“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

O que é que realmente vos interessa?

Pergunta: Não existirá o nervosismo em virtude da falta de domínio da mente? Podereis nos fornecer algumas indicações de como controlar a mente afim de ser capaz de dominar os nervos?

Krishnamurti: O domínio da mente vem quando há suficiente interesse, o êxtase do entendimento. Quando estiverdes interessados, sereis capazes de vos concentrar. Portanto, tendes primeiro que verificar se estais interessados pela compreensão da Vida, pela compreensão de cada experiência, e daí provirá um natural, um gracioso domínio e fácil contemplatividade. Ao passo que, sem exercerdes a determinação, a vontade, para dominar a mente, isso nada mais será que um exagero de opostos e daí provirá a expansão da eu-consciência. Observai a vós próprios no persecução do prazer. Não fazeis um esforço especial para vos concentrar, ides na direção dele. Vossa mente está continuamente antecipando-o, pensando a respeito, consumando-se a si mesma repetidamente no pensamento. Isto não exige domínio porque estais interessados. Portanto, em primeiro lugar, averiguai na vida o que é que realmente vos interessa.

Quando vosso desejo estiver dividido em si mesmo, então exerceis vossa vontade para dominá-lo; se, porém, vosso desejo estiver em persecução não divisa daquilo que deseja, então não há conflito e nenhum esforço para domínio é necessário. Conheço muitas pessoas que dominaram suas mentes, que meditaram durante anos. Isto é, aprenderam a suprimir a si mesmas, expeliram de suas mentes todos os pensamentos em conflito e apegaram-se a uma ideia. Para mim, não se trata de expelir os pensamentos para fora da mente porém antes do entendimento de toda a experiência pelo ter a mente alerta. A verdadeira concentração é compreender o pleno significado de cada experiência, de cada pensamento e sentimento. Então vossa mente estará desperta e será plástica.

Pergunta: Haveis com frequência falado da completude dentro de vós próprios. A primeira vista isto parece trabalhar no sentido de uma separação maior. Podeis nos explicar isto um pouco melhor?

Krishnamurti: Unicamente tornando-vos apercebidos da causa da separação, que é eu-consciência, é que realizareis a completude. Quando estais aprisionados na limitação do pensamento e emoção, sois conscientes da separatividade. A chama da plena eu-consciência vem quando percebemos a causa da eu-consciência, a qual brota dos sentidos, dos pensamentos e ideias. Enquanto a eu-consciência, a “eu-dade” existir, não haverá a plena, a permanente realização da completude, que somente pode ser realizada por meio da dissolução do ego.  


Krishnamurti, reunião de verão em Ommen, 1931
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)