“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Não existe morte para o homem liberto de desejo

Pergunta: Compreendo que haveis sido ajudado na direção da realização da Verdade pela experiência da morte. Haveis dito que morte, amor e nascimento são essencialmente os mesmos. Como podeis sustentar que não existe distinção entre o choque e a tristeza da morte e a beatitude do amor? Poder-se-ia chegar à realização da Verdade somente pela experiência do amor? Se assim fosse, certamente haveria uma diferença na expressão dessa realização. É a tristeza um caminho mais seguro para a realização da Verdade do que o caminho do amor?

Krishnamurti: Só existe morte quando existe continuação da memória, e a memória nada mais é do que o resultado do desejo, da querência. Para o homem liberto de desejo não existe morte, nem começo, nem fim, nem caminho do amor, nem caminho da tristeza. Na persecução de um oposto criais resistência. Se fordes temerosos, buscareis coragem, porém, o medo vos perseguirá ainda, pois que somente estareis escapando de um para o outro. Ao passo que, se vos libertardes da causa do temor, que é o desejo, então não conhecereis, quer a coragem quer o temor; e digo eu que a maneira de operar isto é tornar-se acautelado, vigilante, não buscar alcançar coragem, porém libertar-se dos motivos na ação.

Se compreenderdes isto, verificareis que o tempo, tomado como futuro e passado, terá cessado de existir e que a tristeza da morte terá cedido ao presente sempre renovado. Quando alguém a quem amais morre, sentis uma grande solidão e, colhidos por ela, desejais assegurar-vos de que a vida continua do outro lado da morte, ou buscais a união com o todo. Estas coisas mais não são que a persecução de um oposto e, portanto, reservam-nos sempre a solidão. Ao passo que, no fazer face à solidão e no descobrir a sua causa por meio da vigilância desperta, liberta-se a mente da distinção em cujo processo a solidão é completamente destruída. Todas as coisas têm que fenecer. A mente, porém, que estiver liberta da distinção, da resistência e da causa correspondente que é o desejo, conhecerá a imortalidade. Isto não é a perpetuação da individualidade, as muitas camadas de pensamento e sentimento pessoal. A imortalidade é a harmonia da percepção completa.            


Krishnamurti, Acampamento de Ojai,  8 de junho de 1932
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)