“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

O paradigma: um processo destruidor

No mundo inteiro a mente do homem está sendo moldada e controlada — pelas religiões, em nome de Deus, em nome da paz, da vida eterna, etc.; e também pelos governos, mediante incessante propaganda e compulsões econômicas; e pela ocupação pela conta bancária, pela educação, etc. E, assim, vocês se veem afinal transformados em simples máquinas, embora não tão boas, a certos respeitos, como os computadores eletrônicos. Vocês estão repletos de conhecimento: é o que a educação faz por vocês. Estamos nos tornando cada vez mais mecanizados... Vocês estão "padronizados" para a vida, e só pouquíssimos conseguem se salvar dessa horrorosa condição sem se refugiarem em alguma religião extravagante ou crença fanática.

Eis a vida — isto é o ambiente em que vivemos. nela pode se encontrar uma esperança ocasional, um breve deleite; mas atrás de tudo se esconde o medo, o desespero, a morte. E de que maneira nos encontramos com esta vida? O que é a mente que se encontra com a vida? Compreendem a pergunta? Nossa mente aceita essas coisas como inevitáveis; ajusta-se a esse padrão e, lenta, porém seguramente, ela se deteriora. O problema real, por conseguinte, consiste em como DESPEDAÇAR tudo isso — não no mundo exterior, pois tal não é possível: não se pode deter o processo histórico. Não é possível impedir os políticos de fazerem guerras. Provavelmente teremos guerras — espero que não, mas provavelmente as haverá. Não talvez aqui ou ali, mas em algum desgraçado país longínquo. Não se pode por fim a isso. Mas podemos — penso eu — destruir dentro de nós mesmos todos os absurdos que a sociedade nos inculcou; e essa destruição É CRIAÇÃO. O que é criador é sempre destrutivo. Não me refiro à criação de um novo padrão, uma nova sociedade, uma nova ordem, um novo Deus ou uma nova Igreja. O que estou dizendo é que o estado criador é destruição. Ele não cria uma norma de conduta, um modo de vida. A mente criadora não tem padrão. A cada momento ela destrói o que criou. E só essa mente pode enfrentar os problemas do mundo; não a mente astuta, não a mente ilustrada, não a mente que pensa na pátria; não aquela que pensa de forma fragmentária.

O que deve nos interessar, pois, é DESTROÇAR A MENTE, para que algo novo possa ocorrer. E é disto que vamos tratar em todas estas reuniões: como promover uma revolução na mente. Há necessidade dessa revolução; torna-se necessária a TOTAL DESTRUIÇÃO de todos os dias passados, pois, do contrário, não teremos a possibilidade de nos encontrarmos com o novo. E a vida é sempre nova, tal como o amor. O amor não tem ontem ou amanhã; é sempre novo. Mas a mente que conheceu a saciedade, a satisfação, trata de conservar esse amor na memória, para adorá-lo, ou coloca a fotografia sobre o piano ou a lareira, como símbolo do amor.

Assim, se estão dispostos, e se também é intenção de vocês, examinaremos a questão de como transformar a mente embotada, cansada, assustada, a mente dominada pela tristeza, que tantas lutas conheceu, tantos desesperos, tantos prazeres, a mente já tão envelhecida sem nunca ter conhecido juventude. Se o desejarem, examinaremos esta questão. Eu pelo menos vou examiná-la, quer desejem, quer não. A porta está aberta e vocês são livres para entrar e sair. Este auditório não é uma prisão; portanto, se isso não lhes agradar, será melhor não ouvi-lo; porque o que se ouve sem se desejar ouvir, se torna desespero, veneno. Já sabem, pois, logo de início, qual é a intenção deste orador: que não deixaremos uma só pedra por virar, que todos os recessos secretos da mente serão explorados, abertos e SEU CONTEÚDO DESTRUÍDO, e que essa destruição resultará em algo novo, ALGO DE TODO DIFERENTE de qualquer coisa criada pela mente.

Para isso se requer seriedade, empenho. Teremos de proceder com vagar, cautelosa, porém INFLEXIVELMENTE. E, talvez, no final de tudo — ou exatamente no começo, porquanto não há começo nem fim no PROCESSO DESTRUTIVO — possamos encontrar o imensurável, abrir repentinamente a porta da visão, a janela da mente, para recebermos aquilo a que se não pode dar nome. Essa coisa EXISTE, além do tempo, além do espaço, além de toda medida; ela não pode ser descrita nem expressa em palavras. Sem o seu descobrimento, a vida é COMPLETAMENTE VAZIA, SUPERFICIAL, ESTÚPIDA E FÚTIL.

Krishnamurti em, O PASSO DECISIVO

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill