“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

A “explosiva” realização da atenção total

[...] Há o cérebro e há a mente. Notai, por favor, que estou empregando estas duas palavras muito cautelosamente. Há séculos que o cérebro se ocupa com sua própria conservação; ele é produto do tempo, resultado de todos os esforços “animalísticos” do homem. O cérebro humano é ainda como o animal que luta para a própria conservação, e ele é o justo centro do “eu”: minhas posses, minha casa, minha mulher, minha religião. Todos nós o conhecemos. Todos temos esse cérebro que busca a própria conservação; herdamo-lo do passado.

Agora, consoante os biologistas, a parte posterior do cérebro constitui o cérebro animal, e é muito ativa, enquanto que a parte anterior ainda está por desenvolver. Isso não significa que eu leio biologia, mas tenho amigos que o fazem e me disseram que a parte anterior do cérebro não está ainda totalmente desenvolvida, e que o cérebro humano deverá converter-se de “animalístico” em algo novo, maravilhoso. E meu desejo é salientar-vos que para se alcançar a totalidade da mente, que inclui o limitado cérebro, o tempo não é necessário. A mente integral é uma coisa que tem de ser compreendida; não se pode especular a seu respeito, porquanto não se trata de uma simples ideia religiosa, como a ideia de Deus, ou a ideia da alma, ou a ideia do céu. E podemos saltar daquele limitado estado da mente que é produto do passado e se desenvolveu através do tempo, diretamente para o atemporal, o completo, o total? É possível saltar do limitado para o ilimitado? Eis a questão. Eu digo que é possível — mas cumpre romper “explosivamente” com o passado. Precisa-se daquela extraordinária energia sobre a qual estive falando e que não é resultado de ajustamento, de resistência, de conflito. Deve a pessoa estar inteirada de seus próprios instintos animais, ciente do medo, da ambição, das buscas inspiradas pelo desejo; cumpre dar plena atenção a tudo isso. Descobre-se, assim, que o tempo como fator de evolução deixa de existir. Não estou dizendo que não há evolução — pois, de fato, há; mas vós tereis ultrapassado as fronteiras do tempo. O tempo já não será um meio de chegar a alguma parte, um meio de se alcançar gradualmente o Sublime, a mais elevada forma da criação. A o verificar-se essa “explosiva” realização da atenção total, o cérebro, sempre muito ativo no afã de adquirir, torna-se quieto; essa quietude lhe é necessária para superar o mecanismo do tempo.

Notai que a tranquilidade do cérebro faz parte da meditação. Não desejo discorrer agora sobre a meditação; fá-lo-emos dentro em pouco. Mas é preciso percebermos a importância de termos o cérebro tranquilo, pois isso significa ficar livre da estrutura psicológica da sociedade. A estrutura psicológica da sociedade é ainda animalística; ela torna o cérebro ambicioso, ávido, invejoso, ciumento, apegado, e, em tais condições, o cérebro não conhece o amor. Podeis estreitar nos braços um homem ou uma mulher, podeis casar-vos, segurar a mão de um amigo, fazer o que quer que seja, mas não haverá amor enquanto o cérebro ainda constituir uma parte do passado “animalístico”, que constitui a estrutura psicológica da sociedade. A compreensão dessa estrutura, em nós mesmos, faz também parte da meditação; e, se chegardes até aí, descobrireis que, com aquela compreensão, se apresenta uma imensidade, um impulso criador que nada tem em comum com o escrever livros, poesias, ou pintar quadros, nem com nenhum dos absurdos e exigências infantis de uma sociedade em que tanto valor se atribui à fama. É uma criação que se verifica no imensurável — a culminância da existência. Mas, tal só será realizável quando a estrutura “animalística”, a estrutura psicológica da sociedade tiver sido de todo rejeitada — significando isso que a mente, o cérebro, já não é ambiciosa, apegada, dependente, já não deseja preencher-se, já não deseja ser alguém, já não busca o poder, a posição, o prestígio.

Respondi à vossa pergunta, senhor?

OUVINTE: Destes-me algo sobre que pensar.

KRISHNAMURTI: Não penseis nisso, senhor. Pensar sobre uma coisa implica tempo. Dizeis “Não percebo isso agora, mas vou refletir a seu respeito e posteriormente o perceberei”. O pensamento não vos fará perceber nada; o tempo não vos dará compreensão. No momento em que dizeis que ides pensar acerca de uma coisa, criastes a estrutura do “por enquanto vou tentar” — e estais, então, completamente perdido. O importante é cada um escutar com todo o seu ser; e esta é realmente a nossa dificuldade. “Escutar com todo o ser” não é apenas ouvir as palavras do orador, mas também ver, imediatamente, por si mesmo, a verdade ou a falsidade do que se está dizendo; e esse escutar exige extraordinária energia. Não se trata, pois, de “tentar, por enquanto”. Ou a pessoa escuta com todo o seu ser, ou nada escuta. Se escutardes com todo o vosso ser, vereis que ocorrerá uma “explosão” interior, não amanhã ou no fim do dia, porém instantaneamente. Foi sobre isto que estive falando: esta “explosiva” transformação que deverá verificar-se no presente imediato.

Notai que, se apenas ficais pensando sobre isso, todas as vossas reações defensivas entram em cena e, assim, continuais a ajustar-vos ao padrão de vossa existência diária, a submeter-vos a esse padrão sempre que seja inconveniente rejeitá-lo. E isso é tudo o que o pensamento pode fazer: dar voltas e mais voltas, infinitamente. O pensamento, pois, não é o instrumento da percepção, não é a dinamite que destruirá o passado. Tendes de dar vosso coração ao escutar — é isso mesmo que quero dizer: tendes de dar vosso coração ao escutar, e não, simplesmente, ouvir palavras com o intelecto. Pode uma pessoa ser extraordinariamente sutil, capaz de falar com eloquência, de citar muitos livros, mas nada disso operará o milagre. O milagre está no “escutar totalmente”.

Krishnamurti, Saanen, 31 de julho de 1962,
O homem e seus desejos em conflito

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill