“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Qual é o estado da mente que busca o sentido da vida?

Pergunta: Os dias se sucedem nesta inútil jornada da existência. O que significa tudo isso? A vida tem algum significado?

Krishnamurti: Quase todo mundo faz esta pergunta, não é verdade? Quase todos nos achamos confusos; e quando perguntamos se a vida tem alguma finalidade, significação, queremos que nos garantam que tem, ou que nos digam qual é o alvo, a finalidade da vida. 

Ora, a vida tem algum alvo, alguma finalidade? Qual é o estado da mente que faz esta pergunta?  Certamente é muito mais importante averiguar isto do que descobrir se a vida tem alguma finalidade. Afinal, o que é a vida? Ela pode ser compreendida pela mente? A vida são tristezas e alegrias, sorrisos e lágrimas, e lutas intermináveis; é a insondável profundeza e a beleza de todas as coisas e de nenhuma coisa. A vida é imensa e não pode ser compreendida por uma mente pequena. E a mente pequena é que faz tal pergunta. Porque a mente pequena se acha confusa — e este é o caso da maioria de nós — ela deseja saber qual é a finalidade da vida. Confusos, que estamos, politicamente, economicamente e, também, espiritualmente, interiormente, queremos uma diretiva, queremos que nos digam o que devemos fazer. E quando o perguntamos, a resposta que recebemos é invariavelmente confusa, porque a mente confusa "projeta" e traduz a resposta. 

A questão, por conseguinte, não é a de saber qual é a finalidade, o significado da vida — porque não podemos prender o vento em nossa mão nem fechar dentro de uma moldura a vastidão da vida, para adorá-la. Mas o que se pode fazer, é ver o estado de confusão em que você se encontra e descobrir como a ele atender. Uma vez tenhamos compreendido a nossa confusão, nunca mais perguntaremos qual é a finalidade da vida, porque então estaremos vivendo, não mais estaremos agrilhoados ao tirânico padrão de uma sociedade, comunista ou capitalista. E esse próprio viver encontrará a resposta apropriada. 

A mente confusa que busca claridade, só encontrará mais confusão. Não é exato isto? Se estou confuso e busco um caminho, uma diretriz, tanto o caminho como a diretriz hão de ser também confusos. Só a mente esclarecida pode achar o caminho, se caminho existe — e não a mente confusa. Ora, isto é muito simples e óbvio. 

Pois bem. Se compreendo que é inútil buscar uma diretriz enquanto estou confuso, continuarei a procurá-la? Ou desistirei de recorrer a qualquer pessoa, pedindo-lhe um diretriz, percebendo que minha escolha de um guru, um político, um livro, ou de determinados valores, há de ser também confusa? Penso, pois, ser essencial compreendermos a totalidade de nossa confusão, não teoricamente, mas como experiência real. 

O fato é que você está confuso, mas tem medo de reconhece-lo. Você anda nervoso, apreensivo, porque se você admitir que está confuso, não saberá o que deve fazer. A, assim, você se lança no torvelinho da ação imediata. Mas se você se torna cônscio da totalidade de sua confusão, o que acontece? Ao saber que qualquer movimento da vida confusa só pode acarretar mais confusão, você não se detém imediatamente? Cessa então toda busca; e quando a mente confusa detém a sua busca, desaparece também a confusão e há um novo começo. Isto é muito simples; o difícil é reconhecermos para nós mesmos que estamos confusos.

Assim, pois, você está experimentando, realmente e não apenas verbalmente, este estado de confusão em que você se acha? Se está, então não perguntará a mais ninguém qual é o significado da vida. Se percebe realmente a sua confusão, se realmente a experimenta, como um fato, uma realidade, deixará com toda a certeza de fazer perguntas, exigências, buscas, e esse próprio ato, essa própria cessação, é o começo de uma investigação de qualidade inteiramente nova.  Descobrirá então a mente o extraordinário significado da vida, sem que ninguém lhe diga. 

Atualmente, queremos ser tirados de nossa confusão por outra pessoa; mas ninguém nos pode guiar para fora de nossa confusão. Enquanto existir escolha, tem de haver confusão. Escolha indica confusão. No entanto, temos um orgulho imenso dessa faculdade de escolher, a que chamamos "livre arbítrio". É só a mente que não escolhe, mas percebe diretamente, sem interpretação, sem ser influenciada, é só esta mente que não está confusa e, portanto, se acha capacitada para descobrir o incognoscível.

Krishnamurti em, DA SOLIDÃO À PLENITUDE HUMANA

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill