“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Uma faminta vacuidade...

Creio, Perene Consciência Amorosa Integrativa, que estas duas palavras dizem tudo o que dizer se pode de ti e das tuas relações com o homem.

Creio que estas duas palavras antitéticas sintetizam todas as teses e hipóteses que sobre ti se hão excogitado, no decorrer dos séculos e milênios. 

Minha vacuidade — e tua plenitude...

A mais profunda, sublime e sagrada aspiração de todo homem plenamente humano está em querer possuir-te, não somente pelo conhecimento e pelo amor, mas efetivamente, plena, integral, panoramicamente, com todas as potências do seu ser.

Possuir-te — que coisa deliciosa e estupenda deve ser!... 

Possuir-te — o que no mundo presente é o mais vasto drama e a mais intensa tragédia da alma humana, deve ser, no mundo futuro, a mais excelsa epopéia e a mais pura mística do espírito creado...

Fundir-se em ti, integrar a gotinha do seu eu humano no oceano imenso do teu Tu Divino...

Identificar-se, por assim dizer, contigo...

Divinizar-se...

Possuir-te — mas como?...

Pela inteligência? Pela força mental? Pela ciência especulativa?...

Assim pensava eu, a princípio. Pensava, como certos filósofos de Atenas, que tanto mais espiritual e divino seria o homem quanto mais aguçada for a cúspide de sua inteligência, quanto mais elevado o pináculo da sua torre científica, quanto mais intensa a chama do seu inteligir mental. 

De todas as belas e queridas as ilusões da minha vida a mais bela e querida foi esta. E até o presente dia não consegui matar de todo as saudades que tenho deste meu primeiro grande amor intelectual...

Doloroso foi o desengano, funesta a queda lá das alturas de minha torre babilônica... E até hoje não cicatrizaram as feridas profundas que me abriu na alma a convicção de que a ciência, por si só, não te pode atingir cabalmente.
* * * 
Vendo que a soberba torre da minha filosofia não valia romper as nuvens do teu céu nem lançar ponte entre as baixadas da nossa terra e a excelsitude do teu trono, tentei uma invasão nos teus domínios em sentido contrário. É que, neste tempo, eu acreditava ainda na possibilidade desta invasão do teu reino pelo homem...

Se a conquista não era possível  rumo ao zênite — quem sabe se era possível via nadir?

Em vez de exaltar-me, aniquilei-me...

Tentei possuir-te pela ascese...

Transformei em radical negação todas as minhas afirmações...

Procurei despersonalizar a minha personalidade...

Neutralizei o meu Eu...

Despotencializei todas as potências ativas do meu ser...

Macerei com flagelos o meu corpo...

Debilitei com jejuns os ardores do sangue...

Impus silêncio ao intelecto...

Fechei as portas aos sentidos...

Cortei as asas à fantasia...

Fugi da sociedade...

Habitei em vastos ermos e solitárias cavernas...

Sempre à espera de um encontro contigo, minha grande Anônima...

Sentia que a humilde negação de mim mesmo me aproximava de ti muito mais do que a ousada afirmação do ego...

Mas... faltava alguma coisa... 

Que é que faltava?... Por que é que não cheguei ao termo da minha jornada ascética?... Por que é que fugia de mim a meta, na razão direta que eu a demandava?...

Estaria eu marcando passo ou movendo-me em num eterno círculo, sem avançar um passo rumo às fronteiras longínquas do teu reino?...
* * * 
Sobreveio-me, então, o segundo desengano...

Desiludido do intelectualismo, comecei a desconfiar também da ascese... Se não estava no zênite da afirmação do meu ego intelectual, nem no nadir da minha negação personal — onde estavas tu, meu grande Mistério?...

Procurei, por algum tempo, apoderar-me de ti quase de contrabando — pela magia, pelo cabalismo irracional; procurei conjurar-te por meio de ritos e fórmulas ocultistas, a ver se estas potências sinistras lançariam uma ponte fantástica entre o aquém onde eu estava e o além onde tu habitas, ou onde eu te supunha. 

Falhou também esta tentativa em sentido horizontal, e mais tristemente falhou que as outras, em direção vertical, para o alto e para o fundo...
** * 
Vi-me, então num campo coberto de ruínas...

Abriu-se dentro de mim um grande vácuo...

Encontrei-me no cairel do abismo...

Em derredor e dentro de mim, um deserto imenso, de angustiante monotonia, de vastidão mortífera...

Convenci-me de que era impossível possuir-te...

Mas... como poderia eu viver sem te possuir, se — tu és a vida de todos os vivos?

(...) Era necessário que eu te possuísse, sob pena de me despossuir a mim mesmo e voltar ao nada...

Depois de muito pensar e sofrer, depois de muito lutar e errar, compreendi que o homem não pode possuir-te indo ao teu encontro rumo às alturas, mas que só tu podes possuir o homem demandando-o rumo as profundezas...

A única possibilidade de possuir-te é deixar-me possuir por ti. Só depois desta tomada de posse, divino-humana, é que é possível a tomada de posse humana-divina...

O homem só pode possuir-te depois de ser por ti possuído...

Não pode subir a ti se tu não baixares a ele...

(...) Mas... para que o homem enxergasse estas estrelas longínquas do teu céu era necessário que apagasse primeiro o sol do seu orgulho...

E como se apagaria o vasto incêndio do nosso orgulho se não com um oceano de lágrimas e de sangue, com um mar de sofrimento?...

Compreendi a loucura de minha sapiência — e compreendi a sabedoria da tua "loucura"...

(...) Abri mão de todas as minhas teses e hipóteses e sintetizei toda a minha sabedoria nestas palavras: Minha vacuidade — e tua plenitude...

Abri um livro inspirado e li: "Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes". 

Compreendi que tanto mais poderosa é a tua atração quanto mais vácuo o meu ser, uma vez que o teu Tu é sempre infinita plenitude. 

Compreendi que o meu ego tem de ser como um pólo totalmente negativo para que possa atuar o pólo do teu Tu sempre infinitamente positivo...

Vacuidade é humildade...

Vacuidade é verdade...

Vacuidade é fé...

Vacuidade é o silencioso clamor de minha alma...

É um erguer de antenas na amplidão do espaço...

É um olhar faminto para os castelos da opulência...

É uma soluçante saudade do finito para o Infinito...

É uma nostalgia anônima, ardente, atroz, para algo de grande, de longínquo, de eterno...

E, para que venha a mim esse teu reino, nada posso fazer da minha parte senão estabelecer dentro de mim esse grande vácuo, porque tu não enches o que está cheio, só enches o que está vazio...

A minha faminta vacuidade clamou por tuas plenitudes.

Nada de positivo posso fazer para atrair o teu presente, a tua misteriosa dádiva gratuita. Só posso fazer-me mendigo, mendigo absoluto, em face da tua infinita riqueza e liberalidade. Só posso erguer os olhos, estender as mãos vazias e esperar, esperar, esperar... Se quiseres deixar vazias estas mãos mendicantes, vazias ficarão para todo o sempre. Se as quiseres encher com teus dons, cheias ficarão de ti, por ti, para ti...

Entretanto, sei que não deixarás nem resposta a minha ansiosa expectativa... Onde quer que encontres uma humana vacuidade enchê-la-á com tua divina plenitude...

"Sacias de bens os famintos e despedes vazios os ricos"...

"Exaltas os humildes e humilhas os exaltados"...

"Enches os vales e abates os montes"...

Quando o discípulo está pronto — o mestre aparece...

Por isto, quero ser vacuidade diante de ti, ó divina Plenitude!

Uma vacuidade faminta...

Parafraseado de Huberto Rohden
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill