percebe o que dissemos? Isso é o fim da jornada?

DB: Não, não creio.

K: Terá a humanidade viajado através dos milênios para chegar a isso? à conclusão de que não sou nada, e consequentemente tudo, e toda energia.

DB: Bem, isso não pode ser o fim, no sentido de que poderá ser o início.

K: Espere. É exatamente como eu queria que você começasse. O final é o início — certo? Agora — quero me aprofundar nisso. Veja bem, no final disso tudo — em poucas palavras, no término do tempo há um novo começo. Por que isso? Porque de outro modo isso pareceria completamente fútil. Sou todo energia, apenas a casca existe, e o tempo findou. Parece tão fútil.

DB: Sim, se pararmos aí.

K: Isso é tudo.

DB: Penso que isso está realmente limpando a base de todos os escombros, de toda a confusão.

K: Sim. Então o fim é um começo. Mas o que é isso? O início também subentende o tempo.

DB: Não necessariamente. Creio termos dito que poderia haver um movimento que não tivesse tempo.

K: Isso é tudo. Quero tornar isso claro.

DB: Sim, mas é difícil de expressar. Não é uma questão de ficarmos estáticos, e sim num certo sentido de o movimento não ter a ordem do tempo. Acho que teríamos de dizer isso agora.

K: Sim. Vamos então usar a palavra "início" de despojá-la do tempo.

DB: Isso é porque o término e o início não representam um tempo especial. Na verdade eles podem representar qualquer tempo ou nenhum tempo.

K: Nenhum tempo. O que ocorre então? O que está acontecendo? Não a mim, não ao meu cérebro. O que está acontecendo? Já dissemos que quando negamos o tempo não existe nada. Depois dessa longa conversa, nada significa tudo. Tudo é energia. E nós paramos aí. Mas isso não é o fim.

DB: Não.

K: Isso não é o fim. Então o que está acontecendo? É isso criação?

DB: Sim, algo parecido.

K: Mas não a arte de criar, como escrever ou pintar.

DB: Talvez mais tarde possamos examinar o que queremos dizer com criar.

Krishnamurti e David Bohm - 1º de abril de 1980. Ojai, Califórnia

Um caminho de completa sensação de paz e amor

K: Posso falar um pouco sobre mim?

DB: Sim.

K: Falarei primeiro sobre a meditação. Toda meditação consciente não é meditação — certo?

DB: O que você entende por meditação consciente?

K: A meditação deliberada, praticada, que é na verdade meditação pré-meditada. Existiria alguma meditação que não fosse premeditada — que não fosse uma atividade do ego que tenta se transformar em alguma coisa — ou que não fosse capaz de negar?

DB: Antes de continuarmos, poderíamos opinar sobre o que deveria ser a meditação. Será ela uma observação da mente que observa?

K: Não. Ela foi além disso tudo. Estou usando a palavra meditação no sentido de que não há nela o menor resquício de qualquer tentativa consciente de se transformar, de alcançar algum nível.

DB: A mente está simplesmente consigo mesma, silenciosa.

K: É aí que eu quero chegar.

DB: Sem procurar por nada.

K: Veja bem. Eu não medito no sentido comum da palavra. O que acontece é que eu acordo meditando.

DB: Naquele estado?

K: Certa noite na índia eu acordei; olhei no relógio e vi que era meia-noite e quinze; e — hesito em dizer isso porque soa como algo fantástico — a fonte de toda energia havia sido alcançada; e isso teve um efeito extraordinário sobre o cérebro; e também sobre o físico. Sinto ter de falar sobre mim, mas, você compreende, não houve, literalmente, em absoluto qualquer separação; nenhum sentido de mundo, de "mim". Você percebe? Havia apenas o sentido de uma tremenda fonte de energia.

DB: Então o cérebro estava em contato com essa fonte de energia?

K: Sim, e como venho dizendo há sessenta anos, eu gostaria que outras pessoas chegassem a isso. Não, chegar, não. Você entende o que estou dizendo? Todos os nossos problemas estão resolvidos, porque ela é energia pura desde o início dos tempos. Agora, como eu poderei — não "eu", você compreende — como uma pessoa poderá não ensinar, não ajudar ou não pressionar — no entanto, como alguém pode dizer: "Este caminho leva a uma completa sensação de paz, de amor"? Sinto muito ter de empregar todas essas palavras, mas suponha que você tenha chegado nesse ponto e o seu cérebro esteja latejando com essa energia — como você ajudaria outra pessoa? Você está me entendendo? Refiro-me a uma ajuda efetiva — não a palavras. Como você ajudaria outra pessoa a chegar a isso? Compreende o que estou querendo dizer?

DB: Sim.

K: Meu cérebro — não o meu, mas o cérebro — evoluiu. Evolução subentende tempo, e o cérebro só pode pensar, viver, no tempo. Agora, negar o tempo representa, para o cérebro, uma tremenda atividade, pois qualquer problema que surja, qualquer pergunta, será imediatamente resolvida.

DB: Essa situação é sustentável ou existe apenas por um período?

K: É sustentável, obviamente, caso contrário não haveria nela nenhum propósito. Ela não é esporádica nem intermitente. Agora, como você pode abrir a porta, como pode ajudar outra pessoa a dizer: "Olhe, temos caminhado na direção errada, existe apenas o não-movimento; e, se o movimento parar, tudo ficará correto"?

DB: Bem, é difícil saber de antemão se tudo ficará correto. (...) Contudo, a mente opera sem o tempo, embora o cérebro não seja capaz de fazer isso.

K: Isso significa que Deus está no homem, e que Deus só pode operar se o cérebro estiver tranquilo, se o cérebro não estiver preso no tempo. (...) Ms como se pode transmitir isso para outra pessoa? Como você, ou "X", transmitirá isso a um homem que está preso no tempo, e que resistirá a isso, lutará contra isso, porque diz que não há outra maneira? Como se pode transmitir isso a ele?

DB: Creio que só se pode transmitir isso a alguém que já esteja no processo; provavelmente, não se conseguirá de modo algum transmiti-lo a uma pessoa que escolhamos ao acaso na rua!

K: Então, o que estamos fazendo? Como isso não pode ser transmitido através de palavras, o que pode um homem fazer?

Krishnamurti e Davi Bohm - A Eliminação do tempoPsicológico

O abençoado portal da rendição

Uma visão sobre a mente séria




Em geral, pensamos ser "sérios", isto é, dispostos a um exame refletido dos problemas da vida - e até certo ponto o somos, pois do contrário não estaríamos aqui... A mente vulgar, superficial, pode também tornar-se muito "séria"; mas, quando se torna "séria", torna-se também algo absurda. Não sei se já notastes como as pessoas de mente vazia se mostram, freqüentemente, muito sérias. São muito loquazes, tomam ares importantes, e para essa mente tudo se torna um problema que cumpre estudar, analisar, penetrar; entretanto, continua a ser uma mente muito pouco profunda. E há, também, a mente muito lida, muito hábil no argumentar, no analisar, capaz de aduzir citações, extraídas de seu vasto reservatório de conhecimentos. Como muito bem sabeis, esse tipo de mente é solerte, incisivo, hábil, mas eu não a chamaria uma mente séria, como assim não o chamaria à mente superficial que quer mostrar-se séria. E há, ainda, a mente sentimental, emotiva, que facilmente se apaixona e se deixa levar a um sentimento de superficial qualidade, chamado "devoção"; mas essa mente, para mim, também não é séria.

 JIDDU KRISHNAMURTI


Graça: o Coração Que Está Aberto à Verdade



Excerto da 1ª parte do Satsang intensivo em São Petersburgo - Graça: o Coração Que Está Aberto à Verdade, do dia 27 de Outubro de 2013.

Uma mensagem não egocrática

As ilusões do ego

Faz parte do ego, após ter um pequeno "lampejo iniciático da 'Coisa'", numa tentativa de retardar o processo da retomada da Consciência Real que somos, passar a amenizar a escuta atenta, começar a formular imagens através de novos condicionamentos e partir pelo mundo — desvirtuando a fala do finado poeta — disparando contra o Sol sua "mental-lhadora" cheia de mágoas, se achando "eu sou o cara", sem perceber que o tempo não parou e é ego que continua rolando seus dados livrescos, sobrevivendo sem nenhum arranhão...

Outsider

Assim dizia o Maharishi

Adicionar legenda
Bhagavan Ramana Maharishi, o "grande vidente" de Arunachala, Índia, faz consistir toda a libertação e auto-realização do homem na distinção nítida entre o seu Eu divino (alma) e o seu pequeno ego humano (corpo-mente-emoções).

Passaremos a reproduzir uma série de perguntas que seus discípulos lhe fizeram e cujas respostas esclarecem admiravelmente esse ponto central.

Pergunta: Como conseguir a minha auto-realização?

Maharishi: Já estás auto-realizado, se te libertares do pensamento "Não alcancei libertação". Esse erro de identificares o Eu com o não-Eu, o ego, tem de ser superado. A felicidade do Eu é sempre tua — e tu despertarás para o teu verdadeiro Eu no momento em que ultrapassares esse impedimento: o ego, egoidade, a ego-ilusão. Abre mão desse equívoco — e estarás livre para seres o Eu, que na verdade és. 

P: Não conviria que fôssemos buscar a solidão para realizarmos o nosso verdadeiro eu?

RM: Solidão é por toda a parte. Não a procures fora de ti, mas dentro de ti. Pode um homem estar imerso na lufa-lufa do mundo, e, no entanto, viver em profunda solidão, se estiver perfeitamente calmo dentro de si mesmo. Alguém vive em plena floresta, e não tem solidão, se não tiver domínio sobre suas energias internas; esse não é o homem solitário. A solidão é um estado de alma. Quem está apegado a qualquer objeto externo não vive em solidão, esteja onde estiver. O homem interiormente calmo está em solidão, sempre e por toda a parte. 

P: Não conviria que o homem em busca da verdade abandonasse, antes de tudo, as suas posses? 

RM: O que ele deve, antes de tudo, abandonar é o POSSUIDOR, e não as posses. Quem se abandona a si mesmo, isto é, o seu pseudo-eu e encontra o seu verdadeiro Eu, esse tem tudo e não necessita de nada mais.

P: Não deveria eu abandonar os afazeres mundanos a fim de adquirir a consciência cósmica? 

RM: O teu único impedimento é o pensamento "eu trabalho". Pondera calmamente: "quem é esse que trabalha?" — e o trabalho deixará de ser empecilho para ti; e os teus trabalhos terão o mesmo resultado de antes. 

P: Não convinha, pelo menos, que eu abandonasse casa e família?

RM: Que mal te fazem casa e família? Descobre primeiro quem és tu. Também no meio da agitação do mundo pode o homem atingir auto-realização. Não é necessário ser monge para ter iluminação interna. Quem assim pensa, troca o erro "eu sou um homem mundano" pelo erro "eu sou um monge" — quando é necessário libertar-se tanto desta como daquela ilusão, a fim de chegar ao puro "EU SOU". O que em mim há de essencial não é afetado por lugares e circunstâncias. Por isto, podemos realizar o nosso EU em qualquer lugar, suposto que esse desejo seja maior que outro desejo qualquer. 


A nuvem do eu obscurece a radiância do ser

O ateísmo é a forma mais baixa de religião

O ateísmo é a forma mais baixa de religião. Por que digo que é a forma mais baixa de religião? Porque é a menos produtiva, a menos criativa. Você já observou? Em todos estes séculos, as religiões teístas têm sido tão produtivas, tão criativas Khajuraho, Ajanta, Ellora, Michaelangelo, Mozart, Leonardo da Vinci, as grandes igrejas e catedrais, os grandes templos do Oriente, as grandes estátuas de Buda. Toda a pintura, toda a escultura, toda a música, todo o teatro, toda a poesia, saíram das religiões teístas. O ateísmo não criou nada. É por isso que digo que é a forma mais baixa de filosofia. Os ateus não criaram nada; têm sido as pessoas mais inférteis e impotentes. Não criaram nenhum livro comparado ao Geeta, à Bíblia ou ao Alcorão. Não criaram nada. Todo o esforço deles tem sido este: Deus não existe. É suficiente ficar declarado que Deus não existe? Eles não desafiaram a inteligência do homem.

(...) Tudo o que é belo saiu das pessoas religiosas, dos teístas. 

Existem no mundo trezentas religiões — tanta variedade, tantas possibilidades. O ateísmo é simplesmente monótono. Não tem nenhuma outra variedade. Não se pode escolher; não há nada para escolher. Ateísmo é só ateísmo...  Na religião há uma  tremenda variedade. Mahavir diz alguma coisa, Buda diz alguma coisa, Jesus também diz alguma coisa, Muhammad traz uma outra dimensão. Moisés abre outra porta e Zaratustra o chama para ver através de seus olhos. Uma tremenda variedade, tantas dimensões, tantas possibilidades desafiam a humanidade, fazem surgir o melhor que há em você. 

O ateísmo é não-criativo. Na verdade tem que ser assim porque a partir de uma atividade negativa não pode haver criação. A atitude negativa é mais como a morte do que como a vida. 'Não' é  morte;  'sim'  é vida.  Quando  você  diz  sim,  as  portas  se  abrem;  quando  diz  não,  todas  elas  se fecham. A religião tem  sido muito produtiva; e ainda continua produzindo, ainda é criativa, ainda não está gasta e cansada. E o ateísmo? — nunca esteve vivo, é uma filosofia morta e repetitiva. 

E  a  beleza ou a ironia disso é que  se o ateísmo desaparecer, o teísmo poderá sobreviver porque  não depende  dos  ateus.  Veja  só.  Se  não  existirem  ateus, não haverá problema para  aquele que crê em Deus, mas se ninguém acreditar em  Deus, o ateísmo  desaparecerá.  É dependente; não tem independência. Se o mundo inteiro abandonar as atitudes religiosas e todos disserem: "Sim, não acreditamos  em  Deus",  o que  acontecerá  ao  ateísmo?  É  uma  atitude  negativa;  ela  depende  do teísmo.  O  teísta  diz  "Deus existe",  e  o  ateu  diz  "Deus  não  existe".  Toda  a  sua  energia  vem  do teísmo.  Se  os  teístas desaparecerem,  o  ateísmo  desaparecerá,  simplesmente,  sem  deixar  nenhum vestígio. 

O 'não' não pode existir sem o sim, mas o sim pode existir sem o não. Por isso digo que o sim é poderoso. Ele tem vida própria; o 'não' não tem vida própria. 

E somente as pessoas estúpidas ficam tão presas ao não — pessoas que não podem criar. E é muito fácil dizer não, lembre-se, porque nada está envolvido ao se dizer não. Dizer sim é perigoso porque  você  se árduo.  Aquele  que  diz  sim  tem  que  explorar  o  imensurável.  Aquele  que  diz  não  estagnou  a  si mesmo; não está indo a nenhum lugar, ficou bloqueado, tornou-se velho e estanque. Fede. compromete.  Se você  diz  não,  não  há  comprometimento,  não  há  nenhuma exploração, você não se aventura. Se diz sim, então a jornada começa e você se move no perigo. É árduo.  Aquele  que  diz  sim  tem  que  explorar  o imensurável.  Aquele  que  diz  não  estagnou  a  si mesmo; não está indo a nenhum lugar, ficou bloqueado, tornou-se velho e estanque. Fede. 

OSHO

Segurança significa morte em vida

A insegurança é o verdadeiro tecido da vida. Se você não entender a insegurança, jamais conseguirá entender a vida. As estações  mudarão; o outono vai chegar, a primavera vai chegar. Tudo vai continuar mudando, nada pode ser tomado como definitivo; isso é insegurança. Você quer que tudo seja certo, permanente. Mas já pensou qual seria o resultado disso, se tudo fosse permanente? Você comer a mesma comida todos os dias, dizer as mesmas coisas todos os dias, ouvir as mesmas coisas todos os dias. E não haver sequer a morte para destruir essa vida trágica — você estaria vivendo em um pesadelo.

A insegurança mantém as pessoas vigorosas, vivas, aventurosas — saber que as coisas podem ser mudadas. Mesmo sem que elas as mudem, elas serão mudadas. Então há um grande escopo para a mudança, para a transformação. Um antigo ditado diz: “O homem autêntico é aquele que o nascer do sol nunca encontra onde o pôr do sol o deixou”; ou onde o nascer do sol o deixa, o pôr do sol nunca o encontra. Ele está sempre em movimento, ele é um fluxo...não um lago sujo que não vai para lugar nenhum.

Mas todo o treinamento da nossa mente é tal que nos tornamos temerosos da insegurança, e durante toda a nossa vida estamos tentando buscar a segurança. Financeira, política e religiosamente — em todas as dimensões queremos estar seguros. Mas segurança significa morte, uma morte em vida. Significa que amanhã será simplesmente uma repetição de hoje, e hoje uma repetição de ontem.

Você está vivendo? Há uma dança em sua vida? Você está se movendo, crescendo, arriscando, enfrentando os desafios de caminhos perigosos? Na aceitação do perigo, na aceitação de que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento, a vida chega ao seu melhor, à sua plenitude.

Sua questão é: “Ultimamente tenho me sentido muito inseguro e vejo quanto eu não gosto desse espaço do não saber”. Você está totalmente de cabeça para baixo; terá de mudar sua postura. A insegurança não é um espaço a ser malvisto, é um espaço que tem de ser amado e a apreciado, celebrado...porque o amanhã trará coisas novas.

O homem tem criado falsos suportes para a segurança, sabendo perfeitamente bem que todos eles caem, mas ele continua amontoando suportes em torno dele. O tempo não se importa com os seus suportes nem a vida se importa com seus suportes. Na verdade, faz parte da natureza que, faça você o que fizer, você continue inseguro. Você pode ter um equilíbrio bancário, você pode ter um grande seguro — mas estas são apenas estratégias para você se enganar. Que seguro pode haver contra a morte? Que seguro pode haver contra o fluxo da vida em constante mutação? Você não pode evita-lo ele é um rio montanhoso correndo depressa, caindo das altas montanhas em cachoeiras, movendo-se dentro dos vales em direção ao oceano onde ele vai desparecer completamente.

Osho – Inocência, Conhecimento e Encantamento

Sobre a questão do medo

É muito difícil encontrar um homem real

O mundo não pode ser renunciado. A renúncia é um esforço desesperado de uma pessoa que se entregou excessivamente aos prazeres, mas esta atitude não é muito sábia. A concupiscência é tola, a renúncia também. O homem sábio encontra a harmonia. Ele não se entrega totalmente aos prazeres nem renuncia; simplesmente se torna consciente de qualquer situação. Não está preocupado em fugir do mundo; começa a tomar consciência do seu ego que projeta o mundo. E só estando alerta para todos os desejos ocultos do ego é que esses desejos desaparecem. Quanto mais luz entra em seu ser, quanto mais consciente você se torna, cada vez menor é a competição. Não que você renuncie, ou faça qualquer esforço para renunciar. A própria compreensão torna-se uma luz sutil em seu ser e você começa a rir de todas as competições tolas, das comparações, das avaliações que tem feito — e pelas quais tem sofrido.

Lembre-se: a renúncia vem da mesma mente estúpida. Nada mudou. Um dia você estava cada vez mais em busca dos prazeres — mais dinheiro, mais mulheres e mais homens. Agora começou a sentir medo e quer fugir, correr do mundo, mas a sua estupidez não mudou. O seu ser interior continua o mesmo. Você está tentando fazer o impossível...

A menos que o seu centro mais profundo mude, seja transformado, torne-se luminoso com uma nova luz e uma nova consciência, é impossível. A mudança não pode acontecer. A mudança não vem do exterior; ela tem que acontecer em algum lugar no interior. E então o fulgor espalha-se por toda parte...

Você pode se parecer com algo que você não é; isso é muito fácil. Pode fingir ser um santo, e por dentro permanecer o mesmo miserável de sempre. Pode até fingir que está muito feliz — na verdade, é o que todos estão fazendo. Pode continuar fingindo. Os outros podem ser enganados, mas como você pode enganar a si mesmo?

Mudar as coisas exteriormente não adiantará nada; aos poucos você se tornará cada vez mais falso e perderá contato com os seus sentimentos reais. Por exemplo, um homem raivoso pode reprimir sua raiva; pode até fingir estar apaixonado. Um homem que não tem amor em seu ser pode mostrar-se e agir como uma pessoa muito amorosa. Talvez outra pessoa seja enganada por algum tempo — não por muito — mas como enganar a si mesmo? Você saberá o tempo todo que há raiva, que há fogo e veneno em você. E esse veneno irá destruindo o seu ser, a sua paz. O veneno irá matando você.

O sorriso que você pinta na superfície não adianta nada — a menos que brote um riso de seu coração.

Ninguém parece ser real e autêntico. É muito difícil encontrar um homem real. O mundo tornou-se falso demais. E por que se tornou tão falso? Porque estamos tentando fazer algo que não é possível: estamos tentando ser felizes fingindo felicidade, tentando ser amorosos fingindo amor, tentando ser santos fingindo santidade. Estamos tentando pintar nossos rostos e usar máscaras para conhecer nossa face original. Isso é impossível... 

A coisa mais impossível é querer chegar ao real através do irreal, chegar ao autêntico através do falso. É impossível. Não pode ser feito. E por séculos a humanidade tem tentado fazer isso. E aquilo que você chama de religião tem ajudado as pessoas a serem cada vez mais falsas. O mundo inteiro está cheio de pessoas falsas... 

Por isso você está perdendo o êxtase que a vida pode lhe dar, que cabe à vida lhe dar. Está perdendo tudo que é belo, verdadeiro, tudo o que é bom, tudo o que está sendo constantemente derramado sobre você...

Você não tem a sua própria face. É a face de outra pessoa. E você não tem apenas uma face falsa, tem muitas — umas por cima das outras. E você está completamente perdido; não sabe quem você é... "Procure a sua face original; descubra-a... A face que você tinha antes de nascer e a que terá depois de morrer". Descubra essa face original. Ela é a verdade, ou se quiser, chame-a de Deus.

OSHO

Filme: Vampiros de Almas

Sobre o processo de dispersão mental

Filme - O Príncipe do Deserto



Inicio do Século 20, Arábia. Sob o impiedoso céu do deserto, dois lideres guerreiros se enfrentam cara a cara. Os corpos de seus soldados estão espalhados pelo campo de batalha. O vitorioso Nesib, Emir de Hobeika ( Antonio Banderas ), dita seus termos de paz para o rival Ammar, Sultão de Salmaah transforma de bibliotecario em um verdadeiro lider. O palco está montado para uma disputa épica pelo controle de Faixa Amarela, pelo controle dos dois reinos - pelo controle do futuro.

O segredo do abismo está além da lógica e da razão

Sintomas da retomada da consciência que somos

A verdade é uma presença silenciosa

Caro Confrade, permita-me sugerir que talvez você esteja a desperdiçar a sua energia e investigação numa direção inútil. Para determinar se uma afirmação é verdadeira ou falsa, o que temos que verificar é se tem ou não correspondência na realidade dos fatos e da experiência. E isso nada tem a ver com quaisquer características pessoais de quem a enuncia. Nada no mensageiro determina o valor da mensagem. Você procura um mestre e uma autoridade perfeita e infalível a quem possa seguir ou procura a verdade? Se você está seriamente interessado na verdade, terá que a descobrir na sua própria experiência e funcionamento. Se alguém chegasse ao pé de nós e nos dissesse que a nossa casa se encontrava em chamas, o que faríamos? Íamos verificar as credenciais e o currículo de quem nos dava a informação? Ou simplesmente desatávamos a correr para o local da nossa moradia? É por isso que quem está seriamente interessado na verdade considera o debate e a discussão como um desperdício inútil de energia. A defesa obstinada da opinião resulta mais vezes da vaidade do ego do que da procura desinteressada da verdade. Não merece a aceleração do nosso ritmo cardíaco! Quem descobriu a verdade sabe que ela não depende de convencer ninguém e nem precisa da confirmação de ninguém. A mentira é que precisa de ser sustentada pelo barulho do intelecto e das palavras. A verdade é uma presença silenciosa! Saudação amiga!

Pedro Fonseca

Que tipo de homem é você?

Existem três tipos de homens, e o Mestre se comporta diferentemente de acordo com o tipo. O tipo mais alto é o homem que provou o êxtase da não-mente. O Mestre se comporta com esse tipo de homem de uma maneira totalmente diferente, porque ele sabe que ele entenderá.

O estado de não-mente é o estado mais alto. Você está no pico quando você está no estado de não-mente, quando você está absolutamente silencioso, quando nada mexe dentro de você, nenhuma ideia, nenhuma pensamento, quando a mente parou de fazer barulho, o barulho constante. A mente está tagarelando tanto que ela não lhe permitirá ouvir nada. Quando o tagarelar da mente para, pela primeira vez você se torna consciente da música de seu próprio ser. E pela primeira vez você se torna consciente da música que essa existência é.

Quando tal homem se aproxima de um Mestre, o Mestre se comporta de uma maneira totalmente diferente — porque ele sabe que não importa o que ele faça, ele será entendido. Comunhão é possível quando não existe barreira.

O segundo tipo de homem é o homem que vive no meio, entre o primeiro e o terceiro. Ele tem uma mente meditativa — não uma não-mente, mas uma mente meditativa. Isto é, ele está no caminho. Ele aprendeu como ser um pouco silencioso, um pouso mais harmônico que os outros. O barulho está lá, mas é um barulho distante; ele tem sido capaz de se destacar do barulho. Ele criou uma pequena distância entre ele e sua mente; ele não está mais identificado com a mente. Ele não pensa: “Eu sou a mente”. A mente está lá, ainda tagarelando, ainda armando velhos truques, mas o homem está um pouco alerta para não ser um escravo da mente. A mente não o deixou, mas a mente não é mais tão poderosa quanto ela é ordinariamente.

No estado de não-mente, a mente se foi; a mente se tornou cansada. A mente chegou a perceber que “esse homem foi além — além dos meus poderes. Agora esse homem não pode mais ser explorado. Esse homem se tornou completamente não-identificado comigo. Ele me usará, mas eu não posso mais usá-lo”.

O segundo tipo de homem, que está no meio, algumas vezes volta ao velho padrão, é USADO pela mente, alguma vez deixa esse velho padrão. É como um jogo de esconde-esconde. A mente ainda não está absolutamente certa de ter falhado; ainda há esperança, porque às vezes o homem começa a ouvir a mente, torna-se novamente identificado. A distância não é grande; a mente está muito próxima. Qualquer momento — qualquer momento de inconsciência e a mente assume, começa a dominá-lo novamente.

Esse é o segundo tipo de homem: o homem meditativo, que conheceu uns poucos vislumbres do eterno. Exatamente como você pode ver o Himalaia a milhares de quilômetros de distância... os picos cobertos de neve no sol da manhã num céu aberto, céu sem nuvens, podem ser vistos a milhares de quilômetros de distância. Isto é uma coisa; e estar no pico, habitar lá, é uma outra coisa.

O primeiro tipo de homem RESIDE na não-mente. O segundo tipo de homem tem somente vislumbres — de grande valor certamente, porque esses vislumbres irão preparar o terreno para que ele alcance o pico. Uma vez que você tenha visto o pico, mesmo que a milhares de quilômetros de distância, o convite foi recebido. Agora você não pode permanecer no mundo em repouso, na velha maneira. Alguma coisa começa a lhe desafiar, algo começa a lhe provocar. Uma aventura tomou posse de você: você TEM que viajar até o pico. Pode levar anos, vidas, mas a viagem começou. A primeira semente caiu dentro do coração.

O mestre se comporta com o homem meditativo de uma maneira diferente, porque com o primeiro a comunhão é possível, com o segundo a comunicação é possível.

E então há o terceiro tipo: o homem que vive identificado com a mente, com o ego, com quem mesmo a comunicação não é possível, com quem não há nenhuma maneira de se relacionar.

A palavra “identificação” é bonita. Significa fazer de alguma coisa uma entidade, fazer do “ID” uma entidade; esse é o significado de identificação. Quando VOCÊ se torna mente, você se tornou uma coisa; você não está separado. Você caiu no sono. Isto que é chamado de sono metafísico. Você perdeu a trilha do seu próprio eu. Você se esqueceu da sua realidade e você se tornou um com alguma coisa que você não é. Tornar-se um com algo que você não é, é identificação; e ser aquilo que você é, é não-identificação.   

OSHO

Abrindo mão do complexo de sabe tudo

Pensamos compreender as coisas mediante acumulação de conhecimentos, mediante comparação. Positivamente, por essa maneira nada se compreende. Se você compara uma coisa com outra, você é absorvido por essa ocupação. Só se pode compreender uma coisa quando lhe aplicamos toda a nossa atenção, e qualquer forma de comparação ou avaliação é uma distração.

(...) Qualquer forma de conhecimento cumulativo destrói todas as possibilidades de novos descobrimentos(...) Se uma pessoa é capaz de estudar, de observar A SI MESMA, começa a descobrir como a memória cumulativa atua sobre todas as coisas que vê; fica a pessoa, continuamente, a avaliar, a rejeitar ou aceitar, condenar ou justificar, e, nessas condições, a sua experiência fica sempre restrita ao campo do conhecido, do condicionado.

Mas, sem a memória cumulativa, COMO DIRETRIZ, muitos de nós nos sentimos perdidos, cheios de medo, e por consequência incapacitados para observar a nós mesmos TAIS COMO SOMOS. Sempre que há esse processo de acumulação, que é cultivo da memória, a observação que fazemos de nós mesmos se torna muito superficial.

A acumulação é que é a causa do sofrimento. Nós não morremos para todas as coisas, de dia em dia, não morremos para as inumeráveis tradições, para a família, para nossas próprias experiências, nosso próprio desejo de fazer mal a outrem. Precisamos morrer para TUDO isso, de momento a momento, morrer para esta vasta memória constituída de acumulações, porque só então a mente está livre do "eu", a entidade nascida da acumulação.

(...) Ora bem, se pudermos realmente atingir esse estado de "NÃO SABER", isso denotará um extraordinário senso de humildade; não há aí, a arrogância do saber, a resposta presunçosa, que visa a causar impressão. Quando você é capaz de dizer "não sei" — e muito poucas pessoas são capazes de tal — então, nesse estado, desaparece todo o temor, uma vez que terminou a atividade de reconhecimento, o rebuscar da memória; já não há busca nenhuma no campo do conhecido. É então que surge a coisa extraordinária.

Devo perceber que todo pensamento, por mais sutil e elevado ou por mais ignóbil e estúpido, tem suas raízes no conhecido, na memória. Se percebo isso com muita clareza, então a mente, ao ver-se na presença de um problema imenso, é capaz de dizer "NÃO SEI" — porque não tem resposta alguma, guardada na memória. Então, todas as respostas do Buda, do Cristo, dos Mestres, dos GURUS, nada significam; porque, se alguma coisa significam, esta significação provém da coleção de lembranças que constituem o meu condicionamento.

Se, pois, percebo a verdade de tudo isso, e ponho de lado, decididamente, todas as respostas, o que só posso fazer quando possuo essa imensa humildade do "NÃO SABER", qual é então o estado da mente? Qual é o estado da mente que diz: "Não sei se há Deus, se existe o Amor" — isto é, da mente que nenhuma resposta tem, tirada da memória? Por favor, não responda a esta pergunta já, para si mesmo, porque se assim o fizer a resposta será apenas o reconhecimento do que pensa que esse estado deve ser ou não ser. Se você diz "É um estado de negação, nesse caso você o está comparando com algo que já sabe e, por conseguinte, é inexistente, em você, o estado de "NÃO SABER".

(...) Assim, pois, a mente que é capaz de dizer "NÃO SEI", acha-se no único estado em que é possível descobrir alguma coisa. Mas o homem que diz "SEI", o homem que estuda todas as variedades da experiência humana, cuja mente está carregada de um saber enciclopédico, poderá esse homem, em algum tempo, experimentar algo que não é acumulável? Ele verá que isso é dificílimo. Quando a mente afasta de si todo o saber que adquiriu, quando para ela não existem nem Budas, nem Cristos, nem Mestres, nem instrutores, religiões, citações; quando está absolutamente SÓ, não contaminada — o que significa que cessou o movimento do conhecido — é só então que se apresenta a possibilidade de uma tremenda revolução, uma transformação fundamental. Essa transformação é obviamente necessária; e só aqueles poucos — você, ou eu, ou X — que fizerem nascer em si mesmos esta revolução, são capazes de criar um mundo novo, e não os idealistas, ou intelectuais, os homens de imenso saber, ou aqueles que estão a praticar boas obras; não serão estes que criarão o Novo Mundo. Eles são só reformadores. O homem religioso é aquele que não pertence a religião nenhuma, nenhuma nação, nenhuma raça, aquele que interiormente está completamente só, num estado de "NÃO SABER"; e para ele é que está reservada a benção do Sagrado.

JK - Realização sem esforço


A importância de se estar psicológicamente só

As religiões, em toda a parte, têm sempre encarecido o aperfeiçoamento pessoa, o cultivo da virtude, a aceitação da autoridade, a obediência a certos dogmas, crenças, a necessidade de fazermos um grande esforço de ajustamento aos padrões estabelecidos. Não só religiosamente, mas também politicamente, vemos esse constante impulso de aperfeiçoamento pessoal: “Devo tornar-me mais nobre, mais delicado, mais atencioso, menos violento”. A sociedade, com a ajuda da religião, criou uma civilização baseada no auto-aperfeiçoamento, no sentido mais amplo da palavra. É isto o que cada um de nós está tentando fazer, a todas as horas: estamos tentando melhorar a nós mesmos, o que implica esforço, disciplina, ajustamento, competição, aceitação da autoridade, senso de segurança, justificação da ambição. E o auto-aperfeiçoamento conduz, com efeito, a certos resultados óbvios: torna a pessoa mais sociável. Tem significação social, e nada mais, visto que o auto-aperfeiçoamento não pode revelar a Realidade fundamental. Acho muito importante compreender-se isto.

As religiões que temos não nos ajudam a compreender aquilo que é real, porquanto, essencialmente, estão elas baseadas, não no abandono do “eu”, mas no melhoramento. No aperfeiçoamento do “eu”, o que significa: continuidade do “eu”, sob formas diferentes. São pouquíssimos os que se libertam da sociedade, não das exterioridades sociais, mas de todas as influências de uma sociedade que está baseada na ambição, na inveja, na comparação, na competição. Esta sociedade condiciona a mente de acordo com certo padrão de pensamento, o padrão do auto-aperfeiçoamento, auto-ajustamento, auto-sacrifício, e só os que são capazes de libertar-se de todo condicionamento, só estes podem descobrir aquilo que não é mensurável pela mente.

Agora, que entendemos por esforço? Todos estamos a fazer um esforço, nosso padrão social está baseado no esforço de adquirir, de compreender mais, de ter mais conhecimentos para, com esse fundo de conhecimentos, agirmos. Há sempre um esforço de auto-melhoramento, auto-ajustamento, auto-correção, impulso para nos preenchermos, com todas as suas frustrações, temores e angústias. De acordo com esse padrão, que todos conhecemos e de que somos parte integrante, é uma coisa perfeitamente justificável ser ambicioso, competir, invejar, perseguir determinado resultado; e nossa sociedade, seja na América ou na Europa, seja na Índia, está essencialmente baseada em tal padrão.

Assim sendo, pode a sociedade, a civilização, em seu sentido mais amplo, ajudar o indivíduo a descobrir a verdade? Ou a sociedade é nociva ao homem, já que o impede de descobrir o que é a verdade? Indubitavelmente, a sociedade, tal como a conhecemos, está civilização em que estamos vivendo e funcionando, leva o homem a ajustar-se a um padrão determinado, a ser respeitável, e ela é o produto de muitas vontades. Nós criamos esta sociedade; ela não nasceu espontaneamente. E esta sociedade ajuda o indivíduo a achar o que é a Verdade ou Deus — ou o nome que quiserem, pois as palavras são sem importância — ou deve o indivíduo colocar totalmente de lado a cultura, os valores da sociedade, para descobrir a Verdade? O que não significa — e cumpre notá-lo claramente — que ele deve tornar-se anti-social, fazer o que bem entender. Pelo contrário.

A atual estrutura social baseia-se na inveja, no impulso aquisitivo, em que está implicada a conformidade aos padrões, a aceitação da autoridade, a perpétua realização da ambição — e tudo isso representa, essencialmente, o “eu”, o “ego”, a lutar para se tornar alguma coisa. É deste material que está feita a sociedade, e sua cultura — nos seus aspectos agradáveis e desagradáveis, belos e feios — todo o campo de empreendimentos sociais — sua cultura condiciona a mente. Vocês são o resultado da sociedade. Se tivessem nascido na Rússia e sido educados pelos seus métodos especiais, negariam a Deus, aceitariam certos padrões, tal como aqui aceitam outros padrões. Aqui, acreditam em Deus, e achariam horrível, se não acreditassem, pois nãos seriam pessoas respeitáveis.

A sociedade, pois, em toda parte, está condicionando o indivíduo, e esse condicionamento assume a forma de automelhoramento, que na realidade significa perpetuação do “eu”, do “ego”, sob diferentes formas. Esse melhoramento pode ser grosseiro, ou então muito requintado, quando se torna prática da virtude, da bondade, do chamado amor ao próximo; mas, essencialmente, ele representa a continuação do “eu”, que é produto das influências condicionadoras exercidas pela sociedade. Todos os esforços de vocês têm sido aplicados no sentido de se tornarem alguma coisa, neste mundo, se tiverem sorte, ou no “outro mundo”; mas o que lhes move é sempre a mesma ânsia, o mesmo impulso para manter a continuidade do “eu”.

Ao perceber-se tudo isso — e não é necessário que eu entre em todos os respectivos pormenores — é inevitável esta pergunta: a sociedade ou a cultura existe para ajudar o homem a descobrir isso que se pode chamar a Verdade, Deus? O que importa verdadeiramente é que descubramos, que experimentemos diretamente algo que se acha muito além da mente, e não, apenas, que tenhamos uma crença, pois isso não tem importância nenhuma. E as chamadas religiões, o seguir vários instrutores e disciplinas, o pertencer a seitas, cultos, pode qualquer dessas coisas ajudar-lhes a encontrar aquela bem-aventurança eterna, aquela realidade eterna?

(...) Ora, se desejamos descobrir o que é a verdade, devemos estar totalmente livres de todas as religiões, de todos os condicionamentos, dogmas, crenças, de toda autoridade que nos força a ajustar-nos a padrões; e isso significa, essencialmente, “estar completamente só” — coisa muito difícil, que não é um simples entretenimento para uma manhã de domingo, para um deleitável passeio de carro e um refrescante descanso debaixo das árvores, ouvindo coisas sem sentido. O descobrimento da Verdade requer uma dose imensa de paciência, de serenidade, de incerteza. O mero estudo dos livros não tem valor algum; mas se, enquanto estão escutando puderem se manter completamente atentos, verão que essa atenção lhes libertará de todo o esforço, de modo que, sem nenhum movimento em qualquer direção, a mente será capaz de receber algo extraordinariamente belo e criador, algo que não pode ser medido pelo saber, pelo passado. Só uma pessoa assim é verdadeiramente religiosa e revolucionária, porque já não faz parte da sociedade. Enquanto o indivíduo for ambicioso, invejoso, ganancioso, competidor, ele É a sociedade. Com uma mentalidade dessas, de que é dificílimo nos libertarmos, esse indivíduo busca Deus, e essa busca não tem significação alguma, já que não passa de um novo esforço que ele faz, para se tornar algo, para ganhar algo. Eis porque é de grande importância compreendermos as nossas relações com a sociedade, estarmos cônscios de todas as crenças, dogmas, doutrinas e superstições que adquirimos, e deitarmos fora tudo isso — não por meio de esforço, porque nesse caso nos veremos de novo apanhados na mesma rede, mas percebendo essas coisas no seu exato significado e soltando-as de nós, tal como as folhas do outono, que murcham e são levadas pelo vento, deixando a árvore inteiramente nua. Só quando se acha neste estado, completamente nua, a mente pode receber algo portador de uma felicidade imensa para nossa vida.

Jiddu Krishnamurti — Realização sem esforço

A libertação do condicionamento é o fim do sofrimento

A mente não é apenas a consciência desperta, ocupada com as atividades diárias, mas é também as camadas mais profundas do inconsciente, onde se encontra todo o resíduo do passado, da tradição, dos instintos raciais. Tudo isso é a mente, e a menos que essa consciência total seja livre, de ponta a ponta, a nossa busca, nossa investigação, nosso descobrimento, será limitado, estreito, insignificante.

A mente está condicionada. Não há uma só parte da mente que não esteja condicionada. Nosso problema, portanto, é este: Pode a mente, assim condicionada, libertar-se? E quem é a entidade que poderá libertá-la? Compreendem o problema? A mente é a consciência total, com todas as suas camadas de conhecimentos, aquisições, tradições, instintos raciais, memórias. Esta mente pode libertar-se? Ou só pode libertar-se ao perceber que está condicionada e que todo movimento que faça para sair de seu condicionamento é outra forma de condicionamento? Espero que estejam compreendendo. Se não, continuaremos a examinar este ponto nos dias vindouros.

A mente está toda condicionada, o que é um fato evidente, se refletirmos a tal respeito. Isso não é invenção minha, é um fato. Pertencemos a uma dada sociedade, fomos educados de acordo com determinada ideologia, certos dogmas, tradições, e a vasta influência da civilização, da sociedade, condiciona-nos incessantemente o espírito. Como pode esse espírito ser livre, se todo movimento para libertar-se resulta de seu condicionamento e, por conseguinte, produzirá, forçosamente, mais condicionamento? Só há uma resposta: A mente só pode ser livre quando está completamente tranquila. Embora tenha problemas e inúmeros impulsos, conflitos, ambições, se — mercê de autoconhecimento, da autovigilância, sem aceitação ou condenação — ela estiver cônscia, imparcialmente, do seu próprio processo, então, desse percebimento há de resultar um silêncio extraordinário, uma tranquilidade de espírito em que não se observa movimento de espécie alguma. É só então que a mente é livre, porquanto, nada mais deseja, nada mais busca, não visa a nenhum objetivo ou ideal — que são as projeções de toda mente condicionada. E se lograrem alcançar esta compreensão em que não há automistificação, encontrarão a possibilidade de ver surgir aquela coisa extraordinária que se chama criação. Só então está a mente apta para compreender aquela imensidade que se pode chamar Deus, a Verdade, ou como quiserem — a palavra tem muito pouca importância. Vocês podem ser prósperos, socialmente, possuir muitos bens — automóveis, casas, geladeiras — ter paz superficial, mas, sem o surgimento daquilo que é imensurável, encontrarão sempre aflições. A libertação da mente de seu condicionamento é o fim do sofrimento.

Jiddu Krishnamurti — Realização sem Esforço


Como transcender a mente e experimentar a comunhão direta com a verdade?

Pergunta: Como pode um homem que nunca alcançou os limites da sua mente, transcender a sua mente para experimentar a comunhão direta com a verdade?

Krishnamurti: Senhor, quando você conhece os limites de sua mente, já não ultrapassou estes limites? Perceber os limites é, sem dúvida, o primeiro passo, o primeiro processo — o qual é dificílimo, uma vez que os limites da mente são extraordinariamente sutis. No saber que sou limitado, no estar cônscio disso sem condenação, já estou libertado desta limitação, não acha? Sem dúvida, se sei que sou mentiroso, se estou cônscio desse fato sem condenação, isso já é estar livre do mentir. Conhecer os limites da mente já é uma prodigiosa libertação, não acha? O perceber que estou amarrado a uma crença, já me faz livre dessa limitação; uma mente que justifica essa crença, essa prisão, defendendo-a e dizendo: “Ela me convém, necessito dela” — essa mente nunca conhecerá a sua limitação. Quando sei que estou atado, limitado por uma crença, e estou cônscio dessa limitação, sem condená-la, nem justifica-la, isso já é uma libertação da crença. Senhor, experimente isso, e verá como é extraordinariamente verdadeiro o que estou dizendo. Ter conhecimento de um problema, estar cônscio dele, significa estar livre dele; e uma mente não pode experimentar a verdade se não conhece a sua limitação. Eis a razão por que tanto importa termos o autoconhecimento. O autoconhecimento não é um alvo derradeiro, não é um fim último. Autoconhecimento significa conhecer a nossa limitação de momento a momento. A verdade que é contínua não é verdade, porque o que é contínuo nunca pode renovar-se; mas no findar há renovação. Assim, uma mente que não percebe a sua própria limitação, nunca pode experimentar a verdade; mas se a mente está cônscia de sua limitação, sem condenação, sem justificação, se está completamente cônscia de sua limitação, você verá como vem uma libertação da limitação, e nessa liberdade revela-se a verdade. “Vocês” devem cessar, para que a verdade se manifeste, porque “vocês” são a limitação. Devem, pois, compreender onde está a limitação de vocês, a extensão da limitação de vocês; devem ficar passivamente cônscios dela, e nessa passividade a verdade se manifesta. A luz não pode unificar-se com a treva. O que é ignorância não pode unir-se com a sabedoria. Cessem a ignorância que a sabedoria surgirá. A sabedoria não é um fim último, mas surge na existência quando a ignorância é dissolvida momento por momento. A sabedoria não é acumulação, que dá continuidade; a sabedoria é compreensão do problema, compreensão completa, em cada minuto, em cada segundo. Assim, a sabedoria, a realidade, não pode ser colhida na rede do tempo. Só no autoconhecimento podem ter um fim as limitações criadas pelo “eu”; e estas limitações só podem ser compreendidas de momento em momento, à medida que surgem. E cada limitação, quando a observam, traz a verdade; a cada instante percebemos o falso e percebemos o verdadeiro. Mas perceber o falso como falso, e o verdadeiro como verdadeiro, é dificílimo; requer muita clareza de percebimento. Uma mente distraída nunca pode perceber o falso como falso e o verdadeiro como verdadeiro; e para ver o verdadeiro no falso é necessário agilidade da mente, uma mente que não esteja presa por vínculo algum, por limitação alguma.

Jiddu Krishnamurti — Da insatisfação à felicidade 

Não se deve rir dos ricos

Pergunta: Tenho muito dinheiro. Você pode me informar qual é a verdadeira utilidade do dinheiro? Só peço que não me aconselhe a desbaratá-lo em esmolas aos pobres. O dinheiro é um instrumento de trabalho que deve ser utilizado e não uma coisa incômoda de que devemos nos livrar.

Krishnamurti: Senhor, em primeiro lugar, como você ganha dinheiro? Como acumula dinheiro? Evidentemente pela exploração, pela crueldade, pela barbaridade. No mundo moderno, em que predomina a mentalidade de “cada um por si”, o homem tem de ser hábil, astucioso, desonesto, para acumular dinheiro. Não nos enganemos a esse respeito; ser rico implica crueldade. Senhor, não sabe que o rico não pode entrar no reino dos céus? É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha. Depois de você acumular dinheiro, o que acontece? Deseja saber como emprega-lo: ou você se torna filantropo, ou deseja gastá-lo corretamente. Isto é, você acumula dinheiro incorretamente e depois quer gastá-lo corretamente (risos). Senhores, o caso não é para rir. É isso que estamos fazendo. Não devem rir dos ricos. Vocês também querem ser ricos. Vocês acumulam e depois querem saber como empregar o dinheiro corretamente. Como isso é possível?

Suponhamos, contudo, que me tenham deixado dinheiro — o que graças a Deus não aconteceu — suponhamos que me deixaram algum dinheiro. Que vou fazer com ele? Que devo fazer depois de entrar na posse do dinheiro, como devo emprega-lo? Este é o problema. Devo dá-lo todo aos pobres e também ficar pobre, na dependência de outros? Devo guardar um pouco e dar o resto? Devo emprega-lo como um meio correto, para um fim correto? Devo colocá-lo para render? Meu problema, pois é este: tendo adquirido ou herdado essa coisa que se chama dinheiro, que devo fazer com ela? Senhor, isso depende do coração e não da mente; a mente que acumulou dinheiro nunca é generosa. É uma mente endurecida, e em tais condições é incapaz de lidar com coisas materiais do seu próprio nível. Por conseguinte, só um coração que conhece o amor pode resolver este problema, e não a mente, nem sistema algum. Se você tem amor no coração, saberá o que fazer com o dinheiro — ou dá-lo todo, porque é incômodo, ou proceder de outra maneira, de acordo com os ditames de seu coração. Todavia, conhecer os ditames de um coração afetuoso, é dificílimo, em particular aos ricos, porque nunca pensaram em tais termos de ação. Habituaram-se à crueldade, à dureza; e encarar o problema com afetuosa consideração é dificílimo. Assim, mais importante do que o dinheiro é o amor; e se vocês têm dinheiro e percebem que o coração de vocês está vazio, o problema não é, nesse caso, o dinheiro, mas o despertar as energias, o perfume, a beleza do coração; e quando os tiverem despertado, saberão como agir. Sem amor, tornar-se filantropo, meramente, constitui outra forma de exploração. Quando se tem amor, então o amor mostrará o caminho, tanto ao rico como ao pobre. Porque, Senhor, o amor é a única solução; o amor é o único caminho pela qual poderemos sair desta contradição de ser rico e saber o que fazer com a riqueza. Sem amor, o simples cogitar sobre o que fazer com a riqueza se torna outra forma de fuga de nossa miséria, nossa luta, nosso vazio.

Jiddu Krishnamurti — Da insatisfação à felicidade    

Por que existe o temor da morte?

Ora bem, por que existe o temor da morte? O temor da morte existe porque estamos apegados à continuidade. Estou escrevendo um livro, e pode acontecer que eu morra amanhã, antes de concluí-lo; estou juntando dinheiro, e posso morrer sem realizar o meu propósito; desejo ardentemente ser alguma coisa e não sou. Temos, assim, o temor da morte. Haverá temor da morte, enquanto houver o desejo de continuidade — continuidade de ação, continuidade de caráter, continuidade de realização, continuidade de faculdade, continuidade de uma conta bancária, de um nome, de uma família. Enquanto houver o agente, que é a ação em busca de um resultado, há de haver continuidade, e, portanto, o temor da descontinuidade; porque a morte pode não me deixar acabar o livro, colocar fim à minha conta no banco, às qualidades, às características que tenho cultivado. Tudo isso tem de acabar, e por isso existe o temor. Por conseguinte, haverá medo da morte, enquanto houver continuidade.

Que acontece quando há esse senso de continuidade? Não estamos discutindo se há continuidade ou não, mas sim a ação que exerce na mente a ideia da continuidade. Já notaram o que acontece a uma coisa que continua? Tudo o que continua está em estado de contínua desintegração, não é verdade? Se vocês têm um problema que continua através de um período de anos, causando-lhes constante preocupação, há desintegração, não é verdade? Qualquer forma de continuidade, quer ignóbil, quer nobre, é um processo de desintegração. Se percebemos essa verdade — que qualquer forma de continuidade é um processo de desintegração — percebemos também a verdade acerca do falso. Temos, portanto, a libertação do falso, o que significa viver constantemente no presente, e não em continuidade; e cessa, por conseguinte, o temor da morte. É só quando a mente está presa na rede da continuidade que há o temor da morte; e só quando a mente reconhece que tudo o que continua nunca se renova, há isenção do medo da morte. Como pode haver renovação enquanto há continuidade? Só pode haver renovação quando há um findar, isto é, quando há morte. Não sei se já notaram que quando liquidamos um problema, dá-se uma renovação; mas enquanto o problema persiste, há decomposição. Não é possível viver cada dia, cada minuto, acompanhando cada pensamento até à sua conclusão, para que ele não seja continuado? Quer dizer, não é possível viver com a morte, morrendo momento por momento? Só então se dá a renovação; porque só no terminar há renovação, não na continuidade. A renovação e a continuidade são contraditórias. Na continuidade, não há renascimento, não há renovação, nem criação, mas só no findar. Quando um problema termina, um novo problema pode manifestar-se; mas no intervalo entre dois problemas, há sempre renovação. E por conseguinte, não há temor da morte.

Expressando-o diferentemente: a morte é o estado de não continuidade, que é o estado de renascimento. A morte é o desconhecido, porque é um findar, no qual há renovação. Mas uma mente que é contínua não pode conhecer o desconhecido; só pode conhecer o conhecido, porque só pode agir e mover-se no conhecido, que é o contínuo. Por conseguinte, o conhecido, o contínuo, está sempre cheio de temor do desconhecido, da morte, na qual, tão só, temos a renovação. No findar há renovação, e não na continuidade. Por essa razão, o desconhecido nunca pode ser conhecido por intermédio do contínuo. Por conseguinte, a morte permanece um mistério, porque nós sempre procuramos conhece-la através do conhecido, através do contínuo. Se puderem colocar fim a essa continuidade, dia a dia, momento por momento, verão que há renovação; há morte, na qual há renovação. A morte, por conseguinte, não é temível; porque no findar há renascimento, e na continuidade há decomposição, desintegração. Pensem nisso a fundo, Senhores, e perceberão a sua beleza, a sua verdade. Não é teoria, é um fato. O que tem fim tem renascimento; o que é contínuo nunca conhecerá renovação. A morte é o desconhecido, e o que é contínuo é o conhecido. O contínuo nunca pode conhecer o desconhecido e por isso teme o desconhecido, perturba-se diante dele. A imortalidade não é o “eu” continuado. O “eu” pertence ao tempo, é resultado do tempo. O que é imortal está fora do tempo. Por conseguinte, não há relação entre o “eu” e o atemporal. Gostamos de pensar assim, mas esse é outra emboscada que a mente nos prega. O que é imortal não pode ser encaixado no mortal, não pode ser colhido na rede do tempo. Só quando o “eu”, que é continuidade, que é tempo, chega ao fim, alcançamos aquele estado que é imperecível, imortal. Afinal de contas, temos terror à morte por força do hábito, porque o desejo busca a continuidade no preenchimento. O preenchimento, porém, não tem fim, está sempre buscando outras fontes de satisfação. O desejo busca constantemente novos objetos de preenchimento, fazendo assim nascer a continuidade, que é o tempo. Mas se cada desejo for compreendido ao surgir, ele se extinguirá e haverá então renovação. Essa renovação pode constar de um novo desejo, não importa: continuem até o fim, fazendo cada desejo extinguir-se e, desse terminar de momento em momento, verão surgir uma renovação, que não é a renovação do desejo, mas a renovação que a verdade nos dá. E a verdade não é contínua; a verdade é um “estado de ser” atemporal. Esse estado só pode experimentar-se quando cada desejo, que dá nascimento à continuidade, é compreendido e, assim, extinto. O conhecido não pode conhecer o desconhecido. A mente, que é o resultado do conhecido, do passado, não pode conhecer o imensurável, o atemporal. A mente, o processo de pensamento, precisa terminar; então, o incognoscível, o imensurável, o eterno vem à existência.


Jiddu Krishnamurti — Da insatisfação à felicidade     

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)