“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Pensando sobre o Ato de pensar


Ter uma mente silenciosa é uma das coisas mais difíceis deste mundo. Não se pode "consegui-la". Às vezes acontece espontaneamente, quando o pensamento é completamente entendido e todo o mecanismo é visto em operação. Nesse estado — e somente neste estado — podemos dar plena atenção a cada movimento da mente.

Mas "dar atenção " é sinônimo de "pensar a respeito de cada pensamento?" Certamente que se penso sobre meus pensamentos, contribuo para o caos. Como o pensar implica avaliação, justificação, comparação e assim por diante, o pensar simplesmente dá continuidade ao pensamento. Quando eu tenho um problema, que é que lhe dá continuidade, que é que me faz levá-lo comigo a toda a parte? É pensar no problema; isso lhe dá continuidade, não é mesmo? E não é exatamente o fato de andar com problemas em toda a parte, de alimentar conflitos, que impede a libertação criadora?

Assim, o que se requer é observar — meramente observar — sem verbalizar, sem classificar como bom ou mau, como isto ou aquilo — que são as nossas reações normais. Então ao aparecer mais pensamentos fugídios, não os consideremos distrações, como quando a mente procura concentrar-se, mas demos a esses novos pensamentos e imagens plena atenção. E não importa se um ou dois pensamentos nos escapam; o ponto principal que devemos entender é que a ação da própria observação pura, sem nenhuma forma de mentalização que a acompanhe, tira a continuidade do pensamento, e a mente se torna silenciosa sem nenhuma forma de coerção recebida de fora.

Através desta meditação, não somente cada pensamento individual será entendido em todas as suas implicações, mas o seu próprio conteúdo se torna sem importância — e é por causa de tudo isso que os pensamentos se dissolvem. Básico em tudo isso é o entendimento da natureza essencial e da finalidade de todo pensamento, quais são as suas raízes, quando e como ele se manifesta. Você já não notou como cada um de nós está envolvido no nevoeiro de ideias que cada um concebeu, nas crenças e opiniões que adquiriu, que constituem nossa "maneira de pensar", nosso próprio ser, e que impedem a clareza? E como esta ideação brota da preocupação que cada um tem consigo, e que no fundo de toda esta atividade do pensamento se encontram o medo e a premência de ser salvo? Enquanto caminharmos durante a vida com a cabeça nestas "nuvens de inconsciência" não pode haver nenhum conhecimento, nenhuma percepção do que seja realmente o mundo.

Ao relacionar cada pensamento com esta autopreocupação básica, nós o estaremos reduzindo a nada. Está é a essência da meditação — contra a introspecção ou contemplação, quando tecemos mais fantasias nos pensamentos, processo esse que não tem fim. A coisa essencial que temos que perceber é que nenhum pensamento (ou desejo) é superior a qualquer outro (uma suposição subjacente quando suprimos um pensamento ou desejo). O fato de não vermos isto nos emaranha no pensamento (ou desejo). O homem que erigiu um padrão absoluto de valores, e sobre esta base procura purificar ou enobrecer seu pensamento, jamais conhecerá a mente silenciosa, porque o tempo todo ela está jogando um pensamento contra o outro. E tudo isso acontecerá quando "começamos a pensar sobre o ato de pensar", o que é realmente uma expressão inadequada porque isto mais propriamente designa o fim do ato de pensar e o começo de uma visão destorcida. (Como também "a arte do pensamento objetivo" é um nome inadequado, porque não existe esta coisa que se chama pensamento "puro" ou "objetivo".)

Assim na meditação verdadeira há percepção instantânea do pensamento, pelo que ela é válida, sem simplesmente continuar pensando com ela e assim perder-se nela. (Isto é o que eu queria dizer quando escrevi "olhando para si mesmo, de fora", ou seja, sem as reações habituais da pessoa.) Não é, portanto, necessário, e realmente é um impedimento, "pensar acerca de cada pensamento", porque nesta consciência sem escolha há uma revelação instantânea das implicações de cada pensamento, sem fazer o menor esforço: como surge o pensamento, como se relaciona com outros pensamentos por associação, como é impelido pelo medo, identificação, etc. Isso é o que eu chamei em outra parte "considerar atentamente, examinar o pensamento até o seu finzinho".


Parece-me que a consciência gera a consciência, e a clareza produz a sua própria bênção na forma de mais claridade. A maior parte do tempo, nossas mentes são bastante estúpidas, especialmente quando preocupadas, e a maioria dos pensamentos fugídios e sutis nos escapam completamente. Entretanto, com o começo da consciência sem escolha todos esses pensamentos que se acham na soleira da perceptibilidade entram no campo de atenção, e assim o Inconsciente se nos revela. 

Robert Powell


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)