“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Não podeis criar a Verdade, mas podeis criar ilusões

Pergunta: Haveis mencionado certas coisas, métodos e ideais como nada tendo que ver com a Verdade — como sejam, por exemplo, instituições, igrejas, cerimonias e a concepção de um Salvador pessoal. Desde, porém, que a Verdade está em toda a coisa em sua completude, como vos é possível colocar de lado estas coisas especiais e dizer serem elas “diametralmente opostas” àquilo que sustentais ser a Verdade?

Krishnamurti: A completude existe em toda a coisa, porém todo o ser humano que ande em sua busca é colhido pelas ilusões e por meio de seu próprio egoísmo cria ele um salvador fora de si mesmo. Posto que a completude nele próprio onde ele coloca esta Realidade última fora de si.


O externar desta completude que nele próprio está, é ocasionada pela sua ilusão da autoconsciência. Isto é um fato. Estais pondo isto em prática a todo o instante. Quando colocais a um salvador, um deus, a Vida, a Verdade, fora de vós, quando colocais a felicidade fora de vós, é pelo fato de em vós existir a autoconsciência criando a separação. Desta separação provém o desejo de culto; as instituições surgem, supondo-se que conduzem à Verdade e os Salvadores vem à existência pelo fato de buscardes a Verdade por toda a parte exceto dentro de vós mesmos. Sei que direis: “Não necessitamos destas coisas para nós, porém elas são boas para os outros; nós estamos libertos, porém, os menos evoluídos necessitam destas coisas”. Isto nada mais é do que criar decepções para si mesmo, conducentes à exploração, do superior que dá algo ao que lhe é inferior. Não se trata de dar e tomar. Quando me servi das palavras “diametralmente oposto”, tive em vista, como já expliquei, não algo em oposição às vossas crenças, porém essa completude que está liberta de todas as crenças. Como disse, o “Eu” vem ao ser por meio da existência corpórea, isto é, do corpo, da sensação, da percepção. Ora, a percepção, é o poder de criar ilusões. Não podeis criar a Verdade, mas podeis criar ilusões. Pelo fato de tornardes a Verdade uma coisa exterior, pelo fato de existir em vós a eu-consciência, o egoísmo, pensais que as instituições, os salvadores, as cerimonias vos são necessárias. É uma forma gloriosa de exploração, esta ilusão de receber certa virtude ou poder de transmitir a outros para seu beneficio. Portanto, tendes que vos libertar deste poder de criar ilusões, e então encontrareis a Realidade, chegareis a essa realização.   

Krishnamurti, 4 de agosto de 1931 
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)