“Assimila o que puderes, das verdades destas páginas — e cria em tua alma uma atmosfera propícia para compreenderes mais, com o correr dos anos e tua progressiva evolução espiritual, que consiste essencialmente na abolição do egoísmo em todos os seus aspectos, e na proclamação de um amor sincero e universal para com todas as criaturas de Deus”. — Huberto Rohden

Sobre a questão da educação

Pergunta: Como poderemos distinguir entre a propulsão do verdadeiro Tirano interior e a obsessão proveniente do entusiasmo pessoal?

Krishnamurti: Por meio da experiência. Para reconhecerdes o verdadeiro Tirano que está dentro de vós, tendes que experimentar, tendes que observar, necessitais peneirar e separar vossos próprios pensamentos, emoções e impulsos. Se estes não se harmonizarem com a vossa meta, criarão tristeza e por esse modo vos conduzirão ao entendimento.

Pergunta: Devem as crianças ser educadas de acordo com as opiniões dos adultos, ou deve-se-lhes permitir que resolvam seus próprios problemas?

Krishnamurti: Qual o propósito da vida? Chegar à felicidade por meio da libertação, a liberdade para todos. Se tiverdes isto em mente, agireis como alguém que protege enquanto a criança é nova, mantendo essa finalidade em vista a todo instante. Se eu fosse professor em uma escola, guardaria de continuo em minha mente a ideia da liberdade como sendo a meta para as crianças, o atingir da absoluta libertação e felicidade eterna. Naturalmente, elas não podem atingi-la nesse breve período de tempo que denominamos uma vida; porém é esta a meta final. Assim, pois, eu estabeleceria certas regras e regulamentos, porém todas elas ficariam sujeitas a esta única coisa.

Tomai como exemplo uma planta pequena. Enquanto ela é nova, vós lhe dais água, vós a abrigais do sol e dos ventos; sabeis, porém, que tempo virá em que ela não mais necessitará de vosso abrigo. Ela exigirá espaço e liberdade para crescer, ou então morrerá.

O mesmo se dá com as crianças. Atingir essa felicidade que é eterna por meio da libertação, é o que todos desejam; isso porém não significa desordem e caos. A libertação significa a produção de um milagre de ordem, tirando-a de séculos de caos, resultante de gerações de pensar ignorante e de crenças insensatas.

Pergunta: Que consecução da vida espiritual ( não de uma religião ou dogma ) a não ser a vida que ela conhece, apresentaríeis a uma criança, de modo a não ficar ela emaranhada em imagens picturais e concepções concretas?

Krishnamurti: Eu lhe ensinaria a amar a vida, a gozar a vida, quer esta traga consigo a felicidade ou a tristeza. Se eu tivesse um filho, ensinar-lhe-ia a averiguar que ele é o seu próprio mestre, seu próprio guia e que não deverá confiar na autoridade externa, em busca de conforto, em expressões exteriores dessa mesma vida, para chegar ao entendimento; que ele precisa de descobrir e esforçar-se, no sentido de encontrar a maneira de libertar a vida.

Se se mostrar a uma criança, desde o inicio que o preenchimento da vida, dentro dela própria, se produz pelo libertar essa vida de todas as limitações, o que é o resultado de passar pela experiência, e ultrapassar toda experiência, por essa luz se guiará ela a si mesma e não pela luz — ou treva como eu de preferencia lhe chamaria — ou de uma autoridade, do medo, da tradição. Explicai-lhe desde o início que ela própria tem de libertar essa vida que é espiritual. Não lhe podeis ensinar a realiza-la, — pois a via de preenchimento difere para cada homem — porém podeis mostrar-lhe a meta final sem começo nem fim. Dado vós, o pai, o haverdes compreendido, podeis dar-lhe do vosso entendimento.

Pergunta: O estudo da ciência moderna, com sua concepção da imensidade, da natureza e da insignificância do homem, com seu curto palmo de vida, tende a estupidificar todo o presente esforço, especialmente nos jovens e produz uma atitude negativa à vida. Como pode isto ser contrariado?

Krishnamurti: A imensidade da natureza não é maior do que a própria vida. A natureza, no fim de tudo é vida; é um termo que expressa a vida por uma maneira diferente. Pelo fato de os homens não estarem enamorados pela vida, são vencidos pela atitude negativa, que estupidifica e limita a vida. A vida está em cada um. Se a vida não constitui vosso predominante interesse e o preenchimento da vida vossa necessidade mais urgente, tudo o mais, naturalmente assumirá maior importância. Daí provirá a estupidificação dessa mesma vida. Como impedir isso? Fazendo convite a grandes tristezas, a grandes gozos, na plenitude de vosso coração; pelo convite à dúvida. É esta a maneira única de escapar de ser colhido pela limitação e, por essa maneira, sufocar a vida.

Pergunta: Que espécie de educação devemos dar a uma criança afim de faze-la aceitar a mensagem da libertação?

Krishnamurti: Nutro a esperança de que ela não aceite. Quereis forçar as pessoas a libertação por meio de outrem, seja quem for. Vós próprios não possuis o desejo de vos libertar ou deixar que outros se libertem, e, assim, pretendeis forçá-los a aceitar a ideia da libertação.

Ultimamente, na Califórnia, vi uma localidade denominada Lázaro Riu-se. Quando Lázaro ressurgiu do túmulo, começou a rir, porque sabia não existir a morte; ele riu-se por ver que todos se incomodavam com a morte. Ele tem discípulos e seguidores e estes riem-se também, porém riem-se por meio de uma máscara.

É isto que vós estais fazendo agora. Falais de libertação, de felicidade, através de uma máscara, não por convicção própria. Para mim ela é real, eterna; para vós não o é. Haveis posto fora a máscara de que haveis sido portadores, durante todos esses anos; porém agora afivelasteis uma outra que vos assenta mal.

Pergunta: Como apresentaríeis a ideia da morte a uma criança, de modo a não sentir ela medo? Não nascem certas crianças com um medo inato da morte? Como pode ele ser removido?

Krishnamurti: Se vós pessoalmente tiverdes medo da morte, comunicareis esse medo a vosso filho. Como a maioria das pessoas se atemorizam com a morte, as crianças atemorizam-se também. Na Índia, o povo não se atemoriza muito com a morte. Há tantas mortes todos os dias que, de fato, eles habituam-se a isso. Podeis ver crianças contemplando corpos mortos ao serem conduzidos pelas ruas. Para explicar a morte a uma criança, eu usaria o exemplo de uma flor. Assim como uma flor murcha, o corpo murcha também. Nada existe que possa causar medo, por tal motivo. É um acontecimento natural, o curso natural de uma flor ou de um ser humano. Nada existe de horror, de terrífico, a respeito da morte. A morte só é temível, quando vos apegais à forma externa, a qual é mera expressão da vida. Se, porém, estiverdes em amor com a vida, a expressão dessa vida não vos colherá fortemente.


Krishnamurti, 1930
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"Quando você compreende, quando chega a saber,
então traz toda a beleza do passado de volta
e dá a esse passado o renascimento, renova-o,
de forma que todos os que o conheceram
possam estar de novo sobre a terra
e viajar por aqui, e ajudar as pessoas." (Tilopa)



"Nos momentos tranqüilos da meditação, a vontade de DEUS pode tornar-se evidente para nós. Acalmar a mente, através da meditação, traz uma paz interior que nos põe em contato com DEUS dentro de nós. Uma premissa básica da meditação, é que é difícil, senão impossível, alcançar um contato consciente, à não ser que a mente esteja sossegada. Para que haja um progresso, a comum sucessão ininterrupta de pensamentos tem de parar. Por isso, a nossa prática preliminar será sossegar a mente e deixar os pensamentos que brotam morrerem de morte natural. Deixamos nossos pensamentos para trás, à medida que a meditação do Décimo Primeiro Passo se torna uma realidade para nós. O equilíbrio emocional é um dos primeiros resultados da meditação, e a nossa experiência confirma isso." (11º Passo de NA)


"O Eu Superior pode usar algum evento, alguma pessoa ou algum livro como seu mensageiro. Pode fazer qualquer circunstância nova agir da mesma forma, mas o indivíduo deve ter a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e ter a disposição para receber a mensagem". (Paul Brunton)



Observe Krishnamurti, em conversa com David Bohn, apontando para um "processo", um "caminho de transformação", descrevendo suas etapas até o estado de prontificação e a necessária base emocional para a manifestação da Visão Intuitiva, ou como dizemos no paradigma, a Retomada da Perene Consciência Amorosa Integrativa...


Krishnamurti: Estávamos discutindo o que significa para o cérebro não ter movimento. Quando um ser humano ESTEVE SEGUINDO O CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO, e PASSOU por TUDO isso, e esse SENTIDO DE VAZIO, SILÊNCIO E ENERGIA, ele ABANDONOU QUASE TUDO e CHEGOU AO PONTO, à BASE. Como, então, essa VISÃO INTUITIVA afeta a sua vida diária? Qual é o seu relacionamento com a sociedade? Como ele age em relação à guerra, e ao mundo todo — um mundo em que está realmente vivendo e lutando na escuridão? Qual a sua ação? Eu diria, como concordamos no outro dia, que ele é o não-movimento.

David Bohn: Sim, dissemos que a base era movimento SEM DIVISÃO.

K: Sem divisão. Sim, correto. (Capítulo 8 do livro, A ELIMINAÇÃO DO TEMPO PSICOLÓGICO)


A IMPORTÂNCIA DA RENDIÇÃO DIANTE DA MENTE ADQUIRIDA
Até praticar a rendição, a dimensão espiritual de você é algo sobre o que você lê, de que fala, com que fica entusiasmado, tema para escrita de livros, motivo de pensamento, algo em que acredita... ou não, seja qual for o caso. Não faz diferença. Só quando você se render é que a dimensão espiritual se tornará uma realidade viva na sua vida. Quando o fizer, a energia que você emana e que então governa a sua vida é de uma frequência vibratória muito superior à da energia mental que ainda comanda o nosso mundo. Através da rendição, a energia espiritual entra neste mundo. Não gera sofrimento para você, para os outros seres humanos, nem para qualquer forma de vida no planeta. (Eckhart Tolle em , A Prática do Poder do Agora, pág. 118)


O IMPOPULAR DRAMA OUTSIDER — O encontro direto com a Verdade absoluta parece, então, impossível para uma consciência humana comum, não mística. Não podemos conhecer a realidade ou mesmo provar a existência do mais simples objeto, embora isto seja uma limitação que poucas pessoas compreendem realmente e que muitas até negariam. Mas há entre os seres humanos um tipo de personalidade que, esta sim, compreende essa limitação e que não consegue se contentar com as falsas realidades que nutrem o universo das pessoas comuns. Parece que essas pessoas sentem a necessidade de forjar por si mesmas uma imagem de "alguma coisa" ou do "nada" que se encontra no outro lado de suas linhas telegráficas: uma certa "concepção do ser" e uma certa teoria do "conhecimento". Elas são ATORMENTADAS pelo Incognoscível, queimam de desejo de conhecer o princípio primeiro, almejam agarrar aquilo que se esconde atrás do sombrio espetáculo das coisas. Quando alguém possui esse temperamento, é ávido de conhecer a realidade e deve satisfazer essa fome da melhor forma possível, enganando-a, sem contudo jamais poder saciá-la. — Evelyn Underhill