“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Por que tantos são colhidos pela tristeza?


Vou tentar explicar o que me parece ser a mais natural e importante atitude perante a vida. Vossos pensamentos e vossas ações acham-se presentemente condicionados, limitados por ideias sociais, econômicas e religiosas e vós haveis vos tornado meros dentes de engrenagem numa máquina vastíssima. Não estais seguros e nem sois responsáveis e, dessa incerteza e irresponsabilidade, surgem vossas ações desarmoniosas e em conflito. Onde há conflito no pensar e sentir e, portanto, na ação, segue-se a tristeza e, a maioria das pessoas no mundo, tanto os irrefletidos como os espertos se acham colhidos pela tristeza.

Para libertar-se desta tristeza é preciso tornar-se consciente de que se está apenas imitando, que os pensamentos e sentimentos são contorcidos pelo contínuo conformar-se a ideais preestabelecidos e padrões que cegamente seguis. Em virtude disso, vosso verdadeiro instinto, a integridade de vosso próprio pensamento e sentimento perverteu-se. Presentemente não podeis confiar em vosso instinto, porque através de múltiplos séculos vosso instinto tem sido pervertido pela opinião pública, pela tradição, pela autoridade espiritual. Vosso instinto, que é vosso verdadeiro guia, foi assim rudemente pervertido e daí haverdes perdido, naturalmente, toda confiança nele. Portanto, afim de uma vez mais descobrirdes vosso instinto puro, necessitais começar a verificar como vossos pensamentos e sentimentos estão condicionados pelo medo e por causa da imitação; e, no verdadeiramente defrontar essas limitações, impostas pela sociedade e pela religião, pelos múltiplos padrões e ideais, dareis liberdade à inteligência natural que é a intuição, a qual é verdadeiro instinto.

O que estou dizendo não é de modo algum filosófico, nem tampouco é o pensamento ocidental ou oriental expresso de modo a acomodar-se às mentes modernas; isto porque, para mim, a filosofia, um sistema de pensar, somente limita a liberdade de sentir e produz a conformidade, que é uma imitação. Não estou de modo algum oferecendo-vos uma panaceia para as doenças atuais do mundo, nem dando-vos um sistema mediante o qual possais encontrar a felicidade.

No mundo inteiro todos buscam a felicidade, a felicidade que perdura, porém uma tal felicidade não se encontra pela conformidade, seja de que espécie for. A conformidade, que é imitação, principia na infância, por meio da educação, pelo choque com a sociedade e com as circunstâncias externas. Por esse modo tendeis a fazer que vossos pensamentos e sentimentos correspondam à opinião pública e se tornem subservientes às ideias religiosas e às autoridades espirituais. Se refletirdes sobre qualquer religião ou filosofia, nela encontrareis um método estatuído mediante o qual podeis chegar à realização da verdade ou Deus. Tudo que fazeis é conformar-vos, imitar e forçar vosso pensar e sentir segundo o molde determinado desse sistema, e por essa maneira apenas vos tornais dentes de engrenagem numa máquina social ou religiosa. Todo o edifício da civilização moderna se acha baseado inteiramente na conformidade e ajustamento a padrões que foram estatuídos por uma autoridade, a autoridade da opinião pública ou de um instrutor espiritual. E o que se dá com religião, sociedade e ideias, dá-se com a educação; a conformidade contínua resulta na sufocação do pensamento individual.

O que acontece na vida atual? Tendes uma experiência, tal como a morte ou a falência num negócio ou uma grande desilusão, e esta experiência vos faz sofrer forçando-vos a pensar. Em face do conflito, da confusão e da desgraça, rompeis com a conformidade, com a imitação, na qual reside a insinceridade, a falsidade, e começais a pensar por vós próprios, acrescentando assim o conflito. Ora, quando isto acontece, que é que fazeis? Buscais uma maneira de sobrepujar este conflito, para vencer essa tristeza, não por compreender-lhe a causa, porém sim procurando uma evasão, e estabeleceis um ideal, esperando por meio desse ideal esquecer o conflito.

Assim, da conformidade, desperteis para o conflito, escapais para a satisfação, a qual mais uma vez é limitação, e assim vos amarrais a este processo de contínua fuga do presente, no qual unicamente está a imortalidade. Eu digo que há entendimento no presente, não no conformar-se à memória do passado ou na persecução de um ideal para o futuro, porém sim, no contínuo apercebimento que revela todos os conflitos. Vós compreendeis fazendo face aos vossos conflitos, não tentando deles escapar. Fazer-lhes frente é tornar-se apercebido de que o sofrimento existirá enquanto houver a persecução do anseio. É na intensidade do viver no presente, sem o embaraço da conformidade ou da fuga, que advêm um êxtase, uma perpétua felicidade que para mim é a beatitude da verdade.


Krishnamurti, palestra pelo rádio em 1932
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)