“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Na ausência da consciência-de-si, a iluminação

A realização da Verdade é a única segurança da felicidade. A Vida é seu próprio criador e sua própria criação, na qual não existe divisão do “tu” e do “eu”. Não vos é possível objetivar a Vida e buscar a esse objeto para vossa inspiração, para vosso bem-estar; pois a completude existe em todas as coisas e em todo o indivíduo. Na realização dessa completude, que é a própria Vida, reside a segurança da tranquilidade, a cessação do conflito, a libertação da mente e do coração. Portanto, a ideia de que vós como indivíduos sois sujeitos, atuando para chegar a um objeto por meio da experiência, a um objeto que vos seja exterior, é a negação da Realidade que em vós existe em completude. Por todo o mundo, o homem tem objetivado a Verdade, e por esse modo encara a si mesmo como estando dela separado, progredindo sempre em sua direção. Por outras palavras, ele a concebeu como não sendo eterna, morando no interior, porém antes como algo exterior a si próprio e em cuja direção tem que crescer por meio de um acúmulo de virtudes, qualidades e atributos.

A Verdade é isenta de qualidades. Aquilo que é eterno, que é isento de todas as qualidades, somente pode ser atingido quando existir em cada indivíduo a absoluta cessação de toda a particularidade, isto é, da eu-consciência. O homem é consciente em si, encarando a vida do seu ponto de vista estreito, limitado, egoísta; porém, por libertar-se dessa consciência-de-si, é como se acha a realização da Verdade. O homem que deseja realizar a Verdade deve, por meio do auto-recolhimento, por meio de um grande esforço, transcender essa consciência que é o centro das qualidades. Isto o assegurará nessa tranquilidade que lhe proporcionará a capacidade de julgar por si mesmo o verdadeiro valor de todas as coisas. Isto é iluminação. O homem que conhece o verdadeiro mérito das coisas, das ideias, liberta-se de todas elas. Para isto saber, tendes que vos libertar do cativeiro da denominada civilização. Sede livres em vós mesmos e amareis ao vosso próximo.

Do auto-recolhimento, pois, dimana o verdadeiro comportamento, a verdadeira ação e da verdadeira ação provém a simplicidade da vida. Esta simplificação não é rudeza, porém, sim, o entendimento dos verdadeiros valores, dos quais decorre a liberdade. O comportamento, a conduta, brotam de um golpe de vista verdadeiro, do verdadeiro equilíbrio da razão e do afeto. O homem que se encontra embaraçado, limitado, perturbado por causa dessas coisas que não são essenciais, não pode libertar sua mente e pensar por modo impessoal para, por essa maneira, libertar-se das limitações da tradição, do costume e do amor, ao qual as coisas particulares oferecem muralhas limitativas, no qual existe a consciência do tu e do eu, do meu e do teu.

Quando tiverdes o propósito, quando cuidardes de buscar a verdadeira causa da tristeza e do sofrimento, sobrevirá o desejo de libertar-se das limitações e de realizar a Verdade que é sempre-existente, causa de si própria em todas as coisas.

Tudo isto será apenas teoria superficial, intelectual até ao ponto em que a não tenhais posto em prática. Para mim, não é teoria. É o que realizei, o que para mim é a mais alta Realidade, o perfeito equilíbrio da razão e do amor; é iluminação.      


Krishnamurti em, Calander, Escócia, 15 de março de 1931
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)