“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Vivendo no mundo, sem no entanto, estar nele


Sabereis que, ao buscar o entendimento, encontra-se a solidão, pois que só podereis conceber a Verdade pelo vosso próprio esforço, liberto de todo desejo pelos opostos. Dessa solidão brota o êxtase natural da solitude, uma solitude na qual não há solidão. Não podereis compreender isto, se meramente o considerardes como teoria, uma hipótese plausível, um festim intelectual.

Pediram-me para explicar mais além o que eu disse outro dia com relação ao casamento. Não podeis compreender a Verdade, a plenitude, por meio de qualquer sistema ou circunstância. Se sois ou não casados, não é coisa de fundamental importância, desde que tenhais essa vigilância da mente, essa flexibilidade de razão que a seu tempo conduz à Sabedoria. Não julgueis, que, pelo casamento, ides necessariamente alcançar a plenitude, ou que, por estar sós, compreendereis a Vida. Embora permaneçais solteiros, sereis influenciados pelos vossos amigos, por vossos irmãos e irmãs, pela sociedade, pelos vossos vizinhos, pela opinião pública. Acontece o mesmo com o casamento: sois influenciados pela esposa, pelos filhos e pelas circunstâncias da vida matrimonial. Não se trata de apegar-se a um sistema ou método para o vosso desenvolvimento. Não importa que sejais casados ou não. O que é de máxima importância é que aprendais o verdadeiro valor de vossos pensamentos, de vossas emoções e opiniões, de vossos conflitos e lutas. Pelo exame continuo e pelo auto-rememorar, vos libertareis da consciência limitada. Deveis viver afim de verificar o valor do conflito, e a iluminação é o reconhecimento dos verdadeiros valores. Se conheceis o verdadeiro valor de vossos pensamentos, vaidades, apegos, ostentações, deles vos libertareis. Ser livre é viver os justos valores na existência de cada dia; e tais valores só podem ser encontrados pelo vosso próprio esforço e entendimento e não seguindo um sistema ou método.

Pergunta: Dizeis que a natureza preenche as suas finalidades no homem... O homem, analogamente, se consuma no homem liberto ou perfeito. Mas, a libertação significa o fim da vida humana; de modo que o objetivo da humanidade é desaparecer. Se todos os homens fossem como vós, seria o fim da humanidade. É assim?

Krishnamurti: Disse que primeiro há a perfeição inconsciente, depois a imperfeição consciente, que é o homem se tornando autoconsciente e conhecendo suas limitações; e depois a libertação da eu-consciência, que é perfeição. A Vida existe em tudo e o homem pode realiza-la plenamente, mas essa realização só é possível pelo conhecimento do conflito, da tristeza e da alegria. Isto não implica o término da humanidade. Porque eu não sou casado e nem tenho filhos, não se segue que não devais vos casar nem ter filhos. Se o vosso desejo é buscar entendimento, não importa que sejais ou não casados. Algumas pessoas supõem que casar e ter filhos é anti-espiritual. Não creio. Se converteis o casamento ou os filhos no objeto mais importante da vida, sem compreenderdes o valor exato da luta, da posse, da mútua dependência que vos proporciona os justos valores, então não sereis completos em vós mesmos. Podeis não ser casado, e ser egoísta, arrogante, brutal, insensível, desprovido de consideração e afeto. O que importa não é o modo, o sistema, o método, mas a plenitude que o homem pode alcançar. Tão depressa essa consumação da liberdade da eu-consciência se torna o vosso único desejo, este desejo se converte em vossa própria lei. O vosso desejo se torna a vossa disciplina. Assim, não deis ênfase ao método, ao casamento ou não casamento, ater filhos e não os ter. São incidentes dos quais tendes que assimilar entendimento; mas é esse entendimento que é de máxima, de final importância.

Todos desejam libertar-se da tristeza e a libertação da tristeza não se consegue movendo-se em determinada direção, por qualquer meio, método ou sistema. Consegue-se por esse intenso desejo de ser completo no presente e pelo julgar, por meio da auto-rememoração, se as vossas ações, pensamentos e sentimentos são oriundos do egoísmo. Direis: “É tudo?” Não é. Isto é apenas o começo. Como disse, dessa auto-rememoração brota a solidão, uma solidão realmente penosa, da qual surge o êxtase da solitude. Mas, não quereis estar só. Tendes medo porque não compreendeis que somente através dessa solitude, por vossa própria energia, vosso próprio esforço, se efetuará a realização dessa plenitude.

Pergunta: Estais de acordo com a velha ideia religiosa de que o asceta é realmente um mais perfeito tipo de humanidade do que o homem que casa e tem família?

Krishnamurti: Não concordo. Compreende-se ordinariamente o asceta como um homem que foge do mundo, que vive no mundo sem o compreender e, assim, não há renúncia. Quando há entendimento, não há renúncia. Tendes adorado a renúncia, não o entendimento. Olhais como um grande homem, aquele que dá mil libras por caridade, porque vós próprios estais enredados nos laços do desejo de posse. O homem que conseguiu, pelo sofrimento, pelos conflitos, pela auto-rememoração, esse êxtase interno da solitude; que não depende de coisas externas para sua felicidade; que se libertou da eu-consciência, tal homem pode ser asceta ou casado. Ele pode viver no mundo e no entanto não estar nele. Mas, para conseguir isto, deveis estar perfeitamente livres de desejos íntimos e libertos da ilusão da individualidade, que gera sutis decepções.

Assim, pois, não é uma questão de afastamento do mundo ou de tornar-se asceta, mas uma questão de compreensão da plenitude interna, de percepção íntima da Verdade que vos liberta de todo conflito, esse silêncio interno que sempre se renova.           

Krishnamurti, palestra em Ommen, verão de 1931 
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill