“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A percepção total que é livre de hesitação

A percepção total que é livre de hesitação

Desejo apreciar junto convosco a questão da autoridade e da liberdade. E pretendo penetrá-la muito profundamente, pois considero bem importante compreender toda a anatomia da autoridade.

Assim, em primeiro lugar, preciso assinalar que não estou discursando academicamente, superficialmente, verbalmente; mas, se estamos real e seriamente interessados, então, penso eu, pelo simples ato de escutar corretamente, ocorre não só a compreensão, mas também a libertação imediata da autoridade. Por certo, o tempo não liberta a mente de coisa alguma. Só é possível a libertação quando há percepção direta, compreensão completa, sem esforço, sem contradição, sem conflito. Essa compreensão liberta a mente, de pronto, de qualquer problema que a acabrunha. Se seguirmos o problema e a mente for capaz de penetrá-lo de modo completo, por inteiro, ver-nos-emos então livres desse peso.

Não sei se já refletistes com profundeza sobre a questão da autoridade. Se o fizestes, deveis saber que a autoridade destrói a liberdade, impede a criação, gera medo e, de fato, entrava o pensamento. Autoridade implica submissão, imitação, não achais? Existe não apenas a autoridade exterior da polícia, da Lei — a qual até certo ponto é compreensível — mas também a autoridade interior do saber, da experiência, da tradição, da observância de um padrão estabelecido pela sociedade, por um instrutor, determinando como devemos proceder, comportar-nos, etc.

Vamos tratar inteiramente da compreensão da autoridade interior, psicológica; da psique, que estabelece um padrão de autoridade para sua própria segurança.

Já vos perguntastes alguma vez por quê, através das idades, os entes humanos sempre confiaram a outros o estabelecer seus padrões de conduta? Queremos — não é verdade? — que nos digam o que devemos fazer, como devemos portar-nos, o que devemos pensar, como devemos agir em certas circunstâncias. Esta busca de autoridade é constante, porque a maioria de nós teme o erro, o malogro. Vós adorais o êxito, e a autoridade oferece o êxito. Se seguis uma determinada linha de conduta, se vos disciplinais consoante certas ideias, dizem-vos que, no fim, encontrareis a salvação, a perfeição, a liberdade. Para mim, a ideia de que a disciplina, o controle, a repressão, a imitação e o ajustamento podem conduzir à liberdade, é totalmente absurda. Decerto não podemos cercear a mente, moldá-la, pervertê-la e, graças a esse mecanismo, encontrar a liberdade. As duas coisas são incompatíveis, mutuamente se repelem.

Ora, por que é que a mente e o intelecto humano buscam sempre um padrão ao qual ajustar-se? E permiti-me dizer aqui que minha explicação não tem valor nem significado se não estais, cada um de vós, apercebidos de vossa própria inclinação para seguir — seguir uma ideia ou um instrutor. Mas, se a explicação vos está realmente despertando o percebimento do estado de vossa própria mente, então as palavras têm significação. Assim, por que existe esse impulso para seguir? Não resulta ele do desejo de certeza, de segurança? Sem dúvida, o desejo de segurança é o motivo, a razão fundamental dessa ânsia de seguir. E isso subentende não é verdade? — o sentimento de que pelo bom êxito, pelo ajustamento, evitaremos completamente o medo. Mas, existe segurança interior? Ora, a própria busca de segurança é medo, não? Exteriormente, talvez seja necessário um certo grau de segurança — teto, três refeições por dia, roupas, etc.; mas, interiormente, existe segurança? Estais seguro em vossa família, em vossas relações? Não ousais duvidar disso, não é verdade? Achais que sim, pois isso se tornou tradição, costume. Entretanto, no momento em que pondes em dúvida vossas relações com vosso marido, vossa esposa, vosso filho, vossos vizinhos, esse próprio duvidar se torna perigoso.

Todos nós buscamos segurança, nesta ou naquela forma; e, portanto, necessitamos da autoridade. Assim, dizemos que existe Deus e que Ele, quando tudo mais falhar, nos dará a segurança final. Vivemos apegados a certos ideais, esperanças, crenças, que nos garantirão a permanência, neste mundo e no outro. Mas, existe segurança? E eu acho que cada um de nós precisa descobrir, precisa lutar para compreender claramente se há, ou não, tal coisa — segurança.

Exteriormente, pouca segurança existe hoje em dia. As coisas estão mudando com rapidez; mecanicamente, temos novas invenções, bombas atômicas; e, socialmente, temos revoluções externas, principalmente na Ásia, a ameaça de guerra, o comunismo, etc. Mas as ameaças à nossa segurança interior criam em nós uma resistência muito maior. Quando credes em Deus ou numa certa espécie de permanência interior, é quase impossível quebrar tal crença, porque nessa esperança estais firmemente enraizado. Já aderimos, cada um de nós, a uma certa maneira de pensar e, se ela é verdadeira ou falsa, se tem alguma realidade ou racionalidade, isso parece não nos importar; aceitamo-la e a ela nos atemos.

Abrir caminho através de tudo isso, descobrir sua verdade intrínseca, implica uma revolução muito mais importante do que qualquer revolução comunista, socialista ou capitalista. Isso significa o começo da libertação da autoridade, e o descobrimento de que positivamente não existe permanência ou segurança interior. Significa, por conseguinte, descobrir que a mente deve estar a todas as horas num estado de incerteza. E nós tememos a incerteza, não é verdade? Pensamos que, se se visse num estado de incerteza, o intelecto se despedaçaria, se tornaria doente. Infelizmente, existem tantos casos de insanidade mental por causa dessa impossibilidade de encontrar a segurança. Arrancadas de suas amarras, suas crenças, ideais, fantasias, mitos, as pessoas se tornam mentalmente doentes. A mente que está realmente incerta não conhece medo. Só a mente medrosa segue, exige a autoridade. E é possível perceber bem isso e lançar fora, completa e totalmente, a autoridade e o medo?

E que se entende por ver? Ver é uma simples questão de explicação intelectual? As explicações, os raciocínios, a lógica sutil, vos ajudarão a perceber o fato de que a autoridade, a obediência, a aceitação, o conformismo entravam a mente? Considero muito importante esta pergunta. Ver nenhuma relação tem com palavras nem com explicações. Estou certo de que se pode ver qualquer coisa diretamente, independente de persuasão verbal, argumentação ou raciocínio intelectual. Se rejeitais a persuasão, a influência — que são coisas elementares, infantis — que poderá impedir-vos de ver e, portanto, de ser livre imediatamente? Para mim, ver é uma ação de caráter imediato, independente do tempo. E, portanto, a libertação da autoridade não depende do tempo; não é dizer: “Serei livre”. Mas, enquanto a autoridade vos dá prazer, enquanto o mecanismo de seguir vos parece atraente, não estais permitindo que o problema se vos mostre diretamente e, por conseguinte, se torne urgente, de vital importância.

O fato é que a maioria de nós gosta do poder — o poder da mulher sobre o marido ou deste sobre a mulher, o poder que a capacidade dá, o sentimento de se ser talentoso, o poder que dão a austeridade e o controle do corpo. Qualquer forma de poder representa autoridade — seja o poder do ditador, o poder político, o poder religioso, seja o domínio de um indivíduo sobre outro. O poder é extremamente nocivo, e porque não podemos ver isso, simples e diretamente? Com ver, refiro-me a um percebimento total, livre de hesitação: uma “correspondência” total. Que é que impede essa correspondência total?

Isso suscita a questão da autoridade da experiência, do saber, não é verdade? Está visto que, para se ir à Lua, para se construir um foguete, necessita-se de conhecimentos científicos; e à acumulação de saber chamamos experiência. Externamente, necessita-se do saber. Precisamos saber onde moramos, precisamos saber construir, juntar coisas e separar coisas. Esse conhecimento externo é superficial, mecânico, puramente adicional, um contínuo descobrir de coisas e mais coisas. Mas acontece que o saber e a experiência se tornam nossa interna autoridade. Podemos rejeitar a autoridade externa como infantil; podemos deixar de pertencer a determinada nação, grupo ou família, de estar apegados a uma dada sociedade com seus peculiares costumes, códigos, etc.; mas, renunciar às experiências que acumulamos, à autoridade do saber que acumulamos, isso é extremamente difícil.

Não sei se já tendes considerado este problema; mas, se o fizerdes, vereis que a mente que está carregada, pejada de saber e de experiência, não é uma mente “inocente”, uma mente
nova; é uma mente velha, decadente, que nunca será capaz de entrar em contato — livremente, plenamente, totalmente — com uma coisa viva. E no mundo atual, tanto interior como exteriormente, urge que tenhamos uma mente nova, fresca, uma mente jovem, para podermos resolver todos os nossos problemas — não um dado problema específico da ciência, da medicina, da política, etc., mas o problema humano total. A mente velha é uma mente cansada, entravada; mas a mente nova vê prontamente, sem distorção, sem ilusão: é penetrante, precisa, livre das limitações do conhecimento acumulado e da passada experiência.

Afinal, que é essa experiência que nos proporciona um tão forte sentimento de nobreza, de sabedoria, de superioridade? “Experiência”, sem dúvida, é a reação de nosso “fundo mental” (background) a um “desafio”. A reação é condicionada por esse “fundo” e, portanto, cada experiência torna mais forte o “fundo”. Se sois membro de alguma igreja, devoto de determinada seita, tendes experiências e visões de acordo com esse fundo — e essas experiências e visões, por sua vez, reforçam o fundo. Não é verdade isso? E esse condicionamento, essa propaganda religiosa — seja velha de dois mil anos, seja moderna — nos está moldando a mente, influenciando a reação de nosso intelecto. São inegáveis essas influências; elas prevalecem sempre. A influência comunista, socialista, católica, protestante, hinduísta e dúzias e centenas de influências outras invadem-nos a mente a todas as horas, consciente ou inconscientemente, moldando-a, controlando-a. A experiência, pois, não liberta a mente, não a torna jovem, fresca, “inocente”. O que se faz necessário é a destruição total do fundo.

A compreensão, disso não é questão de tempo. Se empreenderdes a tarefa de compreender cada influência separadamente, estareis morto antes de terdes compreendido todas elas. Mas, se compreenderdes plenamente, completamente, uma só influência, destroçareis todas as formas de influência. Todavia, para compreenderdes uma influência deveis examiná-la totalmente, completamente. Limitar-se a dizer que ela é boa ou má, é insuficiente. E para podermos penetrá-la completamente, não devemos ter medo. Penetrar inteiramente esta questão da autoridade é muito perigoso, não achais? Estar livre da autoridade é atrair o perigo, pois ninguém deseja viver na incerteza. Porém, a mente que está certa é uma mente morta; só a mente incerta é nova, fresca.

Para se compreender a autoridade, tanto interior como exterior, não se necessita do tempo. Um dos piores erros, um dos maiores empecilhos, é depender do tempo. Tempo, na realidade, significa adiamento. Significa que estamos gostando da segurança, da imitação, do seguir, e só dizemos isto: “Não me perturbeis. Ainda não estou disposto a ser perturbado”. Não vejo razão para não sermos perturbados; que há de errado em estar perturbado? Na realidade, quando uma pessoa não deseja ser perturbada, está justamente atraindo perturbações. Mas o homem que quer descobrir, não lhe importando se isso será perturbador ou não, esse homem está livre do medo à perturbação. Sei que isso fará sorrir a alguns de vós, mas a questão é muito grave, não é para rir. É fato que nenhum de nós deseja ser perturbado. Mas caímos numa rotina, num estreito canal — intelectual, emocional ou ideológico — e não desejamos ser perturbados. Em nossas relações e tudo mais, só queremos viver vida confortável, não perturbada, respeitável, burguesa. E desejar ser o contrário de burguês, o contrário de respeitável, é a mesma coisa.

Agora, se enquanto escutais estais atentos a vós mesmos, podeis ver que estar livre da autoridade não é uma coisa temível. É como aliviar-se de um pesado fardo. A mente experimenta de imediato uma extraordinária revolução. Para o homem que não busca a segurança em forma nenhuma, não há perturbações; há um contínuo movimento de compreensão. Se isso não se está passando convosco, neste caso não estais escutando, não estais vendo; estai-vos unicamente comprazendo em aceitar ou em rejeitar um certo conjunto de explicações. Assim, seria muito interessante descobrirdes por vós mesmo qual é vossa verdadeira reação.

PERGUNTA: A mente traz em si mesma os elementos de sua pró­pria compreensão?
KRISHNAMURTI: Acho que sim; não achais também? Que é que impede a compreensão? Os obstáculos não são criados pela própria mente? Por conseguinte tanto a compreensão como as próprias barreiras são elementos mentais.

Vede, senhor, para se viver numa base de incerteza, sem se tornar mentalmente doente, requer-se grande dose de compreensão. Não achais que uma das barreiras é o insistente desejo de segurança interior? Exteriormente, vejo que não existe segurança; assim, a mente cria, interiormente, a sua própria segurança, numa crença, num deus, numa ideia. A mente, portanto, cria sua própria escravidão, mas tem, também, os elementos de sua própria libertação.

PERGUNTA: Por que não pode ser perturbado um homem livre?

KRISHNAMURTI: É correta esta pergunta? Como nada sabeis acerca do homem livre, vossa pergunta se reduz a simples especulação; não tem — perdoai-me dizê-lo — significação nem para mim nem para vós. Mas, se inverterdes a pergunta, formulando-a assim: “Por que sou perturbado?” — então ela tem validade e pode ter resposta correta. Por que é perturbada uma pessoa — se meu marido me repudia, se me morre um ente querido, se experimento um fracasso, se sinto que não estou tendo êxito na vida? Se realmente investigásseis isto até o fim, podereis ver toda a sua essência.

PERGUNTA: A crença em Deus se baseia sempre no medo?

KRISHNAMURTI: Por que credes em Deus? Qual a necessidade? Interessa-vos a crença em Deus quando sois muito feliz ou só quando se vos apresentam tribulações? Vós credes, porque fostes condicionado para crer? Como bem sabemos, há dois mil anos que nos dizem que existe Deus; e no mundo comunista estão condicionando a mente para não crer em Deus. É a mesma coisa; tanto num como noutro caso a mente está sendo influenciada. A palavra “Deus” não é Deus; e o descobrirdes verdadeiramente, por vós mesmo, se tal coisa — Deus — existe, é muito mais significativo do que vos apegardes a uma crença ou descrença. E o descobrir por si mesmo requer enorme energia — energia para libertar-se de todas as crenças; porém isto não importa um estado de ateísmo ou de dúvida. Mas a crença é uma coisa muito confortante, e poucos estão dispostos a despedaçar-se interiormente. A crença não vos conduz a Deus. Nenhum templo, nem igreja, nem dogma, nem ritual pode conduzir-vos à Realidade. Essa Realidade existe; mas para descobri-la precisais de uma mente imensurável. A mente pequena, limitada, só pode encontrar os deuses pequeninos e limitados que ela mesma cria. Portanto, devemos estar prontos a perder toda a nossa respeitabilidade, todas as nossas crenças, para podermos descobrir o que é real.

Acho que não podeis continuar escutando. Se estivestes escutando indolentemente, ouvindo puramente as palavras, neste caso, sem dú­vida, poderíeis continuar ouvindo por mais algumas horas. Mas, se escutastes corretamente, atentamente, com o propósito de aprofundar, então dez minutos bastariam, porque neste espaço poderíeis destroçar as barreiras que a mente criou para si própria e descobrir o que é Verdade.

Krishnamurti, Paris, 7 de setembro de 1961, O Passo Decisivo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill