“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

O mecanismo da necessidade de estímulo

O mecanismo da necessidade de estímulo

PERGUNTA: Quando vos ouço falar, o que dizeis parece, produzir-me perplexidade e intensificar esse estado de perplexidade. Há oito dias eu não tinha problema algum, e agora me vejo atolado na confusão. Por que razão acontece isto?

KRISHNAMURTI: Pode ser por uma razão muito simples. Talvez, porque estivestes dormindo e agora estais começando a pensar. Entrando e assentando-vos aqui, acidentalmente, vos vistes, porventura, sacudido, impelido, estimulado. Entretanto, se estais sendo apenas estimulado, quando sairdes daqui, recaireis na mesma condição de antes. O estimulo embota a mente: não a desperta. O estímulo torna a mente embotada, e não desperta; poderá despertá-la por instantes, mas a mente logo recai no seu habitual estado de embotamento. Depender destas nossas reuniões como meio de estímulo, é o mesmo que beber: no fim a mente se tornará embotada. Se dependeis de uma pessoa, para estimular-vos a pensar, vós vos tornais seu discípulo, seu seguidor, seu escravo, com todas as frivolidades inerentes a essa condição; e desse modo, fatalmente, acabareis embotado. Mas se, por outro lado, reconhecerdes que tendes problemas (eles poderão estar adormecidos, no momento, mas existem) e começardes imediatamente a enfrentá-los, já não necessitareis de ser estimulado por mim nem por ninguém mais. Não necessitareis de sair em busca dos problemas, porque os enxergareis em vós mesmo e em todas as coisas que vos cercam, em vosso caminho pela vida — lágrimas, doenças, pobreza, morte.

A questão, por conseguinte, é de como devemos aplicar-nos ao problema, abeirar-nos dele. Se nos abeiramos de qualquer problema com a intenção de achar-lhe a solução, esta solução irá criar mais problemas; isso é bem óbvio. O importante é penetrar o problema, para começar a compreendê-lo, e tal só é possível quando não o condenamos, nem lhe resistimos, nem o afastamos de nós. A mente não pode resolver problema algum, enquanto condena, justifica ou compara. A dificuldade não está no problema, mas na mente que dele se abeira com uma atitude de condenação, justificação ou comparação. Assim sendo, primeiramente deveis compreender como a vossa mente está condicionada pela sociedade, pelas inumeráveis influências existentes ao redor de vós. Vós vos denominais hinduísta, cristão; muçulmano, ou o que quer que seja, e isso significa que vossa mente está condicionada; e é a mente condicionada que cria o problema. Quando uma mente condicionada busca solução para um problema, está a mover-se em círculos, e sua busca nada significa; e vossa mente está condicionada, porque sois invejoso, porque comparais, julgais, avaliais, porque estais acorrentado por crenças e dogmas. É esse condicionamento que cria o problema.[...]

PERGUNTA: Ouvimos o que dizeis, até à saciedade. Pode dar-se o caso de vos ouvirmos em excesso? Não nos arriscamos a embotar-nos, por excesso de estímulo?


KRISHNAMURTI: Pode acontecer uma coisa dessas — ouvir em excesso? Que entendemos por ouvir, escutar? Se ouvimos com o fim de armazenar e de agir de acordo com o que armazenamos, nesse caso o escutar pode tornar-se excessivo, já que é um mero estímulo a mais ação. É isso o que fazemos, em geral. Escutamos com o fim de aprender, adquirir; retemos na mente o que aprendemos e, daí, passamos à ação. Enquanto o escutar for um processo de acumulação, naturalmente ele poderá tornar-se excessivo, enfartante; mas se escuto sem nenhum propósito de aquisição, de acumulação, nesse caso o meu escutar tem significado completamente diverso. Escutar é aprender; mas se estou armazenando o que aprendo, o aprender se torna impossível. O que aprendo é então contaminado pelo que já armazenei e, portanto, isso já não é aprender. É no "mecanismo" da acumulação que o escutar se torna cansativo, excessivo e, por conseguinte, como qualquer outro estimulante, muito depressa faz a mente embotar-se. Sabeis que o que vou dizer, já foi dito noutra ocasião e sabeis o fim da sentença antes de eu a terminar. Isso não é escutar. Escutar é uma parte; é prestar ouvidos à totalidade de uma coisa, e não apenas a palavras; e esse escutar nunca pode tornar-se excessivo.

Krishnamurti, Segunda Conferência em Bombaim
11 de março de 1956, Da Solidão à Plenitude Humana

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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill