“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

A Libertação é a liberdade do sentimento do “Eu”

Pergunta: Compreendemos bem que o sofrimento e a dor sejam partes necessárias da experiência. Uma vez reconhecidas como degraus para a Libertação, perdem elas muito de sua agudeza e podem, mesmo, tornar-se agradáveis para atingir a um grau. Dizer, porém, que elas podem permanecer unidas a um indivíduo liberto como vós, é desanimar a muitos dos ardorosos pesquisadores da Verdade. Não estais vós, em certa medida ligado pelo karma como todos nós, o estamos pois que às vezes vos sentis também indispostos? Não será vossa perfeição meramente relativa, dado excluir o corpo físico? Qual o valor da Libertação se ela fracassa no destruir as limitações? Terá a completa libertação de sofrimento que ser postergada para a vida que está para além da morte do corpo físico?

Krishnamurti: Pertença a quem pertencer, o corpo, constituído de muitos elementos, está continuamente exaurindo-se e não podeis impedir isto. Um corpo formado de muitas partes componentes, gasta-se e a seu tempo morrerá, porém isto não significa que não vos devais esforçar por possuir um corpo físico forte e saudável. Eu tenho o corpo que me é necessário, aquele de que preciso.

Poderia ser melhor, porém sou de hereditariedade pobre, tive uma infância destituída dos cuidados necessários.

A Libertação é a liberdade de todo o sentimento do “Eu”, a liberdade da mente, a liberdade da ação. Entendo por karma, a ação, a conduta baseada na eu-consciência, no presente, que liga. Eu não baseio nisto a minha ação, portanto estou liberto do karma. Posso sentir dor, se me cortar, porém isto não é karma, nem, portanto, liga. O homem liberto ainda possui corpo, o qual naturalmente se gasta pouco a pouco, envelhece e, a seu tempo, morre. Ele sabe disto e esforça-se por mantê-lo saudável enquanto dura, porém toda a sua energia se acha concentrada nessa tranquilidade que provém da liberdade de toda a eu-consciência. Isto é Libertação, liberdade de ação. Muitas pessoas tem feito a pergunta de se a Libertação somente é possível quando o corpo se torna durável para sempre. Uma coisa transitória jamais pode se tornar permanente. Não podeis imortalizar o corpo.


Krishnamurti, 4 de agosto de 1931        
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)