“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

O “eu” é uma série de embaraços oriundos do desejo


Pergunta: Como a mente pode se libertar dos opostos?

Krishnamurti: Eu vos direi. Se fordes mental, emocional e fisicamente pobres, haveis de querer ser ricos, não é assim? Pretendereis possuir uma mente rica, uma emoção forte. Ora, isso não é nada mais do que perseguir um oposto e o oposto encerra a causa da qual fugis. Aquilo que perseguis encerra aquilo de que fugis. Quando sois pobres, quereis ser ricos e sabeis, por meio do contraste, o que é ser rico. Ides atrás da riqueza com a vossa mente e criais assim um oposto por meio do desejo; ao passo que, no reconhecimento do fato de que sois pobres e no vos esforçardes por vos libertar mesmo da ideia da pobreza, destruireis o oposto.

Se não gostardes de alguém, é inútil o dizer que deveis amar esse alguém; isto estimula a hipocrisia. Se, porém, vos esforçardes por vos libertar da ideia de desgosto, ireis vos libertando da ideia de distinção entre gosto e desgosto. Não podeis fazer isto mentalmente; não podeis dizer “preciso me libertar do desgosto” e, intelectualmente, vos iludir a vós próprios. O reconhecimento do fato daquilo que sois, se de tal não vos tentardes evadir, conduz à libertação dos opostos.

Se estiverdes solitários, continuamente estareis buscando companhia, esforçando-vos para sufocar vossa mente com ideias, prazeres, querereis engolfar-vos nas boas obras; porém, a ferida da solidão, embora a cubrais de múltiplas sensações, fica ainda por curar. Ao passo que, se vos aperceberdes de vossa solidão e lhe fizerdes frente, sem buscar dela fugir, no próprio ato de a defrontardes, integralmente, tornar-vos-eis vigilantes. Começareis a ver o modo pelo qual vos esforçais para fugir da solidão; percebereis os sutis enganos da mente. De cada vez que vos aperceberdes de vossa fuga, ficareis enriquecidos pela sabedoria em virtude desse apercebimento.

Ainda que eu possa variar os termos, é disto que falo todos os anos. Tentai aperceber-vos de vossos próprios desejos, o que não é tornar-vos eu-conscientes. Só vos tornais eu-conscientes quando perseguis um oposto por causa do desejo, quando buscais fugir da solidão para a riqueza de uma multidão de ideias. Quando vos esforçais, sem desejo, por libertar-vos da solidão por meio da ação da vigilância, então não mais criais resistência, a qual é eu-consciência, porém estareis libertando a mente da limitação. A pura ação é, portanto, um processo de desnudamento, não de aquisição.

A mente é formada de pensamento, vontade, concepção, reflexão e entendimento. Ora, não podereis possuir entendimento. Ora, não podereis possuir entendimento se a vossa mente estiver carregada pelo desejo, pela ânsia do querer; este querer cria uma ideia e, por isso, uma recordação. Se, porém, a mente não estiver tentando engolfar e se esforçar por se libertar da causa da resistência que é o contraste, então haverá uma mente descarregada e só uma mente tal pode compreender, pois que se completa s si própria no apercebimento emocional.

Uma das coisas mais difíceis é libertar a mente da ideia do passado. Se, por exemplo, tiverdes um regozijo decorrente de uma experiência emocional, vossa mente há de querer retroceder e demorar-se nela, volta a passar pela experiência. Criais assim uma lembrança pela perpetuação de uma ideia e esta lembrança torna-se eu-consciência, o “eu”, que julga ser real e que imaginais poder progredir até tornar-se, por fim, a própria Vida. O “eu” nada mais é que uma série de embaraços oriundos do desejo; e para se libertar desta ideia de eu-consciência, que é morte, e da ideia de unidade, de progresso, de inclusividade, de auto-identificação, a mente necessita completar-se a si mesma em cada experiência. Isto é, necessitais vos tornar plenamente apercebidos em cada instante, o que não implica ter mente preguiçosa.

Se fizerdes observações sobre a vossa própria mente, haveis de verificar o como ela toma ideia após ideia, incidente após incidente, lembrança após lembrança e sobre elas se demora criando lamentações para o passado e esperanças para o futuro. Por esta maneira gastais vossos dias e anos e criais um hábito de pensar; neste hábito viveis e este hábito torna-se a vossa vida, a vossa consciência, todo o vosso viver e agir. Uma mente que continuamente se demora em incidentes, em lembranças, em ideias, está continuamente cavando seu próprio tumulo.       


Krishnamurti, perguntas e respostas em 6 de junho de 1932 
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill