“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Esfacelando a ilusão de que somos sérios

Quase todos nós, talvez, consciente ou inconscientemente, andamos em busca de segurança, nesta ou naquela forma: segurança nas posses, nas relações e nas ideias. E consideramos tais atividades muito sérias. Isso para mim, mais uma vez, não é seriedade. 

Para mim a palavra seriedade implica uma certa purificação da mente. Estou empregando a palavra "mente" num sentido geral, não específico, e mais adiante examinaremos o significado dessa palavra. Uma mente séria está sempre desperta, e, portanto, sempre se purificando, e nela não existe nenhuma busca de segurança. Ela não persegue uma certa fantasia, não pertence a nenhuma escola de pensamento, nenhuma religião, dogma, nacionalidade ou pátria; e não a preocupam, tampouco, os imediatos problemas da existência, embora seja necessário atender aos eventos de cada dia. A mente verdadeiramente séria tem de estar sobremodo vigilante, sumamente atenta, para que não tenha ilusões e não se deixe de envolver em experiências aparentemente proveitosas, convenientes e aprazíveis. 

Seria, pois, muito acertado se, exatamente no começo destas reuniões, ficasse bem claro para todos nós até que ponto e até que profundidade somos sérios. Com a mente alertada, inteligente e séria, penso que estaremos habilitados a considerar o inteiro padrão da existência humana em todo o mundo e, dessa compreensão total, chegarmos ao particular, ao indivíduo. Consideremos, pois, a totalidade do que está se passando no mundo, não simplesmente a título de informação ou de investigação de certo problema — problema atinente a um dado país, ou seita, ou sociedade, seja democrática, seja comunista ou liberal — mas, sim, consideremos o que realmente está ocorrendo no mundo. E daí, depois de percebermos o todo, de aprendermos o significado dos sucessos externos — não como conhecimento, não como opinião, porém percebendo os fatos, tais como estão realmente ocorrendo — daí chegaremos ao indivíduo. É isso que desejo fazer. 

(...) Considero essencial compreender o movimento exterior do mundo, a brutalidade, a crueldade, a tremenda ânsia de êxito, cada um desejando torna-se algo, aderir a certos grupos de ideias, de pensamentos e sentimentos. Se pudermos compreender todos os eventos exteriores, não em suas particularidades, porém aprendendo, a sua totalidade com um olhar livre de preconceito, livre de medo, não buscando segurança, não procurando refúgio em favoritas teorias, esperanças e fantasias, então o mundo interior terá significado totalmente diferente. Quando o movimento interior compreendeu o movimento exterior — é isso que chamo seriedade.

Krishnamurti em, O PASSO DECISIVO

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)