“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Do “Eu” progressivo ao “Eu” Eterno

Pergunta: Como concebeis a conexão, a relação ente o “Eu” progressivo e o “Eu” eterno? Porque é que o “Eu” progressivo precisa tornar-se o “Eu” eterno?             

Krishnamurti: Porque é que quereis ser felizes? Porque quereis ser livres? Porque quereis a harmonia em tudo quanto fazeis? Porque é que o “Eu” tristonho, dolorido, lutador, está sempre buscando aquilo que e calmo, sereno, equilibrado, estável? Quereis vencer a tristeza e a dor e estabelecer dentro de vós aquilo que é incorruptível e, portanto, cheio de felicidade, aquilo que não liga, que é livre.

Pergunta: É a “união simples” a fusão do “Eu” progressivo e do “Eu” eterno?

Krishnamurti: Todos vós gostais dessa expressão “a simples união”, porém ela nada significa para vós. Parece tão simples que todos pensam poder alcança-la. A união simples é muito difícil, porque é preciso ser-se um gênio para ser-se simples — não infantil, eu não quero falar desta espécie de simplicidade, que é crueza, porém da simplicidade real do refinamento, o resultado do crescimento de todas as coisas externas. Essa simplicidade é o resultado de grande tristeza, grande dor, grande entendimento. A pergunta é: “Constitue o progresso a união entre o “Eu” progressivo e o “Eu” eterno? Naturalmente. Porém vós quereis obter esta união com o eterno antes de estardes em harmonia com os vossos amigos, antes de serdes amistosos para com o vosso próximo, antes de vos haverdes tornado tolerantes para com aqueles que, ou são demasiado intelectuais ou não o são o bastante. Para alcançardes esta união com o eterno, precisais primeiro possuir a harmonia dentro de vós. Todos vós pensais nela como sendo algo distante, porém ela não está longe nem perto.

Pergunta: É o “Eu” eterno a mesma coisa que “vida”?

Krishnamurti: É.

Pergunta: Se a verdade reside no processo, a perfeição é, portanto, progressiva. Torna-se a perfeição cada vez mais perfeita?  

Krishnamurti: Do meu ponto de vista, não. A perfeição do caráter não é progressiva; existe algo mais que é progressivo. É isto: O eu — a mente e as emoções — precisam ser progressivas, até que estejam em perfeita harmonia com o eterno. Enquanto caminhardes em direção a alguma coisa, manifesta-se o progresso; quando, porém, entrardes naquilo em cuja direção haveis estado progredindo, o progresso de uma espécie cessa e uma espécie diferente de progresso começa, bem como uma espécie diferente de perfeição. Enquanto caminhais na direção do eterno existe o desejo de ser perfeito. Quando, porém, entrais em harmonia com o eterno, essa perfeição progressiva, a qual haveis estado acostumados, cessa de existir. Olhais para estas coisas no momento presente, com mente e coração em limitação: assim, para vós, toda a coisa, imperfeita ou perfeita, boa ou má, é progressiva; vossa mente julga dentro da limitação. Quando falo acerca daquele eterno que não está em limitação, vós aplicais os tramites da perfeição progressiva, da limitação a algo que não pode ser descrito por meio de palavras. No fim de tudo, o que para vós descrevo somente pode ser uma espécie de sentimento; é coisa incerta, não podeis argumentar a respeito, não podeis explica-la. Quando, porém, ela se tornar vosso conhecimento próprio, vossa própria certeza, não vos importareis de discuti-la, de conversar acerca de tal, de dela duvidar e ninguém vos levará à incerteza.


Krishnamurti, no Castelo de Eerde, 18 de julho de 1929
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill