“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Sobre o desejo de realizar o puro ser

Pergunta: Pode alguém, pelo obter união com a vida universal, achar-se conscientemente unido com os seres amados que estão mortos?

Krishnamurti: Quando há união com a vida, não se cogita mais sobre vida ou morte, sobre ser amado presente ou ser amado ausente — são fatos esses que pertencem ao mundo onde impero o tempo e o espaço. Se me é permitido dize-lo, estais vos acercando dessas coisas, sob um ponto de vista pessoal. Saís em busca da verdade por que quereis achar um ente amado que foi perdido. Seguramente esta é uma maneira muito curiosa de encarar a vida. Esta vida, a totalidade de todas as coisas, é a consumação de todas elas, de todas as existências individuais. A existência individual conhece a vida e a morte, porém no Todo não há vida nem há morte. Não se pode buscar a um indivíduo particular na totalidade. Se o fizerdes ficareis ainda sustentando divisões e separações.

Pergunta: Dizei-nos, por favor, algo mais acerca da qualidade do amor. Será ele essa compaixão que queima o coração e que se sente, por vezes, em relação a todo o ser humano?

Krishnamurti: Compaixão é a combinação de tristeza e do prazer, da dor e da alegria. A verdadeira compaixão encerra os opostos, e compreende a ambos. Se não souberdes o que é odiar, jamais sabereis o que é amar — posto que, como é natural, não digais que seja indispensável o odiar. A ideia de que a compaixão é amor todo-consumador, no qual não existe nem ódio, nem inveja, nem ciúme, é errônea. A compaixão é a mistura de todas essas coisas; ela é todo-integrativa e, portanto, é compreensão de todas elas.

Por favor dizei-nos algo mais acerca da qualidade do amor”. Que não sabeis amar nem sentir? Como posso eu descrever-vos aquilo que é indescritível? Se não souberdes amar, como o posso eu explica-lo? Se não possuirdes o sentido do tato, como posso eu dizer-vos o que é tocar? Não existe esse ser que se pareça com uma pessoa que não ame, que não sinta. Quando buscais uma explicação para o amor, pretendeis uma explicação sobre-humana, sobrenatural. Que valor tem ela, desde que o amor vulgar vos pode ensinar tudo quanto vos é necessário?

Pergunta: Há algum tempo, já vos haveis servido da seguinte expressão: “Aquilo que percebeis, desejais”. Em que sentido tomais o “perceber”? Quereis dizer que desejamos aquilo que julgamos nos fará mais felizes, ou tomais “perceber” em qualquer outra acepção?

Krishnamurti: Quando percebeis a felicidade sob a forma de posses, vosso desejo anseia pelas posses. Quando vos atemorizais mental e emocionalmente, o desejo, em sua percepção do medo, cria uma imagem para sua proteção e consolo. Pensais que por possuirdes muitos bens, posição social, etc., vireis a ser felizes. Assim, trabalhais e exercitais vossa energia; todas as vossas faculdades e sentimentos se concentram em aquisições. O desejo opera continuamente na direção de um objetivo determinado. Ao passo que, se a vossa percepção, o vosso entendimento forem da felicidade como ser, então o vosso desejo será o de realizar esse puro ser, essa existência isenta de esforço; e é nessa direção que lutais. Por esta maneira o desejo chega a tornar-se a sua própria disciplina.        


Krishnamurti em Reunião de Verão, 22 de julho de 1930 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill