“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Verifique se o pensamento é motivado pelo desejo

Pergunta: Existe alguma diferença entre Vida e expressões da Vida? Não é toda a coisa uma expressão da Vida? E, se assim é, seria possível atingir a realização da Vida por meio de qualquer experiência simples? Ou deve a realização vir pelo penetrar profundo da nossa consciência?

Krishnamurti: Não há distinção entre matéria e espírito. Apraz-vos pensar que quando tiverdes abandonado o tumulto deste mundo, que vós próprios haveis criado, estrareis no mundo do espírito, no qual não existe conflito. Estais, portanto, assim, criando continuamente um motivo para a vossa ação e jamais existe um viver completo no presente.

Toda experiência no presente — experiência é a reação do desejo pessoal, que é ânsia — vos concederá seu pleno significado se estiverdes vigilantes, alerta. A experiência não é mais do que uma série de reações e, quando estiverdes livres dessas reações, não mais existirá experiência, porém sim, uma penetração contínua. Para penetrar profundamente, pacientemente e com diligência, tendes que atravessar as múltiplas camadas da eu-consciência, que são a causa da reação. Necessitais conhecer por vós próprios que estais colhidos na limitação das ideias, das reações. Quando houverdes feito face à vossa limitação, sabereis como lidar com dela, pois que não tentareis dela fugir, não mais perseguireis a um oposto. Tendes que tratar com aquilo que está no presente, e somente através do presente existe a realização da eternidade. A eternidade não está no futuro, que é a individualidade prolongada; está no incessante presente.

Pergunta: Quando um indivíduo realiza sua unidade, integridade, perfeição, ficará curado de seu corpo? Pode a imperfeição física continuar após a Vida se haver liberto da personalidade?

Krishnamurti: Todas as formas compostas se gastam. Eu vos estou falando de libertar-se da distinção entre “meu” e “teu”, que cria resistência e tristeza. A Vida não conhece distinção de duração e cessação, começo e fim; estas coisas duram somente enquanto houver em vós a ânsia, o empolgamento. Quando a mente estiver completamente liberta da ideia de aquisição, haverá harmonia; não unidade, a qual implica dualidade, mas sim a cessação da distinção produzida pela ânsia.

Pergunta: Li o “Reino da Felicidade”, e a “Vida Liberta” muitas vezes; li também “O Amigo Imortal” e “A Busca”. Estas obras me inspiram; ensinam e apontam a via que tenho a trilhar. Sei que tenho de fazer sozinho este esforço, porém esse escritos me trazem uma doce paz. Vossos últimos escritos contidos no Boletim da Estrela parecem-me muito frios, mais abstratos e carentes da doçura dos quatro livros que mencionei. Estarei enganado em algum ponto de minhas observações? Estou falhando no sentido de manter-me alerta?

Krishnamurti: Sinto que assim seja. Vós não gostais que vos coloquem em posição desconfortável, para pensardes e sentirdes por vós mesmos. Gostais de adorar um quadro; ler um livro familiar, pois que tais coisas não vos contradizem. Preferis ser um discípulo antes do que a própria Vida, a qual é imutável mutação. Se vos apegardes aos livros, eles não terão valor. Não podereis conhecer a beatitude da Verdade pelo serdes mentalmente estimulados ou emocionalmente varridos. Tendes que vos tornar alerta, vigilantes, estar atentos. A maioria das pessoas se esforçam continuamente para evitar fazer face à sua própria vacuidade. Estão assim se esforçando para evitar a solução de seus próprios problemas, por meio de uma fuga como a do culto, perseguindo intelectualmente uma ideia ou buscando um excitamento emocional. Enquanto que, só podeis realizar a harmonia perdurável penetrando dentro de vossa própria solidão.

Pergunta: Frequentemente vos encontro dizendo coisas que por mim mesmo eu já havia mentalmente elaborado. Será imitar-vos ou seguir-vos, utilizar tais pensamentos?

Krishnamurti: Certamente que não, se ele é o vosso próprio pensamento. Verificai se o vosso pensamento é propelido pelo desejo; se assim não for, então o pensamento não será nem vosso nem meu.

Krishnamurti, Acampamento de Ojai,  7 de junho de 1932
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill