“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

O aprendizado espiritual não pode vir das palavras

Eu não posso dar a você o meu entendimento. Eu posso falar acerca dele, mas não posso dá-lo a você. Você terá que encontrá-lo. Você terá que entrar na vida. Você terá que errar; você terá que falhar; você terá que passar por muitas frustrações. Mas somente através das falhas, dos erros, das frustrações, somente através do encontro do real viver, você chegará à meditação. Este é o motivo pelo qual eu digo que meditação é crescimento.

Algo pode ser compreendido, mas o entendimento que vem através do outro nunca pode ser mais do que intelectual. Eis porque Krishnamurti pede o impossível. Ele diz: "Não me entenda intelectualmente" — mas nada, exceto o entendimento intelectual, "pode vir de outro alguém". Eis porque o esforço de Krishnamurti tem sido absurdo. O que ele está dizendo é autêntico, mas quando exige mais do que compreensão intelectual do ouvinte, é impossível. Nada mais pode vir de alguém, nada mais pode ser entregue.

Mas o entendimento intelectual pode ser o bastante. Se você entender o que estou dizendo intelectualmente, você pode também entender o que não foi dito. Você pode também entender os vazios; o que eu não estou dizendo, o que eu não posso dizer. O primeiro entendimento tende a ser intelectual, porque o intelecto é a porta. Nunca pode ser espiritual. A espiritualidade é a luz interior.

Eu posso comunicar-me com você apenas intelectualmente. Se você pode realmente entender, então o que não foi dito pode ser sentido. Eu não posso me comunicar sem palavras, mas quando estou usando palavras, estou também usando silêncios. Você terá de estar consciente de ambos. Se somente as palavras estão sendo entendidas, então é uma comunicação; mas se você pode estar consciente dos vazios também, então é uma comunhão.

O indivíduo tem de começar em algum lugar. Todo começo tende a ser um falso começo, mas o indivíduo tem de começar. Através do falso, através do apalpar, a porta é encontrada. O indivíduo que pensa que começará apenas quando o começo correto estiver ali, nunca começará. Mesmo um passo falso é um passo na direção correta. Por que é um passo, um começo. Você começa a apalpar no escuro e através do apalpar a porta é encontrada.

Eis porque eu disse para estar consciente do processo linguístico — o processo das palavras — e para buscar uma consciência dos vazios, dos intervalos. Haverá momentos em que não haverá esforço consciente de sua parte e você se tornará consciente dos vazios. Este é o encontro com o Divino, o encontro com o existencial.

Quando quer que haja um encontro, não fuja dele. Esteja com ele. Será assustador em princípio; é propenso a ser. Quando quer que o desconhecido é encontrado, o medo se cria, porque para nós o desconhecido é morte. Assim, quando quer que haja um vazio, você sentirá a morte vindo para você. Então, morra! Apenas esteja nela e morra completamente no vazio. E você será ressuscitado. Por morrer sua morte no silêncio, a vida é ressuscitada. Você está vivo pela primeira vez, realmente vivo.

Assim, para mim, meditação não é um método, mas um processo; meditação não é uma técnica, mas um entendimento. Não pode ser ensinada; pode ser apenas indicada. Você não pode ser informado sobre ela, porque nenhuma informação é realmente informação. Ela é do externo e a meditação surge das suas próprias profundezas interiores.

Assim, procure, seja um buscador e não seja um discípulo. Então você não será um discípulo de algum guru, mas um discípulo da vida total. Então você não estará apenas aprendendo palavras. O aprendizado espiritual não pode vir das palavras, mas dos vazios, dos silêncios que lhe estão sempre cercando. Eles estão lá, até mesmo na multidão, no mercado, no bazar. Busque os silêncios, busque os vazios internos e externos e um dia você descobrirá que está em meditação.

A meditação vem para você. Ela sempre vem; você não pode trazê-la. Mas o indivíduo tem de estar em busca dela, porque somente quando você estiver em busca, você estará aberto para ela, vulnerável a ela. Você é um anfitrião dela. A meditação é um convidado. Você pode convidá-la e esperá-la. Ela vem a Buda, vem a Jesus, ela vem a todo o que está pronto, que está aberto e buscando.

Mas não a aprende de algum lugar; caso contrário, você será enganado. A mente está sempre procurando alguma coisa mais fácil. Isto se torna a fonte para a exploração. Então há gurus e charlatões, e a vida espiritual é envenenada.

A pessoa mais perigosa é aquela que explora o ímpeto espiritual de alguém. Se alguém rouba de você sua saúde, não é tão sério, se alguém falha com você não é tão sério, mas se alguém o engana e mata ou mesmo posterga o seu ímpeto em direção à meditação, em direção ao Divino, em Direção ao êxtase, então o pecado é grande e imperdoável.

Mas isto está sendo feito. Então esteja consciente disto e não pergunte a ninguém, "O que é meditação? Como meditar?" Ao invés disto, pergunte quais são os obstáculos, quais são os empecilhos. Pergunte porque não estamos sempre em meditação, onde o crescimento foi interrompido, onde fomos mutilados. E não busque um guru, porque os gurus são mutiladores. Qualquer um que dá fórmulas prontas não é um amigo, mas um inimigo.

Tateie no escuro. Nada pode ser feito. O próprio apalpar tornar-se-á o entendimento que o libertará da escuridão. Jesus disse: "A verdade é liberdade". Entenda esta liberdade. A verdade é sempre através do entendimento. Ela não é alguma coisa que você encontra e acha, é alguma coisa para dentro da qual você cresce. Assim, esteja na busca do entendimento, porque quanto mais entendido você se tornar, mais próximo estará da verdade. E em algum momento imprevisível, desconhecido, inesperado, quando o entendimento chegar a um apogeu, você estará no abismo. Você não é mais e a meditação é.

Quando você não é mais, você está em meditação. Meditação não é mais de você; está sempre além de você. Quando você está no abismo, a meditação está lá. Então o ego não está; então você não está.Então o ser é. Eis o que as religiões querem dizer por Deus: o ser supremo. Esta é a essência de todas as religiões, de todas as buscas, mas não será encontrada pronta em nenhum lugar. Assim, esteja alerta de todo aquele que a proclama.

Continue a tatear e não tenha receio do fracasso. Admita falhas, mas não repita as mesmas falhas. Uma vez é tudo; é o bastante. A pessoa que continua a errar em busca da verdade é sempre perdoada. É uma promessa das próprias profundezas da existência.

OSHO - A psicologia do Esotérico   

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill