“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A Verdade não se realiza por meio da imitação

Pelo fato de não haver em vós o fundamental desejo de vos alterardes a vós mesmo, cresce o anseio de seguir alguma outra pessoa; daí, surge um grupo de indivíduos que a si mesmos modelam de conformidade com essa outra pessoa. Onde houver proselitismo, haverá autoridade e essa autoridade torna-se lei, em substituição ao julgamento individual. Tenho dito repetidas vezes: não aceiteis coisa alguma do que digo, nem tampouco me coloqueis sobre um pedestal, nem me torneis como autoridade. Quando digo que realizei a Verdade, peço-vos que compreendeis, que não faço para afirmar autoridade, mas simplesmente para dar a entender que o que realizei pode ser realizado por todos os que tiverem intenso desejo de encontrar a Verdade. A maioria dentre vós, acredita em milagres, isto é, em algo fora do normal e por isso dizem: “Foi algum super-homem que se apossou de vós”; ou então: “Haveis sido instruído em muitas experiências, por isso a realização de vos tornou fácil”. Parece que a pesquisa do miraculoso, do extraordinário, vos preocupa antes do que o entendimento da existência, a aplicação daquilo que eu digo às vossas vidas. Eu vos peço que compreendeis, que não pretendo vazá-los em meu molde, pois a Verdade não se realiza por meio da imitação. O ser vós próprios é ser realmente livres; isto é, a realização vem por meio de vossa própria força, pela vossa própria capacidade, pelo vosso próprio esforço e não pela instrução miraculosa, nem pela direção de super-humanos. Quando houverdes libertado vossa eu-consciência, sereis como a rosa que é bela por si mesma e por isso é a flor perfeita.

Temo que muitos do que aqui se acham, apenas estejam repetindo minhas palavras sem a contribuição de seu pensamento individual, de seu esforço próprio para por si mesmos encontrarem essa Realidade de que falo. Quando naturalmente chegardes a ser vós mesmos, sem pretensão, sem a presunção de ser extraordinário; quando não mais tiverdes medo; quando realmente estiverdes desprendidos e, por esse fato, absolutamente isolados sem sentir o isolamento, então a compreensão da vida vos chegará. Quando vós, em quem a Vida mora, em quem a Totalidade habita, não mais estiverdes buscando a satisfação dos opostos, realizareis a completude. Agora estais apanhados nos opostos. Buscais estabelecer o equilíbrio entre ambos em vez de vos libertardes de ambos. Se buscardes o equilíbrio entre os opostos, não o encontrareis; porém, no vos libertardes dos opostos, um novo entendimento será criado. A Libertação não significa harmonia dos opostos, porém sim, a total abolição da eu-consciência que cria divisão. Logo que estiverdes livres dos opostos, sereis ricos, não na separação mas na liberdade. Isso não pode ser atingido por meio da imitação de minhas ideias, porém somente mediante o vosso exame individual delas, pela vossa constante vigilância e pelo vosso esforço no sentido de vos libertardes dos padrões e dessa autoridade interior criada pelo medo. Para serdes realmente vós próprios, tendes que de vós próprios vos tornar conscientes, conscientes daquilo que vós próprios pensais. Averigue se estais sofrendo e qual a razão de vossa tristeza, se estais no prazer ou na dor, se estais atemorizados ou buscando evitar a solidão. Enquanto evitardes o isolamento, jamais alcançareis essa solidão que é o êxtase real, que está para além da ideia do isolamento. Nesse êxtase de isolamento não há solidão, porém, ao contrário, há a riqueza que provém da compreensão dos opostos. Essa compreensão é a essência comum de todas as coisas, é a completude.

E digo que isto não se torna realidade por meio de cultos, pela autoridade, pelo vos amoldardes a mim ou a qualquer outra pessoa. Isto pode somente ser descoberto pela vossa própria integridade de propósito, pelo vosso próprio exame quanto aos vossos secretos desejos, pelo reconhecimento pessoal de vossos próprios embaraços, os quais vos conduzirão à riqueza do entendimento. Isto somente pode realizar-se se puderdes suportar o isolamento que conduz à solidão — solidão que não é afastamento, que não se dá por medo, que não é evasão, porém solidão que advém quando já estiverdes interna e absolutamente livres, desapegados, e isentos de temor.       
    

Krishnamurti, verão de 1931      
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill