“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

É preciso negar a atual moralidade social

Há muito para se fazer no mundo, acabar com a pobreza, viver feliz, viver com alegria em vez de com agonia e medo, construir um tipo totalmente diferente de sociedade, uma moralidade que esteja acima de toda moralidade. Mas isso só pode acontecer quando toda a moralidade da atual sociedade for totalmente negada.

Há muito para se fazer e isto não pode ser feito se este constante processo de isolamento psicológico que se identifica nas relações como uma entidade particularizada continuar. Nós estamos falando do “eu” e do “meu”, e do “outro” – o outro está atrás do muro de defesas psicológicas erguidas, o eu e o meu estão deste lado de cá do muro.

Então, como pode essa essência de resistência psicológica, que é o eu, como pode ele ser completamente abandonado, “deixado de lado”, cessar como entidade? Porque essa é realmente a questão fundamental em toda relação, quando se vê que a relação entre imagens psicológicas formadas não é absolutamente relação alguma, e que quando esse tipo de relação "existe", haverá conflito, estaremos sempre um pegando no pescoço do outro.

Quando você faz essa pergunta a você mesmo, inevitavelmente dirá “Devo viver num vazio, num estado de vacuidade consciente viva?” Imagino então se você "já soube" o que é ter uma mente que está completamente vazia. Você tem vivido no espaço que é criado pelo “eu”, que é um espaço muito pequeno. O espaço que o “eu”, o processo de auto-isolamento, construiu entre uma pessoa e outra, esse é todo o espaço que conhecemos – o espaço entre ele mesmo e a circunferência – a fronteira que o pensamento construiu. E neste espaço nós vivemos, neste espaço existe divisão.

Se você diz: “Se eu me deixo ir, cesso de existir, ou se eu abandono o centro do “eu”, viverei num vazio consciente atemporal”. Mas você já deixou o “eu” realmente de modo que não exista absolutamente nenhum centro de reação identificado como “eu”? Se não, tudo isso apenas é mais um truque ideológico de sustentação de continuidade do "eu".

Krishnamurti em, Talks in Europe 1968 Paris 4th Public Talk Collected Works Vol. VII

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)