“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Acumular para depois dar, não é virtude

Pergunta: Por favor, explicai a diferença existente entre autoanálise e autopercebimento.

Krishnamurti: Que é autoanálise? Desejais um automóvel e, ao mesmo tempo, vossa mente vos diz que ele não é necessário. Vem a luta, e principiais a analisar os prós e os contras. Logo, a base a base da autoanálise é o desejo. Quando não desejais não analisais; se, porém, desejardes alguma coisa, encontrareis inúmeras razões para possui-la. Portanto, o que chamais de introspecção é o produto da divisão da mente por causa do desejo.

Ora, o autopercebimento, no verdadeiro sentido, é estar desperto, tornar-se atento; tornar-se apercebido é conhecer a causa da divisão, que é o desejo. Apercebimento é plenitude de percepção. Podeis perceber completamente as coisas quando não tiverdes mais desejo e, portanto, estareis livres da autoanálise. Tornar-se plenamente apercebido não é ir cedendo ao desejo camada por camada, julgando que se necessita de passar por todas as experiências, o que nada mais é do que outra nova sensação. Mente desperta não é egocentrismo. A mente só está alerta quando está se esforçando por se libertar da causa da limitação, que é o desejo. Se a vigilância não servir para descobrir esta causa, então ela se torna em auto-centralização, autoconsciência. Quando buscais a causa, não vos tornais auto-centralizados, não ficais autoconscientes, mas estais alerta, vigilantes, plásticos; ides, assim, à própria raiz da causa.

Pergunta: Como poderemos seguir a cadeia de acontecimentos, de causa e efeito, sem a autoanálise?

Krishnamurti: No pleno movimento de viver encontrais a causa, sem precisar de autoanálise.

Pergunta: O que dizeis a respeito de dar?

Krishnamurti: Se possuirdes muitas coisas, qualidades, virtudes, ideias, haveis de querer dar; se, porém, nada possuirdes, nada haverá para dar. Eu falo da liberdade e não de dar.

Pergunta: Não podemos esquecer de nós próprios ao dar?

Krishnamurti: Se a vós próprios esquecerdes seja no que for, isso não é coisa real. As pessoas se esforçam por se esquecer de si próprias cultuando, para evitar as lutas da vida, entregando-se ao objeto de seu culto, mediante o serviço, pelas boas obras, pelo muito aprender. Seguramente, isto é uma fuga, não é assim? Não podeis esquecer a vós próprios e podeis fazer o que vos aprouver. Podeis encobrir vosso isolamento, podeis enganar a vós mesmos, porém esse isolamento existirá sempre até que lhe façais frente. Dele não podeis fugir, não vos podeis perder seja no que for, seja no dar, como no partilhar. Porque é que dais? Porque possuis, porque sois superiores, porque tendes algo para dar. Como podereis dar se antes não houverdes adquirido?

Pergunta: Não vos podemos dar nosso apoio mental?

Krishnamurti: É a mesma coisa. Para dar, primeiramente tendes que haver adquirido. Porque é que tendes alguma coisa? Se tendes algo para dar — seja pensamento, riqueza ou afeto — tornais o recebedor mais fraco e isso nada mais é do que exploração.

Pergunta: Que dizeis de partilhar?

Krishnamurti: Falo de ser como nada, nem dar, nem partilhar. Se não empreendeis isto, tudo que vos tenho estado a dizer é fora de tempo. Toda a vossa ideia de progresso, é aquisição, é crescer cada vez mais, colhendo, acumulando. Por essa maneira há o superior e o inferior, o partilhar e o dar. Pelo fato de possuirdes mais do que outrem, partilhais, dais. Isto não quer dizer que não devais partilhar, que não deveis dar; esta ideia, porém, de dar, de partilhar porque tendes alguma coisa, é semelhante ao ato de eu vos explorar para obter o dinheiro e depois partilha-lo convosco. É somente quando a vós próprios tendes como superior que vos preocupeis com a ideia de dar, de partilhar.

Pergunta: Não está isso na atitude em face da posse?

Krishnamurti: Não, Sr. Podeis ter uma atitude bondosa com uma bolsa farta. Enquanto houver querência, desejo, haveis de acumular, seja qual for a atitude que adotardes. Na posse existe o dar e o partilhar; primeiro acumulais o dinheiro para depois partilhá-lo. A ideia de partilhar e dar só é possível quando estiverdes conscientes de vós próprios como possuidores de alguma coisa. Adquirir para dar não é virtude.

Pergunta: Por favor, mostrai-nos a diferença entre inteligência e eu-consciência.

Krishnamurti: Inteligência é harmonia, eu-consciência é desarmonia.   
      

Krishnamurti, perguntas e respostas em 6 de junho de 1932 
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill