“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Para realizar a Verdade, tendes que estar desapegados


Pergunta: Dizeis que a completude existe, não no presente como tempo, mas no presente como ação. Por favor, explicai.

Krishnamurti: O tempo só existe quando houver incompletude. Quando vos apegais à vossa personalidade, aos vossos instintos limitados, aos vossos pensamentos e emoções, então conheceis o tempo sob a forma de passado, presente e futuro: na completude não existe tempo. O tempo é a continuidade da individualidade. Se estiverdes completamente livres da eu-consciência, com suas complicações, desejos, temores, então existirá esse apercebimento que não é, que não pertence ao tempo e aos opostos.

Este apercebimento é a resultante da completa ausência de morada, da solidão. O isolamento é a flama da eu-consciência, a intensidade do sentimento e pensamento. Quando houver esse auto-recolhimento, há também o alvorecer da intuição, o qual não conhece tempo nem limitação. A intuição é ação pura, é a própria Vida, não possui qualidades nem atributos; é amor no qual não existe objeto, é sua própria eternidade, completa em si mesma. Somente a mente na qual não mais existe a ideia ou vontade pode compreender essa harmonia introspectiva da completude. Nisto não pode haver tempo e, portanto, a ideia de direção, de progresso, desaparece inteiramente.

A intuição somente pode ser traduzida sob a forma de ação. Eu não me sirvo da palavra “ação” como o oposto da estagnação. Haveis de pensar que, quando a mente não tem mais ideia nem vontade e quando o coração não mais conhece “tu” e “eu”, deve existir completa negação. Do ponto de vista do tempo, é aniquilamento, isto é, quando encarais a vida sob a forma de opostos. Não e porém, nadidade. É esse estado sem lar, essa completude na qual cessou todo o tempo e que sempre se renova a si própria.

Não entreis em discussões metafísicas a este respeito. Se tal puder ser discutido, não é real. Eu conheço aquilo que é eterno, porém, não vos posso provar; não vos posso dar. Nesta realização não há progresso, não há evolução, tomada como tempo. Presentemente conhecei-vos como seres separados e, portanto, pensais acerca da Verdade como estando afastada de vós. A completude é profunda contemplação, livre da eu-consciência. É um êxtase no qual não existe começo nem fim. Enquanto estiverdes no cativeiro da tristeza, o qual é o conflito dos opostos, jamais podereis compreender. Podeis compreender intelectualmente, porém eu não vos estou falando de nada intelectual, de metafísico; estou falando da Verdade, a qual somente pode ser realizada no presente, por meio de vossas ações e da vossa maneira de viver.

Pergunta: Que entendeis ao dizer “Não transijais?” Por favor, dai um exemplo.

Krishnamurti: A maioria de vós acredita que com o tempo podem se tornar maiores, mais nobres e mais perfeitos. Para mim é isto uma ilusão nascida do desejo pela continuidade da individualidade. Não podeis transigir entre tais crenças e o que eu vos digo. Tendes a ideia de que, para realizar a Verdade, precisais vos tornar discípulos. Eu digo que não precisais seguir a ninguém, inclusive a mim próprio. Eu digo que para realizar a Verdade, tendes que estar inteiramente desapegados, sem repouso. Não abandoneis vossos lares; não é isto que quero dizer. Para realizardes a Verdade, tendes que conhecer a solidão. Não podeis adorar, não podeis repousar em outrem, portanto, não pode haver transigência neste assunto.

Tenho falado a respeito disto por todos estes últimos quatro ou cinco anos, porém talvez de forma mais delicada e gentilmente. Alguns de vós sois Budistas, outros Cristãos, alguns ainda Teosofistas e outros ainda Hindus. Não pretendo que me sigais. Porém, se quiserdes realizar a completude, a Verdade, não vos podeis apegar a qualquer sistema ou a qualquer ilusão. Deveis vos despojar de todas as crenças e permanecer na solidão de vosso próprio pensamento criativo. Para ficar assim desapegado, isento de morada, sozinho, tendes que ter grande sofrimento e grandes alegrias. Muitas pessoas não querem sofrer grandemente ou fazer o esforço que proporciona grande êxtase. Se sofrem, suportam e não buscam compreender o sofrimento. Intelectualizam-no; encontram teorias para o acobertarem, para o enfeitarem; ocultam-no e expelem-no, porém ele brota de outra forma. Se desejardes compreender a Verdade, então, tendes que vos tornar apercebidos da causa da tristeza; precisais conhecer a vós próprios e às vossas limitações. Tornando-vos assim conscientes, libertai-vos da eu-consciência.       
   

Krishnamurti, reunião de verão em Ommen, 1931
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill