“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Liberte a mente e o coração das ilusões do desejo

Pergunta: Outro dia haveis dito que todos os instrutores que seguimos são, na Verdade, nossos destruidores. Buda, cultuado e amado através das idades, foi por acaso um destrutor, ou diríeis não ter ele sido um instrutor? Quereis dizer que os seguidores fazem destruidores de seus instrutores, ou que existe um elemento destrutivo na ideia de alguém que dá ensinamentos a outrem? Não encarais a vós mesmo, no verdadeiro sentido, como um professor?  

Krishnamurti: Se acompanhardes a outrem, dele fazeis um padrão segundo o qual orientareis as vossas vidas. Assim, o instrutor a quem seguis, torna-se o vosso destruidor. O verdadeiro instrutor não vos conduz, não vos domina ou diz “por mim realizareis a Verdade”. Ele vos mostra as falsas criações de vossos desejos íntimos e a vós compete ver a sua natureza ilusória e pelo vosso próprio esforço libertar deles a mente e o coração. Portanto não pode haver apostolado para realizar a Verdade. Como podeis seguir a outrem quando aquilo que buscais está dentro de vós próprios? Porém, na gratificação do desejo, erigis a outrem, esculpis a imagem de uma suposta divindade e a essa imagem cultuais na esperança da sabedoria. Portanto, estareis seguindo ao vosso próprio desejo.
Porque entronizais a outrem para adorar? Porque esperais, através de outrem, atingir miraculosamente, ser recompensados, estimulados, guiados. Servis-vos de uma ideia para dominar a mente, portanto, não a estais libertando; e é somente por meio da perfeita liberdade da mente que podeis discernir. Como podeis entender o Supremo êxtase da Vida com a vossa mente acumulada de preconceitos, quando estiverdes perseguindo a ideia de outrem, quando estiverdes erigindo a outrem em autoridade para cultuar?

Não vos estou compelindo ao individualismo vazio. “Falo de ser livre, de realizar a imensurável Vida que não tem começo nem fim, desse êxtase da Verdade que haveis acobertado pelas muitas camadas de vossa cobiça. Ninguém a não ser vós mesmos e mediante a vossa própria ação, pode purificar vossa mente e vosso coração. Se enxergardes a significação que isto tem, vossa ação demonstrará a capacidade que tendes, em vosso interior, para compreender.

No seguir a outrem criais o explorador e o explorado. Se fordes arrebatados pelo que eu digo, é porque eu vos estimulo à ação e porque esperais, ficando despertos, realizar. Jamais conhecereis o êxtase de viver por meio do estímulo; somente o podeis realizar pelo vosso próprio entendimento, pela vossa própria ação, liberta da cobiça, dos motivos. A Verdade jamais é conhecida por meio de outrem e o homem que persegue os pensamentos de outrem, moldando-se de acordo com tal imagem, nada mais está fazendo que destruir, mediante a sua própria ação, aquilo que procura. Haveis de dizer que não tendes nem a coragem e nem a sabedoria para realizar a Verdade. Onde é que há sabedoria a não ser através de vosso próprio esforço? Para ir longe, tendes que começar de perto.

Assim, pois, neste verdadeiro sentido da palavra, eu sou um instrutor. Não quero que me copieis. Não quero que me sigais, nem mesmo que aceiteis o que estou dizendo. Eu vos estou mostrando como projetais vossa sombra, e a vós compete o destruí-la. Eu vos estou mostrando a causa da tristeza e a vós compete vos libertar dessa causa. Eu vos estou mostrando a via natural, jubilosa, da Vida, o modo extático do apercebimento e a vós compete realizar este êxtase mediante o vosso próprio esforço.  
     

Krishnamurti, Acampamento de Ojai, 7 de junho de 1932
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill