“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A reta compreensão não vem como um relâmpago


Esta manhã Krishnamurti começou por pedir àqueles que o escutavam que discutissem entre si as ideias dele formando grupos, durante o dia, para depois apresentar-lhe as perguntas que houvessem formulado. 

Não sei o que pensais, de que modo estais interpretando aquilo que eu vos digo. No fim de tudo —, por favor, não penseis que eu me sinta vaidoso — quero que entendais aquilo que vos falo tal como eu o entendo, e não como vós o concebeis. Qual irá ser o resultado de minhas palestras todas as manhãs; qual a maneira pela qual cada um de vós as entende? Isto é importante e isto deveremos discutir.

Aquilo de que falo é da vida em seu todo e não o podereis entender nesta meia hora em que aqui vos sentais, ocasionalmente, discutindo aquilo que eu digo. Estais muito concentrados enquanto falo, porém, durante o resto do dia, um milhar de outras coisas vos preocupam a mente. Nada chegareis a entender por esta forma. A reta compreensão não vem como um relâmpago. É o resultado de continua, incessante luta durante o dia inteiro. É pelo continuo ajustamento, pela mudança, pela destruição e pela colheita, que chegareis a adquirir a verdadeira compreensão.

Até ao ponto que me tem sido dado averiguar, vejo que apenas tomais uma parte daquilo que eu digo, que dissecais essa parte e a esta somente discutis. Porém essa pequena parte não tem valor quando destacada do todo. É o conjunto que tem importância, a completa unidade de toda a vida. E suas lutas diversas, angústias, dores, tristezas, podem somente ser entendidas quando houverdes alcançado o vislumbre do todo.

Como outro dia vos dizia a verdadeira educação do "Eu" — isto é, do indivíduo separado do todo — consiste no realizar que existe o "Eu" eterno e o "Eu" progressivo, e que este último se acha em luta constante com todas as coisas. Um elemento desse "Eu" é eterno, o outro é progressivo. Isto é: esse "Eu" que exige adestramento, educação, está continuamente progredindo para o lado do eterno. E no unificar, no unir o eterno e o progressivo, reside a liberdade e o atingir da Verdade. O "Eu" progressivo não é nem intelectual, nem emocional. A vida não é nem puramente intelectual nem puramente emocional. Vós não sois puramente intelectuais nem puramente emocionais, porém uma combinação de ambas as coisas.

O indivíduo que continuamente combate, que combate os grupos — pois que os grupos tendem sempre a oprimir, a sufocar o indivíduo — esse indivíduo, o "Eu" progressivo, deve possuir um padrão, deve ter valores que sejam inteiramente aparte, que não sejam dominados, controlados ou sufocados pelo grupo, pela massa.  Não pretendo que esse padrão deva ser integralmente individualístico, pois que, dado que o vosso padrão individualista varia de tempos a tempos, não tem grande importância. Porém o padrão que o "Eu", o "Eu" progressivo estabelece por si mesmo após haver passado por um processo de eliminação, esse é eterno. Afim de descobrirdes isso por vós próprios, para poderdes vos colocar acima de todos esses grupos, acima de todos os desejos individualistas, para poderdes unir este "Eu" progressivo ao "Eu" que é eterno, vós, como "Eu" progressivo, — o "Eu" que constantemente está buscando "experiências", o "Eu" que é impelido pelos desejos, dominado pelos temores, limitado pelas circunstâncias externas, dominado pelo amor corruptível, pelo ódio, pela paixão e pelo desejo de buscar conforto, esforçando-se para se adaptar às autoridades exteriores, temeroso da solidão — precisa vencer todas essas coisas.

Não podeis chegar ao "Eu" eterno, não podeis evadir-vos desse "Eu" eterno — que é o "Eu" universal, que é o vosso e o meu, que é o "Eu" de todos no mundo, de toda a humanidade, que não é ser e nem não-ser, que não é sabedoria nem não-sabedoria, que não é nem ação nem não-ação — enquanto não houverdes compreendido o "Eu" progressivo.

Não podeis fugir à luta do "Eu" progressivo, e, por esse modo, chegar a esse "Eu" que não tem começo nem fim, que é tranquilo, que se acha à frente de todo o indivíduo que avança. No unificar, no produzir harmonia entre o "Eu" progressivo e o "Eu" eterno reside a verdadeira beatitude, a verdadeira felicidade, a cessação da luta, a destruição do tempo e do espaço, do nascimento e da morte, da existência, enfim. E no entanto, por favor, não penseis que isto seja uma condição negativa: mais uma vez vo-lo digo, que não é negativa nem positiva. Para alcançar, para possuir esta felicidade, eta Verdade, esta liberdade, a qual todo o "Eu" progressivo, limitado, está continuamente buscando, — mediante a experiência, a angústia, a tristeza, a luta, o êxtase, a dor, — necessitais estabelecer esta harmonia entre o passageiro e o eterno, entre o progressivo e o perdurável.

É nisto que consiste a grandeza do homem: a de que ninguém, exceto ele próprio, pode salvá-lo. O universo existe potencialmente no homem e seu fim é produzir essa realização. Para chegar a esse "Eu" absoluto, o "Eu" progressivo necessita, pela experiência, pela consideração, pela sensatez, pela ausência de temor, rejeitar, eliminar todas aquelas coisas que impedem a unificação. Isso não é uma filosofia para ser intelectualmente elaborada, como uma ginástica mental: É a própria Vida, o todo, que necessita ser vivido, que necessita expressar-se a si próprio fisicamente, em todas as vossas atividades

Krishnamurti, 17 de julho de 1929, Reunião de Verão no Castelo de Eerde
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill