“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Pela tristeza, o estado de puro e verdadeiro ser

Temos que muitos dias sejam necessários afim de responder a todas as perguntas que me foram feitas, e, portanto, fizemos o seguinte: reunimos todas as perguntas semelhantes a fim de formular perguntas sintéticas. Se examinardes as respostas, verificareis que vossas perguntas foram por esta maneira, respondidas. Assim, pois, não vos sintais molestados se aparentemente vossas perguntas foram deixadas de parte: elas realmente não o foram.

Pergunta: Em resposta a uma pergunta de ontem acerca do homem civilizado que nada pede para si próprio seja de quem for, haveis dito: “temos que ser transigentes com coisas físicas”. Isto pode levar a desentendimentos. Podeis explicar isto um pouco mais?

Krishnamurti: Para explicar isto um pouco mais, tendes que ter em vista o desejo. O desejo busca a felicidade por muitas maneiras, e em sua busca cria conflitos. Ora, o homem busca primeiro, a felicidade por meio de uma multidão de coisas — posse, dinheiro, casas, roupas, todos os requisitos da civilização moderna. Depois, passa a um mundo mais sutil de gozo, onde ainda pelo desejo busca a felicidade. Não a encontra aí e por isso torna-se indiferente, que é o libertar-se da tristeza por maneira negativa — pois não é isto um estado do ser positivo. Assim, uma vez mais necessita ele de sofrer até que chegue a esse estado do verdadeiro ser que é a consumação da felicidade.

Quando ontem disse que se necessita de ter transigências com as coisas físicas, é preciso compreender o que eu tenho em vista: Deve haver completo desapego de todas as coisas — de todos os confortos, do desejo de posses, dos gozos tanto sutis como grosseiros — não pela autoridade, ou pelos temores, mas por vós mesmos o quererdes; e por meio deste desejo sobreviverá o êxtase e a atividade do ser. Quando disse que precisamos transigir com as coisas físicas, quis dizer que necessitamos, por exemplo, de usar um par de calças, porém que nada serve o multiplicar essas calças até várias centenas. A felicidade não se encontra nessa direção. Tendes que possuir um certo mínimo, porém, sem apegos; e então estareis livres, ficareis indiferentes a essas coisas. Sei que imediatamente irei traduzir isto em milhares de outras coisas. Por isso é que fiz minha introdução ao que ia expender dizendo: Examinai os vossos desejos, verificai se o vosso desejo se apega ao conforto, à popularidade, às modas, a todas as idiossincrasias inúmeras do homem — ou antes do ainda-não-homem. Depois, após grande exame e cuidadoso pensar ficareis libertos dessas coisas. Então não mais se tratará de transigências. Isto, porém, exige grande concentração, grande reflexão, afim de reconhecer o alvo do desejo. Podeis deixar de lado as vossas roupas, o vosso hábito de fumar, de comer carne, e tudo mais a persistência, porém ainda esse desejo pode estar apegado apaixonadamente a qualquer outra coisa. É pelo completo desprendimento, pela libertação de todos os apegos, sem transigência de qualquer espécie, que chegareis a plena realização da verdade. Podeis estar libertos de apego físico, libertos do desejo de conforto; se, porém, sentirdes o desejo de vos abrigar do medo, de possuir tabernáculos mentais nos quais tomeis refúgio, ideias confortantes nas quais busqueis consolação — então não estareis realmente desapegados. Com todas estas coisas não deve haver transigência. Quando não mais houver esse apego doloroso às coisas, grosseiras, sutis, ou sem forma, então desse desprendimento provirá o êxtase de viver, do ser, que nada mais é que o perfeito equilíbrio da naturalidade.          


Krishnamurti em Acampamento da estrela de Ommen, 6 de agosto de 1930 (Campfire)
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill