“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A inspiração tem as suas raízes no eterno

Krishnamurti, momentos antes da conferência em Ommen
Disse eu que para atingir o reino da espiritualidade não existe lei e quero explicar isto mais para adiante. A inteligência é a capacidade de discernir o essencial e o não essencial. A inteligência é, do meu ponto de vista, a essência de toda a experiência. Pela constante prática do discernimento e pelo conservar essa inteligência constantemente desperta, atinge ela seu ponto mais elevado, que é a inspiração. A inspiração, portanto, tem as suas raízes no eterno, na verdade perdurável. Para o homem que houver plenamente desenvolvido a inteligência, que houver alcançado esse estado de libertação que eu chamo a harmonia da razão e do amor, para um tal indivíduo, a inspiração não é intermitente e sim continua. Essa continuidade de inspiração é o que todos buscam. É por essa continuidade de felicidade que todo o homem no mundo luta. Ele busca estabelecer dentro de si mesmo essa felicidade constante, invariável, que reside sempre nessa harmonia que é o perfeito equilíbrio.

Sendo tal o estado de libertação, tal sendo a condição da Verdade, quem é que vos pode auxiliar a atingir e conservar dentro de vós essa continuidade, sem solução, sem intercorrência, esse vasto, infindável preenchimento da vida? Ninguém pode auxiliar-vos a não serdes vós próprios, pois não é algo ao qual se chegue pelo auxílio de outrem ou pela confiança posta em outrem. Como é, pois, que um indivíduo tem de atingir? A vida precisa aperfeiçoar-se a si mesma para atingir a libertação e este é o preenchimento de toda a vida individual. Pelo manterdes a vossa inteligência constantemente desperta, aprendeis a distinguir entre o que é passageiro e o que é perdurável, a discernir o falso na falsidade e a verdade no verdadeiro. Porém esta inteligência altamente desperta pode somente ser resultante da vigilância continua, do acautelamento, do auto-recolhimento, e da autodisciplina imposta a vós próprios por meio do entendimento do propósito da vida.

Por todo mundo hoje em dia, a autoridade, a autoridade externa, com especialidade, está sendo expelida. A jovem geração, se vos derdes ao trabalho de observá-la, vereis que se está libertando da autoridade imposta pelos seus maiores que se supõe saberem mais do que eles. Esta autoridade está sendo demolida, porém existe ainda a autoridade à qual o homem se apega em seu coração, para seu crescimento espiritual, autoridade da qual ele precisa também libertar-se antes que lhe seja permitido desenvolver a sua inteligência ao ponto mais elevado. Necessitais tornar-vos a única autoridade para vós mesmos, os arquitetos de vossa própria inteligência e, daí, de vossa própria vida, à luz daquilo que é eterno. Isto, digo eu, é libertação, é a harmonia, entre a razão e o amor. Quando houverdes atingido isto, todo o medo, oriundo da falta de entendimento, desaparecerá. Portanto, construindo a vossa vida sobre o entendimento da finalidade da existência, estabelecereis por vós mesmos a felicidade que é continua, emitireis uma raiz para esse reino que é eterno. É uma questão de esforço individual, de luta individual, de acautelamento constante, de constante autodisciplina. Não pode mais haver uma autoridade para sobre ela repousardes, para a ela vos arrimardes. O quer que construais na luz dessa eternidade, será permanente, por estar bem estabelecido, residindo sempre na libertação. Para o homem que atingiu, não há cessação, não há interrupção naquilo que é eterno, que é livre.


Krishnamurti, 6 de agosto de 1929, Acampamento de Ommen 
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill