“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Percebimento passivo e sem escolha

Percebimento passivo e sem escolha

Esta manhã desejo apreciar convosco um problema bastante complexo; mas, antes disso, e como já disse anteriormente, acho necessária uma certa dose de seriedade. Não a seriedade de uma “cara solene”, ou a da excentricidade, mas aquele intento impetuoso de “ir até o fim”, cedendo quando necessário, mas nunca se detendo. Desejo tratar esta manhã de um assunto que exige toda a vossa seriedade e atenção; o Oriente chama-o meditação, e não estou nada certo de o Ocidente entender o que esta palavra significa. Não estamos representando o Ocidente nem o Oriente; mas vamos tentar investigar o que é meditar, porque isso para mim é importantíssimo. Abarca a totalidade da vida, e não apenas um fragmento dela. Infelizmente, os mais de nós cultivamos o fragmento e nele nos tornamos altamente eficientes. Empreender o trabalho de desvendar os recessos obscuros da mente; explorar, sem visar a nenhum alvo ou fim; alcançar a total compreensão da mente integral e, quiçá, passar além — isso para mim é meditação.

Desejo proceder de maneira cautelosa, porquanto cada passo revela alguma coisa. E espero que nós — todos nós — não nos deixemos ficar no mero nível verbal ou no nível da análise intelectual, nem nos limitemos — emocional e sentimentalmente — a reunir uns poucos fragmentos de nosso agrado, mas, sim, com um certo grau de seriedade, caminhemos até o fim. E talvez se torne necessário prosseguirmos nisso, da próxima vez. Todos buscamos alguma coisa, não só no nível físico, mas também no nível intelectual e nos níveis mais profundos de nossa consciência. Estamos sempre em busca da felicidade, do conforto, da segurança, da prosperidade, e de certos dogmas e crenças em que a mente possa instalar-se confortavelmente. Se observardes vossa própria mente, vosso intelecto, vereis que está sempre buscando e nunca satisfeito, sempre esperando encontrar, de alguma maneira, satisfação permanente, eterna. Buscamos o bem-estar físico; e, infelizmente, em geral nos contentamos com os confortos físicos, um pouco de prosperidade, um pouco de saber, relações medíocres, etc. Se nos achamos insatisfeitos — e talvez alguns de nós, aqui, o estejamos — com as coisas físicas, tratamos de buscar confortos e garantias de ordem psicológica, interior, ou desejamos mais amplos horizontes intelectuais, mais saber. Esse buscar, esse indagar é explorado pelas religiões de todo o mundo. Os cristãos, os hinduístas, os budistas oferecem-nos os seus deuses, suas crenças, suas garantias, que a mente aceita e, por elas se tornando condicionadas, não mais busca. Desse modo é canalizado e explorado o nosso buscar. Se nos sentimos completamente desditosos, insatisfeitos com o mundo e com nós mesmos, com nossa falta de aptidões, procuramos então identificar-nos com algo maior, mais vasto. E quando encontramos algo que por ora nos satisfaz, logo nos vemos forçados a abandoná-lo e a empenhar-nos em nova busca.

Esse “mecanismo” de descontentamento, de nos apegarmos a uma dada coisa até que um abalo nos faz soltar dela, cria — não é verdade? — o hábito de seguir, o hábito de estabelecermos uma autoridade para nós mesmos — a autoridade das igrejas e dos vários sacerdotes, santos, sanções, etc., existentes no mundo inteiro.

Ora, a mente que está tolhida pela autoridade — seja a autoridade de uma religião, a autoridade da capacidade, da experiência ou do saber — nunca será livre para descobrir. Para descobrir, a mente tem de ser livre. E um de nossos imensos problemas é libertarmos a mente da autoridade. Não me refiro à autoridade do policial e da lei. Quem vai pela rua na contramão pode provocar acidentes, e quem infringe a lei está sujeito a ir para a cadeia. O furtar-se à autoridade, neste sentido — sonegar impostos, etc. — é proceder de maneira muito tola e absurda. Refiro-me à autoridade que nós mesmos criamos ou que nos é imposta pela sociedade, pela religião, pelos livros, etc., pelo nosso desejo de achar, de buscar.

Parece-me, pois, que uma das coisas essenciais, uma necessidade absoluta, é a mente libertar-se completamente do “senso” da autoridade. Isso é dificílimo, porquanto cada palavra, cada experiência, cada imagem, cada símbolo, deixa sua marca, i.e., conhecimento, que se torna nossa autoridade. Podeis furtar-vos à autoridade externa, mas cada um de nós tem sua autoridade própria, secreta, a autoridade que diz “sei”. A autoridade, o seguimento de um padrão, gera ação fragmentária. Pode uma pessoa ser muito proficiente na música ou noutra coisa qualquer, mas, de qualquer maneira, sua ação é sempre fragmentária. E estamos falando de uma ação total, na qual está incluído o fragmento. Essa ação total abrange o todo da vida, o todo físico-emocional-intelectual. É a ação que se verifica quando penetramos profundamente no inconsciente e descobrimos todos os arcanos de nossa mente, e quando a mente de lá emerge de todo purificada. Essa ação total é que é meditação.

Exige-se, pois, grande soma de valente trabalho, de penetração, para se descobrirem todos os caminhos laterais, todos os becos de autoridade (sic) que para nós mesmos estabelecemos, através dos séculos, e pelos quais estamos constantemente vagueando. Esta é uma das coisas mais difíceis: ser livre — esquecer tudo o que interiormente se sabe, proveniente de ontem; morrer para cada experiência que tivemos, agradável ou dolorosa. Pois é só então que a mente está livre para agir de maneira total.

Para tanto, requer-se percebimento sem escolha, um percebimento passivo em que se revelam todas as ânsias secretas, todos os secretos impulsos e desejos; em que a mente não escolhe, porém observa apenas. Quando escolhemos, nesse mesmo momento estabeleceu-se a autoridade e, por conseguinte, a mente já não é livre. Estar apercebido, interiormente, de cada movimento de pensamento, do significado de cada palavra, cada desejo; e não rejeitar ou aceitar, porém prosseguir, observando sem escolha — isso é que liberta a mente da autoridade. Só quando a mente está livre pode descobrir o que é verdadeiro e o que é falso, e não antes; essa liberdade não se encontra no fim, porém no começo. A meditação, por conseguinte, não é mecanismo de controlar, disciplinar, moldar a mente pelo desejo, pelo saber.

Espero estejais seguindo o que estou dizendo. Provavelmente algumas coisas serão novas para vós, e as rejeitareis. Aceitar ou rejeitar indica incapacidade de “seguir até o fim” o que outro está dizendo; e, uma vez que vos destes o incômodo de uma longa viagem até aqui, acho que seria absurdo dizerdes, simplesmente: “Ele tem razão” ou “Ele não tem razão”. Assim, tende a bondade de escutar para descobrir, não o que pensa a vossa mente, mas se o que este orador está dizendo é falso ou verdadeiro; para perceber o falso na verdade ou a verdade como verdade, como fato. Isso é impossível, se lestes algum livro sobre meditação ou sobre psicologia e estais agora comparando o que se está dizendo com o que sabeis. Pois nesse caso estais seguindo por uma linha lateral, não estais escutando. Mas, se escutardes, não com esforço, porém com o desejo de descobrir, encontrareis então uma certa alegria no escutar. O próprio ato de escutar o que é verdadeiro constitui a chave. Nada tendes de fazer senão escutar realmente; mas isso não significa identificar. Na meditação, não há identificação, não há imaginação.

Quando a mente começar a compreender o processo de seu pró­prio pensar, ver-se-á de que maneira o pensamento se torna autoridade; como o pensamento, baseando-se na memória, no conhecimento, na experiência, e o pensador, guiando o pensamento, se tornam autoridade. A mente, portanto, deve tornar-se apercebida de seus próprios pensamentos, dos “motivos” dos quais eles nasceram, de sua causa. E, nesse profundo investigar, vereis que a autoridade do pensamento deixa de existir. Temos, pois, de lançar os alicerces adequados, para erguermos o edifício da meditação. Evidentemente, qualquer forma de inveja — que é essencialmente comparação: vós tendes algo belo e eu não tenho; sois inteligente e eu não sou; tendes um certo dom e eu não o tenho — deve desaparecer de todo. A mente invejosa — invejosa de posses, invejosa de capacidades — não pode ir muito longe, e não o pode, tampouco, a mente ambiciosa. Em geral somos ambiciosos; e a mente ambiciosa está sempre desejando sucesso, preenchimento, não só no campo mundano, mas ainda no espiritual. A mente amadurecida não conhece sucesso nem insucesso.

Deve, pois, a mente ser livre, de todo — livre não apenas de maneira casual, fragmentária, porém totalmente livre. E isso também é dificílimo. Significa purificar a mente que há séculos vem sendo educada para competir, para desejar o sucesso.

Deveis saber que o libertar-se da inveja não é questão de tempo. Não é questão de nos libertarmos gradualmente da inveja, ou de criarmos o oposto e com ele nos identificarmos, ou de tentarmos uma integração com o oposto, porquanto tudo isso implica um mecanismo gradativo. Se sois ambicioso e estabeleceis o ideal da não ambição, então, para percorrerdes a distância e realizardes o ideal, necessitais de tempo. A meu ver, esse mecanismo denota absoluta falta de madureza. Quando vemos uma coisa claramente, ela cai por si. Perceber totalmente a inveja com tudo o que ela implica — e isso por certo não é muito difícil — não exige tempo. Se a olhardes, se estiverdes atento, da se vos revelará rapidamente; e percebê-la é desembaraçar-se dela.

É óbvio que a mente invejosa, ambiciosa, egocêntrica, não pode ver a plenitude da beleza; não pode conhecer o amor. Um homem pode ser casado, ter filhos, possuir casas e perpetuar o seu nome; mas a mente que é invejosa e ambiciosa não pode conhecer o amor. Ela conhece sentimento, emoção, apego; mas apego não é amor.

E se alcançardes aquele ponto, não apenas intelectual ou verbalmente, encontrareis a chama da paixão. A paixão é necessária. E, com essa chama da paixão, podem-se ver as montanhas e as longas encostas cobertas de verdes árvores, pode-se ver a miséria existente em toda a parte, as horríveis divisões que o homem criou, na sua ânsia de segurança; pode-se, então, sentir intensamente, não egocentricamente. Esta, portanto, é a base; e, lançada a base, a mente está livre; pode prosseguir — e talvez não haja mais prosseguir. Assim, a menos que essa totalidade se instale por inteiro na mente, todo buscar, todo meditar, todo seguir da palavra — não importa quem a tenha pronunciado — só conduz à ilusão, a visões falsas. A mente condicionada no cristianismo terá por certo visões de Jesus, mas estará vivendo em ilusões baseadas na autoridade; e essa mente, portanto, será muito limitada e estreita.

Quando se chegou até esse ponto, interiormente — o que interessa então é o momento imediato, não o depois-de-amanhã, não o mês vindouro. As palavras que estou empregando não exprimem a realidade; as palavras não são a coisa. E se estais meramente acompanhando o orador, não estais acompanhando a vós mesmo, interiormente. A meditação, pois, é essencial. Meditação não significa sentar-se de pernas cruzadas, respirando de certa maneira, repetindo frases ou observando determinada fórmula; tudo isso são artifícios, embora se possam obter os resultados que o sistema promete. Mas o que se obtiver será um fragmento e, portanto, coisa inútil. É possível, decerto, ver num relance todo o mecanismo da disciplina, do seguír, do ajustamento, e abandoná-lo imediatamente, já que foi compreendido completamente. Mas a compreensão imediata é impedida quando a mente é preguiçosa. Em geral, nós somos indolentes; quer dizer, preferimos métodos, sistemas que nos indiquem o que devemos fazer.

Há certa forma de indolência que é muito boa: a que consiste numa certa passividade. Ser passivo é bom, porque então se veem as coisas com clareza, distintamente. Mas ser física ou mentalmente preguiçoso embota o corpo e o espírito, incapacitando-nos de olhar, de ver.

Assim, pois, lançada a base — e isso significa, realmente, rejeitar a sociedade e sua moral — pode-se ver que a virtude é uma coisa maravilhosa, uma coisa bela, uma coisa pura. Não podemos cultivá-la, assim como não se pode cultivar a humildade. Só o homem vaidoso cultiva a humildade; e fazer esforços para se tornar humilde é a maior estupidez. Mas um homem pode atingir a humildade facilmente, quando a mente começa a compreender a si mesma, começa a compreender todos os recantos obscuros e inexplorados da consciência. Pelo autoconhecimento atinge-se a humildade, e essa humildade é o próprio solo, os próprios olhos, o próprio alento que vos permitem ver, dizer, comunicar. Não podeis conhecer a vós mesmo, se condenais, se julgais e avaliais; mas observar, ver “o que é”, sem distorção, observar como se observa uma flor, sem a fazer em pedaços, isso é autoconhecimento. Sem o autoconhecimento, todo pensamento conduz à perversão e à ilusão. Assim, com o autoconhecimento começamos a lançar a base da verdadeira virtude, a qual não pede ser reconhecida pela sociedade ou por outra pessoa. No momento em que a sociedade ou outra pessoa a reconhece, isso significa que estais no padrão delas e, por conseguinte, vossa virtude é a virtude da respeitabilidade, e, portanto, já não é virtude.

O autoconhecimento, pois, é o começo da meditação. Há muito ainda que dizer acerca da meditação; isto aqui é apenas uma introdução, por assim dizer, apenas o primeiro capítulo. E o livro não tem fim; não há terminar, atingir. E a maravilha de tudo isso, a beleza de tudo isso é que quando a mente — na qual se inclui o intelecto, tudo — viu e se esvaziou de todos os descobrimentos que fez, quando está inteiramente livre do conhecido, sem “motivo” de espécie alguma, poderá, então, talvez, surgir na existência o incognoscível.

Krishnamurti, Saanen, 3 de agosto de 1961, O Passo Decisivo

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill