“Não se pode falar do oceano para um sapo do brejo — criatura de uma esfera mais acanhada. Não se pode falar de um estado isento de pensamento para um pedagogo; sua visão é demasiado restrita”. — Chuang Tzu

Autoconsciência é consciência em limitação

Pergunta: Dizeis que a consciência é limitação e que a vida é libertar-se da consciência, isto é, acautelamento. Não é o acautelamento o mesmo que consciência? Quereis significar “autoconsciência” quando dizeis “consciência em limitação”, ou usais o termo em sentido mais amplo?

Não são consciência e vida uma a mesma coisa encaradas sob ângulos diferentes, sendo ambas manifestações do “puro ser”, sendo a forma utilizada como medianeira para ambas? Pode qualquer delas existir independentemente da forma? Por favor, explicai isto com maior plenitude.

Krishnamurti: Como expliquei, a consciência vem ao ser quando existe limitação, e apercebimento é o estar acautelado quanto ao objeto da limitação e libertar-se dele. Ficais conscientes de uma porta quando ela vos impede de passar, se, porém, a atravessardes, ficais apercebidos do objeto que ocasiona a vossa limitação, isto é, a porta, e, daí, vos libertais da porta. Pode tornar-se de certo modo difícil, o explicar isto. A isto voltaremos novamente. Vós sois conscientes da cólera; quando, porém, transcendeis a cólera, apercebei-vos dessa limitação e daí, dela ficais livres. Assim, pois, o puro apercebimento de todas as coisas é o real, a realidade na qual não existe falsidade. O apercebimento, para mim, é o reconhecimento de que todas as coisas são reais — de que todas as coisas existem por causa da vida, de que todas as coisas estão na vida. Assim, pois, se estiverdes apercebidos dessa pura vida sem limitação, sereis unos com essa vida em sua função criativa, a qual é ação.

“Quereis dizer ‘autoconsciência’, quando dizeis ‘consciência é limitação’, ou usais da palavra em seu significado mais amplo?” Sim, quero dizer isso. Uso das palavras “consciência” e “autoconsciência”, como surgindo ambas da limitação.

Não são consciência e vida uma e a mesma coisa encaradas sob ângulos diferentes, sendo ambas manifestações do puro ser, a forma sendo usada como meio para ambas? Pode qualquer deles existir sem forma? Por favor, explicai isto com maior plenitude”. A vida não pode existir sem forma. Não podeis dividir a vida, porém podeis, vós próprios, ficar livres e transcender todas essas qualidades sub-humanas e ser, por esse modo, essa pura vida, desimpedida, funcionando plena e absoluta.  
    

Krishnamurti em Acampamento da estrela de Ommen, 5 de agosto de 1930 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)