“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Existe uma energia que é incorruptível?


Existe uma energia que é incorruptível?

[...]A mente recebe energia da resistência, do conflito, da contradição. Todos nós conhecemos essa forma de energia. Mas há uma energia que se manifesta quando não há conflito de espécie alguma e que, por conseguinte, é incorruptível. Vou explicar isso. Por “mente”, entendo a totalidade da consciência, e ainda mais. O cérebro é uma coisa, e a mente outra coisa. O cérebro, que é resultado do tempo, que é sensação, que tem conhecimento acumulado através de séculos de experiência — esse cérebro é condicionado, assim como também é condicionada a consciência total. Estas palavras, “consciência” e “condicionamento” são muito simples. É o que sois; a mente educada, a mente inconsciente, a mente acumulada, a consciência acumulada do tempo — tudo isso sois vós. O que pensais, o que sentis, quando vos denominais hinduísta, quando vos denominais muçulmano, cristão, isto ou aquilo — toda essa vossa “história pessoal” constitui a consciência total. Se pensais ser o Supremo-Ser, o Atman por excelência, ou o que mais seja — isso está ainda dentro da esfera da consciência, dentro da esfera do pensamento. E o pensamento é condicionado.

Agora, nesse estado de condicionamento, de resistência à vida, vós gerais energia. Quanto maior a resistência maior o conflito e maior a energia que tendes; e essa energia é de natureza a mais destrutiva. É isso o que está realmente sucedendo no mundo. Essa energia se dissipa. Ela é sempre corruptora. Requer estímulo constante, necessita sempre de uma certa forma de apego, de onde lhe venha poder, força, expansão. Prestai atenção a tudo isso, por favor. Ao reconhecerdes esse fato, ao verdes esse fato — isto é, que nossa energia nasce da resistência — e quando tiverdes compreendido toda a “história” de vossa contradição interior, então, desse percebimento do fato nasce uma energia de espécie diferente.

A energia a que me refiro não é a energia pregada pela religião; não é a energia do bramachari, do celibatário que rejeita o sexo porque aspira à “suprema experiência”. Porque todo esse processo de viver — a vida do sannyasi, a vida do monge — é uma forma de resistência; e isso, de fato, vos dá energia — uma energia bem limitada, estreita, destrutiva; é o que nos oferece a maioria das religiões. Mas nós nos estamos referindo a uma energia de qualidade totalmente diversa. Essa energia nasce da liberdade, e não da resistência, não da renúncia, não de atividades e discussões no nível das ideias.

Se compreendestes tudo o que estive dizendo, e enfrentardes esses fatos, daí virá, por certo, uma energia incorruptível — porque essa energia é paixão. Não a paixão do sexo, de vossa identificação com a pátria, com uma ideia, pois tal paixão é destrutiva; ela também vos dá uma certa espécie de energia. Já não notastes que as pessoas, que se identificaram com sua nação, seu país, seu emprego, têm uma peculiar energia? Assim também a maioria dos políticos, dos chamados “missionários”, de todos os que se identificaram com uma ideia, uma crença, um dogma, como os comunistas — são dotados de uma peculiar energia, que é altamente destrutiva? Mas a energia criadora no mais alto grau, essa não tem identificação; ela vem com a liberdade; essa energia é criação.

O homem, através das idades, tem buscado Deus, tem-no negado ou aceitado. Tem-no negado, como o fazem aqueles que são educados como ateístas ou comunistas; e tem-no aceito, como vós hinduístas o fazeis, por terdes sido educados na crença. Mas não sois mais religiosos do que o homem educado na descrença. Sois todos mais ou menos iguais. A vós convém crer em Deus, a eles não convém. É tudo questão de educação, de influência do ambiente ou cultural. Mas o homem tem estado empenhado nesta busca através de séculos. Há algo imenso, não mensurável pelo homem, não compreensível pela mente que está toda entregue à resistência, à ambição, à inveja, à avidez. Essa mente não pode compreender aquela energia criadora.

Existe essa energia que é incorruptível. Ela pode viver e atuar neste mundo. Pode operar diariamente em vossos escritórios, em vossas famílias — porque essa energia é amor; não o amor de vossa mulher e de vossos filhos, que, em absoluto, não é amor. Aquela criação, aquela energia é destrutiva. Vede o que fizestes para descobrir essa energia! Tudo destruístes em torno de vós, psicologicamente; interior mente, deitastes abaixo tudo o que a sociedade, a religião, os políticos edificaram.

Essa energia, pois, é morte. A morte é totalmente destrutiva. Essa energia é amor, e o amor, por consequência, é destrutivo, e não aquela coisa mansa de que é constituída a família, não aquela coisa mansa que as religiões têm nutrido. Assim, aquela energia é criação — não o poema que escreveis, não a estátua que esculpis no mármore; isso é apenas uma capacidade e um talento para expressar algo que se sente. Mas a coisa a que nos referimos transcende o sentimento, transcende o pensamento. A mente que, no sentido psicológico, não se liberta de todo da sociedade — sendo a sociedade: ambição, inveja, avidez, aquisição, poder — essa mente, o que quer que faça, nunca a achará. E nós temos de achá-la, porque ela é a única salvação do homem, porque só nela há ação real; e ela própria, quando atua, é ação.

Krishnamurti, Nova Déli, 14 de fevereiro de 1962, A mutação Interior

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill