“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A meditação não pode ser alcançada pelo esforço

O importante na meditação é o estado da mente e do coração. Não é o que você alcança ou diz alcançar, mas o estado da mente que é inocente e vulnerável. Pela negação encontra-se o estado positivo. O mero esforço para juntar experiência ou nela viver, nega a pureza da meditação. A meditação não é um meio que leva a um fim. Ela é meio e fim. Mediante a experiência a mente nunca se tornará inocente. A negação da experiência é que faz nascer o estado positivo da inocência, que não pode ser cultivado pelo pensamento. O pensamento nunca é inocente. A meditação é a terminação do pensamento, mas não por parte do meditador, porque o meditador é a meditação. Sem a meditação, você é como um homem cego num mundo cheio de beleza, de luz e de cores.

(...) meditação não é a repetição da palavra, nem o experimentar de uma visão, nem cultivo do silêncio. A conta do rosário e a palavra não podem de fato aquietar a mente tagarela, mas isso é uma forma de auto-hipnose. O mesmo efeito se obteria com uma pílula. 

Meditação não significa absorver-se num padrão de pensamento, no encantamento do prazer. A meditação é sem começo e, por conseguinte, sem fim. 

Se você diz: "Começarei hoje a controlar os meus pensamentos, imobilizando-me na postura meditativa, respirando ritmadamente" — nesse caso você está todo entregue aos artifícios com que o homem engana a si próprio. Meditação não é absorver-se em alguma grandiosa ideia ou imagem: isso só dá uma quietação momentânea, como a da criança absorvida num brinquedo; tão logo o brinquedo deixa de ser interessante, recomeçam a inquietação e as diabruras. Meditação não é seguir uma senda invisível, conducente a um estado imaginário de bem-aventurança. No estado de meditação, a mente está vendo — observando, escutando, sem palavra, sem comentário, sem opinião — atenta ao movimento da vida em todas as suas relações, do começo ao fim do dia. E à noite, quando o organismo descansa, a mente meditadora não tem sonhos, porque esteve desperta todo o dia. Só os indolentes tem sonhos; só os que andam semi-adormecidos precisam de cer advertidos de seus próprios estados. Mas a mente que está vigilante, escutando o movimento da vida — o externo e o interno — a essa mente vem um silêncio não fabricado pelo pensamento. 

É um silêncio que o observador não pode experimentar. Se o experimenta e reconhece, isso já não é o silêncio. O silêncio da mente que medita não se encontra entre os limites do reconhecimento, porque é um silêncio sem fronteiras. 

(...) Meditação é a revelação do novo. O novo está além e acima do passado, que incessantemente se repete; a meditação é o fim da repetição. A morte que a meditação faz vir é a imortalidade do novo. O novo não se acha na esfera do pensamento, e a meditação é o silêncio do pensamento. Meditação não é uma coisa que se alcança com esforço, não é a captação de uma visão, nem excitação dos sentidos. Qual o rio, ela é indomável, rápida, inundando as suas margens.  É música sem som; não pode ser amansada e utilizada. É o silêncio no qual o observador deixou de existir desde o começo.

(...) A meditação da mente que está em silêncio é a bem-aventurança que o homem vive buscando. Nesse silêncio estão contidas todas as variedades de silêncio.

Existe o estranho silêncio de um templo ou de uma igreja vazia, no sertão, sem barulhos de turistas e devotos; e o silêncio que pesa sobre as águas faz parte do silêncio existe fora da mente.

A mente que medita contém todas essas variedades, mutações e movimentos do silêncio. Esse silêncio da mente é a essência da verdadeira mente religiosa, e o silêncio dos deuses é o silêncio da terra. A mente que medita flutua nesse silêncio, e o amor é o modo de ser dessa mente. Nesse silêncio há bem-aventurança e alegria.

(...) Se você se prepara para meditar, o que você faz não é meditação. Se você se prepara para ser bom, a bondade jamais florescerá. Se você cultiva a humildade, não há mais humildade. A meditação é como a brisa, que entra quando deixamos a janela aberta; mas, se, deliberadamente, a conservamos aberta, deliberadamente a convidamos para entrar, ela não aparecerá.

A meditação não segue o caminho do pensamento, porque o pensamento é astuto, com infinitas possibilidades de enganar a si próprio, e, portanto, não descobrirá o caminho da meditação. Como o amor, a meditação não pode ser buscada.

(...) A meditação é um trabalho difícil. Exige disciplina em sua forma mais elevada — disciplina que não é conformismo, que não é imitação, que não é obediência: a disciplina oriunda do percebimento constante, não só das coisas que nos cercam, externamente, mas também das coisas interiores. A meditação, pois, não é uma atividade de isolamento, mas sim, ação na vida diária, que exige cooperação, sensibilidade e inteligência. Se não se lançam as bases de uma vida virtuosa, a meditação se torna uma fuga e, em consequência, completamente sem valor. Não consiste a vida virtuosa em observar a moralidade social, mas estar livre da inveja, da avidez e da busca de poder — pois tudo isso gera inimizade. A libertação dessas coisas não se verifica pela ação da vontade, mas sim, pelo percebimento delas pelo autoconhecimento. Sem o conhecimento das atividades do "eu", a meditação se torna excitação dos sentidos e, por conseguinte, muito pouco significativa.

(...) Não pense que a meditação seja prolongamento e expansão da experiência. Na experiência existe sempre a testemunha, irremediavelmente ligada ao passado. A meditação, ao contrário, é a completa inação que coloca fim em toda experiência. A ação da experiência tem suas raízes no passado e, por conseguinte, envolve o tempo: leva à ação que é inação e produz a desordem. Meditação é a total inação da mente que percebe oque é, não entrelaçado com o passado. Essa ação não é reação a nenhum desafio, mas, sim, é a ação do próprio desafio, da qual não existe dualidade. A meditação é a eliminação da experiência e funciona a todas as horas, consciente ou inconscientemente; por conseguinte, não é uma ação restrita a um certo período do dia. É uma ação contínua, da manhã à noite — observação sem observador. Por conseguinte, não há separação entre a vida cotidiana e a meditação, a vida religiosa e a vida mundana. Só há divisão quando o observador está ligado ao tempo. Nessa divisão, há desordem, aflição e confusão — tal é o estado da sociedade.

A meditação, portanto, não é individualista nem social; transcende ambas as coisas e, portanto, abrange ambas. Ela é amor: a floração do amor é meditação. 

Krishnamurti em, A OUTRA MARGEM DO CAMINHO


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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill