“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Sobre a questão do sexo

Naquela manhã, um grupo de jovens invadira a casa. Cerca de trinta estudantes de várias universidades. Um dos rapazes começou a falar, com lábios trêmulos e a cabeça baixa.

“Quero viver uma vida diferente. Não me quero ver escravizado ao sexo, às drogas, empenhado na “corrida dos ratos”. Desejo viver fora deste mundo e, todavia, estou preso a ele. Pratico o ato sexual e no dia seguinte me sinto totalmente deprimido. Sei que desejo viver pacificamente, com amor no coração, mas sou arrebatado por meus impulsos, pela força da sociedade em que vivo. Quero obedecer a esses impulsos e, entretanto, ao mesmo tempo me revolto contra eles. Quero viver no cume da montanha, mas estou sempre a descer ao vale, porque minha vida está lá. Não sei o que fazer. Começo a aborrecer-me com tudo. Meus pais não podem socorrer-me e tampouco os professores com que às vezes procuro conversar sobre estes assuntos. Eles se acham tão confusos e aflitos como eu, de fato mais do que eu, porque são muito mais velhos.”

O importante é nunca chegar a uma conclusão, ou a alguma decisão pró ou contra o sexo, nunca se deixar enredar em ideologias conceptuais. Olhemos todo o quadro de nossa existência. O monge faz voto de celibato porque pensa que, para ganhar o seu céu, deve evitar todo o contato com uma mulher; mas, por todo o resto da vida luta contra suas exigências físicas; em conflito com o céu e a terra, passa o resto dos seus dias na escuridão, em busca da luz. Cada um de nós está empenhado nesta mesma batalha psicológica, tal como o monge consumido de desejos e procurando reprimi-los em troca da promessa do paraíso. Nós temos um corpo físico, com suas exigências. Essas exigências são estimuladas e influenciadas pela sociedade em que vivemos, pelos anúncios, pelas moças semi-nuas, pelo insistente desejo de divertimento, recreação, entretenimento, e pela moralidade da sociedade, a moralidade da ordem social, que é desordem e imoralidade. Fisicamente somos estimulados — comida mais farta e saborosa, bebida, televisão. O todo da existência moderna focaliza-nos a atenção no sexo. Vemo-nos provocados de todas as maneiras — pelos livros, pelas conversas, e por uma sociedade extremamente conivente. Tudo isso nos cerca; não adianta fechar-lhe os olhos. Nós temos de ver, em sua inteireza, essa maneira de vida, com suas absurdas crenças e divisões, e a total inexpressividade de uma vida toda consumida num escritório ou numa fábrica. E no fim de tudo — a morte. Temos de ver muito claramente toda esta confusão.

Agora, olhe por aquela janela, e veja aquelas maravilhosas montanhas, lavadas e renovadas pela chuva da noite passada, e aquela esplendorosa luz da Califórnia, não existente em nenhuma outra parte. Veja, naqueles montes a beleza da luz. Pode-se sentir o cheiro do ar puro e o frescor da terra. Quanto mais atento ficar, quanto mais sensível se tornar a essa imensa e incrível luz e beleza, quanto mais “estiver com ela” — tanto mais se intensificará a sua percepção. Isso também é sensual, tal como olhar uma moça. Não pode “responder” com seus sentidos àquela montanha e, depois, “desliga-los” ao ver uma moça; dessa maneira divide a vida, e em tal divisão sem encontra o sofrimento e o conflito. Isso não significa que deve evitar ou fugir ao conflito, ou entregar-se ao sexo ou outro apetite de tal maneira, que fique isolado do conflito. A compreensão do conflito não significa que deve vegetar ou tornar-se igual uma vaca.

Compreender essas coisas significa não ficar preso a elas, não depender delas. Significa: nunca negar coisa alguma, nunca chegar a conclusão nenhuma ou alcançar um certo estado ou princípio ideológico, verbal, para tentar viver de acordo com ele. A própria percepção de todo o conteúdo do mapa que se está desdobrando é inteligência. Essa inteligência é que atuará, e não uma conclusão, decisão ou princípio ideológico.

Nossos corpos se embotaram, tal como se embotaram nossa mente e nosso coração, por causa de nossa educação, de nosso ajustamento a um padrão estabelecido pela sociedade, o qual nega a sensibilidade do coração. Esse padrão nos manda à guerra, destruindo-nos toda a beleza, ternura e alegria. A observação de tudo isso, não verbal ou intelectual, porém real, torna altamente sensíveis o corpo e a mente. O corpo exigirá então o alimento adequado; a mente não se verá então enredada em palavras, em símbolos, em banalidades do pensamento. Saberemos então viver no fundo do vale e no alto da montanha; não haverá mais separação ou contradição entre ambos.


Krishnamurti — A outra margem do caminho
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill