“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A Verdade não se apresenta à mente superficial

Pergunta: Há muitos anos o ouvimos. Entretanto, continuamos abjetos, ignóbeis, rancorosos. Não raro nos sentimos como que abandonados por você. Sabemos que não nos quer para discípulos, mas há necessidade de se eximir completamente da vossa responsabilidade perante nós? Não deve nos dar a mão, nos guiar?

Krishnamurti: Senhores, eis uma maneira indireta de perguntar: "Por que você não quer ser nosso guru?" (Risos). Ora, Senhores, o problema nada tem a ver com abandoná-los ou dar-lhes a mão, porque, presume-se, somos pessoas adultas. Pelo menos fisicamente já somos adultos; mentalmente, somos crianças de catorze e quinze anos; e queremos um ente glorificado, um Salvador, um guru, um Mestre, que venha nos tirar de nossa desgraça, de nossa confusão; que nos explique o presente estado de caos; que "explique", e não que produza uma revolução em nosso pensar; e isso basta para nós. 

Fazem estar pergunta com o desejo de encontrar uma saída desta confusão; com o desejo de se libertarem do temor, do ódio, de toda mesquinhez da vida; e contam com a ajuda de alguém, a esse respeito. Ou talvez, outros gurus não conseguiram fazer com que adormecessem com uma dose de ópio, com uma explicação; por isso se voltam para outra pessoa, dizendo: "por favor, nos guie". É este o problema, para vocês — a substituição de um antigo guru por um novo, de um antigo mestre por um novo, de um antigo líder por um novo? Tenham a bondade de ouvir com toda a atenção. Pode alguém conduzi-los à Verdade, ao descobrimento da Verdade? É possível o descobrimento, quando somos levados à fazê-lo? Se forem conduzidos à Verdade, vocês a descobriram, vocês a experimentaram? Pode alguém — seja qual for essa pessoa — conduzi-los à Verdade? Quando dizem que precisam seguir alguém, não implica isso em que a Verdade é uma coisa estacionária, que a Verdade está em algum lugar, para serem conduzidos até lá, olhá-la, e levá-la? 

A Verdade é algo que tem de ser descoberto ou algo a que somos conduzidos? Se é algo a que somos conduzidos, então o problema se torna muito simples: tratarão de encontrar o guru ou guia que mais lhe agrade, e ele os levará onde a Verdade está. Mas, por certo, a Verdade que buscam se acha acima do plano das explicações; ela não é estática, tem de ser experimentada; tem de ser descoberta; e não pode ser experimentada por intermédio de um guia. Como posso experimentar espontaneamente uma coisa original, se me dizem "olhe aqui uma coisa original — experimente-a!" O ódio, a vileza, a ambição, a frivolidade, são os problemas de vocês, e não o descobrimento da Verdade. Não podem achar o que é a Verdade com uma mente frívola. Uma mente superficial, maledicente, estúpida, ambiciosa — jamais descobrirá o que é a Verdade. Uma mente frívola não pode criar senão uma coisa frívola; não pode criar senão um Deus frívolo. Nosso problema, por conseguinte, não é o de achar ou descobrir o que é Deus, mas o de percebermos como somos frívolos. 

Veja, Senhor, se sei que sou frívolo, que estou desgraçado, que sou infeliz, posso então fazer alguma coisa. Entretanto, se sou frívolo e digo "não devo ser frívolo, quer ser um homem superior", nesse caso estou fugindo, e isso é frivolidade. Compreenda isso, por favor.

O importante é descobrir-se e compreender-se o que é, e não, transformá-lo noutra coisa final. Afinal, uma mente estúpida, mesmo quando procura se tornar muito sagaz, muito penetrante e inteligente, continua estúpida do mesmo modo, porque sua essência mesma é a estupidez. Não gostamos de escutar. Queremos alguém que nos converta a frivolidade numa coisa superior e nunca aceitamos, jamais o que é, na sua realidade. O descobrimento do que é, da realidade, é importante; é a única coisa verdadeiramente importante. Em qualquer nível que seja — econômico, social, religioso, político, psicológico — o que mais deve interessar é o descobrimento do que é, no seu aspecto exato — e não o que deveria ser

Prestem atenção. Esta pergunta suscita várias questões. O interrogante deseja alguém, para ajudá-lo a se libertar das complicações de sua vida; está, portanto, à procura de um guia. O guia que ele busca é produto da sua confusão, da sua atribulada condição; e por isso o guia é também confuso. Senhor, não sabem o que ocorre pelo mundo? Um homem que se vê confuso, no meio de tanta agitação; aparece um líder político; o homem vota nele, por causa da confusão em que se acha; e criou, dessa maneira, um político também confuso, que se torna seu líder, seu guia. Assim também o guru, ou o mentor, ou o guia que escolhem; o escolhem por causa da confusão de vocês, por causa de seus desejos de satisfação e segurança; consequentemente, "projetam" o desejo de vocês, e o guru, portanto, é criação de vocês. Ele vai lhes dar satisfação e por isso aceitam o que ele oferece — o que denota que nunca enfrentam o que é, o que existe em si mesmos, o que realmente são. É só quando a mente de vocês não está fugindo, evitando o que é, perseguindo um ideal — quando a mente não diz "não deve ser assim", dever "ser assim", etc., é só então que se pode descobrir a maneira de agir com relação ao que é. Então, o problema será resolvido. Só resolverão o problema quando, na realidade, descobrirem o que é o "eu". Se sabem que são frívolos, que possuem uma mente superficial, que odeiam seus semelhantes; se percebem bem esse fato, sabem então agir com relação a ele. Podemos examinar a questão de como agir em relação ao fato. Se afirmam, porém, "não devo odiar, devo amar", nesse caso estão penetrando num mundo ideológico — o que representa a maneira mais estúpida de fugir ao que é

Esta pergunta denuncia a falta de interesse em compreender a verdade relativa aos nossos problemas. Só a Verdade pode nos libertar. A compreensão apenas pode vir quando não estamos seguindo alguém, quando não existe autoridade de espécie alguma — se a autoridade da tradição, seja a autoridade dos livros, do guru, da nossa própria existência. Nossa experiência é resultado de nosso condicionamento, e tal experiência não pode nos ajudar a descobrir o que é a Verdade.

Nessas condições, os que se sentem seriamente interessados, os que desejam de fato descobrir a Verdade relativa aos seus problemas, devem, naturalmente, colocar à margem, tudo quanto é autoridade. Isto é dificílimo, porque quase todos nós estamos cheios de temor. Precisamos de alguém para nos escorar, para nos dar coragem; precisamos do "irmão mais forte" — aquele que mora na Rússia, ou na Inglaterra, ou na América, ou do outro lado do Himalaia, ou "ali na esquina". Todos precisamos de alguém para nos ajudar. Enquanto estivermos encostados em alguém, nunca chegaremos a compreender o "processo" do nosso pensar; negaremos assim, a nós mesmos, o descobrimento da Verdade.

Escutem o que estou dizendo; não o rejeitem, pois ainda não resolveram o problema de vocês e ainda são tão infelizes como antes. Enquanto estiverem seguindo um guru ou seus líderes políticos, estarão confusos. Há uma única maneira de resolver este problema, que é pela compreensão de si mesmos, nas suas relações, de momento em momento, de dia em dia: os antagonismos, os ódios, as paixões, o amor efêmero etc. estão embaraçados no problema, e só o resolverão quando o aceitarem, quando o virem tal qual é. Só depois de o resolverem, terão a possibilidade de libertar do condicionamento a mente de vocês, deixando assim a Verdade reinar. 

Jiddu Krishnamurti em, Autoconhecimento — Base da Sabedoria
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill